Ainda há pouco na minha lista de discussão da UnB sobre ciência política
(alunos e ex-alunos), enviei a seguinte mensagem:
"Estive em Cuba no ano 2000 participando o II Encontro Mundial de Amizade e
Solidariedade à Cuba com 118 países presentes e mais de 4.000 delegados, a
ilha estava saindo do chamado "período especial", período em que foi
obrigada a racionar todos os bens e serviços de forma muito dura. A situação
não era das melhores, muita fila, produtos escassos, porém lá encontrei um
povo muito consciente politicamente dos seus próprios problemas e dos seus
direitos. Lá vi um nível de saúde e educação da mais alta qualidade, sem
contar o interesse e o estímulo dos cubanos à participação política, às
artes e ao esporte.
Qualquer cubano medianamente inteligente sabe que o bloqueio econômico
imposto pelos governos dos EUA ao longo dessas quase 5 décadas levou Cuba à
situação que se encontra hoje, particularmente depois que deixou de receber
ajuda da antiga URSS. Tem gente insatisfeita? Tem sim, mas é uma minoria, te
garanto. Cuba é um estado policial? Não posso te afirmar, mas tenho
conhecimento de que existe pelo menos 5 polícias diferentes, o que eu acho
demais. Fidel é um ídolo, é querido, é respeitado? Te garanto que é. Cuba
vai mudar depois que Fidel morrer? É possível, mas Raul Castro é tão
ortodoxo quanto o irmão e é respeitado por isso. Cuba está empobrecida? Sim,
muito, mas qualquer país que sofre as sanções econômicas que Cuba sofre
também estaria e é neste momento que se revela a dignidade, a vitalidade e a
fidelidade à uma causa por parte do povo cubano.
Também não gosto da idéia de partido único - se é partido não pode ser um só
-, tampouco do fato de não ter eleições diretas nos moldes que as
conhecemos, mas é o povo cubano quem deve decidir qual modelo seguir, gosto
menos ainda de jornal único - Gramna - oficial, sou pela pluralidade de
opiniões, mas não pode ser esse oligopólio e essa zona que existe no Brasil,
onde a VEJA e A GLOBO podem tudo. Os cubanos saberão encontrar seu melhor
caminho, Não se deixem levar pelas 4 ou 5 deserções que ocorreram durante o
PAN no Rio. Por trás de cada desertor há sempre um corruptor oferecendo rios
de dinheiro. Para uma delegação de mais de 400 atletas chega a ser até um
número ridículo dado o assédio que os atletas cubanos sofrem por parte dos
empresários americanos. Espero que Cuba encontre seu melhor caminho e que o
mundo condene e dê um fim ao criminoso bloqueio econômico que Cuba
corajosamente enfrenta há décadas."
Abraços. Sonia Palhares (BsB-DF)
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