Olá companheiros de lista.

Acabo de escrever um pequeno texto sobre o vocábulo samba. Considerando que 
temos aqui colegas com  um nível de conhecimento em samba muito alto, peço 
encarecidamente alguns comentários dos participantes da lista de samba e choro.

Agradeço antecipadamente,
Luís Florião

ps.:Ô galera, dá uma ajuda para eu não falar nada absurdo nem deixar de falar 
algo muito importante.
ps2.: Fábio, posso contar com sua ajuda para a parte onde cito as 
possibilidades do nome ter vindo dos indígenas




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SAMBA - O Nome da Festa

 

 

A Cultura Samba
 

A palavra samba tem muitos significados. Designa diversos estilos musicais: 
samba raiado, batido, de terreiro, de embolada, enredo, de partido alto, 
canção, exaltação e de breque, por exemplo. Nomeia danças como samba de véio, 
de coco, de roda, no pé, de passista, de mestre-sala, duro ou de pernada e 
samba (de par). Pode, ainda, designar lugar de festa, mesmo que nem toque a 
música samba nesse espaço.

 

Diferentes influências compuseram essas manifestações. Dentre elas, a polca, a 
umbigada, o batuque, a valsa, o maxixe*5, o choro, a chula*10, o corso, as 
sociedades, a marchinha, a havaneira, o fandango, o lundu e até músicas, 
instrumentos e festas indígenas, sendo misturadas e remisturadas desde 1500, 
ano da chegada de Cabral.

 

 

A Origem do Nome
 

Muitos devem ter ouvido que o samba (de forma genérica) vem da África - o 
vocábulo teria surgido porque em Angola há uma palavra que significa umbigada. 
Devido às várias raízes, às diversas expressões culturais envolvidas e à 
carência de informações fidedignas no período colonial, confusões desse tipo 
são, de fato, muito freqüentes.

 

Devido a um grande número de teses divergentes geradas pelos estudiosos que se 
debruçaram sobre esse tema, definir a procedência desse termo não é tarefa 
fácil. Assim, escrevendo somente sobre a origem da palavra samba - não sobre as 
danças e as músicas, meu objetivo principal, com informações garimpadas em 
diversos desses estudos, é revelar possibilidades e curiosidades que tornem 
essa história ainda mais interessante e controversa*12.

 

 

Mama África - teoria africana 

 

A história mais repetida pela maioria dos que crêem que o nome de nossas 
músicas e danças originou-se na África*13  conta que samba veio de semba, que 
quer dizer umbigo no dialeto quimbundo.

 

Encontramos vários outros autores sugerindo que esse vocábulo veio do 
continente africano, mas através de outros caminhos:

  a.. samba pode ter vindo de muçumba, que é um chocalho;
  b.. de "estar animado" no dialeto umbundo;
  c.. da língua iubá ou banta na qual significa "pular ou saltar com alegria";
  d.. dos quiocos angolanos para quem samba é "cabriolar, brincar, divertir-se 
como cabrito";
  e.. dos bancongos (angolanos e congoleses), significando "dança em que um 
bate contra o peito do outro";
  f.. segundo Francisco Guimarães, a junção de sam (pague) e ba (receba).
 

Dadas tantas conexões entre os povos latino-americanos, investigamos um pouco 
entre nossos vizinhos e encontramos o texto da pesquisadora Nicomedes Santa 
Cruz contando que Samba-Cuque em quimbundo quer dizer "venha iniciar a dança", 
o que deu origem à expressão samba-cueca - ou samacueca.

 

A. J. Macedo Soares, profundo conhecedor das línguas lá de Angola, afirma que 
"o samba em seu calor não significa dança, lá ninguém lhe dá valor". Bernardo 
Alves nos informa que, na África, samba significa reza nos idiomas conguês e 
iunhaneca e "lavar o corpo" em Moçambique. Os dois estudiosos nos explicam que, 
por lá, a palavra samba era usada apenas com cunho religioso, que não 
representou e não representa música nem dança, mas convenhamos que isso não 
impediria que a palavra aqui ganhasse uma nova conotação.

