Roubado do blog de YASMINE, PÁGINAS DO HOMEM Vasculhando algumas páginas alheias, li todos os desabafos, poemas. Encontrei nas letras, casa, a comida, os erros, amores quem sabe verdadeiros e as agonias de quase um mundo inteiro. Teve momentos que os sinais eram claros de um sentimento novo, mas já havia outros nas datas anteriores. No meio de tudo encontrei o homem que sentiu-se quem sabe, mais menino e livre. Mas faltavam folhas, os poemas foram chorando o lamento daquele que aos poucos enterrava um sonho. E a lacuna ficou aberta no meio do tempo.
Quem o homem amou? Não sei, mas quem o amou, o levou vivo pra sempre, talvez ele jamais seja menino livre novamente. Depois de tentar organizar na mente as datas trocadas e inconseqüentes, passei a entender que nem sempre o tempo caminha igual com a gente ou as pessoas mudam e o homem ama ou pensa que ama novamente. Como se ele deixasse um caderno de juras sem datas, sem assinaturas, apenas as lacunas abertas para serem usadas a cada momento de uma certeza falsa. Era o homem que eu via. E o homem é assim todos os dias. Ama o que não vê e também o que toca, devora o que pensa que tem e o que lhe é servido na mesa. O pensamento dele, muitas vezes não sabe o que ele carrega também li isto nos poemas. Havia um destino e espaços diferentes entre o coração e a sua mente, que algumas vezes lhe enganou, mas não fingiu ao coração que se contorcia muitas vezes com a própria agonia. E dentro de mim não existia mais ninguém, era no homem que me encontrava como espelho no suposto espaço do tempo parado na minha mente cansada. O perdi meio que contente achando que havia crescido. Mas o homem não cresceu na minha visão. Conciliei menino, explosão, dor e pavor. Um completo torpor e assim segurava as linhas mal traçadas e ao mesmo tempo novamente o encontrava. Não sei bem o rosto do homem, às vezes um gigante e desconcertante por não saber caminhar em passos lentos, a corrida contra o tempo o fazia escorregar nos seus próprios pensamentos. A capa não chegava a ser de um livro, mas eu limpava o mofo dos deslizes de sentimentos, corrigia suas frases perfeitas e diferentes do que ele mesmo vivia. Achando que seu segredo viraria amuleto. Mas o homem era e é assim. Não saber conciliar verdade e alegria, mas sabia em tom de nostalgia brincar de amor em página antiga reciclando palavras ferinas enganando a dor. Como livro restaurado, mas de conteúdo fechado. Não sabia o que poderia ainda ler na sua estratégia de querer sempre fingir a força que sempre o fazia refém dos enganos mais assim continuei a segui-lo pelas letras e estilo. No final os olhos já não queriam enxergar, nem o coração entender, homem inquieto, deserto, disperso. Conclui: o homem é completo e belo, é livre, é animal apaixonado, descontrolado. Foi nos escritos que eu o encontrei, foi na realidade que eu acordei e o perdi. Yasmine Lemos
