Stolfi
Não sabia do ocorrido na Unicamp.
Aqui na Uerj não travou.
Abs.
Weber
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Date: September 22, 2010 7:14:16 PM GMT-03:00
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Subject: Re: RES: {VotoEletronico} [IC/Urna] Fraude eletronica a
vista?
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[ Paulo S M Carneiro:] Particularmente não tenho dúvidas que
há fraude no sistema eleitoral e, tanto PT quanto PSDB, sabem,
se beneficiam e se calam. [...] Na eleição de 2006, [...]
Prezado Paulo,
A eleição de 2006 pode ser lida de quatro maneiras --- houve
fraude no primeiro turno, no segundo tueno, em ambos, ou em
nenhum dos dois. Cada um vai dar suas probabilidades para
cada teoria. (Probabilidade não é uma grandeza física, é
uma medida de fé; e portanto inerentemente individual e
emocional...)
Mas uma coisa na qual, espero, todos concordamos é que a
fraude eletrônica em massa é tecnicamente possível, e
que a probabilidade de ela ocorrer no futuro é suficientemente
alta para tornar esse modelo de urna inaceitável.
O próprio fato de que pessoas discordam sobre o que aconteceu
em 2006 demonstra o problema. Com essa urna, um resultado
apertado sempre vai cheirar a fraude para o lado que perdeu.
Em todas as eleições passadas houve candidatos inconformados,
certos de que suas derrotas form ao resultado de fraude.
Até agora, essas queixas foram esmagadas pelas
negativas dogmáticas do TSE, respaldadas na ilusão popular
de que a urna é segura.
Mas essa ilusão não vai durar para sempre. Ns últimos cinco anos,
todos os outros países do mundo, do primeiro ao terceiro, já
perceberam
a dimensão desse risco, e mudaram ou estão mudando
para votação em papel ou em urnas digitais com comprovante material.
O povo brasileiro só não percebeu ainda porque
tanto o TSE quanto a mídia tem ativamente censurado qualquer notícia
sobre votação eletrônica no exterior (depois mando um exemplo
interessante disso), e sempre implicando que os críticos da urna
(nós) são um pequeno bando de patetas paranóicos.
A justiça eleitoral brasileira é infelizmente um enorme
icebergue de ditadura boiando no mar revolto de nossa
incipiente democracia. Basta lembrar seu hábito de qualificar
alegações de fraude como "choradeira de maus perdedores".
Não passa nem de longe na cabeça desses senhores que
o objetivo de qualquer eleição é convencer *todo mundo*
de que o lado perdedor é minoria --- *especialmente* os partidários
desse lado. Num estado democrático, a justiça eleitoral
existe para servir aos perdedores, e não para escarnecer deles.
Se um sistema eleitoral não consegue convencer os candidatos
derrotados de que as eleições foram limpas, então o sistema
é um lixo.
Na ideologia da nossa justiça eleitoral, infelizmente,
a opinião dos outros não interessa: é suficiente que *o juiz*
esteja convencido de que não houve fraude. Esse modo de
pensar é totalmente característico de um Estado Autoritário,
e totalmente incompativel com um Estado de Direito.
Fazem uns dez anos que acompanho, pricipalmente das aquibancadas,
a luta dos paladinos do voto seguro por um sistema eleitoral
realmente democrático e confiável. Pelo que presenciei, tenho
certeza de que o TSE nunca vai admitir que a urna seja algo menos
do que maravilhosa e infalível. Pelo contrário, a cada eleição
seu dogmatismo vai se cristalizando, e seus escrúpulos vão
cada vez mais sendo atropelados pelo seu instinto de auto-preservação.
A maneira como eles esconderam do público e do congresso
os defeitos das urnas observados em 2006 e 2008 beira o crime
de falsidade ideológica.
Por exemplo, há dez anos que se sabe
que o uso de uma mesma máquina para registro do eleitor e contagem
dos votos é uma falha inaceitável de projeto, pois cria o risco
de violação do sigilo eleitoral pelo governo e portanto de coação
dos eleitores. (Sem falar que isso impõe a limitação de uma
cabine por mesa, e portanto filas de horas em vez de minutos.)
