Luis, primeiramente queria te parabenizar pelo texto, que sintetiza bem essa
questão muito polêmica, eu concordo com vc e outros quando diz que o termo é
provavelmente oriundo de diversas origens, e que jamais teremos certeza da
sua origem primeira.
Quero aproveitar para fazer uma observação, na parte referente ao livro do
Bernardo Alves onde está grafado a cidade de Goiânia, na verdade o nome da
cidade é Goiana.
Um Abraço.
Caio Pontual.
----- Original Message -----
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Sent: Friday, January 25, 2008 11:29 AM
Subject: [S-C] Fw: SAMBA - O Nome da Festa
Olá companheiros de lista.
Acabo de escrever um pequeno texto sobre o vocábulo samba. Considerando que
temos aqui colegas com um nível de conhecimento em samba muito alto, peço
encarecidamente alguns comentários dos participantes da lista de samba e
choro.
Agradeço antecipadamente,
Luís Florião
ps.:Ô galera, dá uma ajuda para eu não falar nada absurdo nem deixar de
falar algo muito importante.
ps2.: Fábio, posso contar com sua ajuda para a parte onde cito as
possibilidades do nome ter vindo dos indígenas
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SAMBA - O Nome da Festa
A Cultura Samba
A palavra samba tem muitos significados. Designa diversos estilos musicais:
samba raiado, batido, de terreiro, de embolada, enredo, de partido alto,
canção, exaltação e de breque, por exemplo. Nomeia danças como samba de
véio, de coco, de roda, no pé, de passista, de mestre-sala, duro ou de
pernada e samba (de par). Pode, ainda, designar lugar de festa, mesmo que
nem toque a música samba nesse espaço.
Diferentes influências compuseram essas manifestações. Dentre elas, a polca,
a umbigada, o batuque, a valsa, o maxixe*5, o choro, a chula*10, o corso, as
sociedades, a marchinha, a havaneira, o fandango, o lundu e até músicas,
instrumentos e festas indígenas, sendo misturadas e remisturadas desde 1500,
ano da chegada de Cabral.
A Origem do Nome
Muitos devem ter ouvido que o samba (de forma genérica) vem da África - o
vocábulo teria surgido porque em Angola há uma palavra que significa
umbigada. Devido às várias raízes, às diversas expressões culturais
envolvidas e à carência de informações fidedignas no período colonial,
confusões desse tipo são, de fato, muito freqüentes.
Devido a um grande número de teses divergentes geradas pelos estudiosos que
se debruçaram sobre esse tema, definir a procedência desse termo não é
tarefa fácil. Assim, escrevendo somente sobre a origem da palavra samba -
não sobre as danças e as músicas, meu objetivo principal, com informações
garimpadas em diversos desses estudos, é revelar possibilidades e
curiosidades que tornem essa história ainda mais interessante e
controversa*12.
Mama África - teoria africana
A história mais repetida pela maioria dos que crêem que o nome de nossas
músicas e danças originou-se na África*13 conta que samba veio de semba,
que quer dizer umbigo no dialeto quimbundo.
Encontramos vários outros autores sugerindo que esse vocábulo veio do
continente africano, mas através de outros caminhos:
a.. samba pode ter vindo de muçumba, que é um chocalho;
b.. de "estar animado" no dialeto umbundo;
c.. da língua iubá ou banta na qual significa "pular ou saltar com
alegria";
d.. dos quiocos angolanos para quem samba é "cabriolar, brincar,
divertir-se como cabrito";
e.. dos bancongos (angolanos e congoleses), significando "dança em que um
bate contra o peito do outro";
f.. segundo Francisco Guimarães, a junção de sam (pague) e ba (receba).
Dadas tantas conexões entre os povos latino-americanos, investigamos um
pouco entre nossos vizinhos e encontramos o texto da pesquisadora Nicomedes
Santa Cruz contando que Samba-Cuque em quimbundo quer dizer "venha iniciar a
dança", o que deu origem à expressão samba-cueca - ou samacueca.
A. J. Macedo Soares, profundo conhecedor das línguas lá de Angola, afirma
que "o samba em seu calor não significa dança, lá ninguém lhe dá valor".
