Caio & demais Tribuneiros, Bom dia.
Sobre o Wilson das Neves tem tambem  este texto que saiu na Folha de São Paulo 
no caderno Ilustrissima no último domingo assinado pelo Luiz Fernado Vianna. 
Consegui agora o link de um blog que tem na íntegra este texto, delicioso de 
ler. Aliás falar de Wilson das
Neves já um exercicio delicioso

Ô Sorte!
http://sergyovitro.blogspot.com/2010/07/perfil-wilson-das-neves.html
Bom dia  todos
Ary





________________________________
De: Caio Tiburcio <[email protected]>
Para: [email protected]
Enviadas: Quinta-feira, 29 de Julho de 2010 11:58:48
Assunto: [S-C] Correio Braziiliense: A bênção, Das Neves (o novo Cd de Wilson 
das Neves)

Matéria de Teresa Albuquerque, no caderno Diversão&Arte do jornal Correio 
Braziliense de hoje, 29  de julho, abaixo transcrita, trata do novo cd do 
abençoado Wilson das Neves. São 13 faixas peças compostas pelo Wilson das Neves 
e em  parceria com Paulo César Pinheiro, Nelson Rufino, Nei Lopes, Arlindo 
Cruz, 
Delcio Carvalho, Roque Ferreira e Vitor Pessoa.

E fala de um filme  que será dirigido pelo Cristiano Abud e terá como tema a 
vida e a obra do grande Wilson das Neves.

Caio Tiburcio 


Correio Braziliense
Diversão&Arte

A bênção, Das Neves

Teresa Albuquerque

Um dos maiores bateristas do Brasil, Wilson das Neves lança o terceiro álbum 
como cantor e compositor, tem discos editados na Europa e ganha documentário 
sobre sua trajetória


Wilson das Neves já ouviu centenas de bateristas e até hoje não sabe quem é o 
melhor. Não gosta desse papo de “mito”, de “monstro”. Referência para 
bateristas 
de várias gerações, o músico de 74 anos, que já gravou com mais de 600 
artistas, 
recusa até o título de mestre. “Quanto mais a gente aprende, menos sabe. Eu não 
sei nada”, afirma ele, que sempre que pode vai ver algum colega tocar, 
inclusive 
os mais jovens, para aprender algo novo. Modéstia? “Não. Isso é vivência. Você 
tem que saber que não é melhor do que ninguém. A gente está aqui para isto: 
vir, 
aprender, deixar alguma coisa e voltar para onde veio.” 


Elegante, boa-praça, criador de um simpático bordão (“Ô, sorte!”) e talentoso 
até dizer chega, Das Neves diz que nunca quis tocar, não. A música é que se 
engraçou com ele. Também não pensava em cantar, mas em 1996, aos 60 anos, 
lançou 
seu primeiro disco como autor e intérprete, O som sagrado de Wilson das Neves. 
O 
segundo, Brasão de Orfeu, saiu em 2004. O terceiro, Pra gente fazer mais um 
samba, chega agora às lojas, pouco depois de ter sido lançado na Europa. Pelas 
prateleiras de lá também pode ser encontrado Que beleza, álbum do grupo 
Ipanemas 
que ele gravou em 1964 e acaba de ser editado em CD pelo selo londrino Far Out. 


E tem mais: o mineiro Cristiano Abud está dirigindo um documentário sobre ele, 
chamado O samba é meu dom. No filme, o músico conta histórias de seus 56 anos 
como baterista profissional, participando de orquestras e acompanhando nomes 
como Elis Regina, Wilson Simonal, Roberto Carlos, Elza Soares… (a lista é 
enorme, ele anota tudo). Com Elizeth Cardoso, por exemplo, começou a tocar em 
1973 e ficou até o fim (a Divina morreu em 1990). “Só posso dizer o seguinte: 
Elizeth era ‘o’ cara. Ah, como eu queria que ela estivesse viva para cantar 
minhas músicas… Ela e Jamelão”, comenta o músico, que está na banda de Chico 
Buarque há 26 anos e vive sendo reverenciado pelo patrão no palco. “É outro que 
é ‘o’ cara. Chico, Elizeth e Ney Matogrosso. Ô, sorte!” 


