Caro Sr. J Rodrigues Filho

Há pouco tempo assinei o site e, portanto, ainda estou em fase de 
aprendizado.

Temos concordâncias e discordâncias em nossos pontos de vista. Minha opinião 
é que devemos desvincular o ato de votar, seja pelo método tradicional, seja 
pelo método eletrônico, do debate político necessário à democracia. O nosso 
problema é que não temos debate político de idéias. Portanto, nossa 
democracia falha neste quesito.
Confesso não ter entendido sua tese sobre ser o processo eletrônico de 
votação uma forma de legitimar um sistema político perverso. Se o sistema 
político é perverso, a forma de votação não vai mudá-lo. O que muda é a 
possibilidade de debate de idéias. Creio que nosso problema não está no 
sistema de votação mas sim na subserviência dos nossos meios de comunicação 
ao sistema político perverso, como forma de manter as polpudas verbas 
publicitárias e manter a concessão. Não me lembro de ver a Rede Globo, que 
tem a maior audiência em todas as camadas, esclarecer o eleitor sobre as 
questões políticas mais escabrosas. Cito a Rede Globo pois é a emissora de 
maior audiência e que cobre todo o território nacional. Candidatos aos 
cargos legislativos e executivos fogem descaradamente do debate e, quando 
participam, só o fazem com questões previamente combinadas mas, na maioria 
das questões, com fuga das respostas ou, pior, fraudes de informação, 
mentiras e silogismos que não são analisados e denunciados pelos 
organizadores.
Passei a suspeitar da votação eletrônica em dois incidentes:
No primeiro, na última eleição presidencial, o candidato Alckmin perdeu 
votos de seus eleitores para o candidato Lula de uma forma estranha . Ora, 
ali tinhamos um segundo turno plebiscitário. Ou se votava à favor do governo 
ou contra. Jamais quem votou em Alckmin no primeiro turno iria mudar de 
idéia no segundo. O cacife político que se disputou foi o cacife formado 
pelos votos dos outros candidatos - os derrotados. Mas, estranhamente, o 
eleitor de Alckmin mudou de idéia? Impossível! Para mim houve fraude!
No segundo, foi o plebiscito na Venezuela (será que as urnas foram 
brasileiras, cujo software foi "alterado" pela americana Diebold, 
fornecedora da tecnologia da maioria das urnas, ou pelo TSE brasileiro?) 
Chaves estava com o controle e, surpreendentemente, perdeu. Mais, perdeu por 
uma diferença pequena de votos, fora de qualquer margem de erro. Para mim, 
de novo, houve fraude.
Não fui eleitor de Lula e nem aprovo o socialismo bolivariano ou qualquer 
outra forma de socialismo. Nem tampouco sou pertencente à ala direita. Sou 
livre para tomar partido para aquilo que imagino ser bom, ético e justo para 
meu país e para meus filhos. Isso me leva a transitar da esquerda à direita 
e vice-versa, passando pelo centro. Não temos no Brasil movimentos 
ideológicos sérios, éticos, responsáveis e plenamente democráticos, tanto à 
esquerda quanto à direita.
Voltando ao processo eletrônico, acho sim que deva ser pragmático. Deve 
servir para agilizar o processo desde que as verdadeiras questões sejam 
ampla e previamente debatidas. Eu iria além, votaria pela Internet. Porém - 
e esse porém é o que conta - a tecnologia tanto me parece capaz de construir 
processos idôneos como capaz de favorecer as fraudes. Não posso confiar nos 
nossos políticos pois as verdades nuas e cruas expostas diariamente me 
deixam assustado. Pelas mesmas razões não confio em jogos de loteria, 
administrados pela CEF, cujos dirigentes são indicados pelos mesmos 
políticos corruptos, quando não são os próprios que a dirigem.
Não interprete esse e-mail como afronta ou de forma belicosa. Pelo 
contrário! Talvez não tenha tido o alcance para acompanhar suas idéias ou 
elas não foram adequadamente apresentadas. Estou aberto para a troca de 
opiniões respeitosa e democrática.