Bernardo Alves nos informa que, na África, samba significa reza nos idiomas
conguês e iunhaneca e "lavar o corpo" em Moçambique. Os dois estudiosos nos
explicam que, por lá, a palavra samba era usada apenas com cunho religioso,
que não representou e não representa música nem dança, mas convenhamos que
isso não impediria que a palavra aqui ganhasse uma nova conotação.
Tem branco no samba - teoria européia
Mário de Andrade garante que o termo vem de um tipo de dança encontrada na
Espanha do século XVI, a zamba (lê-se samba), e que os mestiços de índio e
negro, eram chamados de zambo e zamba.
Na Andaluzia, utiliza-se a palavra zamra (lê-se samra) para definir um baile
descrito como um ambiente festivo com bebidas, canto e dança cuja origem
remonta a épocas pagãs. Outra possibilidade é que a palavra tenha derivado
de zambra (sambra), que nomeia em castelhano antigo, segundo Susana Navalón,
uma festa mourisca com música e algazarra - pensamento reforçado por Pedro
Allende, chileno que afirma que a procedência do termo seja hispano-árabe:
"estou convencido que nossa cueca ou zamba cueca tem sua origem na festa
mourisca denominada zambra que se celebra ao ar livre". E vai além: "o uso
de bater palmas dos espectadores que rodeiam os dançarinos, se pratica tanto
entre os mouros como entre os andaluzes".
Outra citação sobre o tema conta que, no início do século XIX, originou-se
ao som do violão o baile popular que depois ficaria conhecido no Peru como
zamba antigo e que após assimilar ritmos africanos se transformaria em
zamacueca, descendente direto da cultura espanhola e raiz de várias danças
na América do Sul. No dicionário, lemos que zamba é baile popular, sinônimo
de zamacueca, que, difundido em 1810, chega a nossos dias.
Na Argentina, temos a zamba folclórica, que, assim como a sambacueca, é
dançada em duplas com muitos sapateados.
Para coroar esse time de pesquisadores, vale a pena citar o comentário de
Sérgio Buarque de Holanda que fala das influências de mouros e judeus, ambas
reprimidas pelo poder monárquico e católico da época mas que teriam nos
deixado marcas profundas, como é o caso da zambra*6.
Vermelhô - teoria ameríndia
No desfile de 1942, a Portela sagrou-se bicampeã cantando o samba de
Alvaiade no qual a origem indígena do samba foi proclamada com todas as
letras na Praça Onze*4. Há muitos estudiosos como Fábio Gomes que concordam
com essa idéia, e daí surge uma nova série de teses:
a.. entre os tupi-guarani, por exemplo, "cadeia feita de mãos dadas" é
samba - que também quer dizer, segundo Batista Caetano, ''dança de roda'';
b.. na tese defendida por Teodoro Sampaio, o nome teria vindo de çama ou
çamba, que quer dizer "dança da corda";
c.. dos índios Fulniôs, que têm em suas tradições mais antigas o ''samba
de côco'' ;
d.. dos Xocós, que são exímios sambistas;
e.. etimologia da palavra tupi sambaqui - depósitos de conchas, ostras ou
mexilhões.
O maestro Batista Siqueira, no livro Origem do Termo Samba, afirma que vem
de sambá e representa o ato de trocar. Referências do século XVII trazidas
por ele indicam os Tapuias como responsáveis pelo aparecimento do vocábulo
que significa o local onde o povo se reunia para festejar algum evento
social: "inicialmente samba era [...] um divertimento popular de grandes
variedades nas ocorrências sociais. A tradição define samba desse modo:
lugar onde come-se, bebe-se e dança-se". O maestro entrou pelo nosso sertão
no início do século XIX e colheu do folclore local dezenas de músicas, que
foram apresentadas a ele como sambas.
Há também a tese, muito bem fundamentada, do estudioso pernambucano Bernardo
Alves. Em seu livro A Pré-História do Samba, ele explica que o termo nasceu
da arte e da cultura indígenas: os Curumbas, do interior do Nordeste, e os
Amocreves, que viviam próximo à Goiânia, seriam os responsáveis por levar
aos negros e brancos, em suas incursões de troca e comércio, o samba, dança
tradicional indígena.
