Por Rodrigo Pinto 14/11/08 Fonte: O Globo Online Coluna MPB Player
'Olha quem chega': Dona Inah e o samba de SP<http://oglobo.globo.com/blogs/mpb/post.asp?t=olha_quem_chega_dona_inah_o_samba_de_sp&cod_Post=140141&a=475> De passagem por SP, onde faço matérias e participo das comemorações dos 17 anos do Multishow, tive oportunidade de trocar idéias com Dona Inah, sambista local, com carreira desde os anos 50. Maravilhosa em seus 72 anos, ela lança seu segundo CD (!!!), "Olha quem chega", com sambas de Eduardo Gudin <http://www.eduardogudin.com.br/>, um autor bem mais jovem do que ela, revelado no fino da Bossa e nos festivais universitários. Num bate-papo de mais de uma hora no balcão do Ó do Borogodó, na Vila Madalena, Inah contou de viagens a Europa e África (no Marrocos, tocou para 15 mil pessoas), dos sambões que comanda no mesmo bar às terças, do disco que pretende gravar só com inéditas, de como seria bom haver quatro - e não uma - Viradas Culturais<http://viradacultural.org/>por ano em SP e da relação entre Rio e São Paulo quando o assunto é o mais simbólico gênero da música popular contemporânea brasileira, sim, o samba. Segundo Dona Inah, falta diálogo artístico entre sambistas das duas maiores cidades do país. Troca-se menos do que seria possível. E os cariocas pouco se interessam pela produção de São Paulo, metrópole colada (por um baiano) à pecha de túmulo do samba - o que é só piada fraca mesmo. Acho que as críticas, especialmente quanto ao pouco interesse pelo samba vizinho por parte dos cariocas, são de ótimo tom. Como sugestão reparadora, recomendo o próprio disco de Inah, um tributo à obra de Gudin, em canções assinadas com parceiros como Paulo César Pinheiro (que na apresentação do álbum diz ter sido premiado ao ter oito músicas na seleção de bom-gosto de Inah), Paulinho da Viola, Paulo Vanzolini, Nelson Cavaquinho e outros, de todos os cantos do país. Na mesma noite, assisiti ao show de Inah, vi chegar gente sem parar, muita "molecada", e registrei entre as mais pedidas pelo público algumas composições clássicas de Cartola. Mais tarde, Inah me contou ainda de viagens que fez ao Nordeste ("em Campina Grande, cantei também forró"), dos muitos shows que terá em breve (a maior parte em SP; nenhum no Rio) e do cruzeiro de navio no qual passará seu fim de ano. Juntos, lembramos ainda dos sambas de Dona Ivone Lara, por quem Inah tem o maior carinho. Depois de dois sets de conversas ótimas, ela tomou novamente lugar no palco e cantou "Chorei", de Gudin, Pinheiro e Mauro Duarte: "Doravante eu vou cantar Se a tristeza voltar dessa vez não demora Mas não me envergonho pelo pranto que chorei Porque pelo que eu chorei Qualquer um também chora" Para fazer o disco "Ólha quem chega", Inah selecionou 16 músicas em 280. "Foi fogo", disse, lembrando que fez muitas escolhas difíceis. Ouvindo o disco "numa talagada só", como recomenda Pinheiro no mesmo texto de apresentação citado acima, dá pra entender o porquê. Datas de Dona Inah em novembro e início de setembro: 20/11 - Sesc Santo André 26/11 - Prefeitura de Santo André 28/11 - Fnac Campinas / Tonico's Bar, também em Campinas 30/11 - Uberlândia 5/12 - Fnac Pinheiros _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
