Beth, Paulo, todos

     Por enquanto, assino em baixo do que o Paulo escreveu (reservo alguma 
sugestão
para após a Beth reformar o texto).

     Quanto à impressão do voto, a idéia é que (após a escolha do candidato e a
apresentação de sua foto) seja impresso, atrás de um visor e sem contato com o
eleitor, o nome do candidato.  Depois de apertada a tecla 'Confirma', o voto
impresso seria cortado automaticamente e cairia dentro da urna hermeticamente
fechada, para eventual conferência posterior. De qualquer modo, em uns 3% das
urnas, sorteadas após a votação, seria feita a conferência. Afirmamos que é
possível fraudar o voto eletrônico, sabemos que o voto em papel sempre foi
fraudado no Brasil, mas fraudar os dois simultaneamente é muito mais difícil e
a conferência posterior inibiria eventuais fraudadores.

      Abraço.

      Walter Del Picchia - S.Paulo/SP

(Votos de boas vindas e bom trabalho à Beth - de qual cidade/estado é?)

==========================================

Em Sex, Junho 2, 2006 5:09 am, Paulo Mora de Freitas escreveu:
>
> Prezada Beth, parabéns pela iniciativa. Aqui vão algumas
> sugestões/correções (se todos concordarem com elas, me corrijam por
> favor) no interesse de tornar a informação mais precisa:
>
> A) Em "experimentos realizados por catedráticos e cientistas da USP,
> INICAMP, UNB e École Polytechnique" deve-se corrigir INICAMP para
> UNICAMP et Polytechnique para polytechnique (é um adjetivo, por essa
> razão se escreve em minúsculo em Francês).
>
> B) Que eu saiba nenhum experimento foi realizado por "catedráticos e
> cientistas da USP, UNICAMP, UNB e École polytechnique cujos resultados
> estão em publicações científicas e na mídia impressa brasileira e
> americana". Aconteceram três coisas diferentes, me corrijam por favor se
> eu estiver errado:
>
> 1) professores, engenheiros e outros cidadãos brasileiros com diversas
> formações (advogados, jornalistas, etc.) se interessam desde 1996 à
> problemática da fiabilidade do voto eletrônico implementado nos moldes
> das urnas-e brasileiras e se aglutinaram junto ao Forum do Votoseguro
> (www.votoseguro.org/), onde várias análises e melhorias tem sido
> propostas. Muitas dessas análises se tornaram artigos científicos, mas
> são análises, não resultado de testes.
>
> 2) uma parte desse grupo escreveu o “ALERTA CONTRA A INSEGURANÇA DO
> SISTEMA ELEITORAL INFORMATIZADO”, uma espécie de manifesto que se tornou
> uma espécie de abaixo assinado que coleta ainda adesões no endereço
> www.votoseguro.com/alertaprofessores e que ficou conhecido pelo nome de
> “Manifesto dos Professores e Cientistas”. Mas é apenas um manifesto, não
> o resultado de experimentos realizados com as urnas-e brasileiras.
> Absolutamente nenhuma dessas pessoas tiveram a ocasião de realizar
> experimentos com as urnas-e brasileiras mesmo porque o TSE sempre
> proibiu esse tipo de teste. Segundo o TSE a urna-e é segura por
> definição, segundo eles abrir a possibilidade a testes de penetração
> poderia levar à criar alguma fragilidade na segurança do sistema.
> Podemos supor que as razões sejam outras, por exemplo o medo de que
> testes de penetração coloquem em dúvida a lisura das eleições.
>
> 3) Uma ONG americana, a Black Box Voting, publicou agora em maio um
> relatório do especialista Harri Hursti sobre seu teste de penetração nas
> urnas-e americanas fabricadas pela empresa Diebold. Acontece, como
> explica o Amilcar, que essa empresa americana é a mesma que “produziu
> 375 mil das 426 mil urnas eletrônicas que serão utilizadas nas eleições
> presidenciais brasileiras de outubro de 2006”. Daí a conclusão do
> Amilcar de que se faz necessário “analisar se as falhas de segurança
> apontadas nos Relatórios Hursti também existem nos modelos de urnas
> eletrônicas fornecidas no Brasil.” Mas veja que apenas essa ONG
> americana, a Black Box Voting, realizou experimentos de fato e sobre
> outro modelo de urnas-e, as fabricadas pela Diebold nos EUA. Repito,
> ainda hoje ninguém nunca pôde fazer teste nenhum com as urnas brasileiras.
>
> Por essa razão, para evitar de te acusarem de afirmar coisas falsas,
> talvez seja melhor repensar este primeiro parágrafo.
>
> C) A frase “Em outras palavras, as urnas podem chegar às zonas
> eleitorais já pré-programadas” não tem sentido tal como está. Mesmo se
> não adulteradas as urnas TEM de chegar às zonas eleitorais já
> pré-programadas, senão a urna-e não funciona (nem bem, nem mal).
> Provavelmente seria melhor colocar algo como “Em outras palavras, as
> urnas podem chegar às zonas eleitorais já com os seus programas
