Não tenho scanner, e to meio duro pra pagar esse serviço.
Mas vou fazer o seguinte. Vou fazer ele bem caprichado no word, e envio
direto pro e-mail de quem quiser.
Se alguém souber como salvar na internet e disponibilizar um link, me dê um
toque que eu envio pro alguém e disponibiliza-se um link pros tribuneiros.
Gente quero aproveitar aqui pra fazer um convite:
Está havendo o Festival de Música Instrumental da Bahia, no Teatro Castro
Alves, e vários mestres de música estão sendo homenageados. Hoje (07/06/07) é a
vez de Cacau do Pandeiro, e eu vou estar lá fazendo uma participação ao meu
querido "preto velho".
Quem estiver em Salvador e quiser ir, será bem vindo.
Vamos prestigiar os nossos mestres em vida.
Não sei quanto é a entrada, mas não é nenhuma "mini-fortuna" como costumam
ser os shows na Sala Principal do TCA.
O Festival tem o objetivo de ser um evento popular (mas em uma estrutura de
ponta).
Ah! sim... Começa as 20h
Abs
Marcelo Neder
ltrl1917 <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: Neder, vc não tem como scanear este
gráfico?
Abs, Marcello
----- Mensagem original ----
De: Marcelo Neder
Para: [email protected]
Enviadas: Quinta-feira, 7 de Junho de 2007 2:31:07
Assunto: [S-C] História do Samba
Vou copiar aqui alguns trechos da excelente coletânea História do Samba, da
editora Globo dividida em 40 fascículos (Revista + CD), surrupiada
sorrateiramente da casa de mamãe e que um dia (talvez nessa encarnação) vou
devolver.
"A grande maioria dos pesquisadores concorda que a primeira vez em que a
palavra "samba" apareceu em letra de fôrma, na imprensa brasileira, foi no
jornal satírico O Carapuceiro, editado no Recife entre 1832 e 1842, por um
religioso, o padre Lopes Gama.
Em uma das edições do ano de 1838, o padre Gama se refere a "samba
d'almocreves", classificando o estilo musical como coisa própria da periferia,
do meio rural (almocreve era o serviçal que se ocupava em cuidar de mulas e
burros), contrapondo-o ao que se cultivava nos salões provincianos. Ali
ouviam-se e dançavam-se operetas, polcas, valsas e o amaneirado lundu-canção.
Antes disso, valendo-se da única forma jornalística conhecida, a tradição oral,
o ritmo que os africanos trouxeram nos navios negreiros foi chamado por alguns
de batuque. Mais acolá, acrescido dos chocalhos e das maracás dos índios que se
chegaram aos tambores vindos d'além-mar, alguns outros ouviram dizer que a tal
música teria o nome de zambo. Mas, os descobridores deveriam ainda meter sua
colher (ou suas violas?) no guisado, transferindo para os Trópicos a influência
que os mouros plantaram na península ibérica e a coisa poderia ser conhecida
mais simplesmente como zambra.
Os escravos chamavam sua dança de semba, que significaria "umbigada" ou "união
do baixo ventre", referindo-se àquilo que no Brasil era designado, no século
XVI e começo do século XVII, como Batuque, englobando todos os ritmos e danças
originários da África.
Pesquisadores como Luís da Câmara Cascudo, Mário de Andrade, José Ramos
Tinhorão, Oneyda Alvarenga, José Muniz Junior e outros semeiam teses sobre a
origem da palavra "samba" que variam de "divindade angolana protetora de
caçadores" a "culto à divindade através da dança", passando por "Sam como dar e
ba como receber, sendo assim a dança do dá e do recebe".
Aceita a palavra como definitiva, serviu de início para denominar ritmos
bastante diversificados, em regiões distintas do Brasil onde apareceriam o
samba-lenço, o samba-rural, o samba-de-roda, o samba-duro e outros. Até que se
fixou no ritmo que caracteriza hoje mais especificamente o Rio de Janeiro, com
alguma ramificação em São Paulo e com representação tímida no restante do país.
O que não impede o samba de ser a identificação musical brasileira em todo o
mundo.
Embora causando grandes divergências entre pesquisadores e autores sobre suas
origens, o samba inegavelmente tem suas raízes fincadas no coração da Mãe
Africa, onde se aleitou, encontrou as primeiras forças, ouviu os primeiros sons
e, como qualquer recém-nascido, abriu os olhos para a vida.
Foi lá, no Continente Negro, onde a força mágica dos rituais religiosos, o
ritmo encantador de rústicos tambores, o canto forte e uníssono de homens e
mulheres que entoavam canções perdiam suas origens na ancestralidade do tempo,
que ele começou a se formar e a ser formado.
o nome escolhido para seu batismo varia de região para região, de pesquisador
para pesquisador, passando pela tradição oral que - de boca em boca, de geração
em geração - vai modificando, amoldando palavras e designações, trocando
significados, diferenciando pronúncias, transformando o vocábulo, distorcendo a
palavra, que chega ao seu uso muitas vezes completamente diferente de sua forma
original.
Qual seria o ritmo ancestral do samba? Seria um só ou teria vários, um para
cada região? Os escravos que aqui aportaram eram de distintas regiões
africanas, o que justificaria a diversificação e as teses de cada historiador.
