2015-07-06 12:13 GMT-03:00 Claiton Neisse <[email protected]>: > Mas uma pergunta: quando você fala em "verificável por outros" você > quer dizer que o colaborador deve apresentar uma "prova" (foto, video, > tracklog...) de sua contribuição quando questionada? Se sim, como > ficam as contribuições baseadas na observação? > > Por exemplo, em [1] foram adicionados semáfaros para pedestres > recentemente. Eu cruzei por lá, fiz desenhos e anotações e inseri as > informações no OSM. As informações são verificáveis, in loco, mas, se > alguém me questionar, não tenho uma foto ou video para apresentar, só > desenhos, anotações, a minha palavra e alguma notícia sobre isso.
Resposta longa para perguntas amplas com muitas implicações (juro que tentei encurtar). Um mapeador local consegue visitar os lugares que você mapeou e verificar se está tudo correto. Qualquer mapeador consegue verificar se o mapeamento está de acordo com as imagens do Bing, com fontes oficiais, e se foi produzido de forma garantidamente lícita (assume-se que o mapeador que mora no local já visitou o lugar pelo menos uma vez, não precisa provar isso). Ninguém no OSM consegue descobrir facilmente se uma informação foi copiada de uma fonte ilícita porque não temos os dados dessas fontes, mas a própria fonte pode verificar, então preferimos o caminho mais seguro (pedir tracklogs/fotos/vídeos/anotações) do que arriscar (acreditar na pessoa sem questionar). Acho que essas capacidades determinam o que pode ser questionado, por quem, a quem, e portanto quais registros extras o mapeador deve gerar. Um resumo do detalhamento a seguir: gere esses registros extras só se estiver mapeando muita informação longe de onde você mora, especialmente se estiver mapeando as informações comercialmente mais valiosas que são invisíveis ou que estão desatualizadas nas imagens do Bing (geometria nova, nomes de vias em placas, nomes de estabelecimentos, endereços, limites de velocidade, e características da via como superfície e número de faixas). Se estiver mapeando onde mora, só se preocupe em gerar os registros depois que o questionamento de outro mapeador local não pôde ser satisfeito com uma simples visita ao local (muito raro), ou se a informação diferir do Bing (também muito raro). Com isso você já cobre 99,9999% de todos os questionamentos possíveis que a comunidade pode lhe dirigir, com o mínimo de esforço adicional possível. Quanto ao restante (contribuições pontuais longe de onde você mora), recomendo que não se apegue emocionalmente, talvez você nunca volte a usar a informação. Se for questionado, será muito pouco, e seria muito trabalhoso se prevenir contra tudo. Você pode contribuir remotamente com informações lícitas de fontes oficiais, só recomenda-se observar etiquetas como source:* e note pra ver se algum mapeador local já não considerou a mesma fonte e descobriu um erro nela. De qualquer forma, no máximo haveria um simples mal entendido, não precisaria provar nada, só mandar o link pra fonte dos dados para o mapeador local avaliar. Semáforos não são uma informação comercialmente interessante (nenhum dos grandes competidores do OSM tem essa informação), então eu só me preocuparia em guardar fotos e/ou anotações sobre eles para demonstrar que fiz o mapeamendo correto, caso seja visitante e não morador local. E olhe lá: se forem poucos semáforos, não me preocuparia muito em guardar esses registros. Só me preocuparia em mapear corretamente, é claro. Os próximos 5 parágrafos detalham cada caso. Se um mapeador local questionar a correção do trabalho de outro mapeador, basta visitar o lugar para verificar o trabalho. Então, um mapeador local não precisa manter registros (tracklogs/fotos/vídeos/anotações) sobre seu próprio local. No raro caso de ser questionado pela comunidade, ele pode hangariar a informação solicitada visitando o lugar. Dá menos trabalho pensar assim do que ficar guardando informação antecipadamente. Muitas informações locais são inacessíveis a mapeadores remotos, então não faz sentido que estes questionem os mapeadores locais