Valeu Caio! Só nos resta dizer: Ô Sorte! bj LH
Em 29 de julho de 2010 11:58, Caio Tiburcio <[email protected]>escreveu: > *Matéria de Teresa Albuquerque, no caderno Diversão&Arte do jornal Correio > Braziliense de hoje, 29 de julho, abaixo transcrita, trata do novo cd do > abençoado Wilson das Neves. São 1**3 faixas peças compostas pelo Wilson > das Neves e em parceria com Paulo César Pinheiro, Nelson Rufino, Nei Lopes, > Arlindo Cruz, Delcio Carvalho, Roque Ferreira e Vitor Pessoa. > > E fala de um filme que será dirigido pelo **Cristiano Abud e terá como > tema a vida e a obra do grande Wilson das Neves. > > Caio Tiburcio * > > > Correio Braziliense > Diversão&Arte > > *A bênção, Das Neves > > Teresa Albuquerque > * > *Um dos maiores bateristas do Brasil, Wilson das Neves lança o terceiro > álbum como cantor e compositor, tem discos editados na Europa e ganha > documentário sobre sua trajetória* > > > Wilson das Neves já ouviu centenas de bateristas e até hoje não sabe quem é > o melhor. Não gosta desse papo de “mito”, de “monstro”. Referência para > bateristas de várias gerações, o músico de 74 anos, que já gravou com mais > de 600 artistas, recusa até o título de mestre. “Quanto mais a gente > aprende, menos sabe. Eu não sei nada”, afirma ele, que sempre que pode vai > ver algum colega tocar, inclusive os mais jovens, para aprender algo novo. > Modéstia? “Não. Isso é vivência. Você tem que saber que não é melhor do que > ninguém. A gente está aqui para isto: vir, aprender, deixar alguma coisa e > voltar para onde veio.” > > Elegante, boa-praça, criador de um simpático bordão (“Ô, sorte!”) e > talentoso até dizer chega, Das Neves diz que nunca quis tocar, não. A música > é que se engraçou com ele. Também não pensava em cantar, mas em 1996, aos 60 > anos, lançou seu primeiro disco como autor e intérprete, O som sagrado de > Wilson das Neves. O segundo, Brasão de Orfeu, saiu em 2004. O terceiro, Pra > gente fazer mais um samba, chega agora às lojas, pouco depois de ter sido > lançado na Europa. Pelas prateleiras de lá também pode ser encontrado Que > beleza, álbum do grupo Ipanemas que ele gravou em 1964 e acaba de ser > editado em CD pelo selo londrino Far Out. > > E tem mais: o mineiro Cristiano Abud está dirigindo um documentário sobre > ele, chamado O samba é meu dom. No filme, o músico conta histórias de seus > 56 anos como baterista profissional, participando de orquestras e > acompanhando nomes como Elis Regina, Wilson Simonal, Roberto Carlos, Elza > Soares… (a lista é enorme, ele anota tudo). Com Elizeth Cardoso, por > exemplo, começou a tocar em 1973 e ficou até o fim (a Divina morreu em > 1990). “Só posso dizer o seguinte: Elizeth era ‘o’ cara. Ah, como eu queria > que ela estivesse viva para cantar minhas músicas… Ela e Jamelão”, comenta o > músico, que está na banda de Chico Buarque há 26 anos e vive sendo > reverenciado pelo patrão no palco. “É outro que é ‘o’ cara. Chico, Elizeth e > Ney Matogrosso. Ô, sorte!” > > *Dom divino* > Nascido na Glória, no Rio de Janeiro, Wilson das Neves foi criado ouvindo > choro e as chamadas jazz bands, que tinham banjo, bateria e trombone. “A > música estava ali, nas festas da casa da minha tia, e depois no candomblé. > Eu tinha que ser músico mesmo”, constata ele, que não teve nem pai nem avô > instrumentista, mas se viu numa família de irmãos bateristas (o mais velho > já morreu; o mais novo mora na Bélgica). Nenhum de seus filhos (ele teve > quatro, dois faleceram) e netos (são quatro) seguiu na música. Quem sabe > João, o bisneto… “Não forço ninguém a nada. Cada um tem seu dom.” > > Para Das Neves, que começou aos 