Nesta última quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei , 
que altera as leis das Eleições (Nº 9.504/97) e dos Partidos Políticos (Nº 
9.096/95) - a chamada Reforma Eleitoral. A votação aconteceu em tempo recorde, 
um dia depois de ser aprovada no plenário do Senado. 
 Os deputados mantiveram a internet livre durante as 
campanhas eleitorais, sem limites à atuação de sites jornalísticos, blogs e 
páginas pessoais no período da disputa – desde que assegurado o direito de 
resposta aos candidatos ofendidos e o impedimento de anonimato nas matérias 
jornalísticas.
Contrariando a opinião dos Senadores, a Câmara também manteve o voto impresso 
ao determinar que, a partir das eleições de 2014, 2% das urnas tenha um 
dispositivo para permitir a impressão do voto e garantir uma futura auditoria 
da 
Justiça Eleitoral. A regra, originalmente aprovada pela Câmara, tinha sido 
derrubada no Senado e voltou a valer na votação final da Câmara. Com a 
aprovação, o texto segue para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 
que tem até o dia 2 de outubro para sancioná-lo a tempo de vigorar nas eleições 
de 2010.
Tudo ótimo se não fosse o forte lobby contrário à permanência do 
Art. 5º da Reforma Eleitoral empreendido pelos ministros Carlos Ayres Brito, 
presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE),  Nelson Jobim,  da Defesa e 
Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).
Nelson Jobim, historicamente avesso à idéia, não aceita de forma alguma a  
decisão do Legislativo. De acordo com Carolina Brígido, jornalista do O Globo, 
o ministro da defesa 
afirmou que vai “sugerir” ao presidente Lula que vete o voto impresso. (Confira 
também o artigo “Eles 
são contra a impressão do voto”). 
Ayres Britto possui o mesmo posicionamento. Para ele, além da 
Justiça Eleitoral ter sido "descontemplada" na Reforma Eleitoral, o voto 
impresso é um retrocesso. 
Já Gilmar Mendes pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que tenha 
cautela no momento de sancionar a medida, referindo-se diretamente ao 
voto impresso. Durante o encerramento da Semana Nacional da Conciliação Meta 2, 
no Rio, ele afirmou que tem a impressão de que isso vai causar um retrocesso. 
Disse ainda que espera que o presidente Lula medite sobre isso. 
Considerando que o presidente Lula possui prazo de 15 dias para sancionar o 
Projeto de Lei (até 02 de outubro) e que os administradores eleitorais do 
Brasil 
possuem uma forte resistência contra a materialização do voto, cabe a 
nós, brasileiros defensores de uma forma efetiva de auditoria das urnas 
eletrônicas, divulgar as vantagens de se ter o voto impresso como forma de 
fiscalização e auditoria do processo eleitoral. 
Uma excelente forma de participar desta campanha é ajudar a distribuir o 
texto elaborado pelo Grupo de Discussão Voto Seguro. Em poucas palavras, o 
artigo 
apresenta os principais pontos favoráveis à impressão do voto e refuta alguns 
argumentos utilizados pela parte contrária. 
 
A Importância da Auditoria Independente do Software 
nas Urnas Eletrônicas
O Brasil já foi pioneiro em tecnologia eleitoral. Entretanto, passados 13 
anos da chegada das urnas eletrônicas, estamos ficando para trás.
Nossas urnas eletrônicas foram rejeitadas por mais de 50 países que vieram 
conhecê-las. O motivo: elas não oferecem uma forma de conferir o resultado de 
forma efetiva e simples.
O Art. 5º da chamada Reforma Eleitoral alinha o Brasil com todos os demais 
países que estão modernizando suas eleições através da adoção do moderno 
conceito de Auditoria Independente do Software das Urnas Eletrônicas.
Esta idéia foi proposta pelo inventor da técnica de Assinatura Digital, Ph.D. 
Ronald Rivest, depois que compreendeu que só a assinatura digital não consegue 
garantir a integridade do resultado das urnas eletrônicas.
