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Inteligência militar revela que membros do grupo
basco ETA treinaram e coordenaram ações de guerrilha urbana em SP
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Por Jorge Serrão
Exclusivo Membros do grupo separatista basco ETA
- cujos integrantes falam em adeus às armas, cessar-fogo e paz na Espanha
- foram os treinadores e coordenadores das ações de guerrilha urbana, com
evidentes motivações políticas, que amedrontaram e paralisaram ontem a Grande
São Paulo e o ABC. A informação, confidencial, é dos serviços de inteligência
das forças armadas, que monitoram a ação de grupos estrangeiros infiltrados nas
chamadas organizações criminosas no Brasil. Os terroristas bascos também
atuaram, nos bastidores, da invasão da Aracruz Celulose pela Via Campesina, o
movimento de ação urbana do MST (Movimento dos Sem Terra).
A ABIN (Agência Brasileira de Inteligência)
produziu um relatório reservado, dois anos atrás, advertindo à Presidência da
República, ao Senado e a alguns governadores que não só os bascos do ETA, mas
também terroristas do Oriente Médio, estariam dando treinamento em ações de
terrorismo e guerrilha urbana a criminosos no eixo Rio-São Paulo. O gesto do
crime organizado, parando a região metropolitana de São Paulo e afrontando as
indefesas autoridades de segurança, ontem, foi apenas o primeiro ensaio, bem
sucedido, dos marginais que agem em nome de uma suposta ideologia
revolucionária que prega Justiça e Paz.
Especialistas em estratégia militar ouvidos pelo
Alerta Total asseguram que o tão propalado Primeiro Comando da Capital (ou
Partido do Crime como é denominado o marketeiro PCC) jamais teria condições
técnicas, estratégia logística e treinamento para realizar ações típicas de
guerrilha urbana, como as de ontem. Segundo os mesmos especialistas, é muita
ingenuidade intelectual supor que o famoso bandido Marcola, usando apenas um
telefone celular, de dentro de um presídio supostamente de segurança máxima,
teria condições reais de comandar uma onda de pelo menos 180 ataques relâmpago,
13 dos quais contra bancos, atingidos por bombas de fabricação caseira, desde a
madrugada de sexta-feira passada.
Os terroristas contaram com a ajuda de um agente de
influência poderoso e que amplificou o pânico e os boatos: a grande mídia, cujos
editores agiram de forma inconsciente e inconseqüente, permitindo que a sensação
de insegurança constatada pela TV levasse a população a promover um toque de
recolher informal, a partir do meio da tarde. A ação espetaculosa da mídia
permitiu que a onda de boatos se amplificasse. A imprensa pecou por divulgar
informes espalhados por terroristas no Orkut. Foi uma réplica do terrorismo
via Internet, tão em moda na Europa e Oriente Médio.
Escolas e universidades passaram a suspender as
aulas vespertinas e noturnas. O comércio começou a fechar as portas à tarde, e
foi seguido por empresas privadas e repartições públicas, que liberaram
funcionários, que teriam dificuldade de deslocamento para casa. O resultado
inicial foi um mega-engarrafamento recorda. Mas já à noite, as ruas e grandes
avenidas da capital e dos municípios do ABCD estavam desertas de carros e
pessoas. Havia apenas alguns policiais em ronda, ou alguns veículos em alta
velocidade, com motoristas desobedecendo semáforos vermelhos, para chegar logo
em casa.
A ação política da organização criminosa também
teve a seu favor o precário sistema de transportes da Grande São Paulo. Empresas
de ônibus deixaram 5 milhões e 500 mil pessoas sem transporte coletivo,
recolhendo-os às garagens, depois que 85 de ônibus foram incendiados desde
domingo 56 queimados só na capital. Os principais terminais de ônibus em São
Paulo não funcionaram. Uma estação de metrô foi metralhada. Os bandidos
apostaram no terror psicológico e foram muito bem sucedidos.
A Prefeitura resolveu suspender o rodízio de
veículos. O resultado foi caótico. O sempre tumultuado trânsito na capital
paulista registrou recorde histórico de engarrafamento, na hora do rush, durante
quase três horas, até o momento em que as ruas de São Paulo viraram um deserto
de carros. Apenas metade da frota de ônibus circulará nesta terça, escoltada
pela Polícia Militar. A tendência é de retorno à normalidade, porque o crime
organizado já atingiu seus objetivos. O teste foi vencido. A cidadania foi a
grande derrotada. E a democracia, que é a segurança do Direito, foi violentada,
mais uma vez.
A repercussão da ação criminosa de guerrilha urbana
foi internacional. Sites de alguns dos principais jornais do mundo destacaram os
acontecimentos em São Paulo. Nos EUA, a página do New York Times mostrava uma
foto em que policiais militares inspecionando caminhões em busca de integrantes
do PCC e informava que a cidade vivia o quarto dia de violência. Na
Grã-Bretanha, o site do Financial Times chamava a atenção para o fato de o
presidente Lula ter convocado uma reunião de ministros no quarto dia de ataques
do crime organizado a São Paulo, para cobrar uma ação contra o crime organizado
e a falta de segurança pública". Na França, o Le Monde, na Espanha, o El Pais, e
na Argentina, o Clarín, informavam o número de ataques, de mortos e de feridos,
justificando os atentados como uma retaliação à transferência de líderes de
quadrilhas o que não era verdadeiro: a motivação era puramente
política.
