Quem mais entendeu de fascismos foi Palmiro Togliatti, filósofo (muito melhor que Gramsci), político e estadista.
 
As lições dele sobre o fascismo não coincidem em absoluto com a divulgação vulgar dele.
 
Em geral, as pessoas ligam o fascismo à sua fase final, decrepta, nos seus estertores. Na realidade, fascismo não é um regime, mas um movimento sofisticado graças a um grande financiamento do capital financeiro. A CUT, por exemplo foi fundada com um aporte de 80 milhões vindos do exterior.
 
Em 1994 eu escreví o artigo abaixo tentando me basear em Palmiro Toliatti, e parece que preví coisas que aconteram em grau muito maior.
 
Mas há uma definição na Enclopédia Delta, bem mais simples que define o fascismo e o petismo com precisão:
 
 "Reunindo a classe média por um socialismo demagógico e tranquilizando a direita com um anticomunismo violento, alternando formas ilegais e legais de luta, Mussoline chega ao poder.
 
A maioria das pessoas não sabem mas a grande luta dos petistas e cutistas no meio sindical foi contra os comunistas (PCB) e getulistas, não contra a direita que era impotente e que desapareceu após o fim das intervenções nos sindicatos. Aliás, os interventores nos sindicatos do ABC, a partir de 1974, passaram a ser indicados por Lula, como ja foi relatado e reconhecido até por Frei Beto. Muitos da direita e apolíticos aderiram à CUT e ao PT, que era a grande novidade, diferente.
 
Segue abaixo o artigo mencionado de 1994.
 

                                                 Fascismos

 

            Recentemente (24/03/94), Orestes Quércia afirmou na TV que o PT é de fato um partido de direita com discurso de esquerda. Uma reedição de Mussolini no Brasil. Realmente o Sr. Orestes Quércia está pleno de razão, mas fica difícil à maioria das pessoas entenderem isso se se associar somente ao fascismo o aspecto ditatorial. Dentro desse aspecto, o assassinato do ABC que revelou as práticas intolerantes do PT no mundo sindical, a punição de Erundina e outros métodos de eliminar concorrentes na luta pela hegemonia do partido, tentativa de cercear opiniões divergentes através de métodos intimidativos, chantagear parlamentares revelando seus extratos bancários à margem da lei, etc., são ainda insuficientes para caracterizar o PT como fascista. Para se entender o que é fascismo temos que recorrer ao grande filósofo Palmiro Togliatti. Segundo ele, quem tentar caracterizar o fascismo pelas suas formas concretas de ação, erra sempre, pois o fascismo é um camaleão que muda de forma constantemente em função de determinado objetivo imediato. O que caracteriza a essência do fascismo é a sua identidade com os interesses da fração hegemônica do grande capital financeiro, o mais oligopolizado e reacionário portanto. Se quiser entender a forma concreta que o partido fascista assume em determinado momento, é só relacioná-la com os objetivos imediatos do grande capital financeiro naquele momento. Assim, Mussolini, que era ultra esquerdista saiu do partido socialista unindo-se aos intelectuais "futuristas" (o futurismo tem fortes semelhanças com o modernismo e o tropicalismo no Brasil), para fundar o Partido Fascista, que inicialmente tinha fortes tendências liberais com lemas típicos da pequena burguesia intelectual que queria se emancipar, tais como, "Navegar é preciso, viver não é preciso", "NE ME FREGO" (POUCO SE ME DÁ) e outros de mesmo cunho ideológico de "SEM MEDO DE SER FELIZ". D'Annunzio usava um bottom com o lema "NAVEGAR É PRECISO... e Mussolini o subscrevia nos documentos que assinava. Pode-se dizer que o Partido Fascista italiano, alternando formas liberais e ditatoriais em função do espaço (região) e do tempo (época), foi predominantemente liberal de 1919 à 1925. A partir de 1925, já no poder, o Partido Fascista foi predominantemente  ditatorial e aplicou o terror do estado, semelhantemente ao PT quando conquista a máquina do Sindicato e a usa como terror para aplastar seus dissidentes, particularmente os comunistas (vide episódio do ABC e outros). Usemos o critério de Togliatti para entender as semelhanças e diferenças entre o fascismo europeu de 1918 a 1945 e o fascismo no Brasil atual. Semelhantemente ao fascismo italiano o PT precisa liderar camadas da população as mais diversas, como o lúmpem, classe média, classe operária não proletária, etc. para merecer as benesses do grande capital. Daí o ecletismo camaleônico do discurso e programa do PT. Quando o grande capital radicaliza, cai a máscara desse discurso demagógico e começam os expurgos e o aplastamento das tendências à esquerda do partido. As diferenças surgem em função dos objetivos do grande capital financeiro na Europa naquela época serem diversos dos seus objetivos no Brasil de hoje. Naquela época o grande capital financeiro tinha como objetivo lógico final uma santa cruzada contra o comunismo, inclusive no seu santuário, a URSS; daí forjar líderes heróico-trágicos e nacionalismos exacerbados imperialistas, para cumprir esses objetivos. Já para o Brasil de hoje, a lógica do grande capital financeiro reserva uma política de destruição do estado nacional, sucateamento da nossa indústria, internacionalização da  AMAZONIA, destruição do mercado interno e de nossa força de trabalho, etc., o que exige lideranças fascistas de outro tipo, demagógico, eclético, oportunista, apátrida, capaz de camuflar seu antipatriotismo com doutrinas da moda fabricadas nos países colonialistas para consumo das elites travestidas de esquerda, alienadas, do terceiro mundo. O PT satisfaz os dois critérios básicos de Togliatti, o mimetismo camaleônico (à vista de todos) e a fidelidade ao grande capital internacional; quanto a este último basta fazer a pergunta: quem financia o PT? e saberemos com a resposta a quem serve o PT. Outras evidências ilustram essa tese, mas como o espaço é curto, deixo para outro momento decliná-las, completando esse artigo sobre fascismo. Não sei se o Sr. Orestes Quércia tinha essa visão quando afirmou que o PT representava o fascismo no Brasil. Mas que ele acertou na mosca, acertou.

 

 

Francisco José Duarte de Santana

 

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