A Auditoria Independente do Software se dá por meio da recontagem do voto 
impresso conferido pelo eleitor em 2% das urnas eletrônicas sorteadas ao 
final.
O uso da Auditoria Independente do Software constitui uma forte defesa contra 
fraudes internas no software das urnas eletrônicas. Infelizmente, isso não 
ocorre com as atuais formas existentes de auditoria: assinaturas digitais, 
registros digitais do voto, testes de invasão externa ou biometria do 
eleitor.
A Auditoria Independente do Software já foi ou está sendo adotada como padrão 
exigido em países como EUA, Alemanha, Holanda, Reino Unido e, na América 
Latina, 
na Venezuela, na Argentina e no México.
Ninguém mais aceita máquinas eletrônicas de votar sem materialização do voto 
e auditoria independente.
Os administradores eleitorais do Brasil, uma vez que possuem forte 
resistência contra a Auditoria Independente do Software, criaram falaciosos 
argumentos para combater a necessidade de Auditoria Independente do Software 
das 
Urnas Eletrônicas. Apesar de amplamente divulgados, estes argumentos possuem 
erros gritantes. Vejamos:
O voto impresso trará de volta as fraudes do voto manual – FALSO: voto impresso 
conferido pelo eleitor difere do voto manual e não 
tem as mesmas fragilidades. Um voto impresso estará sempre relacionado a um 
voto 
digital, uma vez que um servirá de controle do outro. Se um voto impresso for 
adulterado o voto digital acusará e vice-versa. A fraude será sempre 
detectada.
Existem formas mais modernas de auditoria como Assinaturas Digitais, 
Registro Digital dos Votos ou Teste de Invasão Externa -  
FALSO: a 
assinatura digital é sempre conferida partindo do próprio software da urna 
(mesmo quando se usa um programa auxiliar externo). O Registro Digital dos 
Votos 
também é criado por este mesmo software. Portanto, são técnicas totalmente 
DEPENDENTES DO SOFTWARE e NÃO ATENDEM ao moderno conceito de Auditoria 
Independente do Software das urnas. Já o teste de invasão é útil para defender 
o 
sistema de ataques externos, mas não serve para defender contra ataques 
internos, os mais nocivos por sinal. Por outro lado, a biometria do eleitor é 
utilizada para impedir que alguém vote no lugar de outro, não defendendo, 
portanto, o eleitor de adulteração do software.
A experiência durante as Eleições de 2002 teria mostrado que o voto 
impresso causa transtornos – FALSO: Por exigência da OEA, a Venezuela 
utiliza o voto impresso conferido pelo eleitor. O sistema funciona sem maiores 
problemas, desde 2004. Os transtornos ocorridos na experiência de 2002 no 
Brasil 
apenas demonstram que o administrador eleitoral não soube projetar esta forma 
nova de votar. Ocorreu falta de treinamento do eleitor, que não foi avisado das 
diferenças do procedimento a ser adotado diante das máquinas com voto impresso. 
A tecnologia de impressão evoluiu  e está consistente. A impressão de 
documentos 
é largamente utilizada, sem restrições, nos caixas eletrônicos. 
Vai custar muito caro – FALSO: o TSE está planejando comprar 
500 mil novas urnas com biometria para substituir as atuais. Para adaptar estas 
novas urnas à Auditoria Independente do Software, basta criar um visor onde o 
eleitor possa conferir o voto impresso e após confirmar a escolha. O custo para 
isto é baixo. Certamente, o custo da Auditoria Independente do Software é 
dezenas de vezes inferior ao custo da biometria, projeto este que o TSE está 
implantando antes mesmo de autorização legislativa.
Saiba mais sobre o assunto:
        * Jornal 
de Uberaba discute segurança nas urnas eletrônicas 
        * Rapidez 
ou eficiência? Eis a questão! 
        * Eles 
são contra a impressão do voto 
        * Projeto 
de Lei 5498/2009: impressão do voto e a questão da conferência pelo eleitor 
        * Parlamentares 
que defendem a impressão do voto 


      
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