Caro Paulo Sérgio,

Apenas para esclarecer alguns pontos técnicos e sem entrar no mérito de 
seu questionamento ao Prof. José Rodrigues, pois ele pode perfeitamente 
debater o tema, gostaria de deixar informado:

1: Na Venezuela não são usadas as urnas-e brasileiras, e sim um modelo 
da fabricante americana Smartmatic que imprime o voto para conferência 
do eleitor e posterior recontagem em 30% das urnas.
Ver mais em:
http://www.brunazo.eng.br/voto-e/textos/venezuela1.htm

2: O voto pela Internet tem o grande problema da inexistência da "cabine 
indevassável", ou seja, quem tem poder de coação poderia obrigar 
eleitores a votarem na sua presença.
Nos EUA, o projeto de voto na Internet para os soldados fora do país foi 
devidamente arquivado por absoluta impossibilidade de garantir segurança 
(sigilo e justa apuração) do voto.
Ver mais em:
http://www.servesecurityreport.org/

[ ]s
  Amilcar


Paulo Sergio Medeiros Carneiro escreveu:
> Caro Sr. J Rodrigues Filho
> 
> Há pouco tempo assinei o site e, portanto, ainda estou em fase de 
> aprendizado.
> 
> Temos concordâncias e discordâncias em nossos pontos de vista. Minha 
> opinião é que devemos desvincular o ato de votar, seja pelo método 
> tradicional, seja pelo método eletrônico, do debate político necessário 
> à democracia. O nosso problema é que não temos debate político de 
> idéias. Portanto, nossa democracia falha neste quesito.
> Confesso não ter entendido sua tese sobre ser o processo eletrônico de 
> votação uma forma de legitimar um sistema político perverso. Se o 
> sistema político é perverso, a forma de votação não vai mudá-lo. O que 
> muda é a possibilidade de debate de idéias. Creio que nosso problema não 
> está no sistema de votação mas sim na subserviência dos nossos meios de 
> comunicação ao sistema político perverso, como forma de manter as 
> polpudas verbas publicitárias e manter a concessão. Não me lembro de ver 
> a Rede Globo, que tem a maior audiência em todas as camadas, esclarecer 
> o eleitor sobre as questões políticas mais escabrosas. Cito a Rede Globo 
> pois é a emissora de maior audiência e que cobre todo o território 
> nacional. Candidatos aos cargos legislativos e executivos fogem 
> descaradamente do debate e, quando participam, só o fazem com questões 
> previamente combinadas mas, na maioria das questões, com fuga das 
> respostas ou, pior, fraudes de informação, mentiras e silogismos que não 
> são analisados e denunciados pelos organizadores.
> Passei a suspeitar da votação eletrônica em dois incidentes:
> No primeiro, na última eleição presidencial, o candidato Alckmin perdeu 
> votos de seus eleitores para o candidato Lula de uma forma estranha . 
> Ora, ali tinhamos um segundo turno plebiscitário. Ou se votava à favor 
> do governo ou contra. Jamais quem votou em Alckmin no primeiro turno 
> iria mudar de idéia no segundo. O cacife político que se disputou foi o 
> cacife formado pelos votos dos outros candidatos - os derrotados. Mas, 
> estranhamente, o eleitor de Alckmin mudou de idéia? Impossível! Para mim 
> houve fraude!
> No segundo, foi o plebiscito na Venezuela (será que as urnas foram 
> brasileiras, cujo software foi "alterado" pela americana Diebold, 
> fornecedora da tecnologia da maioria das urnas, ou pelo TSE brasileiro?) 
> Chaves estava com o controle e, surpreendentemente, perdeu. Mais, perdeu 
> por uma diferença pequena de votos, fora de qualquer margem de erro. 
> Para mim, de novo, houve fraude.
> Não fui eleitor de Lula e nem aprovo o socialismo bolivariano ou 
> qualquer outra forma de socialismo. Nem tampouco sou pertencente à ala 
> direita. Sou livre para tomar partido para aquilo que imagino ser bom, 
> ético e justo para meu país e para meus filhos. Isso me leva a transitar 
> da esquerda à direita e vice-versa, passando pelo centro. Não temos no 
> Brasil movimentos ideológicos sérios, éticos, responsáveis e plenamente 
> democráticos, tanto à esquerda quanto à direita.
> Voltando ao processo eletrônico, acho sim que deva ser pragmático. Deve 
> servir para agilizar o processo desde que as verdadeiras questões sejam 
> ampla e previamente debatidas. Eu iria além, votaria pela Internet. 
> Porém - e esse porém é o que conta - a tecnologia tanto me parece capaz 
> de construir processos idôneos como capaz de favorecer as fraudes. Não 
> posso confiar nos nossos políticos pois as verdades nuas e cruas 
> expostas diariamente me deixam assustado. Pelas mesmas razões não confio 
> em jogos de loteria, administrados pela CEF, cujos dirigentes são 
> indicados pelos mesmos políticos corruptos, quando não são os próprios 
> que a dirigem.
> Não interprete esse e-mail como afronta ou de forma belicosa. Pelo 
> contrário! Talvez não tenha tido o alcance para acompanhar suas idéias 
> ou elas não foram adequadamente apresentadas. Estou aberto para a troca 
> de opiniões respeitosa e democrática.
> 
> Cordialmente
> Paulo S M Carneiro
> 
> 
> ----- Original Message ----- From: "Amilcar Brunazo Filho" 
