Beleza de Cleuza meu querido.
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Data: Wed, 9 Jan 2008 09:35:16 -0300 (ART)
Assunto: Re: [becodalama] Deu na revista Piauí
> Táis certo, amigo Serrão. Vosmecê tem toda razão.
> Pois se é assim, aí vai - trecho do que Papo é Esse?, à pág, 103:
>
> No quem-me-quer da João Pessoa, anos 60, todos ficavam encostados nos
> carros estacionados nos dois lados da rua a apreciar o movimento; desfilar,
> ver, ser visto, paquerar - dizia-se à época, flertar, do inglês flirt. Era
> mais um neologismo herdado do pós-guerra - como também aqueles que passavam
> nos carros do ano; naquela época, como ainda hoje, relicários de prestígio
> e realização pessoal. Havia paquera, gente bonita, desfile de figuras
> badaladas e de todos os níveis possíveis; evidentemente, dentro dos padrões
> culturais da Natal provinciana a despertar para os tempos pós-modernos. Breno
> Rela-buxo Cabral, uma vez, para contestar e escandalizar a cidade alugou
> três carroças de burro - com os carroceiros e tudo.
> Em uma das carroças Breno colocou uma charanga a tocar músicas
> carnavalescas. Ele, ao lado, bêbedo, barbudo, animando a folia e nas outras
> duas reuniu várias figuras, inclusive prostitutas de Maria Boa e duas bichas
> do bas fond, conhecidas, bem escrachadas, percussoras talvez das hoje
> prestigiadas drag queens. Entre elas, eu me lembro, o famoso Nazareno,
> falecido recentemente (Deus o tenha), que era veado, mas brigava com uma
> radio patrulha inteira. Mesmo assim tinha o seu próprio código de honra e
> era pessoa correta, de palavra, macho, no sentido do caráter em si. Este
> foi, indubitavelmente, o Madame Satã da terra de Poty.
> Nazareno possuía um bar chamado Pé do Gavião, à beira do Rio Potengi, vizinho
> ao badalado Briza del Mare. O Pé do Gavião era uma opção underground da
> província, - nós o descobrimos e assim o elegemos. Ali foi o QG do
> Bloco de Breno e Cia.
> Duruca o outro baitola, carismático, tinha uma voz estridente, esganiçada
> - engraçadíssimo. Todo maquiado, os beiços todo calabreado, batom vermelho
> (chocante), olhos pintados a la Little Richard. Trabalhava no Vandebá (Wonder
> Bar), o mais famoso cabaré da Ribeira.
>
> Pois bem, essa troupe desfilou várias vezes pelas ruas do centro e cada vez
> que passava em frente à Ki Show, era um deus nos acuda, um auê
> inolvidável. Aí, formava-se, ao longo do cotejo, a turma que aderia ao
> bloco, acompanhando a pé, levados e embalados pela música contagiante.
> Foi o happening de despedida na vida escrachada de Breno Rela-Buxo, que a
> partir dali encerrou a sua carreira de presepeiro acho que ele e Chico
> Miséria jamais se encontraram, porque aí seria o cúmulo de duas energias
> formidáveis. A partir daí, Rela-Buxo se emenda e passa a ter uma vida normal,
> com um trabalho importante no esporte amador da cidade. É hoje competente
> instrutor de voleibol e professor de educação física, tendo sido um dos
> principais mentores da sport star potiguar, Virna Dantas.
> Se o comediante Jerry Lewis já foi citado como beat; neste caso, Breno Cabral
> também merece a referência. Espero que ele não vá se ofender por eu estar a
> citá-lo aqui, mas o que quero colocar é: as performances de Breno foram
> demais.
> Breno bancou essa turma - com os integrantes a se revezarem - durante mais de
> uma semana, em uma farra só. Imaginem, todos badalando pelos bares da cidade,
> dia e noite (à noite nas festas e depois nos cabarés) desfilando em carroças
> de burro com som ao vivo.
> Eu interpreto o acontecimento como uma paródia das famosas farras que fazia
> um grupo seleto de empresários (e políticos) de Natal, entre outros o
> engenheiro Roberto Freire - que era o mais rico, e foi uma das primeiras
> pessoas da elite potiguar - ele e seu grupo - em optar entre alugar um
> aeroplano para farrear em Fortaleza ou Recife, ou, por outro lado, freqüentar
> os lugares mais inusitados de Natal, com as personagens mais díspares. Eram
> beats e nem sabiam.
> A performance de Breno Rela Buxo Cabral (a origem deste apelido é outra
> zorra memorável) foi, indiscutivelmente, o primeiro desbunde beat realmente
> emblemático em irreverência e ousadia. Beat porque, no cortejo, estavam
> também alguns Ripes que curtiam uma zorra e beat porque era a coisa de não
> estar atado a um mundo castrador, dizia-se à época. Era expandir até quase o
> limite máximo sua parcela de liberdade, exercer o anarquismo em sua gênese
> filosófica.
> O seu feito foi - eu não tenho dúvida - o primeiro carnaval fora-de-época da
> city dos Reis Magos.
>
>
>
> Franklin Serrão escreveu:
> eu quero la saber de história de paulo macedo, nem de j. oliveira, nem
> rodrigo levino. vai prá lá. abro sábado sim, vou abrir bem cedim. faça o
> seguinte, me conte histórias do movimento ripe em natal, das esculturas de
> jordão, de novinil, da galeria do povo, do festival do forte, de joão
> gualberto. aí sim , eu escuto.
> serrão.
>
> Maurílio Eugênio escreveu:
> De nada. Ninguém tem obrigação de saber língua estrangeira...
> Eu só tou podendo passar em sua loja no sábado. Vc abre ou não abre?
> Responda, porra!
> E a historinha sobre Paulo Macedo? Quer saber ou não quer?
>
> Franklin Serrão escreveu:
> obrigado maurílio.
>
> Maurílio Eugênio escreveu: O cara apenas aportuguesou a pronúncia, o que é o
> correto.
> O Brasil talvez seja o único país que não fala as palavras estrangeiras com o
> sotaque próprio. Em Portugal, por exemplo, o príncipe Charles é Príncipe
> Carlos. Na França, nem se fala, que é o país com a maior consciência
> nacionalista entre todos.
> Portanto, spleen é splim mermo e acabou.
> Esnobismo à parte...
>
> E vosmicê, caro Serrão, não respondeu a todas as minhas perguntas, nem disse
> se quer ou não saber a historinha sobre P. Macedo...
>
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