Caros,
Vou tentar analisar a questão por dois pontos: 1. Quem disse o que disse a partir da leitura de uma entrevista (ainda mais da forma como as perguntas foram colocadas pela Folha) desconhece a figura de Juca Ferreira. Não o conheço pessoalmente. Mas conheço um pouco da história. Juca Ferreira não é um ninguém. Trata-se de um batalhador histórico da cultura brasileira. Homem culto, agudamente sensível, emotivo demais às vezes e - principalmente - totalmente despido de preconceitos culturais. Juca não é homem de partido e não tem padrinho político. Foi indicado por Gilberto Gil, mas não possui qualquer vínculo com o PV, muito menos com o PT. É dos poucos ministros técnicos deste governo. Não loteou cargos e trabalha com assessores de carreira ou outros técnicos da área cultural; gente totalmente desvinculada de partido político. É funcionário concursado do MinC, caso raríssimo nesse governo ou em qualquer outro. Portanto, o MinC não está partidarizado e aparelhado como ocorre nos Esportes, onde o PCdoB simplesmente montou uma infra-estrutura de partido dentro do ministério. 2. Não penso que a música, como produto, deva sobreviver às custas de repasse de recursos públicos. A música é um produto. Ela se vende. Daí, não vejo a menor necessidade em artistas como Caetano captarem recursos de renúncia fiscal. Mas acho que é imoral, não ilegal. Já que a lei não exclui a música, muito menos o artista consagrado. O exemplo de que a música não precisa desse tipo de estratégia está no Calypso. Musicalmente acho uma lástima (mas isso é apenas meu gosto pessoal, não uma verdade da estética cultural), mas em termos de auto financiamento do artsita é uma aula. O Calypso produz, grava e vende seus própios CDs e DVDs, com preços entre 4,0 e 10,00. Isso mesmo: CD original a 4 reias. Sem gravadora, sem loja de disco, com venda em banca e em shows. Um sucesso. Lembrem-se que também não se locupletaram de campanhas políticas. O sucesso do Calypso coincide com a proibição dos showmícios pela legislação. O Calypso não comparece a rodeios, festas e exposições. Eles mesmos organizam seus shows, sempre individuais. Enfim, há bons exemplos na área de sobrevida do músico em tempos de downloads e pirataria. É só mexer o esqueleto e trabalhar. Abs, Eugenio 2009/6/24 Caio Dias <[email protected]>: > "O samba bem merecia > > Ter ministério algum dia > > Então seria ministro, Paulo César Batista Farias" > > Abs > Caio > > -----Mensagem original----- > De: [email protected] > [mailto:[email protected]] Em nome de Phadha Phada > Enviada em: terça-feira, 23 de junho de 2009 20:14 > Para: [email protected] > Assunto: [S-C] Vamos acabar com o MINC > > Sera que o Brasil precisa mesmo de um Ministerio da Cultura ? > Eu sinceramente nao vejo necessidade alguma. Juntamente com o ministerio > dos > esportes eh uma das pastas mais inuteis do governo federal. > > E essas porcarias de leis do tipo Rouanet deveriam acabar com todas. > No lugar poderiam criar festivais, mostras todas competitivas onde > os melhores colocados garantiriam premios para financiar suas > producoes. > > Eh claro que os julgamentos seriam mas polemicos do que apuracao de > escola de samba.. > Mas pelo menos existiria um criterio competitivo e mais justo do que o > atual. > > flw > fabio padilha. > > > > > "Ministério não tem vocação para irmã Dulce", diz Juca Ferreira > Publicidade > > MARCIO AITH > da Folha de S.Paulo > > "Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O > ministério não tem vocação para irmã Dulce ou para Madre Teresa de > Calcutá." Com essas palavras o ministro da Cultura, Juca Ferreira, > indicou à Folha que irá rever a decisão que proibiu produtores do > músico Caetano Veloso de captar patrocínio da Lei Rouanet para > divulgar o novo CD do artista, "Zii e Zie". > > Em reunião em maio, a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC) > decidiu que o projeto, no valor de R$ 2 milhões, não precisa da > Rouanet por ser comercialmente viável. > > A CNIC é um órgão colegiado que pertence ao Ministério da Cultura. O > ministro pode, a seu critério, rever as decisões da comissão. Ferreira > negou ter sofrido pressões da empresária Paula Lavigne, ex-mulher e > empresária de Caetano, para que a decisão fosse revertida: "Ela não > fez nenhum sauê, apenas ligou para mim e perguntou qual critério tinha > sido utilizado para Caetano que ela não percebia que tinha sido usado > para outras pessoas". Leia a seguir a entrevista. > > Folha - O sr. vai rever o veto a Caetano