Olhem a reportagem do A TARDE, e nos continuamos a fazer  barulho.


Abraço 
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EDUCAÇÃO 
JOÃO MAURO UCHÔA 
[EMAIL PROTECTED]

O protocolo de intenções assinado no mês passado entre o governo da
Bahia e a Microsoft, envolvendo o fornecimento gratuito de cópias do
Windows para escolas da rede pública, vem provocando fortes reações de
setores da sociedade contrários ao investimento de recursos públicos em
software proprietário. Pesquisadores e ativistas ligados ao Projeto
Software Livre Bahia (PSL-BA) temem uma possível mudança de rumo nos
projetos de inclusão digital baseados em soluções alternativas, a
exemplo do sistema operacional Linux.

A oferta gratuita de programas de computador é apenas um dos pontos que
compõem o documento.

O texto também menciona o apoio da multinacional americana no
treinamento de instrutores dos centros vocacionais tecnológicos
territoriais (CVTT), a capacitação profissional de estudantes de nível
médio e superior e a implantação na rede pública de ensino do Microsoft
[EMAIL PROTECTED] (get.liveatedu.

com), uma plataforma de desenvolvimento colaborativo baseada em email.
Pelo menos uma das iniciativas previstas no protocolo de intenções – o
programa English for All, voltado para o ensino da língia inglesa – já
está sendo implementado. O restante deve acontecer dentro do prazo
máximo de dois anos.

Para alguns especialistas, iniciativas deste tipo revelam o apetite da
Microsoft por estratégias comerciais mais agressivas para países em
desenvolvimento. No cerne da questão está o esforço da empresa para
ampliar sua participação em praças onde a adoção do software livre, que
não requer o pagamento de licenças de uso, tem-se mostrado uma opção
capaz de impulsionar o desenvolvimento local com a economia de recursos
públicos.

Além de ser gratuitas, soluções como o Linux podem ser adaptadas
conforme a demanda.

Na prática, isso significa maior vida útil para computadores antigos,
mas que podem continuar rodando versões adaptadas deste sistema
operacional, coisa praticamente impossível de se fazer com o Windows,
que exige quantidades maiores de memória RAM, mais espaço em disco e
processadores mais velozes a cada nova versão.

Em alguns Estados brasileiros, a opção pelo software livre virou
prioridade. O governo do Paraná estima ter economizado cerca de R$ 180
milhões, desde 2003, com a introdução de programas de código aberto no
serviço público. Só com o o pagamento de licenças de uso, a redução de
despesas foi da ordem de R$ 75 milhões. No Rio Grande do Sul, a
utilização do software livre na máquina pública é garantida por lei
desde 2002.

Na Bahia, ainda não existem dispositivos deste tipo, embora boa parte
dos programas de inclusão digital desenvolvidos pelo governo estadual já
utilizem software livre.

Nos mais de 300 infocentros espalhados pelo Estado, todos os
computadores funcionam com uma versão do Debian Linux batizada como
Berimbau. "Se tivéssemos que comprar licenças para todas as máquinas, o
Estado desembolsaria quantia bastante expressiva. Está fora de cogitação
substituir o software livre por programas proprietários", garante
Diógenes Filho, coordenador de modernização da Secretaria de Ciência,
Tecnologia e Inovação (Secti).

Embora reconheça a opção pelo software livre como um viés prioritário
para a administração estadual, o coordenador de Gestão Estratégica das
Tecnologias de Informação e Comunicação da Casa Civil, Álvaro Santos,
não descarta a instalação de programas da Microsoft nos infocentros
mantidos pelo Estado por meio de parcerias com organizações
não-governamentais.

"O Estado não tem obrigação de comprar nada. Mas temos cerca de 2.800
vagas não preenchidas no segmento de TI, sendo que a maioria é para
tecnologias da Microsoft. É o mercado quem define isso. E o Estado vai
oferecer qualificação para que as pessoas tenham acesso a essas
oportunidades.

A assinatura do protocolo é mais em função disto", justifica.

Para Antonio Terceiro, ativista do Projeto Software Livre Bahia, o
acordo assinado entre a multinacional americana e o governo da Bahia é
um retrocesso. "O governo diz que quer preparar profissionais para o
mercado, mas o mercado exige profissionais que saibam se virar. A
Microsoft não está fazendo filantropia. Está formando público
consumidor.

Quando essas pessoas estiverem na posição de gestores no setor público
ou privado, vão querer soluções da Microsoft, que vai cobrar um preço
por isso", diz.

Do ponto de vista do usuário, a migração do Windows para o software
livre já deixou de ser um problema. A professora Maria Helena Bonilla,
da Faculdade de Educação da Ufba, observa que a experiência com
iniciativas de inclusão como o Tabuleiro Digital mostra que o processo
de adaptação acontece de forma intuitiva.

"Não existe isso de dizer que alguém depende do Windows para conseguir
emprego.

As pessoas precisam é de conhecimento tecnológico e isso não se resume a
um único software".


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Bruno Moura
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