Advogado orienta fiscal a mudar assinatura
Alan Gripp

Sahione cochica para o fiscal: Quando você fizer o ponto no i, procura fazer o ponto borrachinha - Foto: Ricardo Leoni

Uma conversa ao p� do ouvido deixou ontem em maus len��is o renomado advogado Cl�vis Sahione. Sem perceber que sua voz estava sendo gravada pelos microfones das equipes de TV presentes ao interrogat�rio de oito fiscais envolvidos no esc�ndalo do propinoduto, na Justi�a Federal, ele orientou um de seus clientes, o fiscal Carlos Eduardo Pereira Ramos, a mudar a pr�pria assinatura. A grafia ser� comparada por peritos da Pol�cia Federal �s assinaturas dos registros de abertura de contas milion�rias na Su��a e poder� ajudar na condena��o dos fiscais.

— Se voc� puder fazer uma letra a�, diferente... n�o tem problema nenhum. Voc� vai assinar agora. Quando voc� fizer o ponto no i, procura fazer ponto borrachinha — cochichou Sahione, sendo interrompido por Carlos Eduardo:

— E o t? — perguntou o fiscal.

— O t voc� bota ao contr�rio, t� certo? — instruiu o advogado.

O descuido pode custar caro ao advogado conhecido por defesas impec�veis. Depois de assistir �s imagens, o presidente do tribunal de �tica da OAB-Rio, C�lio Barbieri, decidiu instaurar um processo disciplinar contra Sahione. Segundo a OAB, em tese ele cometeu uma viola��o grave ao induzir um cliente “a ato contr�rio � lei, ou destinado a fraud�-la”. Nesses casos, a pena prevista varia de suspens�o por 30 dias at� a expuls�o da Ordem.

Sahione alegou que Carlos Eduardo estava com falta de sensibilidade nas m�os por estar algemado e que, por isso, o orientou a fazer a assinatura de qualquer jeito. Segundo o advogado, seu cliente estava apenas assinando um termo de depoimento, e n�o realizando o exame grafot�cnico. Segundo o juiz Lafredo Lisboa, que vai julgar os fiscais, Sahione sabia que seu cliente iria assinar o termo sem as algemas.

Carlos Eduardo e outros sete fiscais presos preventivamente compareceram ontem � Justi�a j� como r�us. Apenas o auditor federal S�rgio Lucena, no entanto, concordou em prestar depoimento. Ele admitiu ser dono de uma conta na Su��a, mas se negou a contar onde e como ela foi aberta, apesar da insist�ncia de Lafredo e da procuradora da Rep�blica Marylucy Santiago. As informa��es podem desvendar o esquema de envio ilegal de d�lares para o exterior.

Caso ajude a Justi�a, Lucena pode ter a pena reduzida ou at� extinta. O auditor, por�m, disse que n�o iria delatar ningu�m e alegou que sua fam�lia vem sendo perturbada e constrangida:

— Eu prefiro apenas assumir a minha parte. Eu n�o vou acusar ningu�m. � melhor para a minha consci�ncia.

Os demais acusados ficaram em sil�ncio diante do juiz, sob a alega��o de que ainda n�o haviam tido acesso ao processo completo do caso. O tamb�m auditor H�lio de Lucena se recusou a prestar o exame grafot�cnico da PF que pode comprovar a abertura das contas.

— Ele s� fala ou assina depois de ler o processo. Isso n�o � a Inquisi��o — disse seu advogado, Paulo Ramalho.

 

FONTE: www.oglobo.com






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