Obrigada Don Alex!!

Não vamos deixar o Beco perder a sua alma. Vamos entrar na Alma dele - como
bem encomendou Zeca - e fortalecê-lo com boas prosas e poesias, com
amabilidades não banais, com trocas amorosas.

Bom carnatal e final de semana para todos.

Crys


Em 29/11/07, Alex de Souza <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
>   o ensaio de edgar allan poe é filosofia da composição. muito bacana o
> texto, dona Crys.
>
> um abraço,
>
> Lex
>
> Em 29/11/07, Ana Cristina Cavalcanti Tinôco <[EMAIL PROTECTED]>
> escreveu:
> >
> >
> > Bom, como sou uma alminha boa, que fica melhor depois de uma elogio do
> > Sr. Favinha, então dou minha contribuição para a ressureição do Beco.
> >
> > Abaixo, em primeiríssima mão, a última crônica escrita com base no ENE -
> > Encontro Natalense de Escritores.
> >
> >
> >
> >
> >
> >
> >
> >
> > *                                                       COMEÇAR PELO FIM
> > *
> >
> > * *
> >
> > * *
> >
> >             Como o próprio título sugere, este foi o último parágrafo
> > que escrevi, apesar de estar usando-o agora, na esperançosa tentativa de
> > melhor compreender, e transcrever, o surpreso e novo raciocínio que passei a
> > ter sobre a assertiva acima.
> >
> > "Começar pelo fim" foi um conselho proferido por Ruy Guerra durante o II
> > ENE -Encontro Natalense de Escritores. É a maneira por ele tida como mais
> > eficaz para escrever um texto literário. Ruy é cineasta e dirigiu filmes
> > notáveis como "Os Fuzis","Kuarup","Ópera do Malandro", "Estorvo", "Erendira"
> > e "Veneno da Madrugada", estes últimos obras de Gabriel Garcia Márquez, de
> > quem é amigo pessoal. É escritor e compositor ao lado de ícones da MPB como
> > Edu Lobo e Chico Buarque.
> >
> > A referida frase, usada como recomendação para dar fluidez a um texto
> > foi citada sem deixar de reconhecer sua autoria em Edgar Allan Poe, que a
> > utilizou num ensaio descritivo sobre o seu famoso poema "The Raven"
> > afirmando que a melhor maneira de escrever um poema é iniciá-lo pelo final.
> >
> > Começar pelo final pode se configurar como uma opção que oferece
> > múltiplas possibilidades de desenvolvimento. Aplicável para inícios que
> > tiveram meio e finais difíceis, não seria, entretanto, um recomeço, posto
> > que não haveria repetição das ações já comprovadamente falhas; seria antes
> > uma reinvenção, um novo olhar sob um outro prisma. É uma máxima facilmente
> > adaptável a muitas situações em nossa vida fragmentária, classificável,
> > empacotada, quando a relatividade dos valores, sentimentos, percepções pode
> > passar a adquirir novas significações de acordo com mudanças
> > circunstanciais.
> >
> > Verdades simples e absurdamente desconhecidas podem ser captadas em
> > momentos como esses, de troca de conhecimentos. E dentre as novas verdades
> > trazidas por Ruy Guerra, o enaltecimento à maturidade (para não usar a
> > melancólica palavra "velhice") e seus inerentes frutos tais como a
> > diminuição da audição, visão, memória, entre outras habilidades
> > comprovadamente limitadas pelos que já adentraram as faixas dos 60/70 anos,
> > foi o que mais chamou a atenção. Sua leitura própria e positiva sobre o tema
> > foi mais específica no tocante à perda parcial da memória. Relatou Ruy que o
> > que poderia ser considerado negativo - pelo prejuízo do esquecimento - pode
> > ser usado como artifício para se reinventar a própria história de vida
> > partindo do final no qual nos encontramos e recriando um novo início e meio,
> > desta feita até mesmo mais feliz, haja vista poder ser criado ao bel prazer.
> >
> >
> > Como podemos perceber, a criatividade aliada à coragem dos que ousam
> > fugir aos padrões pré-estabelecidos, ao normal e aceito como verdade
> > absoluta, é uma nova arma não só para a composição de textos bem
> > estruturados como para o combate à mesmice, ao lugar comum. Uma oportunidade
> > para reescrever e revalorizar a própria história de vida. Começar pelo fim é
> > viver com esperança em dias melhores. É não repetir fórmulas equivocadas e
> > receitas simplórias. É acender a chama do desejo pelo novo, do anseio pelo
> > desconhecido, da saudável instigação e curiosidade que nos motiva a viver
> > com mais prazer.
> >
> >
> >
> >
> >
> > Natal, 28 de novembro de 2007
> >
> >    Ana Cristina Cavalcanti
> > [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>
> >
> >
> >
> >
> > --
> > Crys
> >
> >
> 
>



-- 
Crys

Responder a