Cordialmente
Paulo S M Carneiro


----- Original Message ----- 
From: "Amilcar Brunazo Filho" <[EMAIL PROTECTED]>
To: "Fórum do Voto Seguro" <[EMAIL PROTECTED]>; "Fórum do Voto 
Eletrônico" <[email protected]>
Sent: Tuesday, December 11, 2007 4:18 PM
Subject: {VotoEletronico} As tecnologias de informação e a democracia



http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?codF3ENO001

       E-DEMOCRACIA
       As tecnologias de informação e a democracia

       Por José Rodrigues Filho em 11/12/2007
           Jose Rodrigues Filho <[EMAIL PROTECTED]>

       No período de 21 a 25 de novembro, realizou-se na antiga cidade
de Vadstena, Suécia, a Conferência de Democracia Eletrônica, promovida
pela Fundação Européia de Ciência e pela Universidade de Linkoping. Mais
de 50 acadêmicos, a maioria de cientistas políticos e sociólogos
reconhecidos mundialmente, discutiram os rumos do uso das tecnologias de
informação no campo da democracia.

       Apesar da euforia de anos anteriores sobre a possibilidade de se
usar as Tecnologias de Informação e Comunicações (TICs) para se ampliar
a democracia, não se conseguiu ainda registrar experiências
bem-sucedidas, até porque uma das dimensões de democracia é a
contestação. Tem havido, também, contestação das TICs através do
conceito de construção social da tecnologia. Portanto, a tecnologia de
informação não é neutra e tem sido discutida dentro de um conceito
bastante estreito, principalmente no campo tradicional da democracia
liberal.

       Neste caso, tenta-se considerar que uma quantidade maior de
informação produzida pelas tecnologias de informação significa mais
democracia. Com isto, observam-se apenas as questões técnicas ou a
capacidade da tecnologia, e não as questões sociais, políticas e
culturais embutidas nestas tecnologias. No caso específico do Brasil, o
voto eletrônico é visto puramente como uma ferramenta de se agilizar a
contagem de votos e de se evitar as fraudes registradas no sistema
tradicional. Ninguém comenta, por exemplo, que o voto eletrônico no
Brasil é um instrumento de se legitimar um sistema político perverso;
que o voto eletrônico não parece elevar a cidadania, mas reduzi-la; e
que o voto eletrônico está reforçando a divisão digital. Por fim,
ninguém se preocupa com a capacidade de se fraudar uma eleição em
proporções maiores através do uso das tecnologias de informação.

       Sistema de votação

       Portanto, enquanto nas democracias tradicionais as intenções de se
usar a tecnologia de informação estão orientadas para se ampliar a
democracia, no Brasil estamos pensando em como eliminar as fraudes nas
eleições. Assim, enquanto na Áustria e Suíça, por exemplo, as TICs são
utilizadas para se promover outras formas de democracia - além da
representativa -, no Brasil estamos pensando em fraudes. As TICs
dificilmente irão resolver esta questão, pois quanto mais se tornarem
sofisticados os mecanismos de segurança, mais sofisticados se tornarão
os mecanismos de fraudes.

       No momento, propõe-se reforçar a segurança do voto eletrônico no
Brasil. Se não se discutem formas de se ampliar a democracia e eliminar
as fraudes existentes e comprovadas de compra de votos, um sistema de
votação mais seguro só vai legitimar o sistema político existente,
indiferente à ampliação da democracia e dos próprios esquemas de fraudes
durante as eleições, que muitas vezes acontecem antes do ato de votar.
Portanto, em países como Brasil e Venezuela, o voto eletrônico só vem
legitimar o sistema político existente.

       Para além dos brinquedos

       Por fim, o que se observou durante a conferência foi o fato de que
democracia tem apenas um "e". É utópico falar em e-democracia, ou seja,
democracia eletrônica. Contudo, diante do grande investimento realizado
- tanto pelos países desenvolvidos quanto em desenvolvimento - em
tecnologia de informação, é necessário desenvolver pesquisas para se
conhecer o que realmente está acontecendo. É necessário construir-se uma
base teórica sobre o fenômeno, de modo que o mercado não fique sozinho a
determinar o que está acontecendo, sem uma visão mais reflexiva sobre o
assunto.

       Como participante convidado da conferência, apontamos a
necessidade de se desenvolver uma pesquisa mais reflexiva e crítica
sobre o voto eletrônico, não só no Brasil como no mundo inteiro.
Infelizmente, o enfoque de pesquisa dominante tem sido utilitarista e
puramente técnico, por se tratar do voto eletrônico. Como foi dito
durante a conferência, os eufóricos com a tecnologia de informação
tendem a tratá-la como um brinquedo, alheios à dimensão de contestação
de democracia e da própria contestação oriunda das teorias de construção
social da tecnologia. Dificilmente surgirá uma reflexão durante esta
fase dos brinquedos. O difícil é saber o que vai acontecer na fase que
vai além dos brinquedos.






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