Querida Aline
   
  Peço desculpas, se te passei esta imagem, não foi minha intenção. Nunca 
estudei etnomusicologia, apenas repeti uma frase do meu coordenador no Projeto 
Universidade, para todos (um subprojeto do ProUni), Juvino Alves, Doutor em 
Clarineta pela UFBA, em uma conversa em que eu critiquei um determinado rítmo e 
ele me disse isso, mais ou menos com essas palavras aí.
  Fico feliz que tenha pesquisado um dicionário para responder esse assunto. 
Quanto ao nome da matéria, não é minha culpa se parece com especialidade de 
médico que cuida do ouvido.
  Não me considero melhor - ou pior do que ninguém. Apenas dei a minha opinião 
sobre um assunto. Que bom que gerou polêmica, sinal de que despertou o 
interesse de pelo menos responderem sobre ele. Sinta-se livre para falar de mim 
o que quiser, o máximo que pode acontecer é eu ficar triste, ou como no caso: 
sorrir.
   
  Um abraço
   
  Marcelo Neder
  Ah, outra coisa, só coloquei o número do meu registro na OMB/BA, para o caso 
de algum cantor se interessar em me contratar como músico, mais nada.
   
  Novamente, um abraço

"Aline M. Mac Cord" <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
  O Marcelo tem bons pontos...

Organizando tanto assunto:

1 - samba x axé
2 - bairrismos x cultura brasileira
3 - Rio x Bahia
4 - Pop x raiz
5 - Cumpadre Washington x Noel x MM
6 - timbales do CW x lápis batendo no dente do Braguinha
7 - Beth x Ivete... etc

Uhm... Será que estou sentindo o cheiro de um certo *etnomusicocentrismo* na
discussão..?
Tribuneiros, atirai a primeira pedra!
(se alguém desviar o assunto para "outras discussões etnicas", quem atira a
pedra sou eu!)


.....
Em tempo, já que acabei de inventar a palavra (que deve ter algum hífen aí
no meio):

Etnomusicologia:
[De etn(o)- + musicologia.] S. f.
1. Estudo dos sistemas musicais dos diversos povos, em seus aspectos
formais (os sons e as maneiras de combiná-los) ou socioculturais (usos e
comportamentos relativos à música, o papel desta, etc.).

Etnocentrismo:
[De etn(o)- + -centr(o)- + -ismo.] S. m.
1. Tendência do pensamento a considerar as categorias, normas e valores da
própria sociedade ou cultura como parâmetro aplicável a todas as demais.


Beijinhos
Aline - colocando lenha na fogueira.





