Ao pessoal das listas (com cópias)

    Embora poucos, já há gente acordando...  O texto abaixo, da Agência Brasil, 
é de
grande importância.

    Temos que aperfeiçoar esse sistema eleitoral, já que para a próxima eleição 
está
difícil, ao menos para a seguinte. É não deixar a peteca cair após as eleições,
como geralmente ocorre. Os altos escalões do TSE estão bem ao par das
fragilidades e aparentam ter mais boa vontade que os antecessores. O presidente
do TSE  recebeu, recentemente e em mãos, o livro do Amilcar, o artigo do
desembargador Ilton, o Alerta dos professores e o Resumo em três páginas com as
principais fraquezas, sugestões e projetos de lei em andamento. Bem que poderia
ter tomado algumas providências que não dependem de leis, mas seria irrealista
esperar que, tendo pego o bonde andando, saisse por aí concordando que o sistema
é inconfiável. Ao contrário, tem que mostrar firmeza, mesmo nas falácias.

     Quanto ao texto abaixo, às três falàcias do Marco Aurélio, observo que sua
afirmação 'existem homens de bem' é de uma obviedade incrível, e nunca foi
contestada por qualquer dos críticos da falta de segurança do sistema. Diria
que, como resposta às nossas críticas, é indigna da inteligência de quem chegou
a tão alto posto. Alguém deveria lembrar-lhe que 'existe' implica em 'nem todos
são'. E, justamente, os poucos que 'não são' é que poderão, eventualmente,
aproveitar-se das falhas do sistema. E, 'apenas' comprometer nossa
democracia...


    Abraço

    Walter Del Picchia - S.Paulo/SP


-------------------------------- Mensagem Original 
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Assunto: [Voto Seguro] TSE cria senha para urnas eletrônicas deste ano
De:      "Paulo Gustavo Sampaio Andrade" <[EMAIL PROTECTED]>
Data:    Sex, Setembro 1, 2006 11:22 pm
Para:    [EMAIL PROTECTED]
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Alguns comentários (em azul) a uma noticia que saiu hoje.



TSE cria senha para urnas eletrônicas deste ano

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio,
criou ontem (31) uma senha que será inserida no programa utilizado pelas
urnas eletrônicas. Este código serve, segundo o TSE, como segurança de que
o programa não será modificado. Qualquer alteração seria percebida na
assinatura digital.

A assinatura digital serve, neste caso, como um "lacre" digital para os
programas da urna. Trata-se de um código que é gerado de acordo com o
conteúdo do programa que foi "lacrado". Em tese, todas as cópias (feitas em
memórias flash, semelhantes a pendrives) daquele programa têm que ser
idênticas ao original que o Marco Aurélio assinou digitalmente.
Para conferir se os programas que serão instalados numa urna são idênticos
ao original que foi "lacrado", deve-se conferir se a assinatura eletrônica
de cada uma das cópias é idêntica à do original. Os problemas são:
1 - Esse mecanismo só serve de alguma coisa se houver rígido controle dos
fiscais no momento da instalação do programa em cada uma das cerca de 500
mil urnas eletrônicas do Brasil inteiro. Na prática, os fiscais têm apenas
função decorativa e nem sabem o que estão fazendo lá.
2 - A conferência da assinatura digital deve ser feita num computador
DIFERENTE daquele que está sendo fiscalizado. Não é o que acontece no caso
da urna eletrônica, em que o programa que confere a legitimidade do "lacre"
roda na própria urna! É o mesmo que perguntar pro Maluf se ele é honesto.
3 - Já aconteceu (mais de uma vez) de o TSE gerar a assinatura eletrônica
numa cerimônia pública e, depois disso alterar os programas, gerando uma
nova assinatura eletrônica sem que ninguém visse isso sendo feito. Os
partidos políticos só ficaram sabendo que houve a "mudança do lacre" quando
perceberam a diferença e foram procurar o TSE, que se saiu com essa versão,
e tudo ficou por isso mesmo! Neste ano, isso deve acontecer de novo, como
veremos no último item adiante.

Alguns especialistas em computação acreditam que a assinatura eletrônica
não é suficiente para garantir a segurança do sistema. Segundo esses
técnicos, a principal forma de aperfeiçoar a urna eletrônica seria a
impressão de um comprovante do voto. O papel seria depositado em outra
urna, o que permitiria conferir a votação nos dois sistemas.

