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Ricardo wrote: > http://dl.dropbox.com/u/1236917/edvd/sigregional/CC_29jun06_doc_estrat%C3%A9gico_SIGRegional_20060623.pdf Da minha experiência com Autarquias (3 anos numa Associação de Municipios) posso concluir que cometeste o erro de elaborar demasiado num universo em que reinam dois princípios: - Hipervalorização de tarefas insignificantes; - Obsessão com o cumprimento do horário de trabalho. Cumps Luis Tavares ________________________________ From: Ricardo Pinho <[email protected]> To: Luís Ferreira <[email protected]> Cc: OSGeoPortugal <[email protected]> Sent: Thu, April 1, 2010 1:14:55 AM Subject: Re: [Portugal] Re: Portugal Digest, Vol 24, Issue 38 Viva Luis, > Na minha opinião, para causar impacto junto de um autarca relativamente > a uma mudança, a abordagem poderá ir por dois lados: > 1º - A demonstração de poupança em recursos financeiros que... > 2ª - Enumerar casos de estudo e adopções de FOSS/FOSS4G por... É a resposta lógica, mas lamento comunicar que não é por aí! Porquê? porque parte de pressupostos errados, que os dirigentes procuram o melhor para a instituição que dirigem. Mas infelizmente isso não é assim, procuram o melhor para si e para a sua carreira! Eu pensava assim há 10 anos, quando optei por ir trabalhar para uma autarquia e levar um projecto SIG Autarquico para a frente! Com muita determinação e contra tudo e contra todos tentei seguir essa lógica... mas aos poucos fui-me apercebendo que ninguém quer saber de soluções de poupança de recursos financeiros, nem de melhorar a gestão do território: o que se prega ao povo é uma coisa o que se pratica é completamente diferente! Deixem-me contar uma história real com a qual aprendi uma lição, com grandes custos pessoais! Em 2006, quando já estava em fase de desistência do projecto SIG Municipal, foi-me feito um convite de um vereador para participar num projecto de Região Digital (Entre Douro e Vouga Digital: http://www.edvdigital.pt ), um projecto 2004-2007 e cuja candidatura não tinha previsto nada em SIG, inclusive qualquer verba! E disseram-me eu era a pessoal indicada para (fazer o milagre de) desenvolver nele "projectos SIG". Na situação em que me encontrava, aquela era uma oportunidade a não desperdiçar, pois tinha aquela esperança de que a nível regional as coisas fossem diferentes. Mesmo sabendo que tinha pouco mais de 1 ano e 0 de verba, aceitei! (claro que 0 de verba => open source!!!) Uma das minhas primeiras acções foi tentar juntar os 5 Municípios (Arouca, Oliveira de Azemeis, SJ Madeira, S Maria da Feira e Vale de Cambra) num projecto comum de SIG Regional, e comecei por propor para debate entre todos os técnicos SIG desses municipios, um "Plano Estratégico de SIG Regional" (leiam com atençao, uma das primeiras versoes) http://dl.dropbox.com/u/1236917/edvd/sigregional/CC_29jun06_doc_estrat%C3%A9gico_SIGRegional_20060623.pdf Reparem que em todo o documento, muito cautelosamente, referi o open source apenas num único momento (pag. 6) "OBJECTIVOS GERAIS: ... - Opção de utilização preferencial de software em Código Aberto (Open Source), como forma de ultrapassar os impedimentos inerentes ao licenciamento e direitos de autor associados ao software e alcançar a interoperabilidade entre aplicações do Portal Regional." Que vos parece? o documento em si? Parece lógico, óbvio, inspirador, entusiasmante? Como pensam que foi a reacção dos colegas a esta proposta? Aplaudiram, manifestaram entusiasmo e vontade de aderir à ideia!? NÃO! Apedrejaram-me com críticas!!! Quer por parte dos técnicos quer por parte dos respectivos Vereadores, e principalmente do município mais "avançado" em SIG, para o qual eu