Sonia:

Com todos os créditos a você, *"psicogarfei"* seu textim sobre o Ministro da
Cultura e postei no www.bloguidonoleari.blospot.com

Eles esteve em Vitória semana passada e seguiu por essa trilha que você
traça no seu ótimo texto.
Um abraço do Oleari.

2009/6/24 Sonia Palhares Marinho <[email protected]>

>
>
>
> Oi, turma:
>
>
>
>
>
> O Ministro Juca Ferreira fez uma explanação belíssima sobre as alterações
> na Lei Rouanet quando da posse do novo coordenador da Frente Parlamentar da
> Cultura, Dep. Geraldo Magela (PT-DF).  Foi aplaudido por todos os presentes
> em vários momentos da palestra. Ele disse que o MinC não vai acabar com a
> Lei Rouanet e sim alterá-la para que outras manifestações culturais possam
> ser beenficiadas por ela. Disse que cerca de 80% dos projetos que são
> aprovados no Ministério da Cultura para capatação de recursos pela tal Lei,
> NÃO CONSEGUEM recursos porque não dão às empresas o retorno que elas
> esperam. Somente 20% dos projetos efetivaemnte saem do papel e se tornam
> realidade.
>
>
>
> Elas só querem bancar os grandes nomes da música, do teatro e da televisão,
> ou sejam, fazem MECENATO COM DINHEIRO PÚBLICO. Afinal, isso nada mais é do
> que RENÚNCIA FISCAL. Várias áreas da cultura não conseguem os benefícios da
> Lei Rouanet porque os empresários não querem investir sem a garantia de
> retorno de mídia, tais como literatura, museus, bibliotecas, cultura popular
> (maracatu, cavalo-marinho, caboclinho, folia de reis, congado,
> tambor-de-crioula, bumba-meu-boi, teatro de rua, circo, entre outros
> exemplos). Os recursos acabam se concentrando nos grandes nomes da MPB,
> particularmente. Vocês acham mesmo que coisas tipo "Camarote da Daniela
> Mercury" ou shows de Ivete Sangalo e Caetano Veloso precisam mesmo de
> incentivos da Lei Rouanet???? O que ocorre é que muita gente se acostumou a
> mamar nas tetas do Estado - não estou dizendo que é o caso desses artistas,
> que fique bem claro -, mas isso acontece, e muito.
>
>
>
> Dinheiro público é para as manifestações que não conseguem sobreviver com
> as suas próprias pernas ou que tem dificuldades de capatação de recursos. Na
> página do MinC é possível encontrar o projeto com as propostas de alteração.
> Sugiro que todo mundo leia primeiro e depois faça o necessário debate.
>
>
>
>
>
>
>
> Abraços. Sonia Palhares (BsB-DF)
>
>
>
>
>
>
>
> > Date: Wed, 24 Jun 2009 09:38:56 -0300
> > Subject: Re: [S-C] Vamos acabar com o MINC
> > From: [email protected]
> > To: [email protected]
> > CC: [email protected]
>  >
> > Caros,
> >
> >
> > Vou tentar analisar a questão por dois pontos:
> >
> > 1. Quem disse o que disse a partir da leitura de uma entrevista (ainda
> > mais da forma como as perguntas foram colocadas pela Folha) desconhece
> > a figura de Juca Ferreira. Não o conheço pessoalmente. Mas conheço um
> > pouco da história. Juca Ferreira não é um ninguém. Trata-se de um
> > batalhador histórico da cultura brasileira. Homem culto, agudamente
> > sensível, emotivo demais às vezes e - principalmente - totalmente
> > despido de preconceitos culturais. Juca não é homem de partido e não
> > tem padrinho político. Foi indicado por Gilberto Gil, mas não possui
> > qualquer vínculo com o PV, muito menos com o PT. É dos poucos
> > ministros técnicos deste governo. Não loteou cargos e trabalha com
> > assessores de carreira ou outros técnicos da área cultural; gente
> > totalmente desvinculada de partido político. É funcionário concursado
> > do MinC, caso raríssimo nesse governo ou em qualquer outro.
> >
> > Portanto, o MinC não está partidarizado e aparelhado como ocorre nos
> > Esportes, onde o PCdoB simplesmente montou uma infra-estrutura de
> > partido dentro do ministério.
> >
> > 2. Não penso que a música, como produto, deva sobreviver às custas de
> > repasse de recursos públicos. A música é um produto. Ela se vende.