Que, de qualquer forma, em uma coisa concordam: todos os termos desaguaram na
denominação genérica de batuque para a dança e o ritmo com que os africanos
"brincavam" nos terreiros das fazendas em seus raríssimos momentos de lazer.
No Brasil, portanto, o batuque é a célula-mãe da manifestação musical popular
mais importante do país e dele surgiram ramos, afluentes, tendências, que se
espalharam por todo o território. Sofreram modificações rítmicas, harmônicas e
de conteúdo, situando-se no ambiente rural ou no urbano, subdividindo-se,
voltando a se encontrar, tomando novos aspectos, dançantes, dramáticos,
cantados, improvisados, em forma de cortejos religiosos ou leigos, em salões e
em terreiros, em palcos de grandes teatros ou em fundos de quintais.
Sob nome mais diversos, ganharam estilos e andamentos próprios, sotaques
regionais, assumiram caráter romântico, jocoso, boêmio, patriótico.
Centraram-se em instrumentos de sons diferentes, alguns preferindo as cordas
dos violões, outros os foles das sanfonas, outros mais, a marcação fundamental
dos couros.
Como rios que caminham para o mar, por mais meandros, meneios, cachoeiras e
remansos que criassem em seus percursos, o desaguar inevitável foi de afluente
em afluente - no oceano maior chamado samba. Oceano que naturalmente tem suas
praias, maiores e menores, chamadas samba-canção, samba-enredo, bossa nova e
tantas mais, cantadas em prosa e verso por historiadores, pesquisadores,
compositores, testemunhas mais ou menos participantes da própria história. Uma
história que pode ser entendida a partir do gráfico a seguir que começa no
batuque e principia a terminar (e sabe-se lá onde vai acabar?) no samba."
Obs. Marcelesca: Pensei em desenhar o gráfico no word e anexar, mas lembrei que
a tribuna não aceita arquivos anexos, então vou tentar fazer aqui embaixo. Vai
sair meio pobre e incompleta mas vou fazer um esforço pra passar praqui mesmo
(façam um esforço mental pra entenderem também rsrsrs)
Calhandos ----------- Batuque ------ Calundus
Ritmos e danças | Denominação genérica da- | Ritmos e danças de
de caráter religioso | da pelos europeus aos rít- | caráter religioso (va-
(vaticínios e previsões | mos e danças africanos | ticínios e previsões
individuais: primeiros | África e Brasil do Séc. XVI e | individuais: primei-
indícios de participa- | começo do Séc. XVII | ros indícios de parti-
ção de brancos) | | cipação d brancos)
Meados do Séc. XVII e | | Meados do Séc. XVII e
Séc. XVIII | | Séc. XVIII
Minas Gerais | | Bahia
| | | |
| | | |
| | | |
Ambiente urbano------| |-------------Ambiente Rural
Danças e ritmos mestiços | | Ritmos Africanos não-nominados
com base no Batuque | | e Lundus
| | | |
| | | |
| | | |
Fofa Lundu Fado | | Jongo Samba Coco
Predomínio do Lundu | | Caxambu De Roda De cordão
Fusão de mestiços e brancos | | Lenço De parelha
das camadas mais baixas | | Rural De Roda
Final do Séc. XVII, começo Séc. XVIII | | Maculelê Virado
| | | Bate-baú Bambelô
| | | Partido-Alto CE/PB/RN/
| | | Tambor-de-crioula /AL
| | | MA/CE/PI
| | | BA/RJ/SP
| | | Fins do Séc. XVII para o
| | | Séc. XVIII e Séc. XIX
| |
Modinha Lundu-Canção |
Recebe influências Mais comportado deriva | |
européias (polca, do Lundo dos Salões | |
operetas, etc...) | |
Fins do Séc. XVIII e Séc. XIX | |
Bahia e Rio de Janeiro | |
| | |
| | |
| | |
| | |
Maxixe----------------------| |--------------Choro
"A dança proibida" Gênero de interpretação musical
recebe influências do tango, inicialmente carioca executado
da habanera e da música européia por pequenos conjuntos de sopro
Fins do Séc. XIX, começo do Séc. XX e principalmente cordas
Fins do Séc. XIX
| |
| |
| |
| |
|
Samba
Samba-Canção, Samba-enredo, Samba-de-Quadra, Samba-de-Breque, Samba-Funk,
Bossa Nova, Samba Reggae, etc...
Inicialmente BA e RJ
Nos dias de hoje, em todo o país
com focos no exterior
Este diagrama tem caráter meramente ilustrativo, tendo sido elaborado a partir
dos trabalhos de Edison Carneiro e José Ramos Tinhorão.
Fontes:
Carneiro, Edison, Samba de Umbigada, Rio de Janeiro, MEC, 1961
Tinhorão, J. R. Os sonhos dos negros no Brasil, São Paulo, Art Editora, 1988
Obs: Carinhosa-pacientemente digitado por Marcelo Neder (e pessoalmente
discordado em alguns pontos rsrrsrsrs...)
Abs
"O samba é pai do prazer, o samba é filho da dor...
o grande poder transformador..."
Marcelo Neder
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