O livro - impresso em Lisboa em 1699 - Arte de Gramática da Língua Brasílica
da Naçam Kiriri*11 traz texto do padre Luiz Mamiani em que a palavra samba é
apresentada como sinônimo de cágado - um parente da tartaruga e que se
chamava de sambahó a festa em que os Cariris bebiam o suco fermentado da
quixaba e comiam o cágado enquanto dançavam e cantavam músicas sobre aves e
valentias ao som de viola, pandeiro, flauta, tamboril e maracá. Um dos
documentos interessantes apresentados por Alves refere-se a uma pessoa que
cantava e tocava o samba em 1837 no Recife.
Para completar essa linha de foco indígena, lembramos de Euclides da Cunha,
que viu e ouviu samba nos sertões nordestinos*3 antes da virada para o séc
XX.
Do Fim do Mundo - possibilidades mais remotas
Registro a existência do povo Sambas, que habita o oeste da ilha de Bornéo
na Indonésia e ainda a existência da ilha Sambae no arquipélago de Sonda, na
Oceania.
A festa e a mistura
O escritor cearense Manuel de Oliveira Paiva, em 1891, escreve o romance D.
Guidinha do Poço, no qual um afamado violeiro, vendo o salão encher-se de
dançarinos*7, comenta com outro personagem: "Essa fonção de samba só mesmo
pa quem qué se metê na vadiação (...)". A nossa literatura, desde a fase
colonial, quase sempre registra a palavra samba com significado de uma forma
de dança em povoados, vilas, terreiros de fazendas ou como manifestações de
caráter folclórico em festas típicas , tradicionais ou, até mesmo, como
canto de trabalho.
Riquezas, a mistura e a diversidade. Traço forte e indiscutível do
brasileiro. Cabe, antes de seguir, reforçar que as formas de samba (música e
dança) feitas no Brasil são brasileiras.
Muitas vezes ouvi meu avô cearense, descendente de portugueses e holandeses,
chamar: "vamos pro samba?". Era um convite para ir a um bar, um forró ou
festas de todo tipo. O músico Caio Pontual reforça a idéia do samba com
sentido de festejo contando que, em Pernambuco, na região da zona da mata,
existe a expressão "sambar maracatu". Essa atitude especialmente comum no
nordeste é muito anterior ao século XX e perdura até hoje.
É comum a um grande número de pesquisadores a idéia de que samba já foi
sinônimo de local de festa e que só recentemente passou a denominar um
ritmo - ou vários, já que na denominação samba cabem variações tão
diferentes entre si como o samba canção, enredo, rock, reggae, o
samba-lenço, o samba-rural, samba-batido, jazz, sambalanço, rumba,
sambolero, chorinho, pagode e o partido alto. O músico Gilberto Gil reitera
essa linha*8 em texto divulgado em sua página.
Denominar um ritmo pelo nome do local de festa onde ele ocorre é muito mais
comum do que se pode pensar: aconteceu também com o forró, a kizomba, o
zouk, a milonga e o pagode*2. O ideal de identidade nacional, pregado no
início do séc. XX por defensores da cultura mestiça como Gilberto Freire e a
necessidade de integração da pátria no Estado Novo, certamente ajudou na
difusão do samba carioca, mas vale ressaltar que, muito antes disso, com
limitados meios de comunicação, a palavra era usada por toda América Latina
há mais de um século. Isso se deve, provavelmente, ao fato de diversos povos
pelo mundo, desde tempos remotos, possuírem expressões parecidas para local
de diversão ou coisas ligadas à dança.
Sambas do Brasil - patrimônio da multifacetada cultura brasileira
Após expor tantas possibilidades da origem da palavra samba e estando todos
nós cientes das inúmeras manifestações com esse mesmo nome, penso ser fácil
sugerir que ninguém deva pensar no samba como se fosse um e muito menos que
todos os "sambas" sejam tratados como privilégio exclusivo de uma cultura ou
raça e ainda que tomemos o devido cuidado, definindo muito bem sobre qual
das manifestações referimo-nos ao falar ou escrever para aumentar as chances
de se chegar a conclusões razoáveis.