> > Daí, não vejo a menor necessidade em artistas como Caetano captarem
> > recursos de renúncia fiscal. Mas acho que é imoral, não ilegal. Já que
> > a lei não exclui a música, muito menos o artista consagrado.
> >
> > O exemplo de que a música não precisa desse tipo de estratégia está no
> > Calypso. Musicalmente acho uma lástima (mas isso é apenas meu gosto
> > pessoal, não uma verdade da estética cultural), mas em termos de auto
> > financiamento do artsita é uma aula.
> >
> > O Calypso produz, grava e vende seus própios CDs e DVDs, com preços
> > entre 4,0 e 10,00. Isso mesmo: CD original a 4 reias. Sem gravadora,
> > sem loja de disco, com venda em banca e em shows. Um sucesso.
> > Lembrem-se que também não se locupletaram de campanhas políticas. O
> > sucesso do Calypso coincide com a proibição dos showmícios pela
> > legislação. O Calypso não comparece a rodeios, festas e exposições.
> > Eles mesmos organizam seus shows, sempre individuais.
> >
> > Enfim, há bons exemplos na área de sobrevida do músico em tempos de
> > downloads e pirataria.
> >
> > É só mexer o esqueleto e trabalhar.
> >
> > Abs,
> >
> > Eugenio
> >
> >
> >
> >
> >
> > 2009/6/24 Caio Dias <[email protected]>:
> > > "O samba bem merecia
> > >
> > > Ter ministério algum dia
> > >
> > > Então seria ministro, Paulo César Batista Farias"
> > >
> > > Abs
> > > Caio
> > >
> > > -----Mensagem original-----
> > > De: [email protected]
> > > [mailto:[email protected]] Em nome de Phadha Phada
> > > Enviada em: terça-feira, 23 de junho de 2009 20:14
> > > Para: [email protected]
> > > Assunto: [S-C] Vamos acabar com o MINC
> > >
> > > Sera que o Brasil precisa mesmo de um Ministerio da Cultura ?
> > > Eu sinceramente nao vejo necessidade alguma. Juntamente com o
> ministerio
> > > dos
> > > esportes eh uma das pastas mais inuteis do governo federal.
> > >
> > > E essas porcarias de leis do tipo Rouanet deveriam acabar com todas.
> > > No lugar poderiam criar festivais, mostras todas competitivas onde
> > > os melhores colocados garantiriam premios para financiar suas
> > > producoes.
> > >
> > > Eh claro que os julgamentos seriam mas polemicos do que apuracao de
> > > escola de samba..
> > > Mas pelo menos existiria um criterio competitivo e mais justo do que o
> > > atual.
> > >
> > > flw
> > > fabio padilha.
> > >
> > >
> > >
> > >
> > > "Ministério não tem vocação para irmã Dulce", diz Juca Ferreira
> > > Publicidade
> > >
> > > MARCIO AITH
> > > da Folha de S.Paulo
> > >
> > > "Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O
> > > ministério não tem vocação para irmã Dulce ou para Madre Teresa de
> > > Calcutá." Com essas palavras o ministro da Cultura, Juca Ferreira,
> > > indicou à Folha que irá rever a decisão que proibiu produtores do
> > > músico Caetano Veloso de captar patrocínio da Lei Rouanet para
> > > divulgar o novo CD do artista, "Zii e Zie".
> > >
> > > Em reunião em maio, a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC)
> > > decidiu que o projeto, no valor de R$ 2 milhões, não precisa da
> > > Rouanet por ser comercialmente viável.
> > >
> > > A CNIC é um órgão colegiado que pertence ao Ministério da Cultura. O
> > > ministro pode, a seu critério, rever as decisões da comissão. Ferreira
> > > negou ter sofrido pressões da empresária Paula Lavigne, ex-mulher e
> > > empresária de Caetano, para que a decisão fosse revertida: "Ela não
> > > fez nenhum sauê, apenas ligou para mim e perguntou qual critério tinha
> > > sido utilizado para Caetano que ela não percebia que tinha sido usado
> > > para outras pessoas". Leia a seguir a entrevista.
> > >
> > > Folha - O sr. vai rever o veto a Caetano Veloso?
> > >
> > > Juca Ferreira - A produção de Caetano entrou com o recurso, que vai
> > > ser analisado pelo ministério. Estou acompanhando. Evito ao máximo
> > > rever decisões da CNIC. Só quando ocorre um erro muito contundente
> > > procuro chamá-los à razão.
