Carol,
O som do funk carioca não me agrada. É uma questão de formação musical
e de não conseguir instrumentalizar a música apenas como diversão ou
algo feito exclusivamente para fazer rir e chacoalhar o corpo. Nesse
sentido, o funk carioca me parece mais entretenimento do que arte, mas
isso já é uma outra discussão.
Na prática, o que não dá para tolerar é esse discurso de que o povo é,
em geral, a velha massa ignara que é sempre manipulada e explorada
pelas grandes gravadoras e pela mídia em geral.
O povo só consome o que essa gente quer? Será? Discordo totalmente. O
povo - e a reeleição de Lula a despeito das elites alckmistas comprova
isso - está no comando do show há muito tempo. Esse papo de que a
Globo impõe isso e as rádios e seus jabás impõe aquilo pode até
existir, mas numa escala muito pequena, insignificante mesmo.
Vejamos um exemplo: quem é mais afeita à idéia de "artista produzida"
pela mídia? Taty Quebra- Barraco e seus pneuzinhos(que faz uma música
que eu não gosto; o que não quer dizer que seja uma música ruim. O meu
gosto não determina padrões estéticos) ou a Ex-Fama Roberta Sá (cuja
música me agrada muito; o que não quer dizer que seja música boa)?
Qual destas artistas faz mais o estilo "artista produzida"? Qual faz
mais sucesso? Qual delas tem mais inserção popular?
Abs,
Eugenio
Em 08/03/08, Jefferson Rodrigues escreveu:
> Já faz um tempo que a turma vem dizendo isso e sempre vejo bem depois.
> Agora acho que ainda dá tempo. Ainda está dentro da discussão:
>
>
> "Mas que os MCs modificaram a batida do funk e puseram jongo, isso sim
> rolou."
>
>
> "Batida" do Jongo???? Qual jongo?
> Quem falou isso?
> Gostaria de saber mais.
>
> Abraço!
>
> Lagosta.
>
> henriqsilva escreveu: Caio, meu irmão (permita-me chamál-lo assim)
> primeiramente vamos aos pontos em que eu concordo plenamente com você:
>
> 1) O funk carioca é muito ruim.
> Sim, de música; de letra e de temática. Pelo menos o que se ouve
> maciçamente por aí.
> 2) Existem coisas muito melhores nesse Brasilzão.
> Sem a mínima sombra de dúvida. Se ao tempo de Mario de Andrade ele,
> enquanto pesquisador de música popular, já hávia catalogado mais de 300
> rítmos diferentes só nesse universo regional, imagine isso hoje (ainda
> que não tenha passado assim tanto tempo. Isso foi alí anos 1920/30).
> 3) Infelizmente a mídia não dá a menor bola. Isso é líquido e certo. O
> primeiro, o segundo e o terceiro propósito da mídia de massa é anunciar
> e vender produtos e ideologias. Elevar o nível estético e cultural do
> ouvinte, isso jamais se cogita. Ha não ser que haja uma razão lucrativa
> para tal.
> Mas que os MCs modificaram a batida do funk e puseram jongo, isso sim
> rolou. E que se diferenciaram do funk da matriz norteamericana, isso
> também rolou. Tanto é que agora estão aí ganhando o mundo com o som
> deles. Pagar pra ver, conforme você disse, eu também não pago não. Meu
> universo musical é outro.
>
> Henrique Silva
>
>
> Que um gênero surja de outros não resta dúvida, e que alguns gêneros se
> aperfeiçoaram com o tempo, também, o que está em questão aí é o
> resultado de um cópia feita a partir algo ruim, e que resultou em algo
> ainda pior, essa é minha análise. Pode ser que essa coisa de Funk
> Carioca resulte em algo aproveitável no futuro, pode ser, mas eu não vou
> pagar pra ver...... existem coisas muito melhores nesse brasilzão, que a
> maioria dos brasileiros nem conhecem e que infelizmente a mídia não dá a
> menor bola pra isso, pois CULTURA POPULAR é coisa chata pra quem só
> entende de intrigas de BBBs da vidasinha cotidiana, ou seja povão
> anesteziado.....
