Retransmitindo mensagem do Maneschy.

Amilcar

-------- Mensagem original --------
Assunto:        Transparência Eleitoral
Data:   Mon, 17 Aug 2009 11:28:33 -0300
De:     Osvaldo Maneschy <[email protected]>
Para:   amilcar <[email protected]>



/Um pedido para marcar a audiência pública para que sejam ouvidos os 
especialistas em informática que defendem a impressão do voto eletrônico 
também será discutido nesta terça-feira  (18/8), às 9 horas, na CCJ do 
Senado. A sessão de amanhã foi convocada para ouvir o depoimento da 
ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, sobre seus 
desentendimentos com a chefe do Gabinete Civil, Dilma Roussef. Mas por 
iniciativa do Senador Flávio Torres (PDT-CE), foi aprovada a realização 
de nova audiência pública para discutir o voto eletrônico, desta vez 
para ouvir os que defendem a impressão do voto. A questão voltou a tona 
depois do deputado Brizola Neto (PDT-RJ) incluir, na minirreforma 
eleitoral discutida na Câmara dos Deputados, a impressão do voto 
eletrônico, agora em exame no Senado. Mas os defensores da falta de 
transparência nas eleições, que tem o ex-presidente do TSE Nelson Jobim 
à frente, querem que o Senado derrube a exigência de imprimir o voto - 
para que continue sendo possível não existir recontagem e nem respeito à 
verdade  eleitoral . /

*/Osvaldo Maneschy/*

* *

*CCJ do Senado discute impressão do voto E nesta terça*

Nesta terça-feira  (18/8) às 9h da manhã na sessão da Comissão de 
Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para ouvir a ex-Secretária da 
Receita Federal, Lina Vieira, sobre se ela teria recebido determinação 
da ministra Dilma Roussef para proteger a família Sarney - também estará 
em discussão se  as urnas eletrônicas brasileiras imprimirão, ou não, o 
voto - no bojo da /*reforma eleitoral*/ 
<http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=94228&codAplicativo=2>
 
em discussão no Senado. O intrigante é que quase ninguém sabe disso, 
todas as luzes da mídia estão voltadas para o affair Lina X Dilma.

A impressão do voto ainda está em discussão no Senado graças a 
iniciativa do Senador Flávio Torres (PDT-CE) que, na quarta (12/8) 
passada, na reunião conjunta da CCJ com a Comissão de Ciência e 
Tecnologia (CCT) para ouvir o ministro Nelson Jobim sobre o "retrocesso" 
que é a impressão do voto eletrônico -- apresentou requerimento para que 
também fossem ouvidos, além de Jobim, especialistas favoráveis à 
impressão que garantem que sem a materialização em papel, que permite a 
recontagem, o voto eletrônico é inseguro.

Com o sistema como ele é hoje, é impossível assegurar que o candidato A, 
ou B, venceu a eleição como garante o /*professor Clóvis Fernandes, do 
ITA* <http://www.brunazo.eng.br/voto-e/textos/alagoas1.htm>/. O voto 
impresso já existiu, criado em cima do escândalo do painel eletrônico do 
Senado que levou dois senadores à renúncia e foi usado nas eleições de 
2002. Só que foi abolido sem discussão em 2003 por iniciativa do Senador 
Eduardo Azeredo (PSDB-MG), com a ajuda total de Nelson Jobim, então 
presidente do TSE.

Pelo jeito, ambos querem a mesma coisa agora, em 2009. No início de 
2003, Azeredo apresentou o projeto no Senado abolindo a impressão do 
voto. Célere, ele foi aprovado no Senado sem nenhuma discussão no 
plenário ou em comissões e chegou a Câmara dos Deputados. Para que isto 
acontecesse foi estratégica a ajuda que Azeredo recebeu do então 
presidente do Senado, José Sarney, o mesmo de hoje, e do presidente da 
Câmara,  deputado  João Paulo Cunha.

