Acho que é melhor usar etiquetas como access=destination (caso tenha
uma placa dizendo "somente acesso local") e maxspeed=* (caso mudem
mesmo a velocidade máxima no trecho) para representar que a via ainda
é acessível mas não é um bom ponto de passagem, do contrário cria-se
uma descontinuidade na classificação da via. Sem isso, fica meio
difícil de afirmar com certeza o real impacto da obra sobre o sistema
viário. Se a via for completamente interditada num trecho, pode fazer
um certo sentido mudá-la para
highway=construction+foot=yes+bicycle=yes (é o que temos feito aqui em
PoA). Afinal, geralmente há pouca diferença prática entre uma via
estar sendo contruída e ela estar em obras.

O OSM usa o termo "sidewalk" e a etiqueta de mesmo nome
(sidewalk=both/left/right/none na via principal, ou footway=sidewalk
numa linha separada) para se referir a calçadas. [1]

No Brasil, às vezes faz bastante sentido mapear separadamente as >>
conexões << entre as calçadas, as "travessias" de pedestres
(highway=footway+footway=crossing), principalmente em cruzamentos mais
complexos e em vias duplicadas/separadas. Travessias podem ser ou não
indicadas por uma faixa de pedestres pintada no chão. Por exemplo,
segundo o CTB, Art. 69, inciso III:

"Nas interseções e em suas proximidades, onde não existam faixas de
travessia, os pedestres devem atravessar a via na continuação da
calçada"

Fora isso, vejo algumas razões (questionáveis, não muito fortes) para
se mapear toda a calçada separadamente:
1. Para não ter que quebrar a via principal em vários segmentos em
entroncamentos complexos só para mudar temporariamente o valor da
etiqueta sidewalk quando se mapeia a travessia e as suas conexões como
linhas separadas (você precisa mudar o valor dessa etiqueta para
evitar uma duplicação lógica da calçada). Isso não só dá trabalho como
tende a confundir alguns usuários que usam certos editores (ex.: iD e
Potlatch) que não avisam ao combinar linhas com tags com valores
diferentes (o iD, por exemplo, concatenaria os valores diferentes da
tag sidewalk, produzindo um valor inválido que nenhuma aplicação usa).
2. Para poder representar com bastante detalhe o estado físico da
calçada, importante para o roteamento para cadeirantes e o para
pedestres idosos (nenhum sistema faz isso ainda mas é discutido às
vezes nas listas em inglês).
3. Para poder cumprir o CTB com precisão total, de forma que os
pedestres só sejam instruídos pelas aplicações a atravessar nas faixas
de segurança e nas interseções referidas no Art. 69 do CTB [1].

Uma razão contra é que as aplicações (especialmente as de roteamento)
não têm como saber o nome da via associada à calçada, prejudicando a
geração de instruções para os pedestres.

[1] http://wiki.openstreetmap.org/wiki/Sidewalks
[2] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm

2014-08-18 17:29 GMT-03:00 Fernando Pierobon <[email protected]>:
> Acabando com as dúvidas, em inglês o OSM não usa o termo calçada mas sim
> “Pedestrian path” ou “trilha para pedestre”. No dicionário, se fala
> “sidewalk” ou “lugar ao lado para se andar”.
> As calçadas, sejam elas dentro do Brasil ou fora, só devem ser mesmo
> marcadas com um traço separado quando ela não estiver próxima de rua.
> Exemplo: Trilha para quem sobe o Morro da Urca à pé, ou a Pedra da Gávea, ou
> no caso da Suíça os famosos “Wanderweg”, um sistema de trilhas conectando
> absolutamente todas as cidades do país onde um viajante consegue se
> locomover à pé entre cidades, na maioria das vezes sem nem ouvir motores de
> carro.
> Muito bem sinalizadas,
> http://www.appenzell24.ch/bildarchiv/zoom/1349961445_wanderweg.JPG elas
> existem tanto nas montanhas quanto nos vales e planaltos. E mesmo onde um
> Wanderweg passa pela calçada de uma rua de carros, ele não é sinalizado com
> um traço a mais no mapa.
> Portanto só usem o traço separado de pedestres caso seja realmente uma
> trilha sem ruas (99% dos casos numa montanha, numa floresta ou num
> parque)!!!
>
> Quanto a questão de ruas em obra ou em construção, pela maioria dos países
> do mundo o costume é de somente fazer o traçado à partir do dia da
> inauguração, até porque dessa forma fica possível você usar o próprio
> aparelho de GPS para mapear a rua e já cuspir as linhas prontas no
> computador. Por isso existe uma única tag que diz em obras
> (highway=construction), porque pelo mundo só se usa essa tag quando uma rua
> que já existe foi 100% interditada e será reaberta após mudanças. Dessa
> forma, as pessoas não precisam ter o trabalho (enorme) de apagar a rua do
> mapa e depois ter que desenhar tudo de novo, com ainda mais trabalho.
> Caso a rua seja parcialmente interditada para obras, na Europa, Estados
> Unidos e Canadá não existe motivo para remapear o GPS porque 99% das obras
> que acontecem lá costumam durar menos de uma semana (quem atualiza o GPS
> tanto assim?), as obras são muitíssimo bem sinalizadas e seus desvios com
> sinalização ainda melhor (dá muito bem para ignorar o GPS por 5 ou 6
> quarteirões seguindo as placas), e na maioria das vezes o receptor de
> tráfico do GPS detecta o problema (transito lento) e já manda o sujeito ir
> por outro caminho automaticamente.
>
>
> Adaptando o padrão já existente e criando uma solução criativa para nossas
> obras lentas, mal sinalizadas e burras do brasil, eu sugiro que quando uma
> rua for parcialmente interditada para obras, que se mude simplesmente a
> categoria da via no trecho que estiver a obra, de auto-estrada para via
> arterial, para secundária, ou para local por exemplo.
> Essa mudança é simples de se desfazer quando a obra acabar, não gera dúvidas
> pela utilização errada de tags e é igualmente simples de pedir um caminho
> alternativo para o GPS.
> Claro que isso é só minhas idéias e meu ponto de vista, só façam dessa
> maneira se todos estiverem de acordo.
>
> Abraços!
>
>
>
>
> On 18Aug, 2014, at 14:24, John Packer <[email protected]> wrote:
>
> O mapeamento de calçadas em uma linha separada é muito controverso até mesmo
> lá fora.
> Ele traz uma série de complicações (pois não é "backward-compatible" para
> roteadores ou renderizadores), e não tem vantagens consideráveis.
>
> Existe sim, casos em que é apropriado mapear calçadas (por exemplo quando
> calçadas desviam consideravelmente do trajeto da rua), mas uma calçada
> normal não justifica a adição de uma via separada.
> Pessoalmente, se eu visse uma calçada mapeada separadamente em um lugar que
> não convêm (sendo que eu conheço pessoalmente o lugar), eu excluiria na
> hora.
>
> Abs,
> João
>
>
> Em 18 de agosto de 2014 13:36, Alexandre Magno Brito de Medeiros
> <[email protected]> escreveu:
>>
>> O mapeamento de calçadas pode ser feito de dois modos: usando traço
>> separado, ou associando com etiquetação na highway dos carros. Nem toda via
>> indicada somente para pedestres é calçada.
>>
>> Em 18 de agosto de 2014 07:15, Fernando Pierobon <[email protected]>
>> escreveu:
>>>
>>> Esse mapeamento de calçadas, eu acho que se aplica mais lá na Europa onde
>>> muitas vezes a prefeitura faz o caminho dos pedestres uns 10 ou 20 metros
>>> separado das vias rurais mais movimentadas, as vezes até 100m longe das
>>> estradas ou mais.
>>>
>>> Esses calçamentos levam os pedestres entre as mesmas cidades que as
>>> rodovias levam, e às vezes servem para bicicletas também, nada além. Dessa
>>> forma precisam ser mapeados de maneira diferente.
>>> Aqui no Brasil, me parece que o mapeamento de calçadas é praticamente
>>> inútil, visto que a grande maioria das ruas interditadas servem para motos.
>>
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