Luís Florião - professor de danças de par brasileiras
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Música e Dança Popular - Sua influência na arte erudita - Bruno Kiefer
Feitiço Decente - Carlos Sandroni;
O Mistério do Samba - Hermano Vianna;
Tia Ciata e a pequena África no Rio de Janeiro - Roberto Moura;
História do Brasil Colonial - Luiz Roberto Lopez;
Um Rei da Valsa - Onestaldo de Pennaforte;
A Pré-História do Samba - Bernardo Alves;
Pequena História da música popular - da modinha ao tropicalismo - José Ramos
Tinhorão;
Renato Vivacqua - Música Popular Brasileira: histórias de sua gente;
Origem do Termo Samba - Batista Siqueira;
N a R o d a d o S a m b a - Francisco Guimarães (Vagalume);
São Ismael do Estácio - O sambista que foi rei. Maria Teresa Mello Soares
RJ, Funarte, 1985, p. 88
Dicionário Musical Brasileiro. Mário de Andrade São Paulo, Edusp, 1989,
p.454
Teodoro Sampaio (Tupi na Geografia Nacional)
O negro no Rio de Janeiro e sua tradição musical - Lopes, Nei. Rio de
Janeiro: Pallas, 1992.
Samba de Gafieira - Marco Perna;
Vem Dançar Comigo - Carlinhos de Jesus;
Biografia da Antonietta - Teresa Drumond;
O Choro. Reminiscência dos chorões antigos - Alexandre G. Pinto
Teodoro Sampaio (Tupi na Geografia Nacional)
Documentário: Maxixe a dança perdida;
Teses e textos
O Samba Indígena - Fabio Gomes
O Brasil dá samba? - Adalberto Paranhos
Pequena História do Samba - Nancy Alves;
O Forró - Gilberto Gil
Monografia Samba - Vanessa Vilaça Dupin
Samba: Origens, Transformações E Indústria Cultural (1916-1940) - Giovana
Papini
http://www.brasileirinho.mus.br/pre-historia-samba/pre-historia-samba.htm
http://www.geocities.com/Athens/Aegean/6687/marinera.htm
http://www.latincombo.hu/Zaszlok/espanol_bailes.html
http://www.todotango.com/Spanish/biblioteca/lexicon/z.html
http://www.flamencos.com/tarsis/revista.php?id=8
http://www.esflamenco.com/palos/eszambra.html
http://napoles.cervantes.es/biblioteca/novedades/04abr.htm
História do Samba - Editora Globo;
Aonde o samba nasceu - Por João José da Silva (Cordel)
As raízes de Sérgio Buarque - Centenário do historiador tira do limbo sua
dissertação de mestrado - Fabrício Marques
Sambaquis do samba, na penha - Alberto Taveira
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*1. A África do norte ou África branca é marcada pelo predomínio da
população árabe que chegou ao norte do continente durante o processo de
expansão do islamismo, com o objetivo de difundir a fé muçulmana.
*2. Para ilustrar, cito uma referência de um jornal de Taubaté de 1870 que
dizia o seguinte: "Ficam pagodeando, atrapalhando o sono das famílias de
bem, torna-se necessário que as autoridades tomem providências".
*3. como nos conta Fabio Gomes que apresenta a citação interessantíssima de
Os Sertões - "O falecimento de uma criança é um dia de festa. Ressoam as
violas na cabana dos pobres pais, jubilosos entre as lágrimas; referve o
samba turbulento; vibram nos ares, fortes, as coplas dos desafios, enquanto,
a uma banda, entre duas velas de carnaúba, coroado de flores, o anjinho
exposto espelha, no último sorriso paralisado, a felicidade suprema da volta
para os céus, para a felicidade eterna - que é a preocupação dominadora
daquelas almas ingênuas e primitivas" e em outra passagem do mesmo livro "E
por que não? Pois se havia tribuzana velha!... Haverá de levar pancada, como
boi acuado, e ficar quarando à toa, quando a cabrada fechava o samba
desautorizando as praças?!"