Para dar uma idéia do aconteceu, até audiência pública marcada na 
Câmara, a da Ciência e Tecnologia da Câmara, foi cancelada para que o 
plenário votasse sem maiores delongas, em regime de urgência 
urgentíssima, o fim da impressão do voto eletrônico. A desculpa era que 
precisava acabar com ele, rápido, antes de outubro, para vigorar nas 
eleições seguintes.

A mesma desculpa de hoje. Em 2003 o fim da impressão do voto, 
fundamental para permitir a auditoria dos resultados, acabou com o 
apoio, inclusive, da base de apoio do presidente Lula coordenada na 
época pelo deputado José Dirceu. Só o PDT votou contra, seguindo 
orientação de seu presidente, Leonel  Brizola, /*vítima do Caso 
Proconsult em 1982* <http://plogdopaulohenrique.zip.net/>/*/. /*

 Jobim afirmou no Senado semana passada, dirigindo-se aos senadores, que 
bastaria suprimir do texto da reforma eleitoral proposta pelos deputados 
a impressão do voto eletrônico para que o projeto fosse à sanção, sem 
passar novamente na Câmara, permitindo que tudo entre em vigor nas 
eleições de 2010. O engenheiro Amilcar Brunazo Filho, moderador do Fórum 
do Voto Eletrônico e um dos críticos de Jobim, postou na página 
(www.votoseguro.org <http://www.votoseguro.org/>) um  /*relato 
estarrecedor* <http://pdt12.locaweb.com.br/paginas.asp?id=512>/ das 
impropriedades cometidas pelo Sr. Ministro na audiência pública.

Por tudo isso esta terça-feira, dia 18/8, é um divisor de águas nessa 
questão.  É fundamental que os parlamentares empenhados na transparência 
eleitoral , no meio do tiroteio entre Lina Vieira e Dilma Roussef, não 
permitam que a audiência pública solicitada pelo senador Flávio Torres 
para discutir a impressão do voto eletrônico seja derrubada. A audiência 
foi aprovada, mas sua data não foi marcada. E basta um senador pedir que 
ela não seja realizada, exatamente com o argumento de que "está muito em 
cima" do prazo, e esse pedido ser aprovado, para que prevaleça a posição 
dos que defendem a não impressão do voto eletrônico -- combatida em até 
pelo insuspeito /*"New York Times".*/ <http://tijolaco.com/?p=1756>

É fundamental que todos os cidadãos desse país, que tiverem acesso a um 
ou mais senadores das comissões de Constituição e Justiça e de Ciência e 
Tecnologia, os acionem, para que o assunto seja discutido e tenhamos 
eleições limpas e confiáveis -- como defende o deputado Brizola Neto 
(PDT-RJ), autor da proposta de se restabelecer, de novo, a impressão do 
voto no Brasil. O voto eletrônico sem impressão já está proibido nos 
Estados Unidos, na Alemanha, na Bélgica e na Holanda. Porque sem ela, é 
impossível ter recontagem segura e facil.

Os professores e doutores da área de informática do Brasil, através de 
/*manifesto* <http://portalantigo.softwarelivre.org/news/3172>/, há anos 
condenam a falta de transparência das urnas eletrônicas brasileiras -- 
exatamente pelo fato delas não permitirem a conferência do resultado, 
não garantirem que a verdade eleitoral está sendo respeitada. Eleição 
sem recontagem é eleição insegura.

Que o bom senso e a verdade eleitoral prevaleçam na reunião desta 
terça-feira, dia 18/8, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do 
Senado.

Até porque os dois relatores do projeto de lei oriundo da Câmara que 
institui a reforma eleitoral, senadores Marco Maciel (DEM-PE), da CCJ; e 
o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), da CCT, já combinaram fazer um 
relatório conjunto para tudo andar mais rápido. Essa pressa nos remete a 
uma pergunta fundamental : o que é mais importante, a velocidade para 
saber quem ganhou uma eleição no Brasil ou a segurança de se saber que o 
resultado está correto?


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