Dez anos atrás o TSE poderia ter corrigido esse erro sem muito
problema. Hoje ele não pode mais: porque, se o fizer, o povo
vai naturalmente perguntar, "mas se isso é um defeito, porque
voces não o corrigiram antes?". E o mesmo acontece com a
materialização do voto: para o TSE, aceitar essa mudança
significaria admitir que durante 14 anos eles mentiram sobre
a segurança da urna. Impensável.
Eu só vejo duas maneiras do TSE ser forçado a trocar
essa porcaria de urna.
Uma é acontecer um resultado inesperado (legítimo ou por fraude,
não importa) em alguma eleição importante; e que o lado perdedor,
inconformado e incapaz de verificar a lisura da eleição,
acredite que tenha havido fraude e bote tudo para quebrar,
acabando com o TSE na marra.
A outra é que aconteça uma pane realmente óbvia e ridícula
em todas as urnas do país. Algo como a urna exibir fotos
pornográficas em vez dos candidatos, ou o Tiririca ganhar
a eleição para presidente por um trilhão de votos --- negativos.
Algo que mostre, de maneira impossível de ocultar, a fragilidade
da urna e a insensatez de se confiar em um sistema
de votação totalmente digital.
Naturalmente estou rezando para que o segundo cenário
aconteça antes do primeiro. Confio que Deus --- se Ele
existe, é Brasileiro, e ainda não se mudou para Miami ---
não vai escolher a outra opção.
Tenho essa confiança porque já tive um vislumbre da graça divina
no final de 2008. Nessa época a administração da UNICAMP resolveu
--- ignorando meus protestos veementes no Conselho Universitário
--- adotar a eleição eletrônica para membros do dito cujo
e, posteriormente, para reitor. Usando um sistema que, além
de inteiramente digital, transmitia os votos de todas as unidades
pela a internet, para totalização no centro de processamento
de dados da universidade. Pois bem, não é que esse sistema
maravilhoso,
exaustivamente testado e garantido pelos nossos luminares em
voto eletrônico, travou vergonhosamente no dia da eleição?
Depois de um dia de esforços para ressuscitar o sistema, a
votação teve que ser cancelada, e foi refeita
vinte dias depois --- em papel.
Como posso explicar esse milagre, senão pelo dedo de Jeová?
No nível nacional, Alá o Misericordioso já deu duas advertências
aos luminares do TSE: 13% de logs bichados em 2006, e 20% de
urnas travadas em 2008. Por duas vezes Ele brandiu-lhes a espada
na cara, mas; generoso, limitou-se a aparar-lhes as barbas. Porém,
esses infiéis contumazes ignoraram os avisos, e escolheram persistir
nos seus erros.
Espero que Zeus finalmente perca a paciência, e solte sobre eles
o raio que os parta.
Sinceramente,
--stolfi
--
Jorge Stolfi
Full Professor/Professor Titular
Instituto de Computação/Institute of Computing
UNICAMP
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From: "Paulo S M Carneiro" <[email protected]>
Date: September 22, 2010 2:26:08 PM GMT-03:00
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Subject: RES: {VotoEletronico} [IC/Urna] Fraude eletronica a vista?
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Caro Prof. Stolfi
Particularmente não tenho dúvidas que há fraude no sistema eleitoral
e,
tanto PT quanto PSDB, sabem, se beneficiam e se calam. Um porque
implantou o
sistema eletrônico. Outro porque se beneficia do sistema eletrônico
para
manter o poder. Dou apenas um exemplo perturbador.
Na eleição de 2006, Lula e Alckmin foram para o segundo turno.
Inexplicavelmente, no segundo turno, Lula conquistou os votos dos
outros
candidatos derrotados no primeiro turno e recebeu votos de eleitores
de
AlcKmin havendo um acréscimo de 11.632.677 votos entre os turnos
(Lula -
Primeiro turno: 46.662.365 - Segundo turno: 58.295.042).
