Já sim, Marcelo. Fui pro lançamento de ambos e inclusive os adquiri para 
colaborar na socialização dos mesmos. Apesar de algumas críticas, são materias 
importantes para a memória e divulgação do samba da Bahia e seu recôncavo. E 
por falar nestes, gostaria de aproveitar o espaço para ressaltar a importante 
ocupação destas manifestações no território de contradições do Carnaval da 
Bahia, neste ano de 2009. Pois, em meio à cultura dominante da axé miusic, e da 
profulsão de bloco$ comandado$ por sambistas e pagodeiros cariocas, ver o Trio 
Elétrico Samba do Recôncavo (ou seria de Santo Amaro?), com Mariene de Castro, 
Roberto Mendes e Raimundo Sodré, e o Trio Samba da Velha Guarda, com Nelson 
Rufino, Walmir Lima, Edil Pacheco e Cacau do Pandeiro, foi uma prazerosa 
surpresa que torço para que siga resistindo e produzindo e preservando...

 

Abraços gratos.

Inté,

Petry Lordelo


 
> Date: Sun, 22 Feb 2009 07:27:26 -0800
> From: [email protected]
> Subject: RE: [S-C] cultura!?! brasileira?!?
> To: [email protected]; [email protected]; [email protected]
> CC: [email protected]
> 
> Petry, vc já assistiu o documentário de Jorge Pacoa e o livro de Roberto 
> Mendes sobre a chula? São excelentes. Sua dissertação não poderia ter um tema 
> melhor. Gostaria de receber informações sobre ela após sua publicação.
> Obrigado
> 
> Abs
> Marcelo Neder
> 
> 
> 
> 
> > Camaradas,
> > 
> > 
> > 
> > Esse debate o que tem de interessante, tem de complexo,
> > pois a discussão sobre a Cultura (Brasileira, Nacional,
> > Negra, Popular, Erudita, Letrada, Dominante, de Massa, etc.)
> > traz, para além da polissemia do termo Cultura, uma série
> > de ambiguidades e contradições que historicamente tem sido
> > aceitas, interiorizadas, reproduzidas, transformadas, no
> > interior de uma sociedade composta por classes sociais
> > distintas, dotadas de sentidos e significados antagônicos,
> > com estratégias e táticas diferenciadas de resistirem no
> > terreno da hegemonia. 
> > 
> > Foi o discurso do "tipicamente nacional", por
> > exemplo, utilizado por diversos setores da classe dominante,
> > que fizeram da feijoada, do samba, do futebol, do
> > cristianismo, símbolos de adoração do "povo
> > brasileiro", negando, silenciando, manipulando,
> > matrizes e referências fundamentais na constituição
> > destas expressões. A própria "miscigenação",
> > foi alimentada em um determinado momento histórico,
> > inclusive com o favorecimento dos imigrantes europeus e
> > asiáticos, para "enbranquecer" a sociedade que
> > se queria "civilizada", fosse no seio das
> > relações materias ou sexuais de reprodução.
> > 
> > Gostaria de dispor de mais tempo para participar deste bate
> > tecla, no entanto, envolvido com a produção de uma
> > dissertação de mestrado sobre o Samba Chula do Recôncavo
> > da Bahia, deixo esse comentário para sambar nessa roda
> > virtual.
> > 
> > Sobre as referências solicitadas por Luís acerca dos
> > sambas, sugiro o trabalho de Edison Carneiro (Samba de
> > Umbigada. Rio de Laneiro: MEC, 1961) que, embora não trate
> > de forma aprofundada, é uma das mais importantes
> > referências acerca das variedades de samba no Brasil.
> > 
> > Vibra-sons...
> > 
> > Petry Lordelo
> > 
> > 
> > 
> > > Date: Sat, 21 Feb 2009 01:28:00 -0300
> > > From: [email protected]
> > > To: [email protected]
> > > Subject: Re: [S-C] cultura!?! brasileira?!?
> > > CC: [email protected]
> > > 
> > > Luis, desde já quero desobrigá-lo a responder,
> > porque não sei se o
> > > farei. Mas já que estou...
> > > 
> > > Quero a seu pedido explicar: Lambada é o nome da
> > dança. Merengue o nome
> > > do rítmo que se dança lambada. Não é baião e
> > forró...