> adulterados para a execução de fraldes, talvez mesmo a nível nacional”.
>
> D) “Observe-se que o Brasil é o único país cuja urna eletrônica não tem
> impressão.” Como o Chadel já afirmou isso não é verdade, ao contrário, é
> a regra. Que eu saiba apenas na Venezuela houve impressão do voto para
> conferência pelo eleitor. Nos EUA e na Europa nenhuma máquina de votar
> imprime o voto, salvo que em alguns estados americanos isso parece estar
> se tornando obrigatório para as próximas eleições graças à ação de ONGs
> como a Black Box Voting.
>
> E) No parágrafo “Segundo o pessoal do Voto Seguro, algo bastante simples
> de implantar, a impressão funcionaria assim: após dar o "Confirma" no
> voto pelo seu candidato o eleitor teria um próximo passo, o da impressão
> onde estaria conferindo também através da foto do candidato se foi quem
> realmente votou...”: que eu saiba não haveria impressão da foto do
> candidato pela impressora, apenas um descritivo do voto em formato
> texto. Diga-se de passagem que verificar a foto do candidato na tela da
> urna não garante absolutamente nada ao eleitor, visto que o programa
> adulterado da urna-e pode muito bem exibir a foto de um candidato e
> fazer mais um na conta de outro. Acho melhor esquecer essa parte “onde
> estaria conferindo também através da foto do candidato”, me parece sem
> sentido.
>
> F) Creio que seria interessante completar o parágrafo “A idéia não é
> imprimir o voto para levar para a casa porque isto estaria contribuindo
> para a compra de votos. Não é por aí. O que estamos pedindo é a
> segurança das urnas, no sentido de assegurar o direito de cidadão
> brasileiro.” com algo como: “Os votos impressos recolhidos nas urnas
> lacradas seriam utilizados para validar o bom funcionamento das urnas-e
> à posteriori, graças à contagem manual de algumas dessas urnas tiradas
> ao acaso após as eleições”. É sempre bom lembrar que só imprimir o voto
> não soluciona o problema, é necessário também explicar porque isso daria
> mais confiança ao sistema, senão parece capricho nosso.
>
> Fora esses detalhes de conteúdo creio que vocês tem razão, o texto tem
> de ser o mais breve, simples, direto, acessível e curto possível, em
> suma uma obra de arte da comunicação. Sobretudo não ultrapassar duas
> páginas, tal como está, mesmo se as referências bibliográficas fiquem
> numa terceira.
>
> “Bon courage”,
> Paulo Mora de Freitas.
>
> Beth Osuch wrote:
>
>>
>> Bom dia a todos.:-)
>> Inicialmente gostaria de me apresentar até para que saibam como vim
>> parar neste fórum.
>> Eu sou autônoma, trabalho com Pesquisa Qualitativa de Mercado e soube
>> do grupo através do Marcelo Bernasconi, que conheci através de um
>> tópico por ele postado em uma comunidade do Orkut. Abracei a causa e
>> temos feitos algumas coisas juntos nas comunidades orkutianas.
>> Conversando sobre o assunto e como fazer para conseguir mais adesões,
>> chegamos a um consenso da necessidade de termos uma carta-documento
>> para enviar a grupos independentes que possam também nos ajudar na
>> divulgação. Um documento simples, direto e conciso.
>> Estou enviando em anexo uma proposta para este documento, já que fala
>> no grupo e cita nomes. Gostaríamos (Marcelo e eu, muito embora eu
>> tenha me antecipado, Marcelo, e sei que não vai se importar com isso)
>> que dessem uma lida no documento, fizessem sugestões, enfim,
>> precisamos do aval de voces para seguir em frente.
>> Abraços,
>> Beth Osuch
>> p.s. Tenho uma certa simpatia pela frase que está em minha assinatura:
>> instigante, sonora e até lembra nome de filme - "Eu sei o que vocês
>> fizeram no verão passado" :-)
>>
>> --
>> Eu sei em quem votei
>> Eles também sabem
>> Mas só eles sabem quem recebeu meu voto.
>
>
> --
> Paulo Mora de Freitas - Laboratoire Leprince-Ringuet
> Responsable du Service informatique du L.L.R.
> L.L.R. - Ecole polytechnique, 91128 Palaiseau, France
> Tel : (33)(1) 69 33 31 82 Fax : (33)(1) 69 33 30 02
> mailto:[EMAIL PROTECTED] | http://polywww.in2p3.fr
>
> ______________________________________________________________
> O texto acima e' de inteira e exclusiva responsabilidade de seu
> autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao
> representa necessariamente o ponto de vista do Forum do Voto-E
>
> O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas
> eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos
> sistemas de assinatura digital e infraestrutura de chaves publicas.
> __________________________________________________
> Pagina, Jornal e Forum do Voto Eletronico
>         http://www.votoseguro.org
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