> <[EMAIL PROTECTED]>
> To: "Fórum do Voto Seguro" <[EMAIL PROTECTED]>; "Fórum do 
> Voto Eletrônico" <[email protected]>
> Sent: Tuesday, December 11, 2007 4:18 PM
> Subject: {VotoEletronico} As tecnologias de informação e a democracia
> 
> 
> 
> http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?codF3ENO001
> 
>       E-DEMOCRACIA
>       As tecnologias de informação e a democracia
> 
>       Por José Rodrigues Filho em 11/12/2007
>           Jose Rodrigues Filho <[EMAIL PROTECTED]>
> 
>       No período de 21 a 25 de novembro, realizou-se na antiga cidade
> de Vadstena, Suécia, a Conferência de Democracia Eletrônica, promovida
> pela Fundação Européia de Ciência e pela Universidade de Linkoping. Mais
> de 50 acadêmicos, a maioria de cientistas políticos e sociólogos
> reconhecidos mundialmente, discutiram os rumos do uso das tecnologias de
> informação no campo da democracia.
> 
>       Apesar da euforia de anos anteriores sobre a possibilidade de se
> usar as Tecnologias de Informação e Comunicações (TICs) para se ampliar
> a democracia, não se conseguiu ainda registrar experiências
> bem-sucedidas, até porque uma das dimensões de democracia é a
> contestação. Tem havido, também, contestação das TICs através do
> conceito de construção social da tecnologia. Portanto, a tecnologia de
> informação não é neutra e tem sido discutida dentro de um conceito
> bastante estreito, principalmente no campo tradicional da democracia
> liberal.
> 
>       Neste caso, tenta-se considerar que uma quantidade maior de
> informação produzida pelas tecnologias de informação significa mais
> democracia. Com isto, observam-se apenas as questões técnicas ou a
> capacidade da tecnologia, e não as questões sociais, políticas e
> culturais embutidas nestas tecnologias. No caso específico do Brasil, o
> voto eletrônico é visto puramente como uma ferramenta de se agilizar a
> contagem de votos e de se evitar as fraudes registradas no sistema
> tradicional. Ninguém comenta, por exemplo, que o voto eletrônico no
> Brasil é um instrumento de se legitimar um sistema político perverso;
> que o voto eletrônico não parece elevar a cidadania, mas reduzi-la; e
> que o voto eletrônico está reforçando a divisão digital. Por fim,
> ninguém se preocupa com a capacidade de se fraudar uma eleição em
> proporções maiores através do uso das tecnologias de informação.
> 
>       Sistema de votação
> 
>       Portanto, enquanto nas democracias tradicionais as intenções de se
> usar a tecnologia de informação estão orientadas para se ampliar a
> democracia, no Brasil estamos pensando em como eliminar as fraudes nas
> eleições. Assim, enquanto na Áustria e Suíça, por exemplo, as TICs são
> utilizadas para se promover outras formas de democracia - além da
> representativa -, no Brasil estamos pensando em fraudes. As TICs
> dificilmente irão resolver esta questão, pois quanto mais se tornarem
> sofisticados os mecanismos de segurança, mais sofisticados se tornarão
> os mecanismos de fraudes.
> 
>       No momento, propõe-se reforçar a segurança do voto eletrônico no
> Brasil. Se não se discutem formas de se ampliar a democracia e eliminar
> as fraudes existentes e comprovadas de compra de votos, um sistema de
> votação mais seguro só vai legitimar o sistema político existente,
> indiferente à ampliação da democracia e dos próprios esquemas de fraudes
> durante as eleições, que muitas vezes acontecem antes do ato de votar.
> Portanto, em países como Brasil e Venezuela, o voto eletrônico só vem
> legitimar o sistema político existente.
> 
>       Para além dos brinquedos
> 
>       Por fim, o que se observou durante a conferência foi o fato de que
> democracia tem apenas um "e". É utópico falar em e-democracia, ou seja,
> democracia eletrônica. Contudo, diante do grande investimento realizado
> - tanto pelos países desenvolvidos quanto em desenvolvimento - em
> tecnologia de informação, é necessário desenvolver pesquisas para se
> conhecer o que realmente está acontecendo. É necessário construir-se uma
> base teórica sobre o fenômeno, de modo que o mercado não fique sozinho a
> determinar o que está acontecendo, sem uma visão mais reflexiva sobre o
> assunto.
> 
>       Como participante convidado da conferência, apontamos a
> necessidade de se desenvolver uma pesquisa mais reflexiva e crítica
> sobre o voto eletrônico, não só no Brasil como no mundo inteiro.
> Infelizmente, o enfoque de pesquisa dominante tem sido utilitarista e
> puramente técnico, por se tratar do voto eletrônico. Como foi dito
> durante a conferência, os eufóricos com a tecnologia de informação
> tendem a tratá-la como um brinquedo, alheios à dimensão de contestação
> de democracia e da própria contestação oriunda das teorias de construção
> social da tecnologia. Dificilmente surgirá uma reflexão durante esta
> fase dos brinquedos. O difícil é saber o que vai acontecer na fase que
> vai além dos brinquedos.
> 
>


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