> > >
> > > Folha - Que erro foi esse?
> > >
> > > Ferreira - O que houve é o seguinte. Não é possível aplicar um
> > > critério para um artista e não aplicar para outro. A lei atual não tem
> > > nenhum critério que diga que os artistas bem-sucedidos não podem ter
> > > seus projetos aprovados, e nem a nova deverá ter. No ano passado,
> > > quando eu intervim para aprovar o show da Maria Bethânia [a CNIC
> > > também tinha negado acesso da cantora à Rouanet], já tínhamos aprovado
> > > projetos da Ivete Sangalo, artista mais bem-sucedida comercialmente em
> > > todos os tempos. Não podemos sair discricionariamente decidindo, sem
> > > critérios legais.
> > >
> > > Folha - A empresária Paula Lavigne pressionou-lhe para rever a decisão
> > > sobre Caetano?
> > >
> > > Ferreira - Ela não fez nenhum sauê, apenas ligou para mim e perguntou
> > > qual critério tinha sido utilizado para Caetano que ela não percebia
> > > que tinha sido usado para outras pessoas. Eu, da mesma maneira que
> > > ela, também estranhei. Eu e Caetano nem tratamos do assunto.
> > >
> > > Folha - Sobre o que o senhor conversou com Caetano?
> > >
> > > FERREIRA - Falamos de uma série de coisas, menos do projeto. Eles
> > > [Caetano e Paula Lavigne] têm agido com uma delicadeza enorme. Eu é
> > > que estou mobilizado porque esse assunto surge neste momento final de
> > > discussão para a reforma da Lei Rouanet. Estamos ganhando a opinião
> > > pública, trazendo os artistas para uma escala de confiança maior. E
> > > não é justo que [a CNIC] tome essa decisão. Podem estar querendo me
> > > atritar com Caetano. Estão tentando arregimentar artistas consagrados
> > > contra a reforma.
> > >
> > > Folha - O senhor diz que não há critério legal para negar o projeto de
> > > Caetano Veloso. Se não existe critério, por que musicais como "Peter
> > > Pan" e "Miss Saigon", e exposições como "Leonardo da Vinci" e "Corpo
> > > Humano" foram negados?
> > >
> > > Ferreira - Não vou aqui discutir casos. Frequentemente há erros, eu
> > > tenho dito isso. É justamente a falta de critérios que cria ambiente
> > > para julgamentos subjetivos. Um dos objetivos da reforma da lei é
> > > adotar critérios previamente legitimados pela discussão pública.
> > >
> > > Folha - Não há uma contradição entre o espírito da reforma da Lei
> > > Rouanet, baseada no uso de dinheiro público para quem precisa, e a
> > > decisão de estender a lei a Caetano, um artista consagrado?
> > >
> > > Ferreira - De modo algum. O show já está em turnê, cobrando um preço.
> > > Seus produtores se dispuseram a reduzi-lo para pouco menos da metade
> > > se for incorporado dinheiro público. Ao que parece, o ingresso cairia
> > > para R$ 40 inteira, e R$ 20 meia. Isso possibilita a ampliação de
> > > pessoas na plateia. Atende a uma demanda nossa, a de que um artista
> > > bem-sucedido amplie seu público. Não é contraditório. Queremos uma
> > > política cultural sólida, mas não faremos isso sem os grandes artistas
> > > brasileiros.
> > >
> > > A única coisa que apontamos é que, da maneira como a lei é hoje, os
> > > artistas novos, de diversos Estados, não têm acesso à lei. Não sou
> > > masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério
> > > não tem vocação de irmã Dulce nem de Madre Teresa de Calcutá. Um
> > > artista conhecido pode ter dificuldade de conseguir patrocínio para
> > > uma obra experimental, ou pode ser do interesse público abaixar os
> > > preços de um espetáculo popular. Deve-se avaliar economicamente cada
> > > projeto, o que hoje a lei sequer prevê.
> > >
> > > A discussão não está aí.
> > >
> > > Folha - Qual é a discussão?
> > >
> > > Ferreira - Mais de 20% dos recursos da lei vazam por meio de serviços
> > > de "garantias", assim, com aspas, de aprovação de projetos no
> > > Ministério e de captação em departamentos de marketing de empresas. A
> > > sociedade não aguenta mais negociações por baixo da mesa
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