*4. "A Vida do Samba": "Samba foi uma festa dos índios/ Nós o aperfeiçoamos
mais/ É uma realidade/ Quando ele desce do morro/ Para viver na cidade. //
Samba, tu és muito conhecido/ No mundo inteiro/ Samba, orgulho dos
brasileiros/ Foste ao estrangeiro/ E alcançaste grande sucesso/ Muito nos
orgulha o teu progresso.".
*5. De acordo com o historiador Mário de Andrade, a palavra "samba" viveu um
verdadeiro período de "ostracismo" no início do século XX, conhecendo
variantes coreográficas cultivadas por "brancos rurais" (o coco), para
depois ser ressuscitada com vigor pelos fãs do maxixe (precursor do samba em
casais).
*6. "Em maior número, atravessaram o oceano, trazidas pelos primeiros
colonos, e, implantando-se entre nós, deixaram aqui reminiscências que ainda
perduram, como é o caso da zambra, que alcançou a América espanhola e o
Brasil, tornando-se talvez o remoto antepassado de nosso atual samba. Este,
conquanto não falte ainda hoje quem se esforce por discernir-lhe a origem -
origem de nome, quanto menos -, ou naquele radical bantu, há muitas
probabilidades de que, no nome, tanto quanto em algumas características
coreográficas, tais como se manifestam em meios rurais paulistas ou em
diversos lugares da América Espanhola, provenha, não de Angola ou do Congo,
mas antes da chamada África branca*1".
*7. "Neste fordunço, a cantoria se perde quase toda! - fez-lhe ver o
Silveira. Eu não gostei nunca de cantá im samba pro mó disso mesmo. No
pinho, outro galo me cantava, eu decidia cá a meu gosto. Mas também, a bem
dizê, só aprecio hoje im dia baião de ponta de unha, bem explicado na regra,
como eu cá sei. Home! "Essa fonção de samba só mesmo pa quem qué se metê na
vadiação (...)"
*8. "Ainda me recordo da surpresa de que fui tomado quando, ao percorrer
extensa região nordestina de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Ceará em 1972,
ao voltar do exílio na Inglaterra, encontrei a expressão samba a designar,
justamente, os arrasta-pés e os bailes locais. Ali, não o samba - tal como
conhecido na Bahia e no Rio - mas o baião, o xote e o xaxado eram as
principais manifestações musicais. Mesmo constituído por outro tipo de
música, o baile nordestino, principalmente mais para os lugares do interior,
era até então comumente chamado de samba." Gilberto Gil.
*10. Uma das muitas definições do samba vem de um conhecido sambista do Rio
de Janeiro, João da Baiana que viveu de 1887 à 1974: (*1) "Antes de falá
samba, a gente falava chula. Chula era qualquer verso cantado. Por exemplo:
Os versos que os palhaço cantava era chula de palhaço.(...) Agora, tinha a
chula raiada, que era o samba do partido alto. Podia chamá chula raiada ou
samba raiado. Era a mesma coisa. Tudo era samba de partido-alto. E tinha
samba corrido".
*11. Na imprensa brasileira, o gênero samba foi citado pela primeira vez
pelo padre Lopes Gama no jornal O Carapuceiro, de Recife, em 22 de novembro
de 1837.
Um antiga referência encontrada sobre a palavra samba está em uma das
edições do ano de 1838 de O Carapuceiro, onde o padre Gama se refere a
"samba d'almocreves", classificando o estilo musical como coisa própria da
periferia, do meio rural (almocreve era o serviçal que se ocupava em cuidar
de mulas e burros).
*12 - Como por exemplo o que nos conta o pesquisador zairense Kazadi Wa
Mukuna: pouca coisa na música brasileira tem origem banta. Afirma ainda que
os ''Conceitos foram alimentados com informações falsas, reivindicando a
posse de certas expressões culturais brasileiras cujas raízes não podem
remontar à África.''
*13 - Nei Lopes concorda, mas acredita que o termo signifique não umbigada,
mas rejeitar ou separar.
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