O link fornecido na mensagem anterior está com problemas intermitentes.
Então segue abaixo o texto completo do artigo "Verificabilidade do Voto" do
Wagner Medeiros.


Em 31 de março de 2012 12:08, Amilcar Brunazo Filho
<[email protected]>escreveu:

> Verificabilidade do Voto
>
> O mestrando Wagner Medeiros do Centro de Informática da UFPE cunhou a
> expressão "verificabilidade do voto" para diferenciar os equipamentos
> eleitorais que permitem ao eleitor conferir se seu voto foi contado de fato
> para o seu candidato, daqueles equipamentos, como as urnas eletrônicas
> brasileiras, que não permitem.
>
> Eu gostei desse nome porque designa bem o X da questão da confiabilidade
> do voto eletrônico.
> *
> Urnas-e sem voto impresso não têm verificabilidade do voto.
> Aquelas com voto impresso conferível pelo eleitor, têm.*
>
> Vejam o artigo do Wagner Medeiros em:
>
> http://www.investimentosenoticias.com.br/ultimas-noticias/artigos-especiais/verificabilidade-do-voto-eletronico.html
>
>
 Verificabilidade do Voto Eletrônico
<http://www.investimentosenoticias.com.br/ultimas-noticias/artigos-especiais/verificabilidade-do-voto-eletronico.html>
 Sáb, 31 de Março de 2012 01:08


[image: artigos-site]Testes públicos de segurança das urnas eletrônicas
brasileiras, com vistas ao pleito municipal de outubro, foram realizados no
Tribunal Superior Eleitoral nos dias 20, 21 e 22 de março de 2012, com a
participação de 24 especialistas em informática, divididos em nove grupos,
que atuaram como se fossem hackers, segundo informações do TSE.

Conforme amplamente veiculado na imprensa, um grupo da Universidade de
Brasília (UnB) conseguiu quebrar a segurança da urna eletrônica. A quebra
consistiu essencialmente em recuperar a sequência dos votos, o que permite
violar o sigilo das opções de cada eleitor desde que eles tenham acesso à
lista de eleitores que votaram na seção.

“Conseguimos recuperar 474 de 475 votos de uma eleição na ordem em que
foram inseridos na urna”, revela o coordenador do grupo, Diego Freitas
Aranha, professor de Ciência da Computação da UnB, que fez doutorado em
criptografia pela Universidade de Campinas (Unicamp).

Originalmente o plano de teste previa a recuperação de 20 votos, mas o
próprio TSE desafiou o grupo a resgatar 82% dos votos de uma fictícia
sessão eleitoral com 580 inscritos – percentual que equivale à média de
comparecimento nas eleições brasileiras.

A exemplo das edições anteriores dos testes, o tempo limitado de acesso à
urna eletrônica, três dias, impede avanços ainda mais significativos na
quebra da segurança do sistema eletrônico de votação.

O número de acusações de fraudes nas eleições em volta do nosso país cresce
a cada ano, mas o STE nunca viu tais acusações como fraudes comprovadas. O
problema de termos um sistema eleitoral com a responsabilidade de
administrar, regular e fiscalizar o próprio sistema eleitoral complica a
confiança no sistema, afinal é difícil acreditar que alguém vai admitir
perante os seus superiores que cometeu um erro e pra correr o risco de
perder o emprego e colocar em cheque o “cem por cento seguro”.

Em busca de melhorar a segurança e a confiabilidade dos seus sistemas
eleitorais de votação (SEV), muitos países têm apostado em dois requisitos
essenciais.

Princípio da publicidade: ser capaz de demonstrar que o resultado eleitoral
foi correto. Isso significa que o conteúdo do voto tem de ser público e
conferível pelo eleitor no local de votação e pelo fiscal de partido
durante a apuração.

Princípio do sigilo do voto: não possibilitar a identificação do autor do
voto. É fundamental para se evitar a coação de eleitores, que é uma fraude
com poder muito forte de distorcer o resultado eleitoral.

Sistemas de votação com verificabilidade fim-a-fim permitem que os
eleitores auditem se seus votos são expressos como destinados, coletados
como elencados, e contabilizados como recolhidos, ou seja, proporcionam uma
apuração capaz de ser conferida pela sociedade civil. Essencialmente, os
sistemas de votação com verificabilidade prestam a garantia aos eleitores
de que cada etapa da eleição funcionou corretamente. Ao mesmo tempo, os
sistemas de votação devem proteger a privacidade do eleitor e evitar a
possibilidade de influência e coação eleitoral dos eleitores. Vários
sistemas de votação com verificabilidade fim-a-fim têm sido propostos,
variando em usabilidade e praticidade.

Normalmente, os sistemas de votação de criptografia usam um quadro de
avisos públicos onde os funcionários eleitorais publicam informações que os
eleitores e outros agentes envolvidos usam para o processo de verificação.
No momento da votação, os eleitores podem, opcionalmente, receber um
comprovante de preservação da privacidade de seu voto. Após os votos serem
contados, os resultados e a verificação da informação são exibidos no
quadro de avisos. Os eleitores podem então utilizar os seus comprovantes
para verificar se os seus votos foram recolhidos, conforme esperado, e
qualquer partido pode verificar se o registro está correto em relação aos
votos recolhidos. Se algum eleitor encontra uma discrepância, ele tem algum
tempo para um registro de litígio, antes de o resultado ser certificado.