Veloso? > > Juca Ferreira - A produção de Caetano entrou com o recurso, que vai > ser analisado pelo ministério. Estou acompanhando. Evito ao máximo > rever decisões da CNIC. Só quando ocorre um erro muito contundente > procuro chamá-los à razão. > > Folha - Que erro foi esse? > > Ferreira - O que houve é o seguinte. Não é possível aplicar um > critério para um artista e não aplicar para outro. A lei atual não tem > nenhum critério que diga que os artistas bem-sucedidos não podem ter > seus projetos aprovados, e nem a nova deverá ter. No ano passado, > quando eu intervim para aprovar o show da Maria Bethânia [a CNIC > também tinha negado acesso da cantora à Rouanet], já tínhamos aprovado > projetos da Ivete Sangalo, artista mais bem-sucedida comercialmente em > todos os tempos. Não podemos sair discricionariamente decidindo, sem > critérios legais. > > Folha - A empresária Paula Lavigne pressionou-lhe para rever a decisão > sobre Caetano? > > Ferreira - Ela não fez nenhum sauê, apenas ligou para mim e perguntou > qual critério tinha sido utilizado para Caetano que ela não percebia > que tinha sido usado para outras pessoas. Eu, da mesma maneira que > ela, também estranhei. Eu e Caetano nem tratamos do assunto. > > Folha - Sobre o que o senhor conversou com Caetano? > > FERREIRA - Falamos de uma série de coisas, menos do projeto. Eles > [Caetano e Paula Lavigne] têm agido com uma delicadeza enorme. Eu é > que estou mobilizado porque esse assunto surge neste momento final de > discussão para a reforma da Lei Rouanet. Estamos ganhando a opinião > pública, trazendo os artistas para uma escala de confiança maior. E > não é justo que [a CNIC] tome essa decisão. Podem estar querendo me > atritar com Caetano. Estão tentando arregimentar artistas consagrados > contra a reforma. > > Folha - O senhor diz que não há critério legal para negar o projeto de > Caetano Veloso. Se não existe critério, por que musicais como "Peter > Pan" e "Miss Saigon", e exposições como "Leonardo da Vinci" e "Corpo > Humano" foram negados? > > Ferreira - Não vou aqui discutir casos. Frequentemente há erros, eu > tenho dito isso. É justamente a falta de critérios que cria ambiente > para julgamentos subjetivos. Um dos objetivos da reforma da lei é > adotar critérios previamente legitimados pela discussão pública. > > Folha - Não há uma contradição entre o espírito da reforma da Lei > Rouanet, baseada no uso de dinheiro público para quem precisa, e a > decisão de estender a lei a Caetano, um artista consagrado? > > Ferreira - De modo algum. O show já está em turnê, cobrando um preço. > Seus produtores se dispuseram a reduzi-lo para pouco menos da metade > se for incorporado dinheiro público. Ao que parece, o ingresso cairia > para R$ 40 inteira, e R$ 20 meia. Isso possibilita a ampliação de > pessoas na plateia. Atende a uma demanda nossa, a de que um artista > bem-sucedido amplie seu público. Não é contraditório. Queremos uma > política cultural sólida, mas não faremos isso sem os grandes artistas > brasileiros. > > A única coisa que apontamos é que, da maneira como a lei é hoje, os > artistas novos, de diversos Estados, não têm acesso à lei. Não sou > masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério > não tem vocação de irmã Dulce nem de Madre Teresa de Calcutá. Um > artista conhecido pode ter dificuldade de conseguir patrocínio para > uma obra experimental, ou pode ser do interesse público abaixar os > preços de um espetáculo popular. Deve-se avaliar economicamente cada > projeto, o que hoje a lei sequer prevê. > > A discussão não está aí. > > Folha - Qual é a discussão? > > Ferreira - Mais de 20% dos recursos da lei vazam por meio de serviços > de "garantias", assim, com aspas, de aprovação de projetos no > Ministério e de captação em departamentos de marketing de empresas. A > sociedade não aguenta mais negociações por baixo da mesa > _______________________________________________ > Para CANCELAR sua assinatura: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela > Para ASSINAR esta lista: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina > Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta > > _______________________________________________ > Para CANCELAR sua assinatura: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela > Para ASSINAR esta lista: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina > Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta > _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