Dom divino 
Nascido na Glória, no Rio de Janeiro, Wilson das Neves foi criado ouvindo choro 
e as chamadas jazz bands, que tinham banjo, bateria e trombone. “A música 
estava 
ali, nas festas da casa da minha tia, e depois no candomblé. Eu tinha que ser 
músico mesmo”, constata ele, que não teve nem pai nem avô instrumentista, mas 
se 
viu numa família de irmãos bateristas (o mais velho já morreu; o mais novo mora 
na Bélgica). Nenhum de seus filhos (ele teve quatro, dois faleceram) e netos 
(são quatro) seguiu na música. Quem sabe João, o bisneto… “Não forço ninguém a 
nada. Cada um tem seu dom.” 


Para Das Neves, que começou aos 14 anos, incentivado por Edgar Nunes Rocca, o 
Bituca, e aos 18 já era profissional, música é algo divino mesmo. “Foi ela quem 
me escolheu.” Ele diz que não planejou nada. Começou a compor em 1973, mas não 
mostrava as melodias para ninguém. Até que um dia foi convencido por Paulo 
César 
Pinheiro e ganhou seu primeiro parceiro. Com Pinheiro, fez mais de 60 músicas. 
Todas assim: ele grava as melodias em fitas-cassetes, na base do “lalalá”, 
depois ajeita com o cavaquinho, e manda para os parceiros fazerem a letra. 


Falam bastante de sua batida, muitos a reconhecem de imediato, mas ele diz que 
é 
só porque está há mais tempo na praça e gravou muito. “As pessoas se 
acostumaram 
comigo”, justifica. “Batida é uma coisa natural. Ninguém toca igual a ninguém. 
Cada um tem sua jogadinha, sua ginga, seu suingue”, garante o sambista, que já 
gravou de tudo quando era baterista contratado de gravadora — inclusive o 
primeiro disco de rock de Roberto Carlos — e desde 2003 sobe ao palco ao lado 
dos meninos da Orquestra Imperial. “No meio daquela juventude, eu me sinto um 
garoto. Eles têm o maior carinho por mim e eu adoro eles.” 


Um pouco dessas histórias, Das Neves vem gravando em fitas-cassetes para, quem 
sabe, um dia sair num livro. “Vou me lembrando das coisas e contando lá. Falo 
de 
como comecei, de casos engraçados, das minhas avôs, da minha bisavô.” Ele era o 
xodó da bisavó materna, que morreu aos 116 anos. “Não quero isso tudo pra mim, 
não, porque aí você começa a ficar chato, né? Se bem que minha bisavó era muito 
boazinha”, ri. “Chegar aos 90 e poucos está bom. Quero ver os bisnetos andando 
por aí.” 



1 - O novo disco 
Pra gente fazer mais um samba tem 13 faixas compostas por ele em parceria com 
os 
letristas Paulo César Pinheiro, Nelson Rufino, Nei Lopes, Arlindo Cruz, Delcio 
Carvalho, Roque Ferreira e Vitor Pessoa. A mais recente é de um ano atrás; a 
mais antiga, Folha no ar, da década de 1970. Como escolheu o repertório? “Ah, 
gosto de todas as músicas que faço. Então é só meter a mão no saco e tirar umas 
(risos).” 



Eu conhecia Wilson das Neves dos discos, reconhecia de cara sua batida, vez por 
outra o peruava através do vidro de estúdios de gravação. Hoje não subo ao 
palco 
sem ele. Ele é o pulso da banda, termômetro, técnico do time, rei da anedota e 
pajé” 


Chico Buarque

No cinema

Cristiano Abud, diretor do documentário O samba é meu dom, conheceu Wilson das 
Neves em 2009, apresentado pelo produtor Alexandre Segundo. Na mesma hora, se 
interessou em fazer um filme sobre a vida e a obra desse carioca, que o encanta 
cada vez mais. “Ele é sensacional”, elogia o cineasta. “Além de ser um frasista 
genial — é o nosso Otto Lara Resende do samba —, e da sabedoria com que leva a 
vida, tem um talento fora de série. É impressionante o respeito que os músicos 
têm por ele. Só vendo ao vivo, in loco, para entender a dimensão disso.” 
Cristiano já filmou uma longa entrevista com o músico em Belo Horizonte e 
acompanhou a gravação do terceiro CD. Até o fim do ano, quer reunir Das Neves e 
seus parceiros tocando e conversando num estúdio. O longa-metragem tem 
lançamento previsto para 2011. 


http://www2.correiobraziliense.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_1.htm


      
_______________________________________________
Tribuna mailing list
[email protected]
http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna

Responder a