sobre tais detalhes (exceto se o mapeador local for inexperiente e não tiver outro mapeador para lhe auxiliar, daí o que faz sentido é que a coisa funcione como uma espécie de tutela remota; mas o mapeador local estaria interessado nesse processo). O mapeador local ainda pode ser questionado se houver indícios de que copiou de fonte ilícita, mas o mapeador remoto tem que estar bem preparado pra fazer esse questionamento. Se você está mapeando uma área remotamente (onde nunca esteve, ou esteve há muito tempo), outros mapeadores podem questionar suas suposições sobre os dados/memórias de que você dispõe. Se você estiver mapeando informação que não é amplamente acessível e é muito específica (ex.: limites de velocidade), certamente pode ser questionado quanto à legalidade (você pode estar copiando de uma fonte ilícita) e quanto à correção (talvez vocẽ não lembre direito dos limites e dos trechos). Pra sanar ambas as dúvidas, você teria que visitar o local e gerar registros, então a comunidade age pra que você seja razoável nas suas suposições. Se você só estiver transcrevendo o que tem no mapa publicado pela prefeitura, basta mostrar o link pro outro mapeador. Ainda assim, se um mapeador local encontrar uma placa lá cuja informação é diferente daquela que você possui, vale a "verdade no chão", o que está na placa. O esperado é que o mapeador local justifique no changeset a mudança, e com isso o mapeador remoto entenderá o motivo e não terá que questioná-lo (é só ter boa comunicação pra não se desentender). Talvez o caso mais crítico é quando você é visitante no lugar que está mapeando (um dos casos é o de quem mapeia rodovias). Se estiver só acrescentando um restaurante aqui e ali, é improvável que alguém te questione, e caso alguém discorde do que você fez, será tão pouco trabalho revertido que não vale a pena recomendar que você guarde "provas". Pra não se estressar, apenas não se apegue emocionalmente aos dados que você confeccionou. Mas se você estiver mapeando muita coisa (que obviamente seria ruim para você perder), especialmente coisas que só podem ser constatadas visitando o local, eu esperaria que você estivesse gerando registros para lhe auxiliar a mapear, e que portanto você pode ceder essa informação caso peçam. O motivo pra gerá-la então é duplo: garantir a qualidade do seu trabalho, e convencer os colegas que a obtenção dos dados foi lícita. Acho razoável esperar que você guarde a informação por um tempo (quanto tempo fica a seu critério, sugiro pelo menos 1 mês em regiões muito remotas) para ajudar a sanar dúvidas de outros mapeadores (inclusive mapeadores locais). Se não quiser mantê-la com você, também poderia colocá-la na nuvem, onde eles certamente ficaria muito mais que apenas 1 mês. É uma sugestão, não uma obrigação. Quando você estiver mapeando com base em informações informais de terceiros, a situação é mais complicada. No aspecto legal, os terceiros não aceitaram explicitamente a licença do OSM, então eles precisam autorizar explicitamente o uso da informação para fins comerciais. No aspecto da correção, os terceiros não conhecem os valores do OSM e podem estar passando "meia informação" adiante, e também não podem ser questionados por mapeadores locais. Tem também um aspecto social: muitos mapeadores só se envolvem com o OSM quando percebem erros no mapa. Se a área não tiver mapeadores locais, talvez seja desejável deixar o erro lá até que alguém de lá mesmo se anime a consertá-lo, passando a participar do OSM. Não quer dizer que devemos sair por aí estragando o mapa de cidades sem mapeadores, só que um erro num lugar remoto nem sempre é totalmente ruim pra nós. Verificar se o que você fez veio de fonte ilícita é, no momento, praticamente impossível pra nós. A gente não tem os dados do Google pra rodar um programa que compare as coordenadas e os metadados. Mas o Google certamente pode ter esse programa (não é difícil escrevê-lo), e não é saudável a gente ficar correndo riscos (se daqui a 10 anos o Google comprovar plágio num mapeamento feito hoje, serão 10 anos perdidos de