Ao mesmo tempo, Alckmin não conquistou nenhum voto novo e ainda perdeu
2.425.191 votos??????? Está no site do TSE: Alckmin - Primeiro turno:
39.968.369 - Segundo turno: 37.543.178.
Ora, quem votou para o PSDB no primeiro turno, não mudaria de
opinião em
menos de quinze dias transferindo votos para Lula.
Veja os dados oficiais da eleição de 2006
CANDIDATO PRIMEIRO TURNO % SEGUNDO TURNO %
LULA 46.662.365 48,61 58.295.042
60,83
ALCKMIN 39.968.369 41,64 37.543.178 39,17
H. HELENA 6.575.393 6,85 0
CRISTOVAN B 2.538.844 2,64 0
NULOS 5.957.207 4.808.553
ABSTENÇÕES 23.914.714 21.092.511
BRANCOS 2.866.205 1.351.448
TOTAL 125.913.479 125.913.479
O PSDB ficou calado??? Qual a razão??? Se eu fosse candidato iria
querer
saber o que fiz de errado para que meus eleitores me abandonassem e
transferissem seus votos para meu oponente. A menos que engula seco
sabendo
que o resultado foi manipulado por fraude cuja natureza me seja
conhecida. É
o que acredito.
Estes números acima me incomodam desde aquela eleição. E, sabendo do
poder
"manipulador" dos "companheiros", não tenho dúvidas que o PT vai
impor seu
modelo obsoleto de governo, conservando estatais-cabides de emprego
como a
Petrobrás (que oferece a pior gasolina do mundo pelo maior preço por
litro),
sem contar a ressurreição dos extintos SUDENE, SUDAM, que tanto nos
custaram
em desvios e corrupção, e outras ações "nacionalistas" que preservam
ministros e políticos corruptos em assentos em conselhos de
administração,
com jetons de até $ 90.000,00 por sessão de conselho.
A estratégia de poder do PT deu certo. Nasceu no seio do povo. Montou
células políticas através de sindicatos, comunidades de base,
Universidades
(corpo docente e discente), ONGs e entidades sem registro público
mas com
grande visibilidade. "Fez a cabeça" de pessoas sem visão política
mas cujo
voto vale tanto quanto o do mais brilhante analista.
A pedra de toque foi dada pelo PSDB: implantou um sistema de votação
eletrônica sujeito a fraudes e, na eleição de 2002, o presidente FHC
fez
pose de primeiro mundo ao se declarar árbitro imparcial abandonando
o então
candidato do seu partido à própria sorte. Lula, nesta eleição de
2.010, está
mostrando ao PSDB e ao mundo como FHC deveria ter feito: adotando o
seu
"poste" como solução, pegando o microfone e subindo nos palanques
defendendo
a candidata do seu partido, para que seu projeto de país e modelo de
governo
seja consolidado
Esse mal vai nos custar décadas de atraso institucional. O que me
consola é
que nada dura. Tudo um dia será corroído em processo de entropia,
que já dá
mostras da sua ação. Mas, até lá, muito estrago será feito.
Paulo S M Carneiro
Professor MSc.
-----Mensagem original-----
De: [email protected] [mailto:[email protected]
]
Em nome de Jorge Stolfi
Enviada em: quarta-feira, 22 de setembro de 2010 13:07
Para: [email protected]
Cc: Forum do Voto Seguro
Assunto: Re: {VotoEletronico} [IC/Urna] Fraude eletronica a vista?
O PT é sempre vítima, mesmo sendo situação? Se houver uma fraude,
não seria a favor da situação, que controla o sistema?
A fraude eletrônica certamente pode ser feita tanto por pessoas da
oposição
quanto da situação. O fato da urna ser controlada por um órgão do
governo
não significa nada. Está mais que comprovado que há gente corrupta
(e inclusive membros do crime organizado) em qualquer governo, prontos
para fazer qualquer maracutaia pelo preço certo. O judiciário não é
exceção.