> > > Quanto a forró vir de for all ou forrobodó, o fato
> > é que não existe um
> > > rítmo nordestino com esse nome. Anula-se,
> > característica,
> > > história/origens, região em que formou-se cada um,
> > num genérico "forró".
> > > 
> > > "Interessante também comentar que nas festas no
> > Nordeste, se ouvia,
> > > dependendo da época, schotishs, polca, foxes músicas
> > que foram
> > > incorporadas à nossa cultura, na forma de choros,
> > sambas, xotes,
> > > frevos..."
> > > 
> > > Agora quem não entendeu fui eu. A origem do samba, do
> > frevo e do choro
> > > são polca e foxes que aliás conheço como afoxé?
> > (não confundir com o
> > > instrumento)
> > > Concordo apenas com schotish que resultou no nosso
> > xote com algumas
> > > mudanças.
> > > 
> > > "Quanto a: "Ao mesmo tempo destróem duas
> > fontes de cultura negra,
> > > identidade
> > > sensibilizadora e formadora crítica de toda a
> > América.", tomando como
> > > exemplo
> > > o carnaval carioca e suas influências (festas de
> > colheita, corsos,
> > > grandes
> > > sociedades, desfiles e músicas marciais, danças de
> > corte, Zé Pereira,
> > > entrudo, bandas regionais, o choro, danças africanas,
> > músicas e
> > > sapateados
> > > indígenas...), pergunto se podemos dizer sem medo de
> > errar que alguma
> > > manifestação cultural brasileira seja exclusivamente
> > de um país, uma
> > > região
> > > ou um continente?
> > > (Acredito que influências diversas, nos compõem, e
> > que é muitíssimo
> > > descuidado, declarar que uma manifestação cultural
> > BRASILEIRA vem
> > > desse ou daquele grupo. E que no dia que nos olharmos
> > como uma nação
> > > MISTURADA,
> > > respeitando nossos antepassados, sejam eles negros,
> > brancos,
> > > indígenas...
> > > Seremos mais felizes, fortes e respeitados, pois no
> > mundo nenhum
> > > país possui a nossa quantidade, qualidade e variedade
> > em termos de
> > > cultura.)"
> > > 
> > > ... e aqui coloco o pensamento completo:
> > > Assim, enfiaram no reduto do samba, o tecno e chamaram
> > de funk. Ao mesmo
> > > tempo destróem duas fontes de cultura negra,
> > identidade sensibilizadora
> > > formadora crítica de toda a América.
> > > 
> > > Para confirmar o que você disse sobre povo misturado,
> > lembro da parte
> > > africana.
> > > 
> > > Se o foxe e polca foram "incorporados à nossa
> > cultura na forma de samba,
> > > choro, frevo", qual a influência que semba e
> > jongo tiveram sobre o
> > > samba. Aliás devo também lembrar que o choro foi um
> > genérico do século
> > > XIX formado por polca, modinha e samba.
> > > 
> > > Digo sem medo de errar que nossas músicas, nossos
> > rítmos são só nossos.
> > > Se sofreram influências, tranformaram-se aqui, no
> > nosso solo, nosso
> > > clima, nossa pluviosidade, fluviosidade, relêvo.
> > Brasileiro tem cara de
> > > brasileiro. Já fui identificado como brasileiro fora
> > do Brasil, sem
> > > falar, por quem nunca esteve aqui. Pergunte ao João
> > Ubaldo Ribeiro como
> > > é.
> > > Lembro-lhes que nas primeiras formações orquestrais
> > européias era usada
> > > a percussão turca, que muito influenciou a rítmica
> > clássica ocidental.
> > > Nem por isso citamos clássicos europeus como
> > turco/europeus. Aliás o
> > > Brasil tem disso. Europeu é patriota, brasileiro é
> > xenófobo.
> > > 
> > > Quando citei os americanos falava de funk-soul, estilo
> > americano, muito
> > > bom por sinal. Não citei pejorativamente. Só para
> > lembrar que o que
> > > chamam de funk é técno-music, também americano.
> > > Funk é Tim Maia, Cruzaders. Já ouviram Funk Como Le
> > Gusta, banda
> > > paulistana?