On 9/1/06, Marcelo Neder wrote:
>
> Sabe Caio, essa sua frase "O samba carioca tem mais é que se dar ao valor,
> e manter suas raízes, sem timbales", me soa curiosa. Explico. Sou um
> cavaquinhista carioca que mora em Salvador e vive cercado desses dois
> universos o "samba carioca que a gente toca aqui" e o samba de roda que
> alguns grupos fazem uma adaptação na letra (apelativa) transformando num
> outro gênero: a quebradeira (do verbo quebrar, mexer, rebolar), entre outros
> pois o universo do choro aqui também é riquíssimo, apesar da agenda do samba
> e choro não comentar. É engraçado pelo seguinte, aqui em Salvador tem uma
> casa de samba bem gostosa (quem for tribuneiro e morar aqui pode confirmar -
> quer ver uma coisa: quem conhece o Bêco de Gal aí dê um oi!), chamada Beco
> de Gal. Gal do Bêco, como é conhecida a sambista dona do lugar (que eu
> guardo no meu coração num cantinho muito especial, por sinal minha madrinha
> no samba e na vida), detesta quebradeira, e é sambista baiana (fluminense
> pra falar a verdade, mas com
> quase 30 anos de Salvador). Eu tive o privilégio de poder tocar lá com
> muita gente boa, e era interessante notar a divisão do público em gostos: os
> mais novos, quebradeira; e os mais velhos (ou não!) samba - que vc quer
> chamar de carioca...(pra mim samba é samba, seja aqui, aí ou em Marte). Os
> mesmos músicos que tocavam músicas do Ilê, passavam pra Zeca Pagodinho e
> cantavam samba de roda (além de se aventurarem no chorinho e se acabarem na
> quebradeira). Tocar samba de roda (samba-de-roda mesmo, sem apelação, de
> Santo Amaro, no improviso quase...) com Cumpadre Washington (cantor do é o
> tchan), é uma aula de cultura. Claro, não me cobre harmonias rebuscadas ou
> versos filosóficos, de um gênero que nasceu numa Bahia Semi-rural.Mas é
> bonito. Ás vezes chega a emocionar pela pureza. Sem contar nas baixarias de
> violão que ficam duelando com o cavaco. Agora, cultura mesmo é um conceito
> muito amplo. Seria muito interessante se todo mundo pudesse ter acesso a uma
> matéria chamada
> etnomusicologia. Ela fala mais ou menos isso: Tudo o que o ser humano faz
> é cultura. Existe todo um contexto sócio-cultural, uma série de valores (por
> sinal o problema axiológico - dos valores, em filosofia está aí para ser
> resolvido: quem se aventura a definir os valores corretos para a
> humanidade?), que determinam o que é agradável para cada nicho populacional
> pertencente a determinada "célula-socio-economica-cultural".
> Mas voltemos ao Bêco de Gal. É engraçado o seguinte: não existe diferença
> alguma na condução técnica (harmonia-rítmo-melodia) que diferencie o samba
> de roda (patrimonio da humanidade), para a quebradeira ("gen defeituoso do
> micróbio do verme do cocô do cavalo do bandido" aqui na tribuna): só muda a
> letra. E outra viu? Não me esbarro só com Cumpadres Washingtons por lá não,
> tem muito sambista carioca e paulista que vai até lá tomar uma em paz e dar
> uma palhinha (ou só curtir. Se manifestem por favor, não deduro ninguém pra
> esposa!). Outra coisa engraçada é o termo timbales (instrumento de percussão
> com timbre agudo - ás vezes é bom ás vezes é chato pra cacete, igual
> tamborim).
> No box de 14 CDs de Noel Rosa tem uma gravação em um deles (estou com sono
> e cansado não vou me levantar pra saber qual o número do CD ou qual é a
> música) cuja base é feito - se não me engano por Braguinha - com um lápis
> batendo no dente. PORRA! Um lápis batendo no dente! Pegue um cd aí de Marisa
> Monte, no caso "Verde, Anil, etc..." (tá aqui do meu lado, por isso vou
> falar dele). Tem na percussão:
>
> Surdo virado
> Lata de lixo
> Fundo de panela
> pulseira
> Vagem
> Sem contar nos pratos, facas, caixas de fósforos (que possivelmente me
> dirão que são cariocas) junto com trompas, cellos, bandolim, clarineta,
> violão e um tal de flugel horn (que se não morder e o som for bão nóis
> góizta)...
> Aí eu coloco o dedo na ferida. O CD tem músicas completamente diferentes.
> Qual é o rótulo desse som? Por quê? Se eu jogar num balaio escrito
> "Brazilian Music", colocar pra vender a 1,99 em Paris? Qual é o problema?
> Aguardo Respostas.
>
> Marcelo Neder
> Cavaquinhista OMB/BA 10.180/05
> Caio Pontual escreveu:
> Oi Aline,
> é possível que o grupo sitado não seja realmente um grupo de Axé, eu sitei
>