 

 

Tem branco no samba - teoria européia
 

Mário de Andrade garante que o termo vem de um tipo de dança encontrada na 
Espanha do século XVI, a zamba (lê-se samba), e que os mestiços de índio e 
negro, eram chamados de zambo e zamba. 

 

Na Andaluzia, utiliza-se a palavra zamra (lê-se samra) para definir um baile 
descrito como um ambiente festivo com bebidas, canto e dança cuja origem 
remonta a épocas pagãs. Outra possibilidade é que a palavra tenha derivado de 
zambra (sambra), que nomeia em castelhano antigo, segundo Susana Navalón, uma 
festa mourisca com música e algazarra - pensamento reforçado por Pedro Allende, 
chileno que afirma que a procedência do termo seja hispano-árabe: "estou 
convencido que nossa cueca ou zamba cueca tem sua origem na festa mourisca 
denominada zambra que se celebra ao ar livre". E vai além: "o uso de bater 
palmas dos espectadores que rodeiam os dançarinos, se pratica tanto entre os 
mouros como entre os andaluzes".

 

Outra citação sobre o tema conta que, no início do século XIX, originou-se ao 
som do violão o baile popular que depois ficaria conhecido no Peru como zamba 
antigo e que após assimilar ritmos africanos se transformaria em zamacueca, 
descendente direto da cultura espanhola e raiz de várias danças na América do 
Sul. No dicionário, lemos que zamba é baile popular, sinônimo de zamacueca, 
que, difundido em 1810, chega a nossos dias.

 

Na Argentina, temos a zamba folclórica, que, assim como a sambacueca, é dançada 
em duplas com muitos sapateados.

 

Para coroar esse time de pesquisadores, vale a pena citar o comentário de 
Sérgio Buarque de Holanda que fala das influências de mouros e judeus, ambas 
reprimidas pelo poder monárquico e católico da época mas que teriam nos deixado 
marcas profundas, como é o caso da zambra*6.

 

 

Vermelhô - teoria ameríndia
 

No desfile de 1942, a Portela sagrou-se bicampeã cantando o samba de Alvaiade 
no qual a origem indígena do samba foi proclamada com todas as letras na Praça 
Onze*4. Há muitos estudiosos como Fábio Gomes que concordam com essa idéia, e 
daí surge uma nova série de teses: 

 

  a.. entre os tupi-guarani, por exemplo, "cadeia feita de mãos dadas" é samba 
- que também quer dizer, segundo Batista Caetano, ''dança de roda'';
  b.. na tese defendida por Teodoro Sampaio, o nome teria vindo de çama ou 
çamba, que quer dizer "dança da corda";
  c.. dos índios Fulniôs, que têm em suas tradições mais antigas o ''samba de 
côco'' ;
  d.. dos Xocós, que são exímios sambistas;
  e.. etimologia da palavra tupi sambaqui - depósitos de conchas, ostras ou 
mexilhões.
 

O maestro Batista Siqueira, no livro Origem do Termo Samba, afirma que vem de 
sambá e representa o ato de trocar. Referências do século XVII trazidas por ele 
indicam os Tapuias como responsáveis pelo aparecimento do vocábulo que 
significa o local onde o povo se reunia para festejar algum evento social: 
"inicialmente samba era [...] um divertimento popular de grandes variedades nas 
ocorrências sociais. A tradição define samba desse modo: lugar onde come-se, 
bebe-se e dança-se". O maestro entrou pelo nosso sertão  no início do século 
XIX e colheu do folclore local dezenas de músicas, que foram apresentadas a ele 
como sambas.

 

Há também a tese, muito bem fundamentada, do estudioso pernambucano Bernardo 
Alves. Em seu livro A Pré-História do Samba, ele explica que o termo nasceu da 
arte e da cultura indígenas: os Curumbas, do interior do Nordeste, e os 
Amocreves, que viviam próximo à Goiânia, seriam os responsáveis por levar aos 
negros e brancos, em suas incursões de troca e comércio, o samba, dança 
tradicional indígena. 

