Prezada Beth, parabéns pela iniciativa. Aqui vão algumas sugestões/correções (se todos concordarem com elas, me corrijam por favor) no interesse de tornar a informação mais precisa:

A) Em "experimentos realizados por catedráticos e cientistas da USP, INICAMP, UNB e École Polytechnique" deve-se corrigir INICAMP para UNICAMP et Polytechnique para polytechnique (é um adjetivo, por essa razão se escreve em minúsculo em Francês).

B) Que eu saiba nenhum experimento foi realizado por "catedráticos e cientistas da USP, UNICAMP, UNB e École polytechnique cujos resultados estão em publicações científicas e na mídia impressa brasileira e americana". Aconteceram três coisas diferentes, me corrijam por favor se eu estiver errado:

1) professores, engenheiros e outros cidadãos brasileiros com diversas formações (advogados, jornalistas, etc.) se interessam desde 1996 à problemática da fiabilidade do voto eletrônico implementado nos moldes das urnas-e brasileiras e se aglutinaram junto ao Forum do Votoseguro (www.votoseguro.org/), onde várias análises e melhorias tem sido propostas. Muitas dessas análises se tornaram artigos científicos, mas são análises, não resultado de testes.

2) uma parte desse grupo escreveu o “ALERTA CONTRA A INSEGURANÇA DO SISTEMA ELEITORAL INFORMATIZADO”, uma espécie de manifesto que se tornou uma espécie de abaixo assinado que coleta ainda adesões no endereço www.votoseguro.com/alertaprofessores e que ficou conhecido pelo nome de “Manifesto dos Professores e Cientistas”. Mas é apenas um manifesto, não o resultado de experimentos realizados com as urnas-e brasileiras. Absolutamente nenhuma dessas pessoas tiveram a ocasião de realizar experimentos com as urnas-e brasileiras mesmo porque o TSE sempre proibiu esse tipo de teste. Segundo o TSE a urna-e é segura por definição, segundo eles abrir a possibilidade a testes de penetração poderia levar à criar alguma fragilidade na segurança do sistema. Podemos supor que as razões sejam outras, por exemplo o medo de que testes de penetração coloquem em dúvida a lisura das eleições.

3) Uma ONG americana, a Black Box Voting, publicou agora em maio um relatório do especialista Harri Hursti sobre seu teste de penetração nas urnas-e americanas fabricadas pela empresa Diebold. Acontece, como explica o Amilcar, que essa empresa americana é a mesma que “produziu 375 mil das 426 mil urnas eletrônicas que serão utilizadas nas eleições presidenciais brasileiras de outubro de 2006”. Daí a conclusão do Amilcar de que se faz necessário “analisar se as falhas de segurança apontadas nos Relatórios Hursti também existem nos modelos de urnas eletrônicas fornecidas no Brasil.” Mas veja que apenas essa ONG americana, a Black Box Voting, realizou experimentos de fato e sobre outro modelo de urnas-e, as fabricadas pela Diebold nos EUA. Repito, ainda hoje ninguém nunca pôde fazer teste nenhum com as urnas brasileiras.

Por essa razão, para evitar de te acusarem de afirmar coisas falsas, talvez seja melhor repensar este primeiro parágrafo.

C) A frase “Em outras palavras, as urnas podem chegar às zonas eleitorais já pré-programadas” não tem sentido tal como está. Mesmo se não adulteradas as urnas TEM de chegar às zonas eleitorais já pré-programadas, senão a urna-e não funciona (nem bem, nem mal). Provavelmente seria melhor colocar algo como “Em outras palavras, as urnas podem chegar às zonas eleitorais já com os seus programas adulterados para a execução de fraldes, talvez mesmo a nível nacional”.

D) “Observe-se que o Brasil é o único país cuja urna eletrônica não tem impressão.” Como o Chadel já afirmou isso não é verdade, ao contrário, é a regra. Que eu saiba apenas na Venezuela houve impressão do voto para conferência pelo eleitor. Nos EUA e na Europa nenhuma máquina de votar imprime o voto, salvo que em alguns estados americanos isso parece estar se tornando obrigatório para as próximas eleições graças à ação de ONGs como a Black Box Voting.

E) No parágrafo “Segundo o pessoal do Voto Seguro, algo bastante simples de implantar, a impressão funcionaria assim: após dar o "Confirma" no voto pelo seu candidato o eleitor teria um próximo passo, o da impressão onde estaria conferindo também através da foto do candidato se foi quem realmente votou...”: que eu saiba não haveria impressão da foto do candidato pela impressora, apenas um descritivo do voto em formato texto. Diga-se de passagem que verificar a foto do candidato na tela da urna não garante absolutamente nada ao eleitor, visto que o programa adulterado da urna-e pode muito bem exibir a foto de um candidato e fazer mais um na conta de outro. Acho melhor esquecer essa parte “onde estaria conferindo também através da foto do candidato”, me parece sem sentido.

F) Creio que seria interessante completar o parágrafo “A idéia não é imprimir o voto para levar para a casa porque isto estaria contribuindo para a compra de votos. Não é por aí. O que estamos pedindo é a segurança das urnas, no sentido de assegurar o direito de cidadão brasileiro.” com algo como: “Os votos impressos recolhidos nas urnas lacradas seriam utilizados para validar o bom funcionamento das urnas-e à posteriori, graças à contagem manual de algumas dessas urnas tiradas ao acaso após as eleições”. É sempre bom lembrar que só imprimir o voto não soluciona o problema, é necessário também explicar porque isso daria mais confiança ao sistema, senão parece capricho nosso.

Fora esses detalhes de conteúdo creio que vocês tem razão, o texto tem de ser o mais breve, simples, direto, acessível e curto possível, em suma uma obra de arte da comunicação. Sobretudo não ultrapassar duas páginas, tal como está, mesmo se as referências bibliográficas fiquem numa terceira.

“Bon courage”,
Paulo Mora de Freitas.

Beth Osuch wrote:


Bom dia a todos.:-)
Inicialmente gostaria de me apresentar até para que saibam como vim parar neste fórum. Eu sou autônoma, trabalho com Pesquisa Qualitativa de Mercado e soube do grupo através do Marcelo Bernasconi, que conheci através de um tópico por ele postado em uma comunidade do Orkut. Abracei a causa e temos feitos algumas coisas juntos nas comunidades orkutianas. Conversando sobre o assunto e como fazer para conseguir mais adesões, chegamos a um consenso da necessidade de termos uma carta-documento para enviar a grupos independentes que possam também nos ajudar na divulgação. Um documento simples, direto e conciso. Estou enviando em anexo uma proposta para este documento, já que fala no grupo e cita nomes. Gostaríamos (Marcelo e eu, muito embora eu tenha me antecipado, Marcelo, e sei que não vai se importar com isso) que dessem uma lida no documento, fizessem sugestões, enfim, precisamos do aval de voces para seguir em frente.
Abraços,
Beth Osuch
p.s. Tenho uma certa simpatia pela frase que está em minha assinatura: instigante, sonora e até lembra nome de filme - "Eu sei o que vocês fizeram no verão passado" :-)

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Eu sei em quem votei
Eles também sabem
Mas só eles sabem quem recebeu meu voto.


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Paulo Mora de Freitas - Laboratoire Leprince-Ringuet Responsable du Service informatique du L.L.R. L.L.R. - Ecole polytechnique, 91128 Palaiseau, France Tel : (33)(1) 69 33 31 82 Fax : (33)(1) 69 33 30 02
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