Cara Denise,
Obrigado por sua resposta ponderada e educada.
Me dá oportunidade de responder no mesmo nível.
1) Quanto aos programas apresentados para análise dos partidos.
A prova de que nem todos os programas estavam apresentados aos partidos
no TSE, você a obteve quando eles argumentaram que o que não estava lá,
não era importante.
Não cabe aqui falar em falta de provas.
Agora, quem é que deve definir quais programas que estão dentro das
urnas devem ser fiscalizados: o fiscal ou o fiscalizado?
Por favor, Denise, é non-sense argumentar que deve caber ao fiscalizado
dizer o que importante para o fiscal olhar o que ele não precisa e nem
deve ver.
É obvio que é o fiscal que deve escolher o que quer fiscalizar.
Se você tem alguma dúvida a este respeito... sei lá o que dizer.
O conjunto de programas (importantes e não-importantes) tem mais de 80
mil arquivos. O que eles dizem ser importante não dá nem 1/3 disso. O
que eles dizem ser desnecessário fiscalizar é mais de 2/3.
Deve caber a eles decidir o que a sociedade deve ou não conferir?
Você disse que outros partidos confirmaram o TSE .
Que partidos?
Confirmaram o que?
Que os programas que não estavam lá não eram importantes?
Duvido, Denise!
Duvido que você possa dar o nome de algum fiscal de qualquer partido que
possa dizer quais programas estão disponiveis para análise e quais não
estão.
Duvido, Denise, que você possa dar um nome de pessoa independente (que
não seja remunerado pelo TSE) que saiba dizer quais seriam os nomes dos
programas importantes e quais os desimportantes?
Duvido, por que nenhum outro partido, nem mesmo o PT e nem o PV, olharam
o que está lá e o que não está.
Talvez eles todos achem que apresentação de programas aos partidos não
seja importante. Talvez você também ache desimportante, já que só o PDT
(eu, na verdade) me preocupo com isso.
Mas se isto não é importante, então não tem sentido você relacionar no
seu artigo a apresentação dos programas aos partidos como uma das
garantias do sistema.
Se você citou a apresentação dos programas como uma das garantias do
sistema, tinha, por um mínimo de respeito ao bom senso, que citar que
nem todos os programas são apresentados. Prova disso eu lhe indiquei
onde estava e você a obteve.
E não venha que dizer que é só a minha palavra denunciando que
apresentação dos programas não dá nenhuma garantia. Além do Stolfi, eu
lhe citei o relatório SBC onde os professores da UFMG e da UFSC foram lá
olhar o sistema (em 2000) e disseram que aquela apresentação é insuficiente.
Eles disseram e assinaram o seguinte:
"Em essência, não foi possível verificar a corretude dos programas-fonte
e a versão compilada produzida pelo TSE, apesar de termos acompanhado o
trabalho dos técnicos do TSE, solicitado explicações, visto os
códigos-fonte, etc... na hipótese de que alguém tivesse colocado algo
suspeito, a probabilidade de um terceiro descobrir isto durante nossas
sessões no TSE é quase zero. A segurança e corretude dos programas
usados na urna baseia-se em confiar na boa fé dos técnicos do TSE.
Repetimos: não há nenhuma razão para duvidar da boa fé destas pessoas.
Mas isto fere as boas práticas de segurança."
Também lhe falei do relatório Brennan onde mais 20 entre os maiores
especialistas em programação NÃO INDICAM A ANÁLISE DOS PROGRAMAS como
uma forma de dar confiabilidade a sistemas eleitorais contra fraudes.
São eles do TSE, Denise, que estão sozinhos, afirmando a
invulnerabilidade do sistema. Não eu, que tenho ao meu lado a opinião
dos maiores especialistas do mundo em segurança de dados.
E os especialistas que apoiam minha opinião, têm nome. Eu sempre faço as
devidas referências quando os cito. Não recorro a este subterfúgio de
dizer que "alguns outros" tem opinião contrária, mas não apresenta seus
nomes e qualificações.
2) Quanto aos Testes de Penetração.
É o mesmo sofisma que você tenta defender.
Segundo seu entendimento, deve caber ao fiscalizado decretar como o
fiscal pode fiscalizar. Isto é absurdo.
Eu digo que eles não nos deixam testar os sistemas livremente para
verificar a hipótese da inviolabilidade.
Eles afirmam que deixam sim, "mas dentro do padrão de qualidade deles".
Mas quem deve definir este padrão?
Qual papo é este de "padrão de qualidade deles" que surgiu agora, que
nunca nos foi apresentado e que nunca permite o teste de ser feito?
Você viu uma descrição escrita deste "padrão de qualidade"?
Eu nunca vi. Foi só mais uma carta que eles tiraram da manga quando
pegos em flagrante exercício de obscurantismo.
O teste de penetração (você leu a petição que lhe enviei?) que
solicitamos era para ser feito baseado nas nornas técnicas nacionais e
internacionais de segurança de software, sob a coordenação de um
colegiado de professores universitários independentes, mais um
representante do TSE e nas dependências do TSE.
Que "padrão de qualidade" não estamos atendendo?
Quem é que deve definir este padrão? Só eles?
É lógico que se você concorda que eles, fiscalizados, tem o direito de
estabelecerem unilateralmente os limites da fiscalização, não temos
mesmo muito o que discutir, mas esta razão não me soa sensata.
E o Teste do Paraguai, ele é clandestino porque justamente o fiscalizado
não o deixa ser feito de forma aberta. Acho justo que você relativize o
resultado do vídeo argumentando que ele é clandestino, mas, neste caso,
teria também que argumentar que é a justiça eleitoral que o mantém
clandestino porque não o deixa ser feito de forma aberta.