Mais formalmente, o que tem sido variavelmente chamado E2E (em inglês,
“End-to-End” ou Fim-a-Fim), votos codificados, criptografia, ou auditoria
de sistemas abertos de voto, são os sistemas que preservam o sigilo
eleitoral, proporcionando:

Verificabilidade do eleitor: algum tempo depois de lançar o seu voto, cada
eleitor pode confirmar que seu voto foi "recolhido como elencado",
verificando a preservação da privacidade da recepção da informação contra
um registro público de recibos postados pelos funcionários eleitorais.

Verificabilidade universal: qualquer pessoa pode verificar que os votos
foram "contados como recolhidos", ou seja, a correspondência postada é
correta com relação ao registro público dos recibos postados.

Com relação a eleições de auditoria aberta, há apenas um pequeno número de
implementações relevantes, entre elas citaremos alguns casos de eleições
realizadas atualmente que proporcionaram a verificabilidade do voto e
alguns sistemas que proporcionam este funcionamento.

O sistema Helios é o primeiro sistema de eleição de auditoria aberta
baseado na web, ele está disponível ao público, qualquer pessoa pode
acessá-lo, criar e proceder uma eleição e qualquer pessoa pode auditar todo
ou qualquer parte do processo. Devido ao voto ser feito pela web, o Helios
ainda é um sistema que pode ser atacado por um coercivo, ficando o sistema
ainda dependente de muita confiança nas eleições. Não obstante, tem sido
utilizado em clubes sociais, entidades estudantis e outros cenários fora do
embate político partidário público.

O eleitor pode sofrer algum tipo de coerção em votações on-line, como é o
caso do Helios, um coercivo pode ficar fiscalizando por trás do seu ombro
se ele realmente está votando em quem prometeu, ou até mesmo um coercivo
poderia sair por aí com um notebook coletando pessoas que queiram
comercializar os seus votos. Já buscando uma solução para este tipo de
ataque, alguns protocolos de segurança procuram reduzir o risco de coerção,
permitindo que os eleitores anulem o seu voto coagido posteriormente e
habilitando uma nova votação, mesmo assim ainda não é uma solução
definitiva, pois o eleitor mal intencionado, poderia usar este artifício
para vender seu voto várias vezes a coercivos diferentes.

O sistema Scantegrity, assim como o Helios, trata-se de sistema de votação
eletrônico que também objetiva a verificabilidade do voto. Inicialmente ele
foi testado por eleitores de Takoma Park, no estado de Maryland - EUA, como
forma de permitir que os eleitores acompanhassem o boletim de voto através
da Internet e verificassem se seus votos realmente haviam sido registrados
conforme depositados.

O Scantegrity é um projeto desenvolvido por um especialista em criptografia
em conjunto com investigadores acadêmicos, de diversas universidades e
atualmente encontra-se na sua 2º versão. Baseado em técnicas de
criptografia, o sistema pode ser introduzido nos leitores ópticos das
urnas, onde os eleitores depositam o seu voto preenchido com uma caneta de
tinta especial.

Após votar, é visto no boletim de voto um código com três dígitos, de fácil
assimilação, escrito com tinta invisível e que apenas é visível quando o
eleitor seleciona o seu candidato. Este código então poderá num segundo
momento ser utilizado para verificar, através de um site pertencente à
instituição responsável pela eleição, se o voto foi ou não corretamente
contabilizado.

Em Israel o recurso de criptografia visual está sendo implantado para
ajudar a fortalecer a segurança das urnas. A votação para a liderança do
Partido Meretz no mês passado  se deu através do sistema Wombat de votação
eletrônica, que faz uso da criptofia visual, e que foi desenvolvido pelo
Centro Interdisciplinar Herzliya e a Universidade de Tel Aviv usando o
código escrito pelo especialista em criptografia Douglas Wikstrom do Royal
Institute of Technology (KTH) em Estocolmo.

O método de criptografia visual consiste em criptografar uma informação
visual (imagens, texto, etc) de tal maneira que, para a decriptação,
dispensa a ajuda de equipamentos. No sistema usado nas eleições israelenses
o eleitor escolhe o candidato desejado na urna, recebe uma cédula impressa
que consiste de duas informações: uma corresponde ao voto desejado e a
outra uma informação encriptada com criptografia visual. O eleitor
digitaliza a parte criptografada com a ajuda de uma espécie de leitor de
código de barra, que copia o código para a internet para uma consulta
posterior do próprio eleitor, em seguida ele corta o voto, separando-o da
informação criptograda e o cobre com um lado do papel que já está inserido
na cédula, de forma a esconder a sua escolha e o deposita na urna.

Em 2011, a Argentina iniciou a implantação de equipamentos eletrônicos
denominados Vot-Ar de 2ª geração, com registros simultâneos impresso e
digital do voto. Na Província de Salta, 33% dos eleitores votaram nas novas
urnas com voto impresso e a previsão é de ampliar para 66% em 2013 e 100%
dos eleitores em 2015.

No Brasil as urnas eletrônicas ainda são de 1º geração, e não permitem a
verificabilidade do voto. Resta indagar: até quando?


*Wagner Medeiros dos Santos, Mestrando, Centro de Informática da UFPE*
*Gleudson Varejão Júnior, Mestrando, Centro de Informática da UFPE*
*Carlos Eduardo Rodrigues Saraiva, Mestrando, Centro de Informática da UFPE*
*Ruy José Guerra Barretto de Queiroz, Professor Associado, Centro de
Informática da UFPE*

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O texto acima e' de inteira e exclusiva responsabilidade de seu
autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao
representa necessariamente o ponto de vista do Forum do Voto-E
 
O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas
eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos
sistemas de assinatura digital e infraestrutura de chaves publicas.
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        http://www.votoseguro.org
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