Porém, é óbvio que uma fraude eleitoral só interessa a quem acha que
pode perder se a eleição for limpa. No caso da eleição presidencial
de 2010, com as pesquisas como estão, é evidente que só a oposição
teria interesse numa fraude. (A menos que a oposição consiga de fato
inverter as pesquisas nos próximos dias --- caso em que a fraude
passaria a ser do interesse da situação.)
Por outro lado, nas eleições regionais ou parlamentares onde o PT
estiver perdendo, é claro que há risco de fraude a favor do PT.
Note que uma fraude eleitoral não é necesariamente encomendada pelo
partido ou candidato favorecido. Mesmo um candidato 100% honesto pode
ter apoiadores sem escrúpulos, que tem muito mais interesse em sua
vitória do que ele mesmo tem.
--stolfi
--
Jorge Stolfi
Full Professor/Professor Titular
Instituto de Computação/Institute of Computing
UNICAMP
Stolfi
Muito bom.
Weber
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From: Jorge Stolfi <[email protected]>
Date: September 22, 2010 11:36:44 AM GMT-03:00
To: [email protected], [email protected]
Subject: {VotoEletronico} [IC/Urna] Fraude eletronica a vista?
Reply-To: [email protected]
Há alguns dias encontrei na rede uns gráficos interessantes sobre
a evoluão das pesquisas de opinião dos candidatos à preidência
nas eleições de 2010, por quatro institutos de pesquisa
(Datafolha, IBOPE, Sensus e Vox Populi). Refiz esses gráficos
e coloquei na minha página:
http://www.ic.unicamp.br/~stolfi/EXPORT/projects/eleicoes2010/Resumo.html
Uma observação fácil é que há diferenças de mais de 5% entre pesquisas
de diferentes institutos realizadas nas mesmas datas. Além disso as
pesquisas de alguns institutos mostram saltos dessa ordem que não são
registrados pelos cocorrentes. Os institutos não concordam nem mesmo
no sinal da variação ao longo de dois meses.
Isso é mau: significa que as pesquisas de opinião, mesmo de institutos
famosos, não fornecem proteção nenuma contra eventuais fraudes
eletrônicas em massa. Se a urna desviar 5% dos votos de um candidato
para outro, é fácil encontrar uma pesquisa que "confirma" a
virada de última hora.
Outra observação interessante é que a enxurrada de denúncias
que tomou conta de certas revistas, jornais e emissoras de televisão
nas últimas semanas não parece ter tido efeito significativo nas
pesquisas.
Isso levanta a dúvida: porque então o "escândalo dos aloprados"
conseguiu virar as previsões e levar Alckmin ao segundo turno em 2006?
Será que hoje os eleitores estão mais espertos?
Eu tenho muito medo de que alguém tente uma fraude eletrônica nas
eleições presidenciais de 2010, para forçar um segundo turno. Os
ingredientes necessários para isso estão aí:
* um partido (ou meio partido) cuja sobrevivência política depende
inteiramente disso;
* uma justiça eleitoral dogmática, autocrática e
tecnicamente incompetente;
* institutos de pesquisa de opinião nada confiáveis;
* uma urna eletrônica que parece ter sido projetada de
propósito para roubar votos, e que foi criada e tem sido
ferrenhamente defendida por membros desse mesmo partido; e
* uma imprensa sem escrúpulos, que já demonstrou vontade e
capacidade de fabricar uma "denúncia arrasadora" de última hora
--- e que há catorze anos sistematicametne censura todos os fatos
e opiniões que poderiam lançar dúvidas sobre a "maravilha da
tecnologia nacional" que vai mastigar nossos votos no dia 3.
Parece que o partido que está na frente já está contando com a vitória
no primeiro turno. Mas vamos supor, por hipótese, que no dia 5 o TSE
anuncie estes resultados: "Dilma 49%, Marina 18%, Serra 37%".
O que os eleitores da Dilma vão poder fazer?
Dizer "dããã..." é a única opção que me ocorre.
--stolfi
Jorge Stolfi
Professor Titular
Instituto de Computação, UNICAMP
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