Em 25/05/07, Márcio Vinícius Pinheiro <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:

Eu não entendo muito de normas (embora trabalhe com várias delas), mas me
parece um contra-senso a possibilidade de um sistemas de normas adotar
duas
normas diferentes para um mesmo fim. Normas servem como padrões, se
utilizarmos mais de um padrão para uma única coisa, no fim não temos
padrão
algum.


Na verdade não é bem assim. Uma norma não é uma lei. Aceita-se e usa-se uma
norma qualquer quem quer. Se você não quiser, não usa. Só que se você não
seguir a maior parte das normas e padrões, provavelmente não conseguirá
vender seu produto.
Da mesma forma, não é um contra-senso ter-se dois padrões para uma mesma
coisa. Até a pouco tempo atrás, havia uma série de padrões para redes LAN,
por exemplo. Só a IEEE tinha pelo menos uns 6. Na prática, hoje somente
temos Ethernet. Não seria nem mesmo esquisito, no mundo da tecnologia termos
dois padrões para documentos de escritório.


Na verdade, não faz muito sentido pra mim essa discussão toda se se pretende
adotar duas normas para o mesmo fim (geração de documentos de escritório
eletrônicos). E não acho que questões políticas, ideológicas e comerciais
deveriam ser ignoradas (e na prática elas não são) até porque elas
influenciam no desenvolvimento de técnicas.


Nunca são. A ABNT prega que suas decisões são tomadas por motivos puramente
técnicos, mas normas são, por definição, um trabalho político.

Sobre o comentário do Renato: como coloquei acima, não são somente países
medíocres que tem várias normas e padrões para uma mesma coisa. Na verdade,
boa parte dos nossos padrões são simplesmente importados, ou seja não são
criação nossa, foram criações lá de fora (leia-se EUA e Europa). Só em
telefonia móvel há diversos padrões e normas para regê-los. É que aqui as
coisas são mais escangalhadas que o normal.

Agora um comentário geral sobre o processo que a Microsoft está forçando:

1. Ela precisa de um padrão, pois vários governos municipais e estaduais
(nos EUA) e de países (na Europa) somente irão aceitar que um software de
escritório possa salvar e recuperar arquivos a partir de um padrão
internacional. É a filosofia de não se prender a um "único" fabricante etc.
Em teoria, se um formato está padronizado qualquer um pode implementar,
mesmo que na prática a coisa não seja assim, ao menos os políticos
justificam as fabulosos quantias gastas com informática com algo com mais
cheiro de "liberdade".

2. A Microsoft vai conseguir padronizar o seu formato, de um jeito ou de
outro, mais cedo ou mais tarde. O máximo que a comunidade de software livre
pode fazer é atrasar o processo, mas uma vez começado, e com o gás que eles
estão dando é difícil não conseguir. Não haveria razões técnicas para isso.

3. Não adianta aplicar as mesmas técnicas de FUD que a Microsoft utiliza
contra o software livre, contra o formato Open XML.

4. Precisamos é mudar a cabeça das pessoas, no Brasil: menos pirataria, mais
software livre.

5. Uso o BrOffice, por exemplo, porque ele satisfaz a maioria de minhas
necessidades e por ser muito bom software para as minhas necessidades e, é
lógico, tenho tudo isso sem pagar nada. Mas o cara que pirateira o MS Office
também tem isso e igualemente de graça. É isso que temos que acabar.

André Cavalcante

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