14 anos, incentivado por Edgar Nunes Rocca, > o Bituca, e aos 18 já era profissional, música é algo divino mesmo. “Foi ela > quem me escolheu.” Ele diz que não planejou nada. Começou a compor em 1973, > mas não mostrava as melodias para ninguém. Até que um dia foi convencido por > Paulo César Pinheiro e ganhou seu primeiro parceiro. Com Pinheiro, fez mais > de 60 músicas. Todas assim: ele grava as melodias em fitas-cassetes, na base > do “lalalá”, depois ajeita com o cavaquinho, e manda para os parceiros > fazerem a letra. > > Falam bastante de sua batida, muitos a reconhecem de imediato, mas ele diz > que é só porque está há mais tempo na praça e gravou muito. “As pessoas se > acostumaram comigo”, justifica. “Batida é uma coisa natural. Ninguém toca > igual a ninguém. Cada um tem sua jogadinha, sua ginga, seu suingue”, garante > o sambista, que já gravou de tudo quando era baterista contratado de > gravadora — inclusive o primeiro disco de rock de Roberto Carlos — e desde > 2003 sobe ao palco ao lado dos meninos da Orquestra Imperial. “No meio > daquela juventude, eu me sinto um garoto. Eles têm o maior carinho por mim e > eu adoro eles.” > > Um pouco dessas histórias, Das Neves vem gravando em fitas-cassetes para, > quem sabe, um dia sair num livro. “Vou me lembrando das coisas e contando > lá. Falo de como comecei, de casos engraçados, das minhas avôs, da minha > bisavô.” Ele era o xodó da bisavó materna, que morreu aos 116 anos. “Não > quero isso tudo pra mim, não, porque aí você começa a ficar chato, né? Se > bem que minha bisavó era muito boazinha”, ri. “Chegar aos 90 e poucos está > bom. Quero ver os bisnetos andando por aí.” > > > *1 - O novo disco* > Pra gente fazer mais um samba tem 13 faixas compostas por ele em parceria > com os letristas Paulo César Pinheiro, Nelson Rufino, Nei Lopes, Arlindo > Cruz, Delcio Carvalho, Roque Ferreira e Vitor Pessoa. A mais recente é de um > ano atrás; a mais antiga, Folha no ar, da década de 1970. Como escolheu o > repertório? “Ah, gosto de todas as músicas que faço. Então é só meter a mão > no saco e tirar umas (risos).” > > *Eu conhecia Wilson das Neves dos discos, reconhecia de cara sua batida, > vez por outra o peruava através do vidro de estúdios de gravação. Hoje não > subo ao palco sem ele. Ele é o pulso da banda, termômetro, técnico do time, > rei da anedota e pajé” > * > *Chico Buarque > * > No cinema > > Cristiano Abud, diretor do documentário O samba é meu dom, conheceu Wilson > das Neves em 2009, apresentado pelo produtor Alexandre Segundo. Na mesma > hora, se interessou em fazer um filme sobre a vida e a obra desse carioca, > que o encanta cada vez mais. “Ele é sensacional”, elogia o cineasta. “Além > de ser um frasista genial — é o nosso Otto Lara Resende do samba —, e da > sabedoria com que leva a vida, tem um talento fora de série. É > impressionante o respeito que os músicos têm por ele. Só vendo ao vivo, in > loco, para entender a dimensão disso.” Cristiano já filmou uma longa > entrevista com o músico em Belo Horizonte e acompanhou a gravação do > terceiro CD. Até o fim do ano, quer reunir Das Neves e seus parceiros > tocando e conversando num estúdio. O longa-metragem tem lançamento previsto > para 2011. > > *http://www2.correiobraziliense.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_1.htm*<http://www2.correiobraziliense.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_1.htm> > > > _______________________________________________ > Tribuna mailing list > [email protected] > http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna > >
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