> > > Lá na América, como dizia Monteiro Lobato, é
> > verdade, existe a tal gota
> > > de sangue negra ou índia. È declarado. Por isso
> > Obama é considerado
> > > negro lá. Aqui isso não existe. Temos aqui o racismo
> > velado, aquele que
> > > ninguém diz que é, temos o negro de alma branca, as
> > negras louras, de
> > > cabelo liso pra ficar "mais bonita", os
> > narizes diminuidos à bisturí...
> > > 
> > > De um miscigenado brasileiríssimo que ama o Brasil e
> > sabe que é maioria,
> > > apesar do IBGE e da tv.
> > > 
> > > Abraços,
> > > 
> > > Iberê Roza.
> > > 
> > > 
> > > 
> > > > Mensagem Original:
> > > > Data: 20:54:49 20/02/2009
> > > > De: LF - listas <[email protected]>
> > > > Assunto: Re: [S-C] cultura!?! brasileira?!?
> > > 
> > > > Ô Joel, beleza de comentários, do tipo merece
> > todo respeito.
> > > > Concordo com a parte de fazer o que se gosta cada
> > vez melhor e concentrar esforços nisso. Eventualmente temas
> > se misturam como já vimos aqui (samba e futebol,
> > política...) e acho que devemos deixar espaço para algumas
> > janelas - não boicotar temas paralelos, apenas deixar fluir
> > que o assunto logo volta à se concentrar no bom e velho
> > samba.
> > > > Não concordo, no entanto, que o fuque seja uma
> > via em que a turma marginalizada se expressa e manifesta
> > seus desencantos. Tenho um vizinho que toca todo dia e não
> > ouvi uma sequer que tenha sido manifestação de desencanto.
> > O que tenho "acesso" é só violência e
> > pornografia.
> > > > Bem, voltemos ao samba: estou pesquisado as
> > danças chamadas samba, se os companheiros puderem me
> > ajudar, agradeceria muito.
> > > > Atenciosamente,
> > > > Luís Florião
> > > >
> > > >
> > > > ----- Original Message -----
> > > > From: JOEL
> > > > To: LF - listas
> > > > Sent: Friday, February 20, 2009 9:45 AM
> > > > Subject: Re: [S-C] cultura!?! brasileira?!?
> > > >
> > > >
> > > > Alô pessoal,
> > > > Eu acho que a melhor forma de combater o que não
> > nos agrada é fazermos bem e cada vez melhor o que nos
> > agrada. Por exemplo: se a invés de estarmos falando do fank
> > (tem lá suas virtudes por ser a via em que a turma
> > marginalizada se expressa e manifesta seus desencantos)
> > devíamso estar falando dos grande sambas, reproduzindo
> > letras e espaços para conhecermos, ouvirmos, lermos as
> > letras do bom samba. Ou seja, descontruir nem sempre
> > constrói.
> > > > Outra coisa que precisamos verificar é que,
> > quando o movimento marginal se solidifica, mundam-se o(a)s
> > personagens na miserável telinha e os criadores ou
> > incentivadores ou precursores ficam de fora. na Bahia a
> > negritude é maioria absoluta mas quem faz sucesso são as
> > lourinhas, não é mesmo? O que fazer? Produzirmos,
> > apoiarmos a base apra que ela não seja tragada pelso
> > interesses da mídia padronizada em tudo.
> > > > Meu negócio é samba!!!
> > > > Quanto aos demais gêneros... respeito.
> > > > Joel
> > > > Brasília/DF
> > > >
> > > >
> > > > 2009/2/19 LF - listas <[email protected]>
> > > >
> > > > Olá companheiros de lista,
> > > >
> > > >
> > > > Acompanho frequentemente as conversas, mas sem me
> > dar o direito de
> > > > escrever, para não ficar na obrigação de
> > responder aos que comentarem sobre as minhas idéias e
> > opiniões (ou me
> > > > xingarem rs) . É que estou envolvido em alguns
> > projetos que me ocupam todo o tempo que
> > > > estou acordado..
> > > >
> > > > Nesse caso resolvi abrir uma exceção, pois são
> > três temas juntos que me
> > > > mobilizam muito: as danças de salão, o samba no
> > pé e o fuque (funk).
> > > >
> > > > Pensemos pelo lado positivo da coisa, melhor a
> > Joelma no Galo da Madrugada que a vovó
> > > > Tati Quebra Barraco (rs).
