TAM, DAM DAM DAM...
TAM, DAM DAM DAM!
Poeta Rios Brás Cubas
apresenta
da Série
Poemas Porretas:
Maurílio Pinta é um assombro!
Quando Maurílio Pinta nasceu
nenhum galo conseguiu cantar,
nenhuma estrela ponteou o céu
e em trevas o mundo se fez.
Os rios se tornaram caudalosos
e invadiram terras e lares
afogando de uma só vez
homens, bichos e plantação.
Nem a Arca de Noé
resolveria a parada.
À medida que ele ia crescendo
o mundo se tornou mal,
os costumes se anarquizaram
e os valores mais sagrados
começaram a degringolar.
As virgens se desvirginaram,
nos conventos havia sodomia,
as freiras chupavam rolas
e os padres davam o cu;
só escapou mesmo o Papa,
pois este pediu a Jesus:
Misericórdia, Senhor! O anti-Cristo é entre nós.
Quando Mister Pinta cresceu
os Sátiros bateram palmas.
Um grande e peludo cão saltou de um navio-fantasma
enquanto este mal ancorara no cais
por causa da tempestade.
Quando ele saía às ruas
as pulgas saltitavam de alegria
nos culhões dos unicórnios;
morcegos se metamorfoseavam,
os ratos se desentocavam dos esgotas
e começavam o festim!
Quando M. Pinta se casou,
em sua lua-de-mel
ofereceu a virgem pura
a todos os convidados.
Todos comeram a sua, agora, esposa.
E ele cantou e celebrou a Rastáfari
até altas horas da noite
e foi uma festa de arrombar
o priquito de Mata Hari.
Depois de homem feito e maduro
M. Pinta foi um colosso.
Aonde chegava fechava o ponto, digo, o tempo;
as nuvens tornavam-se plúmbeas,
os loucos tinham crises agudas nos manicômios,
lobos uivavam tetricamente nas estepes...
Por seis meses o sol não saiu
e havia, na caatinga, catinga de enxofre
e, (que caninga!) cantiga de flatos
a 3x4.
As mulheres tiveram as regras modificadas.
Sangravam, agora, pelo zé-de-gola.
Que magnífico ser abjeto!
Exclamavam as pessoas sobre o amoral M. Pinta
e escarravam quando ele passava.
Quando se iniciou a envelhecer ganhou rugas,
nobres sulcos se lhe vincaram a face execrável
e seu rosto de personagem da dor,
de Allan Pöe contos de horror
ficou curtido... incontáveis curtições
na sombra de Jack, o estripador.
Frankenstein estremeceria se o encontrasse frente a frente
e Lorde Byron o baniria
daquele ambiente presentemente deletério
em que se tornara o mundo, o real.
Se Zé do Caixão o encontrasse
benzer-se-ia 3 vezes...
Quando Maurílio Pinta, o indesejável,
entrou na terceira idade,
no dia do seu 60º aniversário
regurgitou uma gosma azulada, zombeteira...
alienes se deslocaram de suas casamatas
e adentraram ao recinto
na quebrada da soleira.
E foi só o que restou.
Quando M. Pinta morreu
um imenso véu rasgou-se de alto a baixo;
todo o petróleo petrificou
nos subterrâneos da terra.
O planeta estremeceu três vezes
e ouviu-se até em Plutão.
Pois só então, quando Pinta deixou este mundo
a Natureza se recompôs com dores atrozes,
os sinos blim-blom-blailaram,
o solo exalou suspiros de açucares,
alfinins e grudes de extremozes;
os pássaros regozijaram,
cascatas cascatearam
fazendo chuá-chuá, chué...
....o sol voltou a brilhar
e chuvas refrescaram toda a Terra.
Enfim, tudo se ensejou recomeçar
sem a presença do Pinta
o qual, com sua destreza,
com sua ignóbil torpeza
semeara a waste land -
uma lembrança medonha
passou a personificar
no lago Manhumirim,
no pântano onde aqui jaz
Maurílio (o pinta de Alcatrás)
a Maior Aberração da Natureza.
E
assim
foi.
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