Doria,

Faltou acrescentar que o que entendo por "mercado livre" não é o mercado 
"auto-regulado". Na auto-regulação dos mercados acho que nem os herdeiros de 
Milton Friedman acreditam mais. Mas um mercado pode ser livre no sentido de que 
haja competição e que os agentes sejam livres para estabelecer preços, prazos e 
demais condições. A presença do agente regulador é necessária para garantir o 
cumprimento das regras e a transparência do ambiente negocial, pois um mercado 
sem regras seria tão eficiente quanto uma partida de futebol sem regras.

[ ]s

Alvaro Augusto de Almeida
http://www.alvaroaugusto.com.br
[EMAIL PROTECTED]


  ----- Original Message ----- 
  From: Francisco Antonio Doria 
  To: Alvaro Augusto (L) ; Logica-L 
  Sent: Wednesday, October 01, 2008 11:20 AM
  Subject: Re: [Logica-l] Poeta, poeto e poetisa/governo de apedeutas



  E' porque não funciona... 


  2008/10/1 Alvaro Augusto (L) <[EMAIL PROTECTED]>

    O mercado livre funciona, mas tem que ter regulação. A pergunta que nenhum 
país conseguiu responder adequadamente é: quanta regulação? 

    [ ]s

    Alvaro Augusto de Almeida
    http://www.alvaroaugusto.com.br
    [EMAIL PROTECTED]

      ----- Original Message ----- 
      From: Francisco Antonio Doria 
      To: Rafael ; Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da 
área de LOGICA 
      Sent: Wednesday, October 01, 2008 1:25 AM
      Subject: Re: [Logica-l] Poeta, poeto e poetisa/governo de apedeutas


      Contei o que vi, não o que li nalgum livro. Se quiser, acredite; se não 
quiser, sei lá... 

      Sobre economia `ortodoxa': a crise de agora mostra bem a validade das 
teorias `ortodoxas.' E sugiro a você a leitura de um livro sobre o mercado 
livre - Karl Polányi, _The Great Transformation_. 

      (E - bom, tenho alguns trabalhos publicados sobre modelos matemáticos em 
economia, assunto do qual conheço um pouco.)


      2008/10/1 Rafael <[EMAIL PROTECTED]>

        O Palocci  entende pouco  de economia, o Lisboa é que deu as primeiras
        aulas para ele, Lula
        demorou a escolher o Palocci, e escolheou por falta de opção, era
        natural que nas ciências econÕmicas, o PT
        não tivesse agregado pessoas com essa competência. Não vamos esquecer,
        que era o partido que
        pregava o calote, era orgulhosamente contra a lei de responsabilidade
        fiscal, entre outras mágicas. Economistas sérios
        não tem muita afinidade com essas idéias "heterodoxas".
        Palocci não tinha essas habilidades, mas teve a inteligência
        suficiente de ter abraçado a agenda perdida
        e contratado o Lisboa para tocá-la.Tanto é que itens dessa agenda
        foram tocados.  E era um ponto de frear o LUla, em sua fúria
        gastadora.  O fato de Delfim ter influência, em um momento de excassez
        de
        talentos, dos males o menor.

        Quanto a indicação do Meirelles, o ex-presidente dá essa versão da
        história no livro dele:

        "Lula venceu Serra no segundo turno, não criei qualquer obstáculo ao
        futuro governo, pelo  contrário, mas os mercados só se acalmaram
        quando, para surpresa de muitos, o Presidente  eleito e o novo
        ministro da Fazenda, o ex-deputado e ex-prefeito de Ribeirão Preto
        (SP)  Antônio Pallocci, mostraram claramente que seguiriam o curso
        traçado por meu governo. O  primeiro sinal claro seria a designação do
        presidente do BC.
        Depois de ter tateado várias  hipóteses, inclusive a da manutenção
        temporária de Armínio Fraga (defendida, entre outros,  pelo
        recém-eleito senador petista pelo DF Cristovam Buarque), terminou por
        escolher Henrique Meirelles, ex-presidente mundial do Banco de Boston,
        que acabara de se eleger  deputado federal pelo PSDB de Goiás. Uma
        bela manhã, Lula, que como Presidente eleito já  se instalara na
        Granja do Torto, telefonou-me e disse:
        - O presidente do BC vai ser um tucano, seu amigo.
        Explicou que seria Meirelles. Em seguida passou o telefone ao próprio
        recém-convidado  para dirigir o BC, Felicitei-o mas lembrei:
        - Você terá de renunciar ao mandato e se afastar do PSDB. Meirelles me
        pareceu surpreso  com a segunda ressalva. Ele de qualquer
        maneira teria de renunciar ao mandato. Mesmo assim, indagou:
        - Mas preciso também sair do partido?
        - Claro - respondi. Parecia-me evidente a resposta, não apenas pela
        posição técnica e  neutra, e portanto apartidária, que o presidente do
        BC deve manter, como também pelo fato  de que ele passaria a integrar
        um governo de um partido adversário do PSDB.
        Os mercados começaram a se acalmar, e o Brasil, a preservar a
        possibilidade de dias  melhores. Passada a borrasca, em grande medida
        provocada pelas apreensões do mercado e  de muita gente com a
        perspectiva de o PT ir para o poder, a situação econômico-financeira
        desanuviou-se a partir do segundo semestre de 2004. "



