Lourival, a Teresa, juntamente como o Pedro Miranda e mais alguns artistas foram os precursores desse movimento de ressurgimento da Lapa e do resgate do bom samba, principalmente depois da explosão do fenômeno do pagode nos anos 90. Quem costumava ir ao Semente há alguns anos atrás sabe disso. Além disso, canta com a singelesa de quem está ali pra não aparecer mais que a música, o que andava faltando no samba ultimamente. Não se pode esquecer que também é excelente compositora. No mais, ela soube aproveitar as oportunidades que lhe cruzaram o caminho.

Infelizmente há muitos artistas que não conseguem o espaço que merecem na mídia, mas também não devemos desmerecer aqueles o conseguiram com competência.

Aquele abraço,
Gabriel Gomes

Lourival Augusto de Santana escreveu:
Assisti também a esse Ensaio com Tereza Cristina e, sinceramente, ainda não
entendo o destaque (excessivo) dado à cantora pela mídia (sempre
especialista em criar e destruir mitos). Ela, Tereza, tem méritos inegáveis,
sem sombra de dúvidas, especialmente pela escolha do repertório e dos
músicos que a acompanham - sempre de muito bom gosto e sensibilidade. No
mais ela tem uma voz, e uma interpretação, que em nada difere de dezenas de
desconhecidas cantoras de barzinhos e quejandos, que apenas não atrairam a
atenção da mídia e não possuem um "pedigree" que justifique uma atenção
especial.

Lourival Augusto


Em 07/12/07, Sonia Palhares Marinho <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:


Fonte:
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2088876-EI6621,00.html



Tereza Cristina, Cristina Buarque e Benedito César


Quarta, 21 de novembro de 2007, 07h59


Por: Paquito


Acabo de rever o Ensaio estrelado por Tereza Cristina & Grupo Semente, de
2002, lançado agora em DVD pela Deckdisc. Na época em que foi exibido na Tv
Cultura, assim que assisti ao programa, liguei pra Faro, o diretor, e
perguntei quem era aquela cantora com o repertório, na minha opinião,
semelhante ao de Cristina Buarque. O Baixo me disse que ela era cult no Rio
de Janeiro, que se apresentava na Lapa etc.
Bem, hoje Tereza Cristina é mais conhecida e reconhecida como uma força do
samba e, por isso mesmo, é bom rever esta edição do Ensaio, na verdade uma
antologia de sambas das velhas guardas da Mangueira e da Portela, escola de
Tereza Cristina, que mostra, neste início de carreira, além de elegância,
conhecimento e intimidade com seus pares.

Tereza também canta sambas seus, uma música da autoria de sua mãe, fala do
bairro onde viveu, a Penha, e diz das influências: o pai cantava sambas e a
mãe ouvia e cantava Roberto Carlos, nosso romântico maior, o que prova, pra
alguns do meio do samba, que sambista não precisa ficar envolvido em redomas
culturais pra ser bom. Pelo contrário, é importante estar em contato com a
vida em redor. E com que carinho ela fala de Roberto!

A comparação com a outra Cristina, a Buarque, só tem a dizer em seu favor,
pois a irmã de Chico é uma sambista que não faz força pra ser, ela
simplesmente "é", e fica muito à vontade cantando, como se estivesse numa
roda de samba em uma casa qualquer de um bairro qualquer do Rio (onde foi
criada), de São Paulo, onde nasceu, ou até mesmo da Bahia, onde dizem que o
samba nasceu.

Nascimentos à parte, a grande lição do canto de Cristina Buarque é este
estar-à-vontade, como no seu disco novo, gravado ao vivo, com o grupo
Terreiro Grande, e em outra edição do Ensaio, da década de 70, esta com
Ismael Silva, no qual ela canta com o mestre, ambos acompanhados por um
violonista do Recôncavo da Bahia, Codó, que nasceu em Salinas da Margarida,
cidade citada por Gil na música Ladeira da preguiça, e lugar onde passei
muitas férias de verão, pois ali nasceu meu pai.

Voltando aos nascimentos, penso na morte de meu pai, que amava
incondicionalmente sua terra, e na morte de Benedito César Faria, pai de
Paulinho da Viola, acontecida há um mês. Só fui entender a paixão de meu pai
por Salinas quando me dei conta da minha paixão, também incondicional, pela
canção popular. Quanto a seu César, ele também possuía o dom de
estar-à-vontade no samba, sem forçar a barra nem gritar "avante!" - aqui,
cito mesmo Bethânia que, num trecho do documentário Os Doces Bárbaros, curte
deliciosamente com esse negócio de sair por aí defendendo bandeiras,
gritando "avante", feito aquelas figuras de meninos de uniforme dos livros
de Educação Moral e Cívica do antigo ginásio.

Conheci Seu César, por acaso, num ônibus que ia pra Botafogo, quando
estava no Rio, após o lançamento do disco de Batatinha, que produzi com Jota
Velloso, e sobre o qual já falei aqui em Terra Magazine. Eu queria dar um
disco a Paulinho da Viola, que era homenageado no cd com Ministro do samba,
música em que Batata cita nominalmente Paulinho. Pois bem, me apresentei a
seu César, que foi um amor e me deu o seu endereço onde, dias depois, deixei
dois cd's, um pra Paulinho e outro pra ele mesmo. Parece algo prosaico de se
contar, mas naquele pouco contato que tive com seu César, nos shows em que o
vi tocar, e também Ensaio dedicado a ele, que foi exibido uma semana após
seu falecimento, ficou a impressão de um homem que vivia a música
naturalmente, como parte do cotidiano, sem estrelismos. E seu César
acompanhou Jacó do Bandolim, além de ter gerado Paulinho da Viola!

Assim a gente entende mais a origem daquele jeito de Paulinho, de nobreza
sem afetação. Nobrezas de seu César, das duas Cristinas, de Ismael Silva, de
Codó, e também de meu pai, que não era músico, mas cantava bem bonito a
Canção do marinheiro, aquela que diz "qual cisne branco que em noite de
lua...", e à memória de quem dedico este artigo, quase uma croniquinha,
assim como um samba assoviado no meio da rua.


Paquito é músico e produtor.




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