pensei que poderiam entender melhor a proposta e o potencial do projecto: Santa Maria da Feira! E sabem qual foi o fim da história? Depois de muita persistência minha e algumas alterações, sempre acompanhadas de critica e bota abaixo, lá se assinou o Plano! Mas nunca ninguém fez nada, ou quase nada para o cumprir! (e isso foi dito claramente em reuniões). O pouco que foi feito, foi feito por mim, sozinho, e deixei uma pequena janela disponível aqui: http://sig.entredouroevouga.pt Conclusão: NÃO PARTAM DE PRESSUPOSTOS ERRADOS DE QUE A LÓGICA E A RACIONALIDADE EM PROLE DO INTERESSE PUBLICO SÃO A BASE DA DECISÃO! Mas continuo a acreditar que há outras maneiras de dar a volta, tem de haver!!! Talvez se possa aprender com o exemplo do Linux vs Windows ;-) Acho que o segredo está na cooperação dos "bons", a união faz a força! RP ________________________________ De: Luís Ferreira <[email protected]> Para: Ricardo Pinho <[email protected]> Cc: OSGeoPortugal <[email protected]> Enviadas: Quarta-feira, 31 de Março de 2010 2:23:29 Assunto: Re: [Portugal] Re: Portugal Digest, Vol 24, Issue 38 On Tue, 2010-03-30 at 16:26 -0700, Ricardo Pinho wrote: > Mas a culpa não é toda da ESRI, INTERGRAPH, etc. > A resposta para essas perguntas é mais elementar do que pensam, meus > caros: "QUEM NÃO SABE FAZER COMPRA TUDO FEITO!" > E assim pode manter o seu emprego (tacho de dirigente municipal) e, > mesmo não percebendo nada do assunto, fazer brilharetes em alguns > congressos para melhorar o seu CV e progredir na carreira... > > Doa a quem doer, esta é a verdade... para quem a quiser ver... Exactamente. É fácil justificar a compra de licenças de software e extensões, mas o que na realidade acontece é uma avaliação exagerada das necessidades reais da instituição. Compram capacidades que são usadas em poucas ocasiões principalmente devido ao facto de ser fácil para um vendedor convencer um dirigente que se a instituição não comprar o produto mais actual "xpto" será deixada para trás. A usual fraca capacidade de uso dos sistemas de informação por parte dos técnicos das autarquias é normalmente devida a uma educação/formação orientada para o software e não para a explicitação dos modelos de dados/algoritmos, com casos de estudo e aplicações práticas. > Pessoal, que fazer para mudar isto? ideias não me faltam... ;-) Na minha opinião, para causar impacto junto de um autarca relativamente a uma mudança, a abordagem poderá ir por dois lados: 1º - A demonstração de poupança em recursos financeiros que advém do uso de FOSS/FOSS4G, com números bem explícitos, comparando com o investimento necessário ao uso de softwares proprietários; 2ª - Enumerar casos de estudo e adopções de FOSS/FOSS4G por entidades públicas, demonstrando a analogia de processos entre livre/aberto e fechado/comercial. Teria de ser feita uma análise-tipo das necessidades do utilizador, uma análise custo-benefício (custos de arranque e implementação, custos de conversão de dados, outros custos..., benefícios quantificáveis e não quantificáveis), e uma análise de risco (possíveis fontes de risco numa conversão de sistemas e apontar soluções para minimizar os impactos). Isto parece-me trabalho para uma tese. Um alvo potencial para uma demonstração será a ANMP, Associação Nacional dos Municípios Portugueses. Obviamente que a proposta por parte de um técnico, de mudar para FOSS/FOSS4G, vai contra os interesses comerciais instituídos e as suas ligações locais, e a inércia natural e oposição à mudança dos utilizadores. ________________________________ Veja quais são os assuntos do momento no Yahoo! + Buscados: Top 10 - Celebridades - Música - Esportes
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