 

O livro - impresso em Lisboa em 1699 - Arte de Gramática da Língua Brasílica da 
Naçam Kiriri*11 traz texto do padre Luiz Mamiani em que a palavra samba é 
apresentada como sinônimo de cágado - um parente da tartaruga e que se chamava 
de sambahó a festa em que os Cariris bebiam o suco fermentado da quixaba e 
comiam o cágado enquanto dançavam e cantavam músicas sobre aves e valentias ao 
som de viola, pandeiro, flauta, tamboril e maracá. Um dos documentos 
interessantes apresentados por Alves refere-se a uma pessoa que cantava e 
tocava o samba em 1837 no Recife.

 

Para completar essa linha de foco indígena, lembramos de Euclides da Cunha, que 
viu e ouviu samba nos sertões nordestinos*3 antes da virada para o séc XX.

 

 

Do Fim do Mundo - possibilidades mais remotas

 

Registro a existência do povo Sambas, que habita o oeste da ilha de Bornéo na 
Indonésia e ainda a existência da ilha Sambae no arquipélago de Sonda, na 
Oceania.

 

 

A festa e a mistura
 

O escritor cearense Manuel de Oliveira Paiva, em 1891, escreve o romance D. 
Guidinha do Poço, no qual um afamado violeiro, vendo o salão encher-se de 
dançarinos*7, comenta com outro personagem: "Essa fonção de samba só mesmo pa 
quem qué se metê na vadiação (...)". A nossa literatura, desde a fase colonial, 
quase sempre registra a palavra samba com significado de uma forma de dança em 
povoados, vilas, terreiros de fazendas ou como manifestações de caráter 
folclórico em festas típicas , tradicionais ou, até mesmo, como canto de 
trabalho.

 

Riquezas, a mistura e a diversidade. Traço forte e indiscutível do brasileiro. 
Cabe, antes de seguir, reforçar que as formas de samba (música e dança) feitas 
no Brasil são brasileiras.

 

Muitas vezes ouvi meu avô cearense, descendente de portugueses e holandeses, 
chamar: "vamos pro samba?". Era um convite para ir a um bar, um forró ou festas 
de todo tipo. O músico Caio Pontual reforça a idéia do samba com sentido de 
festejo contando que, em Pernambuco, na região da zona da mata, existe a 
expressão "sambar maracatu". Essa atitude especialmente comum no nordeste é 
muito anterior ao século XX e perdura até hoje. 

É comum a um grande número de pesquisadores a idéia de que samba já foi 
sinônimo de local de festa e que só recentemente passou a denominar um ritmo - 
ou vários, já que na denominação samba cabem variações tão diferentes entre si 
como o samba canção, enredo, rock, reggae, o samba-lenço, o samba-rural, 
samba-batido, jazz, sambalanço, rumba, sambolero, chorinho, pagode e o partido 
alto. O músico Gilberto Gil reitera essa linha*8 em texto divulgado em sua 
página.

 

Denominar um ritmo pelo nome do local de festa onde ele ocorre é muito mais 
comum do que se pode pensar: aconteceu também com o forró, a kizomba, o zouk, a 
milonga e o pagode*2. O ideal de identidade nacional, pregado no início do séc. 
XX por defensores da cultura mestiça como Gilberto Freire e a necessidade de 
integração da pátria no Estado Novo, certamente ajudou na difusão do samba 
carioca, mas vale ressaltar que, muito antes disso, com limitados meios de 
comunicação, a palavra era usada por toda América Latina há mais de um século. 
Isso se deve, provavelmente, ao fato de diversos povos pelo mundo, desde tempos 
remotos, possuírem expressões parecidas para local de diversão ou coisas 
ligadas à dança. 

 

 

Sambas do Brasil - patrimônio da multifacetada cultura brasileira
 

Após expor tantas possibilidades da origem da palavra samba e estando todos nós 
cientes das inúmeras manifestações com esse mesmo nome, penso ser fácil sugerir 
que ninguém deva pensar no samba como se fosse um e muito menos que todos os 
"sambas" sejam tratados como privilégio exclusivo de uma cultura ou raça e 
ainda que tomemos o devido cuidado, definindo muito bem sobre qual das 
manifestações referimo-nos ao falar ou escrever para aumentar as chances de se 
chegar a conclusões razoáveis.