> > > >
> > > > Iberê, você pode explicar o que você quis
> > dizer com "Lambada é uma dança,
> > > > o nome do ritmo é merengue."?
> > > >
> > > > Quanto ao forró, gostaria de considerar...
> > > >
> > > > A palavra forró vem de forrobodó (seguem
> > algumas informações para os
> > > > interessados no fim dessa mensagem), não de for
> > all. (Creio que a música For
> > > > All foi mais importante para a difusão dessa
> > lenda que o filme com o mesmo
> > > > nome.) Como sabemos, uma mentira contada mil
> > vezes torna-se verdade.
> > > >
> > > > Outra informação relevante é que quem começou
> > a usar o termo forró, que desde muito
> > > > tempo designa baile, para um tipo de música, foi
> > o Luiz Gonzaga - segundo ele, um tipo de baião com mais
> > molho.
> > > >
> > > > Interessante também comentar que nas festas no
> > Nordeste, se ouvia,
> > > > dependendo da época, schotishs, polca, foxes
> > músicas que foram
> > > > incorporadas à nossa cultura, na forma de
> > choros, sambas, xotes, frevos...
> > > >
> > > > Outro ponto, o fuque.
> > > >
> > > > Fico realmente muito triste quando a Tati é
> > contratada pelo (des)governo brasileiro para representar a
> > mulher brasileira na
> > > > Europa e quando não se prende (pela Maria da
> > Penha) os responsáveis pelas
> > > > músicas que incitam a violência contra a mulher
> > (sem falar nas outras
> > > > atrocidades que sou obrigado a ouvir sem querer).
> > > >
> > > > Odiei saber que teve fuque no Caldeirão junto
> > com o samba no pé, mas essa
> > > > mistura não é novidade, já soube da presença
> > do "Cão" diversas vezes nas
> > > > quadras, na avenida, na região dos lagos, até
> > em Porto Seguro soube que toca
> > > > fuque. Felizmente proibiram o axé e o fuque em
> > algumas cidades de Minas,
> > > > preservando as marchinhas, o samba...
> > > >
> > > > Aproveito para colocar uma lenha das grandes para
> > o período de Momo:
> > > > Quanto à "Ao mesmo tempo destróem duas
> > fontes de cultura negra, identidade
> > > > sensibilizadora e formadora crítica de toda a
> > América.", tomando como exemplo
> > > > o carnaval carioca e suas influências (festas de
> > colheita, corsos, grandes
> > > > sociedades, desfiles e músicas marciais, danças
> > de corte, Zé Pereira,
> > > > entrudo, bandas regionais, o choro, danças
> > africanas, músicas e sapateados
> > > > indígenas...), pergunto se podemos dizer sem
> > medo de errar que alguma
> > > > manifestação cultural brasileira seja
> > exclusivamente de um país, uma região
> > > > ou um continente?
> > > >
> > > > (Acredito que influências diversas, nos
> > compõem, e que é muitíssimo
> > > > descuidado, declarar que uma manifestação
> > cultural BRASILEIRA vem desse ou
> > > > daquele grupo. E que no dia que nos olharmos como
> > uma nação MISTURADA,
> > > > respeitando nossos antepassados, sejam eles
> > negros, brancos, indígenas...
> > > > Seremos mais felizes, fortes e respeitados, pois
> > no mundo nenhum país possui
> > > > a nossa quantidade, qualidade e variedade em
> > termos de cultura.)
> > > >
> > > > Outra lenha: porque reclamamos tanto da pressão
> > exercida pelo poder
> > > > econômico dos Estados Unidos e passamos todo o
> > tempo copiando os mesmos e
> > > > colaborando para que eles tenham mais sucesso?