> >
> > Caio Pontual
> ----- Original Message -----
> From: henriqsilva
> To: caioapf
> Cc: tribuna
> Sent: Thursday, March 06, 2008 6:50 PM
> Subject: Re:[S-C] FUNK ????? /Era: Grupo Malandragem (da Argentina)
> >
>
> > A flor de lótus, linda!, nasce no lôdo. O antídoto que cura picada
> > venenosa é tirado do próprio veneno. Zilhões de obras de artes são
> > feitas de lixo reciclado. E porque não poderá, um dia, nascer do funk
> > carioca, que hoje até já tem batida de jongo, alguma coisa
> > interessante?!... Torno á dizer o choro, o samba ( que nós gostamos e
> > praticamos) e qualquer outro gênero, não nasceram prontos, todos
> > passaram por um longo processo de lapidação. Daí que qualquer artista
> > genial, que sempre existe e sempre existirá, mesmo no meio dos
> > engolidores de lixo, engolirá o tal lixo e vomitará pérolas. Quanto a
> > isso, meu caro Caio, não tenha dúvida,acontecera. A história da
> > humanidade, como um todo, está povoada desses exemplos. E a história
> > do Brasil, particularmente falando, também. E só se ter olhos e
> > ouvidos de ver e ouvir a vida historicamente.
> >
> > Henrique Silva
> > > ----- Original Message -----
> > > From: "Caio Pontual"
> > > To: "henriqsilva"
> > > Sent: Thursday, March 06, 2008 3:23 PM
> > > Subject: Re: Re:[S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina)
> > >
> > >
> > > > Se o Funk Carioca é algo antropofágico, eu pergunto, quem engole e
> > > > digere
> > > > lixo, vai produzir o que ?
> > > > Caio Pontual.
> > > >
> > > > ----- Original Message -----
> > > > From: "henriqsilva"
> > > > To: "soniapalhares"
> > > > Cc: "carolina.ga" ; "tribuna"
> > > >
> > > > Sent: Wednesday, March 05, 2008 1:42 AM
> > > > Subject: Re:[S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina)
> > > >
> > > >
> > > > Eu creio que nós, brasileiros temos, em arte e cultura, uma grande
> > > > capacidade antropofágica sim. Principalmente em música. O caso do
> > > > funk
> > > > carioca é bem representativo desta afirmação deglutidora, ele,
> > > > realmente,
> > > > já é outra coisa diferente daquela coisa "Miami bass" que começou
> > > > a ser
> > > > massificada alí já na metade dos anos 1980. Se vocês prestarem bem
> > > > atenção veram que a batida do funk carioca hoje é jongo, áquele
> > > > jongo de
> > > > levada mais rápida, cujo nome não me lembro agora. O problema do
> > > > funk são
> > > > as letras e os temas recorrentes.
> > > >
> > > > Henrique Silva
> > > >> Carol:
> > > >
> > > >>
> > > >>
> > > >> O Maestro Júlio Medaglia disse em entrevista na Caros Amigos, nº
> > > >> 67:
> > > >> "(...) Agora, do ponto de vista artístico, social, cultural acho
> > > >> trágico
> > > >> o negro brasileiro abandonar suas raízes africanas para se tornar
> > > >> colono
> > > >> da música negra da periferia de Los Angeles." E ele continua a
> > > >> atacar:
> > > >> "(...) o problema nesta história é precisar o negro brasileiro
> > > >> ser colono
> > > >> do negro americano para poder dar sua mensagem. E é uma coisa
> > > >> muito
> > > >> limitada, musicalmente paupérrima."
> > > >>
> > > >> É isso o que eu acho também! Eles nos empurram o lixo cultural
> > > >> deles e
> > > >> nós consumimos aqui e ainda rimos.
