Adorável Cristina, A senhorita como sempre escrevendo divinamente bem, mostrando sua sensibilidade e inteligência. No presente momento estou precisando muito, não da inteligencia, mas, da sensibilidade, da presença aqui comigo, na minha varanda, desfrutando da minha rede, olhando meu laguinho cheio de marrecos de Pequim, tomando, quem sabe, um vinho, porque aqui no brejo faz frio de noite, mesmo no verão. Tenho estado triste últimamente, pois não é que apesar da minha experiência de vida, deixei-me enredar, justamente, nos meandros do amor, que de uma hora pra outra transformou-se em profunda melancolia e numa inquietante saudade, que não quer parar e insiste em me maltratar, sem arredar um segundo sequer. Quem sabe, a boa companhia de uma pessoa gente boa, agradável, pudesse ser o grande curativo, para pelo menos arrefecer essa angústia, e faríamos disso uma troca de satisfações mútuas. Quem sabe? Pense nisso e saiba que estou aqui sempre, na mesma granjola, no mesmo lugar.
Beijo (permisso) Mfava Campina Sempre Grande Em 29/11/07, Ana Cristina Cavalcanti Tinôco <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > > > Bom, como sou uma alminha boa, que fica melhor depois de uma elogio do Sr. > Favinha, então dou minha contribuição para a ressureição do Beco. > > Abaixo, em primeiríssima mão, a última crônica escrita com base no ENE - > Encontro Natalense de Escritores. > > > > > > > > * COMEÇAR PELO FIM* > > * * > > * * > > Como o próprio título sugere, este foi o último parágrafo que > escrevi, apesar de estar usando-o agora, na esperançosa tentativa de melhor > compreender, e transcrever, o surpreso e novo raciocínio que passei a ter > sobre a assertiva acima. > > "Começar pelo fim" foi um conselho proferido por Ruy Guerra durante o II > ENE -Encontro Natalense de Escritores. É a maneira por ele tida como mais > eficaz para escrever um texto literário. Ruy é cineasta e dirigiu filmes > notáveis como "Os Fuzis","Kuarup","Ópera do Malandro", "Estorvo", "Erendira" > e "Veneno da Madrugada", estes últimos obras de Gabriel Garcia Márquez, de > quem é amigo pessoal. É escritor e compositor ao lado de ícones da MPB como > Edu Lobo e Chico Buarque. > > A referida frase, usada como recomendação para dar fluidez a um texto foi > citada sem deixar de reconhecer sua autoria em Edgar Allan Poe, que a > utilizou num ensaio descritivo sobre o seu famoso poema "The Raven" > afirmando que a melhor maneira de escrever um poema é iniciá-lo pelo final. > > Começar pelo final pode se configurar como uma opção que oferece múltiplas > possibilidades de desenvolvimento. Aplicável para inícios que tiveram meio e > finais difíceis, não seria, entretanto, um recomeço, posto que não haveria > repetição das ações já comprovadamente falhas; seria antes uma reinvenção, > um novo olhar sob um outro prisma. É uma máxima facilmente adaptável a > muitas situações em nossa vida fragmentária, classificável, empacotada, > quando a relatividade dos valores, sentimentos, percepções pode passar a > adquirir novas significações de acordo com mudanças circunstanciais. > > Verdades simples e absurdamente desconhecidas podem ser captadas em > momentos como esses, de troca de conhecimentos. E dentre as novas verdades > trazidas por Ruy Guerra, o enaltecimento à maturidade (para não usar a > melancólica palavra "velhice") e seus inerentes frutos tais como a > diminuição da audição, visão, memória, entre outras habilidades > comprovadamente limitadas pelos que já adentraram as faixas dos 60/70 anos, > foi o que mais chamou a atenção. Sua leitura própria e positiva sobre o tema > foi mais específica no tocante à perda parcial da memória. Relatou Ruy que o > que poderia ser considerado negativo - pelo prejuízo do esquecimento - pode > ser usado como artifício para se reinventar a própria história de vida > partindo do final no qual nos encontramos e recriando um novo início e meio, > desta feita até mesmo mais feliz, haja vista poder ser criado ao bel prazer. > > > Como podemos perceber, a criatividade aliada à coragem dos que ousam fugir > aos padrões pré-estabelecidos, ao normal e aceito como verdade absoluta, é > uma nova arma não só para a composição de textos bem estruturados como para > o combate à mesmice, ao lugar comum. Uma oportunidade para reescrever e > revalorizar a própria história de vida. Começar pelo fim é viver com > esperança em dias melhores. É não repetir fórmulas equivocadas e receitas > simplórias. É acender a chama do desejo pelo novo, do anseio pelo > desconhecido, da saudável instigação e curiosidade que nos motiva a viver > com mais prazer. > > > > > > Natal, 28 de novembro de 2007 > > Ana Cristina Cavalcanti > [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]> > > > > > -- > Crys > > . > > > -- Mfava Campina Sempre Grande.