> > > > Que tal iniciarmos uma campanha que inclui coisas
> > simples como:
> > > > 1. Parar de falar "os americanos" para
> > denominar os estadunidenses, pois os latino americanos e os
> > canadenses também são;
> > > > 2. Buscar ouvir e tocar em festas que promovamos
> > prioritariamente as "nossas músicas";
> > > > 3. Oferecer em projetos destinados à comunidades
> > mais carentes (economicamente)
> > > > samba, forró, frevo e outras músicas, já
> > consideradas brasileiras, em troca
> > > > do Hip-Hop, por exemplo;
> > > > 4. Evitar ao máximo comprar produtos dos Estados
> > Unidos, dinheiro esse que vira
> > > > arma, eternamente apontada para o resto do mundo
> > (nos esforçar,
> > > > especialmente, para comprar produtos
> > brasileiros);
> > > > 5. Passar férias no Brasil - evitando a maçã
> > (NY), por exemplo;
> > > > 6. Parar de chamar o Obama de primeiro presidente
> > negro, já que ele é também 50%
> > > > branco. (Não chamar nem mesmo de afro
> > descendente, a não ser que chamemos,
> > > > para sermos minimamente coerentes, de
> > afroeurodescendente) (estaríamos
> > > > corroborando com uma idéia estúpida e racista
> > dos estadunidenses (brancos e
> > > > negros) onde uma gota de sangue negro, indígena,
> > latino... transforma a
> > > > pessoa em negro), ;
> > > > 7. Evitar falar e escrever com estrangeirismos:
> > como já disse um filósofo contemporâneo:
> > > > halloween é o cacete!
> > > >
> > > > Abraços polêmicos a todos.
> > > >
> > > > Luís Florião
> > > >
> > > > ps.: Alguém tem alguma informação (livros,
> > teses, imagens antigas...) sobre
> > > > os distintos tipos de samba no pé? (samba duro,
> > samba de coco, samba
> > > > espanhol, sambas latino americanos, samba dos
> > Cariris, samba de passista
> > > > masculino, samba de passista feminino, samba de
> > mestre sala, miudinho...)
> > > >
> > > >
> > > > ----- Original Message -----
> > > > From: "Caio Tibúrcio"
> > <[email protected]>
> > > > To: "iroza" <[email protected]>
> > > > Cc: "tribuna"
> > <[email protected]>
> > > > Sent: Wednesday, February 18, 2009 7:10 AM
> > > > Subject: Re: [S-C] Fw: Portela no Caldeirão.....
> > > >
> > > >
> > > > !!!
> > > >
> > > > Caio Tiburcio
> > > >
> > > >
> > > > De:[email protected]
> > > >
> > > > Para:"Caio Pontual-Globo"
> > [email protected]
> > > >
> > > > Cópia:"Tribuna"
> > [email protected],"Gabriel Sousa"
> > > > [email protected]
> > > >
> > > > Data:Tue, 17 Feb 2009 23:57:50 -0300
> > > >
> > > > Assunto:Re: [S-C] Fw: Portela no Caldeirão.....
> > > >
> > > > > Pior que isso tudo é que não é funk, que
> > vem do movimento funk-soul
> > > > > americano, que é a expressão negra do rock
> > americano, ou seja o rock com
> > > > > balanço que influenciou os americanos.
> > Eles, globalizantes banqueiros
> > > > > néo-liberais (tudo o que puderem fazer para
> > acabar com as
> > > > > culturas-nações do mundo), querem enfiar
> > no Brasil o rock inglês, que é
> > > > > o duro, sem graça (não sensibiliza, não
> > torna criativo, crítico. Só
> > > > > política panfletaria, qdo não é pura
> > lavagem cerebral). Aliás a intenção
> > > > > e deturpar tudo que é cultura (querem que
> > todos acreditemos que só
> > > > > existe dinheiro, o único valor, justamente
> > o que não se calça, não se
> > > > > come, não se mora, não se anda). O nome é
> > tecno e milhões de dólares
> > > > > fizeram ele chegar até nossos morros
> > (existe um jornal do Paraguai
> > > > > denunciando isso). Lambada é uma dança, o
> > nome do rítmo é merengue.
> > > > > Forró é um baile, for all, inventado para
> > descaracterizar os ritmos
> > > > > nordestinos, baião, xote, frevo, maracatú
> > de baque solto, maracatú de
> > > > > baque virado, boi da ilha, boi de matraca,
> > tambor de crioula, num
> > > > > genérico forró. A imprensa é deles. Os
> > políticos ou são seus testas ou
> > > > > não querem perder a mamata, ou estão
> > fazendo o que podem contra tudo e
> > > > > contra todos.
> > > > > Assim enfiaram no reduto do samba o tecno e
> > chamaram de funk. Ao mesmo
> > > > > tempo destróem duas fontes de cultura
> > negra, identidade sensibilizadora
> > > > > e formadora crítica de toda a América.
> > > > > Abraços,
> > > > > Iberê Roza.