3) quanto as "provas consistentes"
O último parágrafo de sua resposta, Denise, foi de doer.
Que prova mais posso oferecer que nosso sistema eleitoral é inauditável?
a) eu afirmo que não há como conferir a apuração dos votos por que não
há voto materializado visto e conferido pelo eleitor para permitir
recontagem.
Você tem alguma dúvida disso? Você acha que talvez exista algum jeito
secreto do conferir a apuração, só que ninguém descobriu ainda como?
No Relatório Brennan (daqueles mais de 20 super-especialistas em
confiabilidade de sistemas eletrônicos) eles disseram:
"Não é possível efetuar uma auditoria dos comprovantes em papel em
máquinas de gravação eletrônica direta do votos, porque os Votos
Impressos Conferidos pelo Eleitor não existem nessas máquinas. Isto
significa que jurisdições eleitorais que usam máquinas deste tipo não
têm acesso a uma contramedida importante e poderosa (a recontagem dos
votos impressos)."
Como mais eu poderia lhe provar que nossas urnas não permitem
conferência da apuração?
b) Eu afirmo que a apresentação dos programas não é plena nem suficiente
para dar garantia de um sistema eleitoral integro.
Você obteve prova de que nem todos os programas que são carregados nas
urnas são apresentados para conhecimento dos partidos, mas achou por bem
acatar a falácia, dita pelo fiscalizado, que os programas que eles
decidem manter secretos são programas desimportantes.
Primeiro ele argumentou que eram apresentados todos os programas e
quando lhe informei quais programas não eram apresentados, ele trocou
imediatamente de discurso para "só são apresentados os programas
importantes". E você nem achou esta mudança de discurso pelo menos
esquisita.
Eu apresento a afirmação de inúmeros professores universitários,
brasileiros e estrangeiros, especialistas em computação, indicando ou
dizendo explicitamente que a apresentação dos programas não é
suficiente. Dou seus nomes e indico onde estão seus artigos.
Mas você acata a opinião do fiscalizado, que é pago para elogiar o
sistema, e me vê como se eu estivesse falando sozinho!
Você esperava que eles dissessem o que?
"Nós temos um sisteminha aqui com umas brechas de segurança que a gente
tenta esconder..."
Denise, o pior cego é o que não quer ver.
c) Eu afirmo que o sistema é vulnerável à programas maliciosos e
proponho provar se me permitirem em condições controladas e claras, com
observadores externos, etc.
Eles afirmam a invulnerabilidade do sistema mas se recusam a submeter
esta assertiva a prova.
E você, numa completa inversão do ônus da prova, acha que o argumento
eles é defensável!
Denise, eu e você somos cidadãos e temos direito a um sistema eleitoral
confiável.
Eles são funcionários públicos a quem se delegou fazer a eleição. SÃO
ELES, que estão com a faca e o queijo na mão, QUE TÊM QUE PROVAR QUE SEU
SISTEMA É CONFIÁVEL.
Como eu poderia provar a vulnerabilidade da urnas-e se eles, que detem
todo o controle do acesso às provas, nem me deixam por as mãos nas
urnas, de forma oficial e aberta, para fazer a prova?
Leia, por favor, o artigo do procurador Celso Três em:
http://www.brunazo.eng.br/voto-e/textos/tres2.htm
e veja que somos nós, eleitores, os soberamos no processo e que cabe a
eles o ônus da prova da qualidade do sistema.
Por que você exige de mim tanto rigor, com "provas consistentes", sem
defender meu direito de obter estas provas, com que as detem, da forma
mais fácil e transparente possivel.
Por que a eles você tem um olhar tão condescendente, tolerando até troca
repentina no discurso quando flagrados em contradição (caso dos
programas apresentados).
Como você pode chegar ao ponto de defender o direito deles estabelecerem
unilateralmente, e de surpresa, "padrões de qualidade" que só servem
para nos impedir de encontrar as tais provas consistentes que você acha
necessárias.
Como você me pede provas e não defende meu direito de obtê-las?
Não, Denise, não posso ver isenção em sua análise.
[ ]s
Amilcar.
Denise Adriano Drechsel escreveu:
Amilcar,
Sabia que você não ia gostar. Mas não posso publicar nenhuma denúncia
sem provas, como qualquer outro veículo de qualidade não o faria.
Você fala dos três programas que não estão lá. O TSE diz que esses
programas não são necessários para provar a lisura da eleição. Por que
só o seu partido pede tal verificação e os outros não? Procurei alguns
outros, de situação e oposição, que confirmam o TSE. Não duvido da sua
qualidade técnica, mas isso é muito pouco para ir contra todos.
Coloquei na matéria o questionamento sobre a segurança das urnas - acho
que ficou claro no parágrafo em que o Stolfi fala do procedimento em
outros países -, da importância de imprimir o voto, mas tinha de colocar
que o TSE garante que não há fraude.
Quanto aos testes, o secretário de informática negou que você e outros
representantes de partidos não o pudessem fazer dentro dos padrões de
segurança deles. Percebe, ficamos entre os dois lados, sem provas
suficientes. Por isso, frisei a questão da auditoria externa.
Quanto ao vídeo - do Paraguai! -, é claro que urnas roubadas podem ser
burladas. Mas isso não é uma prova de que o sistema pode ser fraudado. E
vídeos, que podem ser editados, não são provas sobre as quais um
repórter pode se apoiar. Ainda mais não vistos.
Tenho pena da sua reação. Mesmo assim, deixo a porta aberta caso um dia
tenha provas consistentes contra as urnas eletrônicas e assim poderemos
publicá-las.
ab.,
Denise
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