 

 

 

Luís Florião - professor de danças de par brasileiras




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Música e Dança Popular - Sua influência na arte erudita - Bruno Kiefer

Feitiço Decente - Carlos Sandroni;

O Mistério do Samba - Hermano Vianna;

Tia Ciata e a pequena África no Rio de Janeiro - Roberto Moura;

História do Brasil Colonial - Luiz Roberto Lopez;

Um Rei da Valsa - Onestaldo de Pennaforte;

A Pré-História do Samba - Bernardo Alves;

Pequena História da música popular - da modinha ao tropicalismo - José Ramos 
Tinhorão;

Renato Vivacqua - Música Popular Brasileira: histórias de sua gente;

Origem do Termo Samba - Batista Siqueira;

N a R o d a  d o  S a m b a - Francisco Guimarães (Vagalume);

São Ismael do Estácio - O sambista que foi rei. Maria Teresa Mello Soares RJ, 
Funarte, 1985, p. 88

Dicionário Musical Brasileiro. Mário de Andrade São Paulo, Edusp, 1989, p.454

Teodoro Sampaio (Tupi na Geografia Nacional)

O negro no Rio de Janeiro e sua tradição musical - Lopes, Nei. Rio de Janeiro: 
Pallas, 1992.

Samba de Gafieira - Marco Perna;

Vem Dançar Comigo - Carlinhos de Jesus;

Biografia da Antonietta - Teresa Drumond;

O Choro. Reminiscência dos chorões antigos - Alexandre G. Pinto

Teodoro Sampaio (Tupi na Geografia Nacional)

 

Documentário: Maxixe a dança perdida;

 

Teses e textos

O Samba Indígena - Fabio Gomes 

O Brasil dá samba?  - Adalberto Paranhos

Pequena História do Samba - Nancy Alves;

O Forró - Gilberto Gil

Monografia Samba - Vanessa Vilaça Dupin

Samba: Origens, Transformações  E Indústria Cultural (1916-1940) - Giovana 
Papini

http://www.brasileirinho.mus.br/pre-historia-samba/pre-historia-samba.htm

http://www.geocities.com/Athens/Aegean/6687/marinera.htm

http://www.latincombo.hu/Zaszlok/espanol_bailes.html

http://www.todotango.com/Spanish/biblioteca/lexicon/z.html

http://www.flamencos.com/tarsis/revista.php?id=8

http://www.esflamenco.com/palos/eszambra.html

http://napoles.cervantes.es/biblioteca/novedades/04abr.htm

História do Samba - Editora Globo;

Aonde o samba nasceu - Por João José da Silva (Cordel)

As raízes de Sérgio Buarque - Centenário do historiador tira do limbo sua 
dissertação de mestrado - Fabrício Marques

Sambaquis do samba, na penha - Alberto Taveira

 


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*1. A África do norte ou África branca é marcada pelo predomínio da população 
árabe que chegou ao norte do continente durante o processo de expansão do 
islamismo, com o objetivo de difundir a fé muçulmana.

 

*2. Para ilustrar, cito uma referência de um jornal de Taubaté de 1870 que 
dizia o seguinte: "Ficam pagodeando, atrapalhando o sono das famílias de bem, 
torna-se necessário que as autoridades tomem providências".

 

*3. como nos conta Fabio Gomes que apresenta a citação interessantíssima de Os 
Sertões - "O falecimento de uma criança é um dia de festa. Ressoam as violas na 
cabana dos pobres pais, jubilosos entre as lágrimas; referve o samba 
turbulento; vibram nos ares, fortes, as coplas dos desafios, enquanto, a uma 
banda, entre duas velas de carnaúba, coroado de flores, o anjinho exposto 
espelha, no último sorriso paralisado, a felicidade suprema da volta para os 
céus, para a felicidade eterna - que é a preocupação dominadora daquelas almas 
ingênuas e primitivas" e em outra passagem do mesmo livro "E por que não? Pois 
se havia tribuzana velha!... Haverá de levar pancada, como boi acuado, e ficar 
quarando à toa, quando a cabrada fechava o samba desautorizando as praças?!"

