Assisti também a esse Ensaio com Tereza Cristina e, sinceramente, ainda não entendo o destaque (excessivo) dado à cantora pela mídia (sempre especialista em criar e destruir mitos). Ela, Tereza, tem méritos inegáveis, sem sombra de dúvidas, especialmente pela escolha do repertório e dos músicos que a acompanham - sempre de muito bom gosto e sensibilidade. No mais ela tem uma voz, e uma interpretação, que em nada difere de dezenas de desconhecidas cantoras de barzinhos e quejandos, que apenas não atrairam a atenção da mídia e não possuem um "pedigree" que justifique uma atenção especial.
Lourival Augusto Em 07/12/07, Sonia Palhares Marinho <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > > > > > Fonte: > http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2088876-EI6621,00.html > > > > Tereza Cristina, Cristina Buarque e Benedito César > > > Quarta, 21 de novembro de 2007, 07h59 > > > Por: Paquito > > > Acabo de rever o Ensaio estrelado por Tereza Cristina & Grupo Semente, de > 2002, lançado agora em DVD pela Deckdisc. Na época em que foi exibido na Tv > Cultura, assim que assisti ao programa, liguei pra Faro, o diretor, e > perguntei quem era aquela cantora com o repertório, na minha opinião, > semelhante ao de Cristina Buarque. O Baixo me disse que ela era cult no Rio > de Janeiro, que se apresentava na Lapa etc. > Bem, hoje Tereza Cristina é mais conhecida e reconhecida como uma força do > samba e, por isso mesmo, é bom rever esta edição do Ensaio, na verdade uma > antologia de sambas das velhas guardas da Mangueira e da Portela, escola de > Tereza Cristina, que mostra, neste início de carreira, além de elegância, > conhecimento e intimidade com seus pares. > > Tereza também canta sambas seus, uma música da autoria de sua mãe, fala do > bairro onde viveu, a Penha, e diz das influências: o pai cantava sambas e a > mãe ouvia e cantava Roberto Carlos, nosso romântico maior, o que prova, pra > alguns do meio do samba, que sambista não precisa ficar envolvido em redomas > culturais pra ser bom. Pelo contrário, é importante estar em contato com a > vida em redor. E com que carinho ela fala de Roberto! > > A comparação com a outra Cristina, a Buarque, só tem a dizer em seu favor, > pois a irmã de Chico é uma sambista que não faz força pra ser, ela > simplesmente "é", e fica muito à vontade cantando, como se estivesse numa > roda de samba em uma casa qualquer de um bairro qualquer do Rio (onde foi > criada), de São Paulo, onde nasceu, ou até mesmo da Bahia, onde dizem que o > samba nasceu. > > Nascimentos à parte, a grande lição do canto de Cristina Buarque é este > estar-à-vontade, como no seu disco novo, gravado ao vivo, com o grupo > Terreiro Grande, e em outra edição do Ensaio, da década de 70, esta com > Ismael Silva, no qual ela canta com o mestre, ambos acompanhados por um > violonista do Recôncavo da Bahia, Codó, que nasceu em Salinas da Margarida, > cidade citada por Gil na música Ladeira da preguiça, e lugar onde passei > muitas férias de verão, pois ali nasceu meu pai. > > Voltando aos nascimentos, penso na morte de meu pai, que amava > incondicionalmente sua terra, e na morte de Benedito César Faria, pai de > Paulinho da Viola, acontecida há um mês. Só fui entender a paixão de meu pai > por Salinas quando me dei conta da minha paixão, também incondicional, pela > canção popular. Quanto a seu César, ele também possuía o dom de > estar-à-vontade no samba, sem forçar a barra nem gritar "avante!" - aqui, > cito mesmo Bethânia que, num trecho do documentário Os Doces Bárbaros, curte > deliciosamente com esse negócio de sair por aí defendendo bandeiras, > gritando "avante", feito aquelas figuras de meninos de uniforme dos livros > de Educação Moral e Cívica do antigo ginásio. > > Conheci Seu César, por acaso, num ônibus que ia pra Botafogo, quando > estava no Rio, após o lançamento do disco de Batatinha, que produzi com Jota > Velloso, e sobre o qual já falei aqui em Terra Magazine. Eu queria dar um > disco a Paulinho da Viola, que era homenageado no cd com Ministro do samba, > música em que Batata cita nominalmente Paulinho. Pois bem, me apresentei a > seu César, que foi um amor e me deu o seu endereço onde, dias depois, deixei > dois cd's, um pra Paulinho e outro pra ele mesmo. Parece algo prosaico de se > contar, mas naquele pouco contato que tive com seu César, nos shows em que o > vi tocar, e também Ensaio dedicado a ele, que foi exibido uma semana após > seu falecimento, ficou a impressão de um homem que vivia a música > naturalmente, como parte do cotidiano, sem estrelismos. E seu César > acompanhou Jacó do Bandolim, além de ter gerado Paulinho da Viola! > > Assim a gente entende mais a origem daquele jeito de Paulinho, de nobreza > sem afetação. Nobrezas de seu César, das duas Cristinas, de Ismael Silva, de > Codó, e também de meu pai, que não era músico, mas cantava bem bonito a > Canção do marinheiro, aquela que diz "qual cisne branco que em noite de > lua...", e à memória de quem dedico este artigo, quase uma croniquinha, > assim como um samba assoviado no meio da rua. > > > Paquito é músico e produtor. > > > > > _________________________________________________________________ > Conheça o Windows Live Spaces, a rede de relacionamentos conectada ao > Messenger! > > http://spaces.live.com/signup.aspx_______________________________________________ > Para CANCELAR sua assinatura: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela > Para ASSINAR esta lista: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina > Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta > _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
