Uma conversa
ao p� do ouvido deixou ontem em maus len��is o renomado advogado Cl�vis
Sahione. Sem perceber que sua voz estava sendo gravada pelos
microfones das equipes de TV presentes ao interrogat�rio de oito fiscais
envolvidos no esc�ndalo do propinoduto, na Justi�a Federal, ele orientou
um de seus clientes, o fiscal Carlos Eduardo Pereira Ramos, a mudar a pr�pria
assinatura. A grafia ser� comparada por peritos da Pol�cia Federal �s
assinaturas dos registros de abertura de contas milion�rias na Su��a e poder�
ajudar na condena��o dos fiscais.
— Se voc� puder fazer uma letra a�, diferente... n�o
tem problema nenhum. Voc� vai assinar agora. Quando voc� fizer o ponto no i,
procura fazer ponto borrachinha — cochichou Sahione, sendo interrompido
por Carlos Eduardo:
— E o t? — perguntou o fiscal.
— O t voc� bota ao contr�rio, t� certo? — instruiu o advogado.
O descuido pode custar caro ao advogado conhecido por defesas impec�veis.
Depois de assistir �s imagens, o presidente do tribunal de �tica
da OAB-Rio, C�lio Barbieri, decidiu instaurar um processo disciplinar
contra Sahione. Segundo a OAB, em tese ele cometeu uma viola��o grave ao
induzir um cliente “a ato contr�rio � lei, ou destinado a
fraud�-la”. Nesses casos, a pena prevista varia de suspens�o por 30 dias
at� a expuls�o da Ordem.
Sahione alegou que Carlos Eduardo estava com falta de sensibilidade nas m�os
por estar algemado e que, por isso, o orientou a fazer a assinatura de qualquer
jeito. Segundo o advogado, seu cliente estava apenas assinando um termo de
depoimento, e n�o realizando o exame grafot�cnico. Segundo o juiz Lafredo
Lisboa, que vai julgar os fiscais, Sahione sabia que seu cliente iria assinar o
termo sem as algemas.
Carlos Eduardo e outros sete fiscais presos preventivamente compareceram ontem
� Justi�a j� como r�us. Apenas o auditor federal S�rgio Lucena, no entanto,
concordou em prestar depoimento. Ele admitiu ser dono de uma conta na Su��a,
mas se negou a contar onde e como ela foi aberta, apesar da insist�ncia de
Lafredo e da procuradora da Rep�blica Marylucy Santiago. As informa��es podem
desvendar o esquema de envio ilegal de d�lares para o exterior.
Caso ajude a Justi�a, Lucena pode ter a pena reduzida ou at� extinta. O
auditor, por�m, disse que n�o iria delatar ningu�m e alegou que sua fam�lia vem
sendo perturbada e constrangida:
— Eu prefiro apenas assumir a minha parte. Eu n�o vou acusar ningu�m. �
melhor para a minha consci�ncia.
Os demais acusados ficaram em sil�ncio diante do juiz, sob a alega��o de que
ainda n�o haviam tido acesso ao processo completo do caso. O tamb�m auditor
H�lio de Lucena se recusou a prestar o exame grafot�cnico da PF que pode
comprovar a abertura das contas.
— Ele s� fala ou assina depois de ler o processo. Isso n�o � a Inquisi��o
— disse seu advogado, Paulo Ramalho.