> > > > >
> > > > >
> > > > >
> > > > >
> > > > >
> > > > > > Mensagem Original:
> > > > > > Data: 10:06:48 16/02/2009
> > > > > > De: Caio Pontual-Globo
> > > > > > Assunto: Re: [S-C] Fw: Portela no
> > Caldeirão.....
> > > > >
> > > > > > Gabriel, minha questão não está
> > focada na questão do funk em si, isso já
> > > > > > é outra discussão, mas na questão de
> > se querer modificar e impor uma
> > > > > > relação estético/artística que não
> > existe, de querer misturar coisas que
> > > > > > não são naturalmente misturáveis, ou
> > seja, em suma, forçar a barra,
> > > > > > deturpar algo que já está bastante
> > atingido por influências alienígenas
> > > > > > que só prejudicam e não acrescentam
> > nada ....
> > > > > >
> > > > > > Um abraço.
> > > > > > Caio Pontual
> > > > > > ----- Original Message -----
> > > > > > From: Gabriel Sousa
> > > > > > To: Caio Pontual-Globo
> > > > > > Sent: Sunday, February 15, 2009 1:28 PM
> > > > > > Subject: Re: [S-C] Fw: Portela no
> > Caldeirão.....
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > > Agora respondendo só pra você.
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > > É Caio, a Globo sempre faz e sempre
> > fez o que quer. Mas a verdade é que
> > > > > > existem certas "invasões"
> > culturais que são inevitáveis. Eu já fui muito
> > > > > > radical contra o funk, hoje não mais.
> > Não por achar que existe alto
> > > > > > nível cultural em suas letras, ou por
> > achar que é mais uma grande
> > > > > > criação da musica brasileira, mas
> > simplesmente por ver que existe uma
> > > > > > realidade de vida que eu não entendo,
> > mas que é fato que cada um desses
> > > > > > funkeiros vivem diariamente.
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > > Todos nós cantamos o nosso dia-a-dia.
> > Cantamos situações que passamos,
> > > > > > seja amor, seja ódio. E essas letras
> > vulgares ou não, sempre descrevem
> > > > > > exatamente o que eles pensam
> > diariamente, pois basta parar 
> > > > pra conversar
> > > > > > com um e parece que as letras dessas
> > músicas são os únicos assuntos que
> > > > > > eles tem para falar. É mais uma
> > deficiência social do que qualquer outra
> > > > > > coisa e é importante entendermos isto.
> > Eu venho de Bangu, zona oeste do
> > > > > > Rio, não moro mais lá, mas tenho
> > grandes amigos de infância que
> > > > > > demonstram exatamente isso para mim.
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > > No fundo concordo sobre essa mania da
> > Globo de querer enfiar idéias na
> > > > > > guela do povo.
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > > forte abraço.
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > > 2009/2/15 Caio Pontual-Globo
> > > > > >
> > > > > > Não acho que eu deva deixar o funk em
> > paz ..... eu estou criticando a
> > > > > > Globo por fazer uma inserção de um
> > rítmo que não tem nada a ver com
> > > > > > carnaval e ficou uma coisa muito
> > forçada...... é o mesmo que alguns
> > > > > > estão tentando fazer por aqui de botar
> > o rock no meio do povão para
> > > > > > atrair metaleiro para uma festa que tem
> > e deve ter uma tradição, com
> > > > > > seus rítmos próprios, folguedos que
> > se originam de uma cultura realmente
> > > > > > popular. É o mesmo que botar como
> > fizeram por aqui no Galo da Madrugada,
> > > > > > colocar a Banda Calypso (?) e dizer que
> > eles vão tocar e cantar frevo,
> > > > > > isso é jogada e eu não concordo com
> > essas figuras que forçam a barra
> > > > > > para aproveitar uma "onda" e
> > distorcer as coisas que já são boas e belas
> > > > > > como são......
> > > > > >
> > > > > > Abs.
> > > > > > Caio Pontual
> > > > > > ----- Original Message -----
> > > > > > From: Gabriel Sousa
> > > > > > To: Caio Pontual-Globo
> > > > > > Cc: Tribuna
> > > > > > Sent: Saturday, February 14, 2009 6:32
> > PM
> > > > > > Subject: Re: [S-C] Fw: Portela no
> > Caldeirão.....
