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Biodireito_Medicina
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Enfermeiras confirmam "a��es anormais"
para transplante
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Isso � o que chamam de
"irregularidades", imaginem o que n�o � qualific�vel apenas como
"irregularidades" nos transplantes. J� mencionamos, em anos passados
nestas listas, que os pacientes n�o s�o apenas "segurados" nas macas, mas
sim amarrados, e � com o objetivo de neutralizar a rea��o
f�sica � dor, que sentem no processo de retirada de �rg�os
em vida, que � feito o teste da apn�ia, tornando-o mais vulner�vel
poss�vel. Diploma de m�dico n�o � licen�a para matar, por maiores que
sejam os malabarismos jur�dicos no sentido de explicar que eles t�m uma
"autoriza��o". Celso Galli Coimbra, OABRS 11352. www.biodireito-medicina.com.br
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"Durante toda a opera��o, segundo a enfermeira, o paciente
continuava se debatendo, e s� parou ap�s uma incis�o feita pr�ximo ao cora��o
pelo m�dico Torrecillas. "A v�tima chegou com a cabe�a enfaixada e se
debatia muito na maca, porque veio direto da UTI. Nesse caso, � feita a
medica��o para o paciente ficar meio dormente, mas parecia que n�o fazia efeito.
Depois que o m�dico tirou, eu falei que n�o estava
ag�entando segurar o paciente, e o doutor pegou o bisturi e fez aquele
furo�, explicou Rita Pereira."
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As enfermeiras Rita Maria Pereira e Belmira �ngela Bittencourt
e o delegado de pol�cia de Taubat� (SP) Roberto de Barros confirmaram, nesta
ter�a-feira, em audi�ncia p�blica na Comiss�o Parlamentar de Inqu�rito (CPI) do
Tr�fico de �rg�os, que houve irregularidades nos procedimentos para transplantes
no Hospital Regional de Taubat�. As enfermeiras, em seus depoimentos,
acusaram m�dicos de acelerar a morte de pacientes para a retirada de �rg�os para
transplante, deixando-os abandonados no corredor do hospital at� morrerem de uma
hemorragia que os pr�prios m�dicos provocavam.
As declara��es confirmaram den�ncias do ex-diretor do
Hospital Universit�rio da Faculdade de Medicina de Taubat� Roosevelt Kalume. Em
1987, Kalume, que agora coordena o setor de resid�ncia m�dica do Hospital
Regional do Vale, na mesma cidade, denunciou quatro m�dicos por eutan�sia,
retirada e implante ilegal de �rg�os envolvendo hospitais de Taubat� (SP) e S�o
Paulo.
A��es
anormais
Rita Pereira disse ter presenciado um �nico caso suspeito
de retirada indevida de �rg�os enquanto trabalhou no Hospital de Taubat�.
Segundo ela, uma v�tima de traumatismo craniano deu entrada no centro cir�rgico
do hospital � noite e foi atendida pelo urologista Pedro Henrique Torrecillas, e
n�o por um cirurgi�o. A cirurgia para retirada dos rins desse paciente foi
feita, de acordo com Rita, pelos m�dicos Henrique Torrecillas, Rui Sacramento e
tamb�m por um m�dico residente.
A enfermeira contou que o paciente estava bastante agitado
no centro cir�rgico e que a anestesista de plant�o recusou-se a adotar o
procedimento m�dico proposto por Torrecillas. Por isso, houve uma discuss�o
entre eles, que foi encerrada com a anestesista abandonando o centro cir�rgico.
Torrecillas � um dos denunciados pelo m�dico Kalume.
Incis�o no
peito
Logo depois, Rita Pereira acompanhou o procedimento de
retirada dos rins, o que achou muito estranho, j� que o
paciente deveria ser operado na cabe�a. Durante toda
a opera��o, segundo a enfermeira, o paciente continuava se debatendo, e s� parou
ap�s uma incis�o feita pr�ximo ao cora��o pelo m�dico Torrecillas. "A v�tima
chegou com a cabe�a enfaixada e se debatia muito na maca, porque veio direto da
UTI. Nesse caso, � feita a medica��o para o paciente ficar meio dormente, mas
parecia que n�o fazia efeito. Depois que o m�dico tirou, eu falei que n�o estava
ag�entando segurar o paciente, e o doutor pegou o bisturi e fez aquele furo�,
explicou Rita Pereira.
Ela disse � CPI que, na �poca, levou o caso para sua chefe
imediata, a enfermeira Belmira Bittencourt, que resolveu acompanhar algumas
cirurgias para averiguar os procedimentos dos m�dicos.
Durante uma cirurgia, Belmira notou duas a��es anormais. O
paciente, para ser submetido � retirada dos rins, � colocado de lado na maca. Na
interven��o cir�rgica, por�m, o paciente, que estava com traumatismo craniano,
foi colocado de costas na mesa. Ap�s o procedimento, segundo a enfermeira, a
art�ria renal deve ser costurada. Na cirurgia feita pelo m�dico Rui Sacramento,
segundo ela, a art�ria foi mantida aberta, sangrando.
Sem morte
cerebral
O delegado Roberto de Barros,
respons�vel pelo inqu�rito policial do caso durante 11 anos,
informou aos parlamentares da CPI que, dos sete casos de pacientes analisados,
em quatro foi comprovado que eles n�o apresentavam morte cerebral. Al�m disso, todos os 16 m�dicos acusados de envolvimento no
esquema apresentavam movimenta��o banc�ria superior a seus sal�rios.
Barros explicou aos parlamentares que a investiga��o
prolongou-se por 11 anos porque o caso era complexo e envolvia muita gente. Ele
disse ainda que encontrou muitas dificuldades, n�o s� para a realiza��o dos
exames periciais nas v�timas pelo Instituto M�dico Legal de S�o Paulo, como
tamb�m para obter laudos e informa��es junto ao Conselho de Medicina daquele
Estado.
Den�ncias
confirmadas
Para o presidente da CPI, deputado Neucimar Fraga (PL-ES),
os depoimentos s� confirmaram as den�ncias do m�dico Kalume. "Eles tiraram todas
as d�vidas. Os depoentes foram bastante claros, seguros em reafirmar as
declara��es j� feitas para a imprensa e em pe�as de inqu�rito policial. Os
depoimentos hoje prestados n�o deixam, para a Comiss�o, pelo menos para o
relator e o presidente, quaisquer d�vidas sobre o envolvimento dos m�dicos nas
den�ncias a que eles est�o respondendo", garantiu o parlamentar.
Neucimar Fraga adiantou que a CPI do Tr�fico de �rg�os vai
pedir a prorroga��o de seus trabalhos por mais 120 dias, para que as
investiga��es n�o sejam prejudicadas em fun��o das elei��es municipais.
Nova
audi�ncia
A CPI promove nova audi�ncia p�blica nesta quarta-feira
para ouvir Paulo Pavesi, que denunciou a retirada ilegal de �rg�os de seu filho;
o representante do laborat�rio de anatomia patol�gica Restrito, Nivaldo Pereira;
o coordenador da Central Estadual de Transplantes de Minas Gerais, Jo�o Carlos
Oliveira Ara�jo; e o respons�vel pela equipe de transplantes de Po�os de Caldas
(MG) em 2000, �lvaro Ianhez. A reuni�o est� prevista para as 13 horas, no
plen�rio 7
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