> > > >>
> > > >>
> > > >> Sonia Palhares (BsB-DF)
> > > >>
> > > >>
> > > >> ----------------------------------------
> > > >> > Date: Tue, 4 Mar 2008 23:51:49 -0300
> > > >> > From: [EMAIL PROTECTED]
> > > >> > To: [EMAIL PROTECTED]
> > > >> > Subject: Re: [S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina)
> > > >> > CC: [email protected]
> > > >> >
> > > >> > Poxa, sabendo que todos temos diferentes opiniões e que essa é
> > > >> > a grande
> > > >> > graça da vida, vou ter que discordar de você, Sônia, sobre o
> > > >> > funk. Não
> > > >> > falo
> > > >> > do seu direito de gostar ou não. Nisso te respeito até o fim...
> > > >> > mas
> > > >> > quando
> > > >> > vc fala que eles (que acredito que sejam os funkeiros) tenham
> > > >> > que
> > > >> > acordar,
> > > >> > aí é que eu discordo. Mas então vamos lá, qual é a crítica?
> > > >> > Funk como
> > > >> > música
> > > >> > de alienado??? O que é música de colonizado, não seriam todas
> > > >> > que a
> > > >> > gente
> > > >> > faz??? A gente nasceu colonizado, tudo o que aqui se fez depois
> > > >> > que
> > > >> > Portugal
> > > >> > desembarcou está no mesmo barco... Funk é música de colonizado,
> > > >> > mas
> > > >> > então o
> > > >> > que dizer do choro, que veio de influências das músicas da
> > > >> > nobreza dos
> > > >> > bailes de salão do Império. Acho, e aí está a minha crítica
> > > >> > que, aqui
> > > >> > tudo
> > > >> > surge inventado e a nossa grande originalidade é a nossa
> > > >> > capacidade de
> > > >> > olhar
> > > >> > o que existe e fazer diferente. Foi assim que o choro se
> > > >> > diferenciou da
> > > >> > polca e é assim que o funk carioca se diferenciou do funk
> > > >> > americano.
> > > >> > Afinal
> > > >> > de contas o funk que se faz no Rio não tem similares em parte
> > > >> > alguma do
> > > >> > mundo. Ele fala de uma realidade: do sexo, da violência, seja
> > > >> > do que
> > > >> > for, de
> > > >> > um jeito muito particular, que só ele faz, porque a música é
> > > >> > cultural,
> > > >> > ou
> > > >> > seja, é uma forma de dizer, um jeito de estar no mundo. Quando
> > > >> > os
> > > >> > argentinos
> > > >> > tocam samba e cantam "derrêêête", eles já estão emprestando ao
> > > >> > samba
> > > >> > novos
> > > >> > significados. Gostar ou não são outros 500! Mas a crítica de
> > > >> > música de
> > > >> > colonizado eu não concordo. Afinal de contas esse papo de
> > > >> > "genuinamente" é
> > > >> > papo furado! Já diziam os mestres: as tradições foram
> > > >> > inventadas. Essas
> > > >> > escolhas que decidem o que é música de alienado ou não
> > > >> > engendram
> > > >> > consigo
> > > >> > disputas de poder complexas que não podem ser desconsideradas.
> > > >> > Provavelmente
> > > >> > muitos lá fora acreditam que o samba é música de alienado.
> > > >> > Desconsiderar o
> > > >> > poder de atuação do outro o chamando de alienado é fácil, mas
> > > >> > quantas
> > > >> > vezes
> > > >> > se busca compreender o que ele faz, dito por eles mesmos.
> > > >> > Farinha pouca
> > > >> > meu
> > > >> > pirão primeiro! Devemos ter muito cuidado ao falar dos outros,
> > > >> > porque
> > > >> > uma
> > > >> > hora os outros somos nós!
> > > >> >
> > > >> > Gente não é briga tá. Só um ponto de vista.
> > > >> >
> > > >> > Ao debate!!!
> > > >> >
> > > >> > --
> > > >> > Carol.
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