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > > Caio,
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > > Não sei se você sabe, mas no Rio de
> > Janeiro já faz anos, anos que o funk
> > > > > > está sim presente em todo o Carnaval,
> > muito presente até :D
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > > De qualquer forma, estamos aqui para
> > falar de samba, pois somos
> > > > > > amantes de samba. Vamos deixar o funk
> > em paz...
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > > Abraços,
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > > 2009/2/14 Caio Pontual-Globo
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > > Portela deu um banho de beleza e samba
> > no Caldeirão do Hulk (nem sei se
> > > > > > é assim que se escreve) com uma
> > passista que é um verdadeiro
> > > > > > monumento...... só que sem mais nem
> > menos ele (o Luciano) "inventa" de
> > > > > > meter um funk na história ... tô pra
> > ver forçação(?) de barra maior ....
> > > > > > quis dar a entender que esse rítmo
> > agora é considerado rítmo de
> > > > > > carnaval, dá pra engolir isso? Mais
> > uma do plim plim ........
> > > > > >
> > > > > > Abs.
> > > > > > Caio Pontual
> > > >
> > > > DOIS DEDOS DE PROSA SOBRE O FORRÓ
> > > >
> > > >
> > > >
> > > > Forró - A Música
> > > > Para definir as bases do forró temos que falar
> > um pouco do baião. A palavra
> > > > baião que pode significar baiano, bailão ou
> > bailar, designava,
> > > > originalmente, uma introdução, um
> > "aquecimento" que dois ou mais cantores
> > > > faziam para esperar a inspiração e só então
> > começar a cantar para valer,
> > > > revezando-se em repentes e músicas regionais
> > para animar as festas e
> > > > encontros.
> > > > O grande Luiz Gonzaga foi o responsável por
> > fazer do baião um gênero
> > > > musical, ao desenvolver aquela introdução,
> > criando, gravando e difundindo o
> > > > baião, já como música inteira, não mais
> > limitada ao som da viola do
> > > > cantador, mas com letra, arranjo e toda
> > orquestração sertaneja.
> > > > Foi também Luiz Gonzaga quem desenvolveu o
> > estilo musical que hoje
> > > > conhecemos como forró quando deu molho, balanço
> > e tornou o ritmo do baião -
> > > > que é mais quadrado - mais picado e acelerado.
> > > >
> > > >
> > > >
> > > > Forró - A Festa
> > > > Se você for convidado para ir a um forró, vá!
> > Todo mundo sabe que ir ao
> > > > forró é ir a um local onde acontece um baile
> > com música, dança e muita
> > > > alegria. Mas por que forró?
> > > > "Foi o maior forrobodó" - significava
> > ter sido a maior bagunça, desordem...
> > > > Alguns historiadores afirmam que a palavra forró
> > veio de forrobodó,
> > > > demonstram ainda que a palavra forrobodó era
> > usada antes do final do século
> > > > XVIII (*1) como designação de baile ou festa
> > com danças e cantorias.
> > > > Importantes etimólogos acrescentam que a palavra
> > forró veio do francês
> > > > faux-bourdon e que depois de algumas corruptelas
> > resultou em forbodó, termo
> > > > usado na Galícia e em Portugal para designar um
> > tipo de baile sem graça,
> > > > assim, para estes a palavra teria origem
> > pejorativa, como também acontece
> > > > com "gafieira" que designava um local
> > onde se cometem gafes.
> > > > Geraldo Azevedo difundiu, na sua música
> > "For All Para Todos", que a
> > > > denominação forró surgiu quando da
> > inauguração da primeira estrada de ferro
> > > > brasileira, por ter a Great Western promovido uma
> > festa com livre 
> > > > acesso a
> > > > todos - em inglês "for all" - e que o
> > povo acabou mudando a pronúncia.
> > > > No filme brasileiro "For All" a versão
> > acima foi contestada, já que o termo
> > > > teria surgido no tempo da Segunda Guerra Mundial,
> > quando uma base militar
> > > > americana instalada no Brasil promovia as festas
> > "for all".
> > > > Importantes historiadores afirmam que estas duas
> > versões são histórias
> > > > interessantes, porém pura fantasia. Dizem que se
> > esse fosse o caso as
> > > > pessoas tenderiam a falar foral, ou até foró,
> > mas não forró que tem
> > > > pronúncia mais elaborada.
