>> Bem, gosto de pensar que não teve ligação, que não era porque eu era >> mulher, embora depois de um mes um analista tenha sido contratado >> (vindo de outro estado!). Bom, é isso. E vocês? O que tem a contar?
Olha Kessia, depois que eles contrataram outro analista fica meio difícil achar que eles precisavam de apenas um. Mas minha experiencia profissional apontaria outro problema. Você relatou que as pessoas se redirecionavam primariamente apenas para o outro estagiário. Isto provavelmente aumentou muito a produtividade dele e diminuiu a sua. Você também relata que sempre procura pensar o melhor - ele está aqui o dia inteiro, é natural - porém provavelmente sua chefia estava esperando que você reagisse de alguma forma para "competir" e voltar a sua antiga produtividade. Você talvez achou que deveria fazer seu trabalho como sempre e eles perceberiam que você continuava se esforçando, enquanto eles entenderam a mensagem que talvez você não estivesse tão interessada. A mensagem do Edgar me lembrou um livro que eu ganhei e está sendo revelador sobre mim mesma e sobre como nos tornamos assim. O livro se chama "Mulheres não perguntam"(Women don't ask - Linda Babcock, Sara Laschever). Uma das autoras trabalhava em um departamento em uma universidade. Um dia, um grupo de alunas veio reclamar que todas as vagas de tutores(esqueci o termo, pessoas que dão auxilio a alunos em determinadas matérias) eram dadas para estudantes homens. Quando ela foi perguntar aos professores porque isto acontecia, a resposta surpresa deles foi "Porque as mulheres não pedem". > a) liderar: não liderança formal, mas liderança como um ato de desbravar, > ganhar confiança e tomar frente. Isso é especialmente difícil, pq a > verdade > é q muitos homens ainda acreditam que mulheres não são objetivas, mulheres > tem "frescuras"... entre outras coisas. > b) auto-confiança: uma mulher tem muito, mas muito mais chance de ser > rotulada como incompetente em algum erro fortuito. Quem não escutou a > frase > "só podia ser mulher"? Isso leva tbm a uma introspecção, pq qquer decisão > que envolva risco envolve probabilidade de erro. E no final as próprias > mulheres se deixam envolver com isso e deixam de assumir desafios que > envolvam riscos. Estes dois motivos para mim estão interligados. As mensagens que recebemos durante a criação ensinam que mulheres são frágeis e dependentes, então dependem da orientação de outros. Este livro que estou lendo mostra vários pequenos hábitos que desde cedo ensinam as crianças sobre tarefas de homens e mulheres. Um exemplo simples é que o menino em geral é designado a fazer tarefas externas como cuidar do jardim, e as meninas a tarefas dentro de casa, como ajudar na casa. Então a criança assimila a informação de que meninos são para ir e desbravar o mundo, e as meninas ficam em segurança em casa. Mais ou menos como no tempo das cavernas :) > c) mulher bonita = burra, mulher competente no trabalho = infeliz na vida > pessoal, amargurada, mal-amada... blablabla... : isso é um mote geral (por > incrivel q pareça até a Nova - q diz ser uma revista pró-feminismo - já sério que diz ser pró-feminismo? Eu gosto muito da TPM, tem matérias ótimas, principalmente quando resolve zoar a Nova :D > aceitou essa "teoria" da mulher bem-sucedida profissionalmente infeliz na > vida pessoal). Quem quiser negar q existe essa corrente... bem, no final > isso acaba criando essa famosa imagem da mulher-objeto. O que eu tenho a dizer sobre carreira profissional foi que depois de um certo nível profissional, isto tende a diminuir. Ou então fui eu quem aprendi as regras do jogo corporativo. Acho que vou colocar o Howto Negociar Salários e Promoções na lista de traduções. Tenho muitos amigos homens que acharam muito valioso, mas ele ilustra bem os erros que muitas mulheres tendem a levar da educação de casa - faça seu trabalho calada e arduamente que um dia vão reconhecer, seja sempre muito humilde e faça todos a sua volta felizes mesmo que isto custe suas vontades, aceite qq coisa que oferecerem como salário - para o ambiente de trabalho, onde todos estão ocupados demais para descobrir quem resolve mais bugs, quem tem o código mais rápido ou quem atende melhor os clientes. E progredir na carreira sempre envolve auxiliar outras pessoas, gerenciar tempo, conflitos e prazos, e principalmente negociar. Por não quererem parecer muito arrogantes, as mulheres assumem uma postura "é muita responsabilidade, não sei se posso fazer isto", ou ficam esperando alguem oferecer. Até isto acontecer, outra pessoa já se mostrou mais interessada e claro, isto também conta para uma promoçao. > > Iniciativas como a que foi proposta no início da discussão são válidas, > mas > antes de mais nada, a atitude de mudar deve vir no dia-a-dia e na > disposição > de alterar a ordem das coisas. Eu acho também que se a gente ajudar a mudar um pouco a forma como a nova geração vai ser criada, vai ser uma grande vitória. Duas coisas tão simples que eu li ontem neste livro: Uma mulher tinha o hábito de deixar seu marido sempre pagar tudo. Contas, mercado, jantar. E isto não tinha nenhuma relação com o salário, ela ganhava mais que ele e na verdade as finanças eram dos dois, mas ela achava mais confortável deixar ele pagar a conta. Um dia, sua filha pequena lhe pediu uma boneca e perguntou "você tem dinheiro suficiente para isto mamãe? as meninas tem dinheiro também ou apenas os homens?" Ela levou um choque, e a partir disto, ela e o marido passaram a dividir o gesto de pagar as contas para garantir aos filhos a informação que ambos ganhavam e gerenciavam o dinheiro. Outro caso era de uma mulher engenheira, mas que deixava todos os trabalhos de trocar lampadas, arrumar janelas e coisas assim para o marido. Um dia o carrinho do filho quebrou, e ela se propos a consertar. Ele disse, "não, eu vou esperar o papai, papai conserta coisas". Ela também se tocou da mensagem que estava passando, e passou a dividir estas tarefas com o marido. Pequenas atitudes que passam mensagens muito diferentes os futuros profissionais. Eu lembro as cobranças e o tipo de expectativa da minha família, eram as mais normais e machistas que vocês podem imaginar. Mas como eu sou do contra, aqui estou eu. Quer dizer, se eu consegui mudar as mensagens programadas, você também consegue :) -- Brain: Prepare yourself for your 15 minutes of fame Pink: after that, can I have 15 minutes of macarena? ------------------------------------------------------------- °v° Sulamita Garcia /(_)\ LinuxChix Brasil ^ ^ http://sulamita.linuxchix.org.br/ _______________________________________________ Linuxchix mailing list [email protected] http://listas.linuxchix.org.br/mailman/listinfo/linuxchix
