EDUCAÇÃO
OS SONS QUE FARãO A DIFERENçA
LEI TORNA DISCIPLINA OBRIGATóRIA NOS ENSINOS FUNDAMENTAL E MéDIO
DAS ESCOLAS BRASILEIRAS. MOTIVADOS PARA REPASSAR O CONHECIMENTO
MUSICAL, PROFESSORES GARANTEM QUE A MATéRIA VAI MELHORAR O RENDIMENTO
ESCOLAR DOS ESTUDANTES
NATALIA RABELO
[email protected] Redação Jornal da Comunidade
Os instrumentos musicais já podem fazer parte da lista de material
escolar dos alunos das escolas públicas e privadas do Distrito
Federal. Sancionada no dia 18 de agosto de 2008 pelo ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, a lei nº 11.769, que torna obrigatório o
ensino de música, passou a valer para os ensinos fundamental e médio
de todas as escolas brasileiras.
Décio Gorini, professor de apreciação musical do Colégio Sigma,
observa que estudar música é ter a capacidade de entender um pouco
além da linguagem musical que a mídia expõe para os jovens. Ele
considera o estudo musical importante, principalmente para o estímulo
auditivo.
Mas os pais e alunos devem entender que as aulas de apreciação
musical não visam a formar novos músicos. As aulas não serão de
prática musical, explica o professor: “A disciplina não tem o
objetivo de formar músicos. Nosso objetivo vai além disso”,
esclarece.
Durante o curso de apreciação musical, o aluno terá acesso à
história das raízes da música popular brasileira. Décio garante
que a disciplina servirá para o estudante entender como uma música
é criada e seus conceitos de acordes, além de receber noção
técnica e conhecimento estético musical: “É um curso no qual os
alunos ouvirão música nas aulas, terão explicação histórica,
saberão o que significa a ópera, sinfonia, e será uma aula bem
interdisciplinar”, destaca o professor de apreciação musical.
Décio acrescenta que a interdisciplinaridade da nova disciplina
será relevante também para o bom desempenho escolar: “Teremos
aulas de história, geografia e até mesmo de literatura”, enumera.
Experiente no ensino da música, o professor conta que nunca enfrentou
problemas em sua disciplina e que, apesar de parecer um momento para
diversão, suas aulas são levadas a sério pelos estudantes. Ele
garante que, mais do que simples aulas de música, os alunos conseguem
ver que há muito o que aprender com a disciplina.
Décio ressalta que a apreciação musical deve ser vista como uma
disciplina importante do ponto de vista do bom desempenho no
vestibular. Ele lembra que matérias de artes já são cobradas com
grande peso nessas avaliações: “Antes, o vestibular era
concentrado em matérias de exatas e português. Hoje podemos perceber
que as instituições de ensino superior estão se transformando e
colocando as artes em um lugar privilegiado”, compara o professor.
Mais do que cumprir a lei
Sandra Zita Dine, assessora da Subsecretaria de Educação Básica,
acredita que a inserção da apreciação musical como matéria
obrigatória no currículo da educação básica é um reconhecimento
da importância da arte na formação dos jovens: “Sem dúvida, na
sensibilização, na coordenação motora e no desenvolvimento de
raciocínio, a música irá ajudar os estudantes”, aposta a
assessora. E conclui: “Além do ganho de conhecimento na área, o
ensino de música desperta a coordenação e a concentração do
aluno, além de ser bom para todas as outras áreas. A disciplina irá
refletir no currículo. Tanto para sensibilização artística como
para a cidadania e o aumento de conhecimento”, garante a assessora.
Em agosto deste ano as escolas devem inserir a matéria no
currículo, mas Sandra anuncia que já se estuda a possibilidade de a
disciplina estar nas instituições de ensino do Distrito Federal
antes do prazo.
Receitas no futuro
“A mesma importância que tem o ensino de português e de
matemática tem o ensino musical”, avalia o coordenador geral da
Escola de Música de Brasília, maestro Jonas Correia. Ele alerta que,
ao contrário do que acontece em uma escola técnica profissional de
música, as escolas da rede de ensino devem preparar os estudantes
para “viver a música, participar de concertos e entender”, além
de dar a eles a condição e a capacidade de interagir e dialogar
sobre música: “O cidadão deve ter formação mais completa. O
compartilhamento de linhas de aprendizagem deve ser completo e sempre
faltou a educação musical”, observa o maestro.
Jonas Correia acredita que o único problema a ser enfrentado será
com a formação de profissionais capacitados para dar aulas. Ele diz
que Brasília ainda é carente de profissionais da área e, mais do
que saber a música na prática, os futuros professores deverão ter
conhecimento: “Acredito que deve haver, da parte dos governantes,
interesse em fazer um trabalho e entender que dominar a prática não
é ter formação profissional, mas sim ter conhecimento da
música”,
finaliza.http://comunidade.maiscomunidade.com/conteudo/2011-01-22/educacao/2590/OS-SONS-QUE-FARAO-A-DIFERENCA.pnhtml
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