> > > > Independente de quem está com a razão, é certo
> > que pelos forrós do Brasil
> > > > dançou-se muita mazurca, polca, xote, xaxado e
> > coco e mais modernamente o
> > > > baião e o forró encontraram também seu apogeu
> > nesses democráticos espaços.
> > > >
> > > >
> > > >
> > > > Forró - A Dança
> > > > De um grande leque de danças chamadas forró,
> > como o estilizado, o de Itaúnas
> > > > e o universitário e/ou dançadas ao som de
> > músicas chamadas forró como o
> > > > miudinho, o xote bragantino e o rastapé,
> > ressalto o forró tradicional que
> > > > conheci sendo dançado no nordeste e que
> > posteriormente observei também em
> > > > algumas escolas de Dança de Salão no sudeste e
> > centro-oeste. O tradicional é
> > > > sensual e alegre, caracteriza-se por movimentos
> > muito marcados, 
> > > > fortes, bem
> > > > definidos que lembram, em alguns momentos,
> > danças indígenas. Foi
> > > > influenciado por diversos folguedos e danças
> > populares, tais como o xaxado,
> > > > o xote, o frevo e o baião, sendo que,
> > interessantemente sua base principal
> > > > (o pisa o milho) é muito semelhante ao carimbó.
> > > > Recentemente jovens passaram a dançar ao som do
> > forró "pé de serra" (que
> > > > geralmente é tocado com zabumba, triângulo e
> > sanfona) o forró universitário:
> > > > uma mistura de estilos que muito tem a ver com a
> > salsa e o "soltinho".
> > > > Por outro lado, com o surgimento do forrock -
> > forró executado com
> > > > aparelhagem de som eletrônica e sintetizador, em
> > cidades como Fortaleza e
> > > > Recife passou-se a dançar o que seria o
> > "forró estilizado" e que é muito
> > > > mais próximo da lambada moderna. Esses dois
> > últimos fenômenos têm sua
> > > > importância na medida que atraíram os jovens
> > para os salões e fizeram uma
> > > > nova difusão do forró.
> > > > Por todo Brasil encontramos danças praticadas ao
> > som do forró ou
> > > > influenciadas pela dança do forró. Algumas
> > tornam-se tão diferentes da
> > > > original que acabam ganhando outro nome ou
> > terminação.
> > > >
> > > >
> > > >
> > > > Espera-se que a renovação, o desenvolvimento e
> > a evolução de qualquer
> > > > manifestação artística respeite suas bases e
> > raízes. Só assim se mantém a
> > > > tradição e a cultura de um povo. A dança, por
> > ser uma arte de movimento
> > > > exige especial atenção na sua preservação. O
> > problema não está na
> > > > continuação e nas mudanças, mas na ruptura, no
> > aprendizado errado das
> > > > características de cada modalidade. Isso sim
> > pode e costuma causar
> > > > distorções maléficas.
> > > >
> > > >
> > > >
> > > > Luís Florião
> > > >
> > > >
> > > >
> > > > *1 - registrado no dicionário de Cândido
> > Figueiredo, de 1899, que a define
> > > > como "baile reles". A forma reduzida
> > 'forró' aparece menos de vinte anos
> > > > depois, em 1913, como sinônimo de forrobodó.
> > > >
> > > >
> > > >
> > > >
> > > > Bibliografia:
> > > > A origem curiosa das palavras - Márcio Bueno;
> > > > O Forró - Gilberto Gil;
> > > > Novo Dicionário da Língua Portuguesa - Aurélio
> > Buarque de Holanda;
> > > > A festa que virou gênero musical - Tárik de
> > Souza;
> > > > A História do forró - Revista Forró Mania;
> > > >
> > > >
> > > >
> > > > Entrevistas e pesquisas de campo também ajudaram
> > a construir esse trabalho.
> > > >
> > > >
> > > >
> > > > Interessantes fontes que devem ser consultadas
> > por aqueles que 
> > > > queiram saber
> > > > mais, sendo que também serviram para a
> > elaboração deste trabalho: Dicionário
> > > > do Folclore Brasileiro de Câmara Cascudo e os
> > trabalhos dos pesquisadores
> > > > Eleuda de Carvalho e Alberto Ikeda.
> > > >
> > > >
> > > >
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