atualizações sobre essa informação). O Google foi um exemplo, mas pode ser qualquer outra fonte ilícita, até o TeleListas (ex.: se você copiar ipsis literis o nome, o telefone ou o endereço de um estabelecimento que está errado no cadastro deles, isso pode ser justificativa jurídica pra desfazer um ou mais mapeamentos seus). A gente sabe que muitas dessas fontes deixam "ovos de páscoa": informações incorretas propositais para detectar plágio. Por isso, é necessário se prevenir quando estiver levantando muita informação de uma vez só. Se quiser culpar alguém, não culpe a gente, culpe o "sistema". A gente só não quer jogar horas de trabalho fora, e não são só as suas que estão em jogo, tem as dos que virão depois de você. > Outro exemplo: depois de chegar em uma estação fechada, percorri as > estações da TRENSURB e anotei os horários de abertura e fechamento. > Inseri (não sei se da forma mais correta) os horários no OSM. Mas, > além das anotações, não tenho prova e alguém poderia dizer que copiei > os horários do site da empresa. A lei de direitos autorais protege informações contidas em "bancos de dados". Diretórios como TeleListas, Yelp, TripAdvisor, Foursquare, etc. são considerados bancos de dados. Você pode usar essas fontes para saber onde precisa fazer survey, mas não pode copiar informações diretamente delas. As informações de contato no site de uma empresa como a Trensurb não são bancos de dados. Outras informações até podem ser, a avaliação depende de bom senso (a comunidade pode ajudar a definir o risco de cada situação). Um "banco de dados" geralmente contém uma quantidade substancial de informações difíceis de levantar; uma lista de horários num número pequeno de estações dificilmente seria qualificado como tal (julgamento meu, mas acho que a comunidade concorda) porque qualquer um pode pegar o trem, parar em todas estações, e ter a informação levantada em pouco tempo. Isso já seria diferente de ter todas as rotas de ônibus de uma cidade grande. O ideal é a empresa dizer que a informação é pública. Você também pode avaliar da seguinte forma: a empresa perde dinheiro se você copiar a informação do site? Talvez até ganhe porque economizaria o número total de acessos ao serviço. Também é uma avaliação subjetiva, mas é uma boa bússola pra esses casos mais incertos. Some a isso a quantidade de informação que o OSM poderia perder caso a empresa exigisse que a informação fosse retirada. Nesse caso, muito pouco. Se alguém na comunidade insistir numa comprovação mais contundente de que você realmente esteve lá, também seria pouco a ser perdido. Na prática, cada cidade tem uns poucos casos desses, que podem ser esclarecidos com uma dúzia de e-mails e/ou visitas a órgãos públicos (no caso, a Trensurb é uma empresa de economia mista, portanto faz parte da administração pública). Se você é morador local, a gente presume que você já andou de Trensurb e teve acesso à informação no local. Nenhuma lei protege informações expostas em local público que qualquer pessoa possa ler. Agora, isso também sugere um método de trabalho melhor: você poderia ter tirado foto das tabelas que viu nas estações. Daria menos trabalho do que transcrevê-las à mão, e serviria para sanar quaisquer questionamentos feitos pelos colegas. E, como antes, você não precisa guardar as fotos por muito tempo. Um exemplo mais interessante seria se vocẽ tivesse copiado os horários em que os trens param em cada estação. Isso sim pertence a um mercado disputado por grandes empresas (Google e Moovit). Copiar um arquivo GTFS de uma fonte oficial exigiria uma licença permissiva, mas você pode tirar fotos das tabelas horárias, e então esse dado, por estar exposto em espaço público, pode ser publicado em qualquer meio. O arquivo GTFS é a princípio protegido por lei por ser trabalhoso de confeccionar, e por isso seria considerado um "banco de dados". -- Fernando Trebien +55 (51) 9962-5409 "Nullius in verba." _______________________________________________ Talk-br mailing list [email protected] https://lists.openstreetmap.org/listinfo/talk-br