Deve-se frisar-se mais uma vez: o papel é depositado numa urna sem contato
físico pelo eleitor. Assim, evita-se que o eleitor saia com o comprovante
na mão, o que seria uma forma de comprovar o voto para quem quisesse
comprá-lo.

O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio, rebateu as críticas e afirmou
que o sistema é totalmente seguro. "Se ventila que pode haver deficiências
no sistema, mas não se indica com precisão que deficiências são estas. Nós
devemos presumir o que normalmente ocorre, não o excepcional. Não que todos
sejam salafrários, existem homens de bem", afirmou.

Três falácias:
1. As deficiências estão mais do que apontadas: estão comprovadas. A
Justiça Eleitoral tem amplo conhecimento de tais falhas, mas o orgulho (ou
alguma força desconhecida) é muito grande para admiti-las.
2. Em segurança da informação, não se deve presumir o ordinário: deve-se
presumir principalmente o extraordinário. Havia fraudadores no voto
tradicional. Será que, com o voto eletrônico, eles simplesmente deixaram de
existir ou procuraram aperfeiçoar seus golpes?
3. Os servidores do TSE, os mesários e o pessoal terceirizado não são
geneticamente modificados para serem honestos e incorruptíveis. E mesmo que
fossem, não se pode presumir que sejam infalíveis a ponto de impedir
qualquer ato de terceiros.

"O TSE sempre parte do princípio de que ele próprio é confiável. Isso não
está em questão", afirma Jorge Stolfi, professor do Instituto de Computação
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "O perigo é que alguém se
infiltre no TSE ou na empresa fabricante da urna e altere o programa. Essa
possibilidade é enorme, já que o sistema é tão complexo que é virtualmente
impossível que qualquer alteração seja percebida."

Exato. O que a urna eletrônica deve fazer não é nada muito difícil: apenas
exibir dados na tela e somar votos. Nada que um sistema bastante simples,
criado especificamente para esta finalidade, não seja capaz de fazer.
Contudo, optou-se por utilizar um sistema operacional complexo, padrão de
mercado, que inclui funções que em nada se relacionam com a votação. Para
se ter uma idéia, as urnas mais novas rodam Windows. Então, trata-se de um
sistema muito complexo, com milhares de programas, o que torna a missão de
encontrar algum arquivo suspeito (instalado por quem quer que seja)
praticamente equivalente a encontrar uma agulha no palheiro.

Marco Aurélio considera o sistema "repleto de êxito". Segundo ele, desde
1996, quando as urnas eletrônicas foram usadas pela primeira vez, não houve
uma única impugnação com indícios concretos de irregularidades.

Impugnação houve várias. Ver
<http://www.votoseguro.org/>www.votoseguro.org, item "Casos e processos",
onde são relacionados apenas alguns deles.
Agora, o próprio TSE é quem julga o que são "indícios concretos de
irregularidades". Adivinha qual a decisão deles...

O programa de computador que fará a urna eletrônica funcionar será
finalizado até o próximo dia 8, quando será enviado para todos os Tribunais
Regionais Eleitorais do país. A partir do dia 11, as urnas já começarão a
receber os dados dos candidatos, como o nome, o número e a foto. No total
serão utilizadas 400 mil urnas eletrônicas em todos os municípios do
Brasil. Outras 30 mil ficarão de reserva, caso algum equipamento tenha de
ser substituído.

Olha só: tá acontecendo justamente o que falei acima. O Marco Aurélio diz
que gerou a assinatura digital dos programas da urna. Isso significa que os
programas estão "lacrados", porque a assinatura serve justamente para
garantir que não serão modificados. E aqui aparece essa história de que os
programas só ficarão prontos no dia 8. Ué, então que raio de "lacre" é esse?

Agência Brasil

A matéria é da Agência Brasil. Felizmente, a imprensa tá começando a
questionar o assunto, mostrando o outro lado em vez de simplesmente
reproduzir os releases do TSE. O que nos falta é munir os jornalistas de
contra-argumentos para as respostas evasivas e falaciosas dos membros da
Justiça Eleitoral.

[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

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O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas
eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos
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