> um exemplo de o que se faz de ruim na Bahia, e na minha opinião o "gênero"
> axé não fica muito atrás, volto a perguntar o que a Timbalada, Olodum,
> Daniela Mercury (enquanto axé), Ivete (agora tb sertaneja) contribuem para
> a
> melhoria da nossa discografia (enquanto divulgadores de cultura)?.... Eles
> se preocupam apenas em fazer um ritmo gostoso, uma levada diferente e é só
>
> ..... Não acho que a Beth Carvalho vá acresentar nada de positivo ao
> trabalho dela, se o resultado for mais uma batucada com dendê (só pra dar
> um
> tempero da moda ....). Não acho mesmo. O Samba carioca tem mais é que se
> dar
> ao valor, e manter suas raízes, sem timbales.
>
> Caio Pontual.
> __________________________________________________________________
>
>
> Oi Caio!
>
> Eu entendi exatamente ao que você quis se referir.
> Mas ainda assim, continuo a pergunta: você CONHECE o axé?
>
> Diga-se de passagem, que quando o "É o Tchan" surgiu, o axé já existia há
> muitos anos, com o Olodum, o Timbalada, Daniela Mercury... Você pode até
> não
> gostar, mas nem na Bahia isso é considerado no mesmo patamar que essas
> músicas de baixaria a que você se refere.
>
> E como eu disse, a maioria dos baianos considera o "É o Tchan" como uma
> banda de pagode, e não de axé. Pra isso, basta lembrar que o nome original
>
> da banda, antes do sucesso estrondoso da música do "segura o tchan", era
> "Gera Samba". E que a tal banda que cantava "na boquinha da garrafa" se
> chamava "Cia. do Pagode".
>
> Enfim, eu posso garantir a você que em todos os estilos musicais há
> produtos
> de qualidade.
> (Que é muito diferente de gosto pessoal. Eu mesma DETESTO rock'n roll, mas
> não posso deixar de assumir que um ou outro "barulhento" tem o seu
> valor...)
> :-)))
>
> Se eles vão chegar na mídia, são outros 500.
> Se vão chegar a nós sem que busquemos por eles... acho difícil.
>
> Beijinhos
> Aline
>
>
>
> On 8/29/06, Caio Pontual wrote:
> >
> >
> > Cara Aline,
> > eu não me referí a música baiana, mas sim a exurrada de músicas que se
> > convencionou chamar de axé-music. Considero a música baiana (a que tem
> > conteúdo) como das melhores (vide Caymmi, Caetano, Gil, Raul, Elomar,
> > Tomzé
> > e tantos menos votados), esse grupo É o TChan foi sitado como um
> exemplo,
> > pois eles foram um dos pioneiros dessa leva, aí eu também poderia
> incluir
> > os
> > pagodeiros/sertanejos da nova era. Não excluo tb os bregas do Pará que
> > estão
> > divulgando o que há de pior nesse gênero, há quem goste, mas o que me
> > causa
> > maior preocupação é quanto ao conteúdo dessas músicas (se é que podemos
> > chamar isso tudo de música), temos aqui tb uma mina de vulgaridade e
> > baixarias em letras e músicas, que são os ditos forros "modernos".
> > E em tudo isso a minha crítica vem se somar àquelas que dizem da
> ganância
> > das gravadoras e mídia televisiva que só vai aonde se vende fácil, sem
> > levar
> > em conta a contribuição que esse "artistas" podem estar dando ao povão
> > (tão
> > cheios de vida de gado - vide Zé Ramalho).
> >
> > Bjs. Caio Pontual.
> >
> > PS. Gostaria que vc autoriza-se a divulgação dessa conversa para os
> > demais.
> >
> > __________________________________________________________________
> >
> > Poxa, Caio.
> >
> > Sem querer entrar em detalhes, você realmente CONHECE música baiana ou
> > só viu o que chegou a tocar no Domingão do Faustão?
> >
> > Acontece a mesma coisa com o samba. Quem CONHECE sabe o valor.
> > Mas a maioria das pessoas acha que samba se resume a um campo nebuloso
> > entre o próprio "É o Tchan" (que, na Bahia, não é considerado axé) e
> > aqueles pagodes enlatados...
> >
> > Em todos os gêneros há produções interessantes.
> > A questão é que a mídia TENDE a nivelar tudo por baixo...
> > ...e de vez em quando, só de vez em quando mesmo, acerta.
> > :-)
> >
> > Eu estou passando por uma experiência muito interessante, fazendo
> > parte de um grupo onde só existem 2 pessoas do Rio e as outras todas
> > vem das mais diversas cidades do Brasil. Todos interessantíssimos,
> > fazem parte da elite cultural e intelectual do país. Estou aprendendo
> > a apreciar maravilhas regionais que estavam longe do meu universo - e
> > vice-versa.
> >
> > É muito interessante relativizar a visão cultural que existe em outros
> > cantos do país...
> > :-)
> >
> > Beijo!
> > Aline
> >
>
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