         Não nego que havia influências externa e interna para não se colocar
        um petista "heterodoxo". A situação estava
        ruim, barbeiragem naquele momento poderia ter consequências dramáticas
        .A preocupação
        com o Brasil era grande,  o próprio Greenspan em sua recente
        biografia, faz menção a esse episódio.
        Qual era a garantia que o Lula não seria tão ruim quanto os aliados
        que ele tanta elogia e apoia , que fizeram
        hoje a cúpula do atraso? Hoje o que parece certo, não era tão certo.

        As comodities quadriplicaram, o mundo em expansão precisava de nossas
        exportações, ganhamos na loteria e fizemos pouco com
        o prêmio.

        abs,
        Rafael















        2008/9/30 Francisco Antonio Doria <[EMAIL PROTECTED]>:
        > Olha, eu tava lá e vi o que aconteceu. Se você quiser acreditar, tudo 
bem;
        > se não, igualmente ok...
        >
        > Vou contar outra coisa: o programa econômico do primeiro governo Lula 
veio
        > direto do Banco Mundial. Entregue ao Lula pelo Wolfenson em novembro 
de
        > 2002, depois da eleição. Sei disso porque tenho dele cópia, na versão
        > original, distribuída no CDES para a gente pelo Vinod Thomas, que 
então
        > dirigia o Banco aqui no Brasil. Não sei se eles indicaram o Meirelles 
ou
        > não, mas - seria compreensível.
        >
        > O Palocci entende tanto de economia quanto eu de javanês. Um dos 
gurus do
        > Lula no primeiro governo foi o Delfim.
        >
        > 2008/9/30 Rafael <[EMAIL PROTECTED]>
        >>
        >> Caro listeiros,
        >>
        >> não entendo muito de lógica, gostaria de aprender ,  mas como vi na
        >> mesma frase governo lule e eficiência, vou dar o meu pitaco.
        >> O Palocci foi muito importante para a estabilização econômica do 
país.
        >> Não devemos esquecer que os tempos eram outros.
        >> Os vintes anos de bravatas do Lula e cia, quase quebram o país mesmo
        >> antes dele tomar posse, não devemos esquecer daqueles
        >> slogans, calote da dívida, entre outros. O dolar foi a 4,00 e o
        >> financiamento externo travou, por mais juros que se pagasse.
        >> O Lula teve alguns momentos de lucidez, para o banco central, quando
        >> era ventilado o Mercadante, foi procurar o Meirelles em outro 
partido.
        >> Palocci na falta de plano econômico,  o PT só tinha slogans, pegou a
        >> agenda perdida do outro candidato, elaborado pelo Skeiman  , um
        >> exclente
        >> economista e com a colaboração do Lisboa, e a encontrou, passando a
        >> segui-la.
        >>
        >> Houve avanços no microcrédito,entre outras coisas,   quando estourou 
o
        >> mensalão e posteriormente a saida do Palocci, a agenda foi 
abandonada,
        >> e as reformas que o Brasil
        >> precisava e precisa, foram postas de lado. Lisboa um cara competente,
        >> ficou um estranho no ninho, competência não é lá muito apreciada , a
        >> qualidade que decide é ser da patota.
        >>  O prórpio Lula acabou descobrindo que não precisa governar, o país
        >> vai andando, por mais corrupto e mediocre
        >> que seja o governo, se a propaganda for boa, é o que importa.
        >> Esperemos que um outro governo qualquer que venha, volte a pauta das
        >> reformas estruturais necessárias.
        >>
        >> abs,
        >> Rafael
        >>
        >> Quanto ao desempenho mediocre, comparado a outras economias, vem 
mesmo
        >> dessa letargia, ganhamos na loteria, as comodities multiplicaram por 
4
        >> e aproveitamos muito mal
        >> esse momento. