Title: Quest�o de Direito Penal
 

Guilherme

 

Para n�o perder o foco do tema vejamos o caso concreto proposto:

"Dois homens entram em uma agencia bancaria armados
de revolveres de brinquedos muito parecidos com de verdade.
No momento do assalto, o gerente consegue fugir, e na rua e atropelado
e vem a falecer. Chega a policia e prende os dois assaltantes com a sacola
de dinheiro ainda dentro da agencia".

 

Sob um primeiro olhar tivemos os seguintes entendimentos:

 

Hetan:

"Por derradeiro tenho que houve Roubo na forma do Art. 157 �3.� do CP, com aplica��o da lei de crimes hediondos no caso de dolo eventual – Art. 1.� II da Lei 8072. J� entendo n�o haver aplica��o da lei extrapenal se o Homic�dio se deu culposamente."

Guilherme: "condena��o dos r�us por crime de tentativa de roubo, aplicando-se, destarte, os arts. 157,” caput “, c/c 14, II, e seu par�grafo �nico, todos do C�digo Penal."

Cl�vis: "O crime � a tentativa de roubo. Incab�vel pensar-se em latroc�nio"

Josy: "A hip�tese � de tentativa de roubo e n�o de latroc�nio".

Em virtude de uma interpreta��o isolada da S�mula 610, e muito em virtude as suas s�bias considera��es, busquei jurisprud�ncias que contemplavam a tentativa:

"jurisprud�ncia desta Corte que, quando h�
homic�dio  consumado e subtra��o patrimonial tentada (como ocorreu no  caso), se cristalizou na Sumula 610".
HC-69579 / SP - STF

revolvi meu entendimento:

Hetan: houve Latroc�nio consumado e tentativa de subtra��o material, formulado em acordo com entendimento do STF, conforme esclarecedora jurisprud�ncia a respeito.

Observe que em nenhum momento eu abandonei a tese de Latroc�nio firmado pela S�mula 610.

Nem poderia:

O Nexo etiol�gico est� firmado:

"Assim, se o agente se fere na fuga quando procura fugir � agress�o, h� rela��o de causalidade, pois, se hipoteticamente se suprimisse a agress�o, a v�tima n�o fugiria e, portanto, n�o sofreria les�o". JCAT 77/615-6; e no mesmo sentido TJSP - RT 382/271 e 387/82.

Vc sugere uma hip�tese para desfazimento do nexo causal:

"causa superveniente relativamente independente que causou o resultado (art. 13, �1�, do CP)"

Para excluir a imputa��o pela causa relativa independente temos:

"Se o evento resultou de ato da pr�pria v�tima, consistente na a��o independente de descer do ve�culo em movimento, que se intercalou na cadeia causal, inaugurada pelo r�u, ao abrir a porta do mesmo antes do ponto" - RT 453/401

Tenho que a v�tima em fuga foi atropelada, n�o consiste ser uma a��o independente, ou mesmo relativamente independente.

Exceto se, como j� tive oportunidade de apresentar, o il�cito ocorressem num lugar em que n�o houvesse carros passando - as Ruas de Pedestres, ou se o il�cito se desse no campo. 

 

Vamos nos aprofundar mais. Ent�o prenda a respira��o...

Aplicabilidade da Causa  superveniente relativamente independente  que por si s� produzir o resultado.

Morte de V�tima por concausa que surgiu em virtude de opera��o na face. A concausa por si s� produziria o resultado. A opera��o na face de car�ter est�tico, sem fins de afastar o perigo da v�tima - RT 530/329.

Observe que nesta li��o embora a concausa auto-suficiente - morte da v�tima - n�o estava dentro do desdobramento do fato - Opera��o da face para fins est�ticos.

 

Voltando ao nosso caso, ser atropelado � concausa auto-suficiente, por si s� produziu a morte, devemos romper de pronto o nexo etiol�gico em rela��o � fuga? 

 

Vejamos outra li��o:

"Se a v�tima de roubo a m�o armada  contrai broncopneumonia em virtude de obrigat�ria interna��o hospitalar, em decorr�ncia dos tiros por ela recebidos, n�o h� o que se falar em superveni�ncia de causa relativamente independente ou inexist�ncia de rela��o de causalidade se ela vem a falecer depois”   JTJ 161/276, e no mesmo sentido RJDTACRIM 11/109, RT 731/605, RT 455/376.

 

E � neste sentido que n�o podemos dissolver o nexo causal, Fuga - Atropelamento - Morte.  A resposta para o acinte � n�o.

  

Temo insigne colega n�o privilegiar o seu entendimento pela contempla��o da causa superveniente, n�o obstante o meu tenaz esfor�o de intelig�ncia.

Outrossim n�o posso me valer de Ju�zes e Promotores. Sou, como vc p�de observar sou um Pirata do Direito.

Tenho somente os Livros - � o meu navio, as Jurisprud�ncias - o meu oceano, e  as  teses tranq�ilas ou n�o –  o objeto de minha pilhagem.

Talvez um dia possa lhe falar sobre o meu Tesouro...

Veja  listeiros no em http://www.phorum.com.br/foruns/direito.net - Ilustrativa discuss�o sobre crimes tentados e consumados, e Latroc�nio ou mera tentativa de roubo. � de gr�tis.....eheheheheheh

Sob censura

Cordialmente Hetan

[EMAIL PROTECTED]

 

  
-----Mensagem original-----
De: [EMAIL PROTECTED] [mailto:[EMAIL PROTECTED]]
Enviada em: domingo, 4 de junho de 2000 16:59
Para: [EMAIL PROTECTED]
Assunto: [penal] Tentativa de Roubo

Assistente de Criação

 

Hetan, Meu Caro,
 
 
 
 
Quanto �s suas conclus�es a respeito dos elementos da culpa "stricto sensu", n�o fa�o maiores reparos.
 
S� n�o consigo compreender como voc� conseguir� transpor a "barreira" que lhe op�e o art. 13, � 1�, do C�digo Penal... Seus argumentos, muito bons por sinal (como de praxe), n�o se lastreiam na exist�ncia, ou n�o, de nexo de causalidade, repare.
 
Assim � que, se temos, de um lado, uma conduta e, ap�s esta conduta, surge uma concausa (o motorista que atropela o gerente do banco), � de se indagar: a despeito de qualquer coment�rio sobre a o fato de haver, ou n�o, previsibilidade quanto ao resultado natural�stico, o atropelamento, como assinalaram neste f�rum os demais debatedores, n�o seria tido como causa superveniente relativamente independente que causou o resultado (art. 13, �1�, do CP), excluindo-se, destarte, o nexo causal?
 
Conversando com alguns Promotores de Justi�a e Ju�zes amigos meus, pude inferir que todos seguem o mesmo posicionamento da falta de nexo de causalidade entre a conduta dos assaltantes e a morte do gerente.
 
Por derradeiro, salvo melhor ju�zo, voc�, h� um ou dois dias, havia acolhido a tese de tentativa de roubo (art. 157 c/c art. 14, II e par�grafo �nico, ambos do CP), e n�o de latroc�nio consumado. O que o fez mudar de opini�o?
 
Bem, de qualquer sorte, aguardo seus valiosos coment�rios.
 
Cordialmente,
 
Guilherme da Rocha Ramos
----- Original Message -----
From: Hetan
Sent: s�bado, 3 de junho de 2000 13:42
Subject: [penal] RES: Re: RES: Re: Crime Formal e Material

Car�ssimo
 Tomei o cuidado de n�o rebater o sua tese pontuando-a .
 Isso porque, como pudemos experimentar, o Direito � uma ci�ncia da dial�tica, da persuass�o, do convencimento, do entendimento, e � na cr�tica sincera que se busca um enteder melhor.
 Do ponto de vista da defesa, sua formula��o � v�lida, e, sem d�vida,  me utilizaria desta na certeza de estar usando uma boa t�cnica.
O mesmo n�o aconteceria sob a �tica da acusa��o. Acredito que o caminho que se descortinaria seria a tese por mim articulada.
Meu enquadramento do caso concreto a norma n�o se coaduna com os demais listeiros:
Hetan: houve Latroc�nio consumado e tentativa de subtra��o material, formulado em acordo com entendimento do STF, conforme esclarecedora jurisprud�ncia a respeito;
Guilherme: "condena��o dos r�us por crime de tentativa de roubo, aplicando-se, destarte, os arts. 157, "caput", c/c 14, II, e seu par�grafo �nico, todos do C�digo Penal."
Cl�vis: "O crime � a tentativa de roubo. Incab�vel pensar-se em latroc�nio"
Josy: "A hip�tese � de tentativa de roubo e n�o de latroc�nio".
 
Para os demais listeiros n�o alcan�arem o entendimento de Latroc�nio tem-se que n�o h� nexo causal na morte do gerente, com a a��o dos agentes, como ficou de todo estabelecido em sua tese: 
"No tocante � morte do gerente, n�o podem os assaltantes responder pela mesma, haja vista que, seja consumado ou tentado o delito, doloso ou culposo, pouco importa: s� se pode responsabilizar os agentes pelo resultado natural�stico ocorrido se, quando e porque ele tenha se dado em decorr�ncia da conduta dos infratores (exist�ncia de nexo causal)."
 
Entendo firmemente que h� nexo etiol�gico- " evidente nexo causal entre a a��o dos agentes - assalto - e a rea��o da v�tima - fuga".  O nexo causal somente falecer� se na fuga n�o fosse pelo menos previs�vel o resultado natural�stico.
Por exemplo: Se o ilicito ocorrece num lugar em que n�o houvesse carros passando,  as Ruas de Pedestres.
Ou se ilicito se desse no campo. 
Agora, ao contr�rio, se o il�cito se deu em um lugar onde poderia se supor tranquilamente que a v�tima em fuga ou os agentes em fuga,  teriam risco real e imediato, prev�ssivel, de um novo il�cito penal, foi feita a "Ponte de Ouro" , h� nexo causal.
Observe o que firma a seguinte jurisprud�ncia
"Assim, se o agente se fere na fuga quando procura fugir � agress�o, h� rela��o de causalidade, pois, se hipoteticamente se suprimisse a agress�o, a v�timan�o fugiria e, portanto, n�o sofreria les�o". JCAT 77/615-6; e no mesmo sentido TJSP - RT 382/271 e 387/82.
 
Penso que este ensinamento � excessivo para o estabelecimento do nexo etiol�gico, pois temos que levar em considera��o n�o o resultado natural�stico pura e simplesmente, mas se este seria prev�sivel.
Exemplo de resultado prev�sivel fuga e atropelamento num grande centro;
Exemplo de resultado n�o prev�sivel fuga e morte porque um cometa caiu na cabe�a do evasivo. 
 
No exemplo sucintado - "e na rua � atropelado e vem a falecer"  pareceu-me evidente que o resultado - ser atropelado numa fuga - era previs�vel antes do il�cito Roubo.
   
Const�nuo portanto, com a devida v�nia, entender que houve Latroc�nio consumado e tentativa de subtra��o material, diferente dos demais colegas, podendo modificar meu entendimento se, na circunst�ncias em que ocorreu o il�cito, n�o havia como prever aquele resultado. 
-----Mensagem original-----
De: [EMAIL PROTECTED] [mailto:[EMAIL PROTECTED]]
Enviada em: sexta-feira, 2 de junho de 2000 23:39
Para: [EMAIL PROTECTED]
Assunto: [penal] Re: RES: Re: Crime Formal e Material

Apenas uma observa��o, colega Hetan: Eu n�o afirmei que o letroc�nio � crime material, e tanto � assim que n�o fiz qualquer coment�rio ou cr�tica � S�mula 610 do STF.
 
O que asseverei foi, t�o-somente, que o roubo, seja pr�prio ou impr�prio, mas sempre em sua modalidade simples, ou circunstanciada (e n�o o latroc�nio, que n�o deixa de ser um roubo qualificado), � crime material. A prop�sito, sequer cito, em meu coment�rio anterior, a S�mula 610 do STF (pode conferir), de molde que, repito, n�o fiz qualquer refer�ncia, e muito menos uma cr�tica, ao posicionamento do Excelso Pret�rio quanto � natureza (do ponto de vista do resultado natural�stico) do latroc�nio. Pode ser que um dia eu venha a formular uma tese contr�ria � da Colenda Corte, mas at� aqui e agora n�o foi o que fiz.
 
No mais, agrade�o muito ao colega por ter abra�ado a opini�o exposada por mim e pelos demais colegas deste f�rum.
 
Um abra�o amigo ao colega Hetan e a todos os demais debatedores!
 
Guilherme da Rocha Ramos
----- Original Message -----
From: Hetan
Sent: sexta-feira, 2 de junho de 2000 22:16
Subject: [penal] RES: Re: Crime Formal e Material

Car�ssimos

    S�o valiosa as li��es aqui apresentadas em especial devido a qualidade dos participantes. Neste sentido, vergo-me ao entendimento de que os crimes formais admitem a forma tentada. Generalizei uma afirma��o que guardava rela��o t�o somente ao caso concreto.

    Contudo, n�o estou s� quando tenho que o fato sucitado leva a ented�-lo como crime formal.

    Observem a jurisprud�ncia abaixo, de nossa maior corte, com o grifo nosso:

 

S�mula

610

Decis�o

17/10/1984

Publica��o

DJ DATA:29-10-84 PG:08114

Texto

HA CRIME DE LATROCINIO, QUANDO O HOMICIDIO SE CONSUMA, AINDA QUE
N�O SE REALIZE O AGENTE A SUBTRA��O DE BENS DA VITIMA.

Legisla��o

LEG:FED DEL:002848 ANO:1940 ART:00157 PAR:00003
*****  CP-40    CODIGO PENAL

Indexa��o

CRIME CONTRA O PATRIMONIO, LATROCINIO, CONSUMA��O, MORTE, VITIMA,
BENS, SUBTRA��O, RELEVANCIA, INEXISTENCIA.
PN0286 CRIME CONTRA O PATRIMONIO
LATROCINIO
CONSUMA��O

Precedentes

PROC:HC     NUM:0048935 ANO:71 UF:AM  TURMA:01 MIN:118  AUD:01-09-71
DJ      DATA:03-09-71  PG:*****      EMENT    VOL:00845-02  PG:00730
RTJ      VOL:00061-03  PG:00318
PROC:HC     NUM:0056171 ANO:78 UF:RJ  TURMA:02 MIN:127  AUD:20-09-78
DJ      DATA:22-09-78  PG:*****      EMENT    VOL:01108-01  PG:00240
RTJ      VOL:00087-03  PG:00828
PROC:HC     NUM:0056704 ANO:79 UF:SP  TURMA:01 MIN:129  AUD:21-03-79
DJ      DATA:23-03-79  PG:*****      EMENT    VOL:01125-01  PG:00104
RTJ      VOL:00095-01  PG:00094
PROC:HC     NUM:0056817 ANO:79 UF:SP  TURMA:02 MIN:128  AUD:28-03-79
DJ      DATA:30-03-79  PG:*****      EMENT    VOL:01126-01  PG:00303
RTJ      VOL:00093-02  PG:00102
PROC:HC     NUM:0057420 ANO:79 UF:RJ  TURMA:02 MIN:116  AUD:12-12-79
DJ      DATA:14-12-79  PG:*****      EMENT    VOL:01157-01  PG:00152
RTJ      VOL:00096-01  PG:00094

Classe / Origem
HC-69579 / SP
HABEAS CORPUS .
Relator
Ministro MOREIRA ALVES
Publica��o
DJ DATA-11-12-92 PP-23663 EMENT VOL- 01688-02 PP-00225
Julgamento
17/11/1992 - PRIMEIRA TURMA

Ementa

      
        -   "Habeas corpus".   "Aberratio ictus".
Latrocinio consumado. Competencia.
              -  O ora paciente  atirou para atingir a vitima, que
foi  ferida, e, por erro  de execucao, acabou por matar um de seus
comparsas.  Em casos  que  tais, em  que o  alvo  dos tiros  foi a
virtual  vitima,  e  por  "aberratio ictus"  o  morto  foi  um dos
participantes  do  crime,  tem-se  a  configuracao  do  latrocinio
consumado,  em conformidade com  o disposto no  artigo 73 (erro na
execucao)  e em face da  jurisprudencia desta Corte que, quando ha
homicidio  consumado e subtracao patrimonial tentada (como ocorreu
no  caso), se cristalizou na Sumula 610:  "Ha crime de latrocinio,
quando  o homicidio se  consuma, ainda que  nao realize o agente a
subtracao de bens da vitima".
              -  Ocorrencia, ainda,  na  especie, de  tentativa de
latrocinio.  Aplicacao, quanto a  competencia, da Sumula 603 desta
Corte.
              -  Improcedencia da  alegacao de  que, na fixacao da
pena do paciente, foi considerada reincidencia inexistente.
              "Habeas corpus" indeferido.

Observa��o

VOTACAO: UNANIME. RESULTADO: INDEFERIDO.
N. PP:. (8). ANALISE (JBM). REVISAO: (NCS).
IMPLANTACAO: 18-01-93 (WRT). ALTERACAO: 09.02.93, (MV).
    
Voltando ao caso concreto:
Dois homens entram em uma agencia bancaria armados 
de revolveres de brinquedos muito parecidos com de verdade.
No momento do assalto, o gerente consegue fugir, e na rua e atropelado
e vem a falecer. Chega a policia e prende os dois assaltantes com a sacola
de dinheiro ainda dentro da agencia.
    Assim apresentado, ponderadas as devidas considera��es e fontes, entendo 
que houve Latroc�nio consumado e tentativa de subtra��o material. 
Havendo evidente nexo causal entre a a��o dos agentes - assalto - e a rea��o
da v�tima - fuga. 
Como os agentes n�o podiam concorrer dolosamente para o resultado 
natural�stico - morte do gerente - pela completa impropriedade do objeto - 
arma de brinquedo - surge a forma culposa, sendo inaplic�vel a lei de 
crimes hediondos.

Veja mais no em http://www.phorum.com.br/foruns/direito.net - Ilustrativa discuss�o sobre crimes tentados e consumados 

e Latroc�nio ou mera tentativa de roubo.

Sob censura

Cordialmente Hetan

[EMAIL PROTECTED]

-----Mensagem original-----
De: [EMAIL PROTECTED] [mailto:[EMAIL PROTECTED]]
Enviada em: sexta-feira, 2 de junho de 2000 18:50
Para: [EMAIL PROTECTED]
Assunto: [penal] Re: Crime Formal e Material

------------------------------
Subscribe: [EMAIL PROTECTED]
Unsubscribe: [EMAIL PROTECTED]
P�gina: http://www.mail-archive.com/[email protected]
------------------------------

Que?
Confira nosso site, e fique atualizado sobre tudo!
http://www.que.com.br

Responder a