João Cândido e seus colegas de trabalho, eram escravisados pela Marinha do Brasil, depois de 22 anos da Abolição, sendo esta a única razão da Revolta dos Marinheiros que liderou.
O que aconteceu com ele foi o mesmo que aconteceu em 2003, quando, 25 anos depois de decretada a morte dos estaleiros e por consequência, os cursos apropriados e a tecnologia. Com os estaleiros sucateados e apenas com vigilantes a tomar conta, o mundo soube da decisão da fabricação das obras [navios, plataformas], no Brasil. Apareceu o primeiro investidor [com capital de risco e não empréstimo], sendo contratado, por R$ 100.000,00, professor, que capacitou engenheiros e técnicos e, estes, as demais necessidades de capacitação. Não é nada, não é nada. a P 51 - a maior plataforma do mundo, navega nossos mares. Todos assistiram o Presidente em seu convés, com as mãos sujas de petróleo. Dezenas de estaleiros ressurcitaram e outros surgiram. O Brasil hoje, cumpre o papel daquele promeiro professor contratado, ensinando aos estrangeiros da América Latina. Nossa construtoras, erguem as instalações de estaleiros e usinas etc Um pensador de séculos passados, parece que resumiu tudo, dizendo: "Todo o bem do mundo vem da instrução e todo mal, da ignorância". Com efeito. A falta de conhecimento da vida, a pobreza de espírito e a do conhecimento dos direitos da pessoa humana em relação ao Reino Unido, inibia qualquer ação contra a poderosa marinha. Quando os navios Minas Gerais e São Paulo, foram encomendados, no lugar de enviar graduados, João Cândido e outros marinheiros, permaneceram 4 anos observando detalhes das construções. Aprenderam inglês, foram contratados como trabalhadores, sindicalizados. Foi no sindicato e nas conversas no estaleiro que houve uma melhor compreensão dos direitos trabalhistas. Enquanto no Brasil não havia horário de trabalho, às vezes, chegando a 36 hs ininterruptas, no estaleiro eram 8, Enquanto o soldo mensal era a prática geral, aqui, dependia dos superiores pagarem ou não. Os marinheiros brasileiros eram proibidos de casar, sua comida eram os "restos" dos oficiais graduados. A viagem de volta ao Brasil foi outra escola. O fabricante informou aos comandantes que João Cândido e alguns outros conheciam os navias em detalhes e se econtravam absolutamente capacitados. As palavras são da boca de João Cândido e foram gravadas no MIS pouco antes de sua morte. Ele disse. Para qualquer descuido no trabalho, um dos piores castigos era as dises de chibatadas, começando com 25 até 250, sendo frequentes, se atingir 500, casos em que os condenados morriam. A revolta foi planejada no estrangeiro. Todas as cousas seriam feitas a poco e pouco, mas os castigos corporais, principalmente as chibatadas, não seriam toleradas. As questões de pagamento, proibição de casamento e outos, foram relegadas. ´Faltando cerca de 36 horas para a chegada ao Brasil, os marinheiros foram proibidos de dormirem. Ao despontar as águas do Rio de Janeiro, alguns marinheiros, tendo dado os serviços por encerrado, cairam de sono no convés. Na primeira ameaça da aplicação de chibatadas, João Cândido se revoltou mesmo diante de armas em punho dos oficiais. Declarando não admitir os castigos, que era a tentativa de amarrar os dorminhocos nos ferros para o castigo da chibata no porto do rio, argumentando que, mesmo desarmado a quantidade e ferocidade dos marinheiros tomariam as armas, implorando para brecar os castigos. Iniciado o primeiro tiro, as armas foram tomadas e os comandantes mortos. Naquele momento, João Cândido, assumiu o controle do navio, apontando as armas para os 3 outros [2 novos e 2 velhos], comunicando seu posto de comando e solicitando a rendição dos outros comandantes ou a peleja. Imediatamente os comandantes deixaram os navios, mas o então presidente, recém eleito, não aceitou suas explicações e ordenou sua captura. Neste momento foram dados vários tiros de canhão para as proximidades do palácio presidencial e para niteroi, matando pessoas em ambos os lados. A intervenção de Rui Barbosa, logrou êxito, obtendo HC. Na rendição, desrespeitando a própria norma jurídica, prendeu a todos e, aos poucos matando-os. João Cândi e seus colegas de navio foram presos em cadeia subterrâneo, colocado cal virgem e trancada a porta do calabou-se. Exceto João Cândido, todos morreram. Hoje, no centenário da revolta, a República batizou um navio, 100% construido por mãos brasileiras - seus colegas de trabalho, imortalizando o seu nome e dignificando nossos trabalhadores. Um vavio da Inglaterra, por seu comandante, ofereceu asilo, que foi dispensado. Um comandante de vavio argentino, além do asilo, ofereceu emprego, também dispensado, pelo respeito ao HC, que afinal não foi honrado. COmo todos os empregos eram perseguidos pela marinha, acabou vivendo uma vida toda como ambulante ou coisa que o valha. Para corrigir o erro, o Brasil concedeu pensão vitalícia de R$ 5.000,00 para sua única descendente viva, entre outras homenagens, como a transferência de sua estátua para seu local de trabalho - a Praça XV. Grande abraço Em 26 de agosto de 2010 11:41, Eugenio Raggi <[email protected]>escreveu: > Edu, > > > Quem aglutinou as forças radicais da Marinha no caso do motim do Sindicato > foi o Cabo Anselmo. É claro que se tratava de uma estratégia do núcleo > golpista. Quando os da velha guarda chegaram, dentre eles João Cândido e > Alberto Montes, veteranos da Chibata, pensou-se em amenizar o movimento, mas > já haviam sido insuflados pelo Cabo Anselmo. > > Fato muito suspeito esse. > > No mais, crioulo integralista...Faça-me o favor, né? > > Abs, > > Eugenio > > > > Em 26 de agosto de 2010 11:21, Eduardo S. Martins > <[email protected]>escreveu: > > Eugênio, a história do Cabo Anselmo, todo mundo sabe né, em 71 foi preso >> pelo Dops, passou a dormir no 5º andar ao lado da sala do Romeu Tuma e virou >> o principal deletor dele e do Delegado Fleury, embora muita gente defenda >> que ele já era um agente infiltrado desde 64. Mas esta sobre o João Cândido >> é novidade absoluta pra mim, conta aí. >> abs. >> Edu >> >> >> ----- Original Message ----- From: Eugenio Raggi >> >> >> Edu, >> Há controvérsia a respeito disso. Existe uma suspeita de relação entre o >> Cabo Anselmo (o agitador infiltrado) e o João Cândido. >> Abs, >> Eugenio >> >> >> Em 26 de agosto de 2010 10:43, Eduardo S. Martins <[email protected]> >> escreveu: >> >> Apesar de ter sido integralista nos anos 30 (D. Helder Câmara também foi), >> em 64, já muito velho, João Candido foi dar o seu apoio aos marinheiros >> amotinados no Sindicato dos Metalúrgicos, movimento que acabou sendo a >> desculpa oficial para a derrubada do João Goulart, ou seja, o Almirante >> Negro lutou até o fim pela sua classe. >> abs. >> Eduardo Martins >> >> > > _______________________________________________ > Tribuna mailing list > [email protected] > http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna > > -- Gilberto José Muniz Associação Cultural Zona Oeste. Biblioteca Comunitária Muniz, Manoel e Joana 9285.5704 3394.6618
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