 

*4. "A Vida do Samba": "Samba foi uma festa dos índios/ Nós o aperfeiçoamos 
mais/ É uma realidade/ Quando ele desce do morro/ Para viver na cidade. // 
Samba, tu és muito conhecido/ No mundo inteiro/ Samba, orgulho dos brasileiros/ 
Foste ao estrangeiro/ E alcançaste grande sucesso/ Muito nos orgulha o teu 
progresso.".

 

*5. De acordo com o historiador Mário de Andrade, a palavra "samba" viveu um 
verdadeiro período de "ostracismo" no início do século XX, conhecendo variantes 
coreográficas cultivadas por "brancos rurais" (o coco), para depois ser 
ressuscitada com vigor pelos fãs do maxixe (precursor do samba em casais). 

 

*6. "Em maior número, atravessaram o oceano, trazidas pelos primeiros colonos, 
e, implantando-se entre nós, deixaram aqui reminiscências que ainda perduram, 
como é o caso da zambra, que alcançou a América espanhola e o Brasil, 
tornando-se talvez o remoto antepassado de nosso atual samba. Este, conquanto 
não falte ainda hoje quem se esforce por discernir-lhe a origem - origem de 
nome, quanto menos -, ou naquele radical bantu, há muitas probabilidades de 
que, no nome, tanto quanto em algumas características coreográficas, tais como 
se manifestam em meios rurais paulistas ou em diversos lugares da América 
Espanhola, provenha, não de Angola ou do Congo, mas antes da chamada África 
branca*1".

 

*7. "Neste fordunço, a cantoria se perde quase toda! - fez-lhe ver o Silveira. 
Eu não gostei nunca de cantá im samba pro mó disso mesmo. No pinho, outro galo 
me cantava, eu decidia cá a meu gosto. Mas também, a bem dizê, só aprecio hoje 
im dia baião de ponta de unha, bem explicado na regra, como eu cá sei. Home!  
"Essa fonção de samba só mesmo pa quem qué se metê na vadiação (...)"



*8. "Ainda me recordo da surpresa de que fui tomado quando, ao percorrer 
extensa região nordestina de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Ceará em 1972, ao 
voltar do exílio na Inglaterra, encontrei a expressão samba a designar, 
justamente, os arrasta-pés e os bailes locais. Ali, não o samba - tal como 
conhecido na Bahia e no Rio - mas o baião, o xote e o xaxado eram as principais 
manifestações musicais. Mesmo constituído por outro tipo de música, o baile 
nordestino, principalmente mais para os lugares do interior, era até então 
comumente chamado de samba." Gilberto Gil.

 

*10. Uma das muitas definições do samba vem de um conhecido sambista do Rio de 
Janeiro, João da Baiana que viveu de 1887 à 1974: (*1) "Antes de falá samba, a 
gente falava chula. Chula era qualquer verso cantado. Por exemplo: Os versos 
que os palhaço cantava era chula de palhaço.(...) Agora, tinha a chula raiada, 
que era o samba do partido alto. Podia chamá chula raiada ou samba raiado. Era 
a mesma coisa. Tudo era samba de partido-alto. E tinha samba corrido".

 

*11. Na imprensa brasileira, o gênero samba foi citado pela primeira vez pelo 
padre Lopes Gama no jornal O Carapuceiro, de Recife, em 22 de novembro de 1837. 

Um antiga referência encontrada sobre a palavra samba está em uma das edições 
do ano de 1838 de O Carapuceiro, onde o padre Gama se refere a "samba 
d'almocreves", classificando o estilo musical como coisa própria da periferia, 
do meio rural (almocreve era o serviçal que se ocupava em cuidar de mulas e 
burros).

 

*12 - Como por exemplo o que nos conta o pesquisador zairense Kazadi Wa Mukuna: 
pouca coisa na música brasileira tem origem banta. Afirma ainda que os 
''Conceitos foram alimentados com informações falsas, reivindicando a posse de 
certas expressões culturais brasileiras cujas raízes não podem remontar à 
África.''

 

*13 - Nei Lopes concorda, mas acredita que o termo signifique não umbigada, mas 
rejeitar ou separar.
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