Um balanço parcial do governo do Estado revelou que
foram efetuadas 91 prisões de suspeitos. Até a tarde ontem, o número de mortos
chegava a 94 sendo 39 bandidos em confronto com a Polícia. E 43 policiais
assassinados. Foram feridas 49 pessoas. A Secretaria de Administração
Penitenciária informou que todos os motins em presídios do Estado de São Paulo
foram controlados. O Centro Provisório de Detenção de Hortolância, no interior,
e o presídio de São Vicente, onde as rebeliões prosseguiram até o início da
noite, foram retomados pelas forças de segurança. Detentos de 72 prisões
paulistas estavam amotinados desde sexta-feira.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, se
reuniu com o governador Claudio Lembo. Antes disso, reiterou a disposição do
governo federal de enviar a Força Nacional de Segurança e tropas do Exército
para o Estado, mas descartou a possibilidade de anunciar medidas especiais para
combater a criminalidade no País. Encerradas as revoltas bem orquestradas em
penitenciárias e centros de detenção, o governador Cláudio Lembo fez um apelo
para que as pessoas voltassem à rotina hoje. Lembo dispensou a ajuda do
Exército. Mas o governo do Estado sai desgastado politicamente do episódio, que
pode influenciar na sucessão presidencial, sobretudo em Geraldo Alckmin, o
candidato tucano.
O comandante da Polícia Militar de São Paulo,
coronel Eliseu Eclair Teixeira Borges, recusou também a oferta do presidente
Lula de enviar 4 mil homens da Força Nacional de Segurança ao Estado. O
comandante alegou que tal força é inexistente, virtual. O presidente Lula, em
um primeiro momento atribuiu o caos à questão social e à falta de educação que
há décadas reina no Brasil. Mais tarde, Lula alegou que não adianta esperar uma
"mágica" capaz de pôr fim ao crime organizado. Lula constatou: "Num momento como
esse não adianta pensar que alguém tenha a mágica de resolver o problema do
crime organizado. Não é coisa simples de combater. O crime tem seus braços
espalhados pelo mundo inteiro. Precisamos usar a inteligência".
O que falta é inteligência e honestidade de
propósitos. A crise vivida ontem por São Paulo exigiria uma ação conjunta,
voluntária, entre o Estado e as autoridades federais. Mas existem dois
problemas: a proximidade eleitoral, e a própria infiltração dos ideólogos do
terrorismo que comprometeriam a saúde institucional da máquina de segurança
federal. Mecanismos legais para intervir no caso existem, mas nunca foram usados
e dificilmente serão adotados.
A intervenção federal está prevista no artigo 34 da
Constituição e prevê a nomeação de um interventor para o Estado, em substituição
ao governador, por prazo determinado, por meio de um decreto do presidente da
República aprovado pelo Congresso. Ao fim do prazo, o governador volta ao seu
cargo. O Estado de Sítio consta do artigo 137 e também depende de aprovação
prévia do Congresso. Já o Estado de Defesa, previsto no artigo 136, pode ser
decretado e aplicado de imediato. Nos dois últimos casos, há a possibilidade de
restrição de direitos fundamentais como o sigilo das comunicações e o direito de
reunião. O toque de recolher pode ser utilizado durante o Estado de Sítio, mas o
próprio governo estadual, pelo poder de polícia, poderia
decretá-lo.
O triste balanço da onda de terror que assolou São
Paulo foi que a organização criminosa (que não é o PCC, sozinho, é bom que se
repita) venceu o primeiro round da guerrilha urbana, em seu aspecto psicológico.
Agora, as autoridades devem ampliar as investigações sobre a participação de
terroristas estrangeiros dando consultoria aos marginais brasileiros, em nome de
ideais revolucionários. A batalha de São Paulo foi apenas um balão de ensaio
para outras ações politicamente criminosas que estão por vir. O Rio de Janeiro
que se cuide. As autoridades de lá já estão de prontidão, mas nada podem, de
fato, contra a organização criminosa bem treinada e com objetivos políticos bem
definidos.
A parcela mais esclarecida da população de São
Paulo, que não deixou intimidar pelas ações de terror promovidas pelos
aprendizes de terroristas e seus mestres da ETA, terá a chance de participar, no
próximo domingo, dia 21 de maio, às 15 horas, de uma grande manifestação popular
contra a organização criminosa que domina as instituições no Brasil. A Avenida
Paulista será interditada em frente à Praça Oswaldo Cruz para a realização do
Dia da Dignidade Nacional. Será uma chance, imperdível, do cidadão comum
demonstrar que é a favor da honestidade e contra o crime organizado que é a
perversa associação entre marginais e os poderes políticos para a prática de
atividades delituosas utilizando-se do poder de estado para cometer crimes de
todo tipo.
Vale repetir o título do artigo de ontem, inspirado
em uma famosa frase de um personagem de Machado de Assis: "Ou matamos a
organização criminosa, ou ela nos enterra...". Vida que segue...
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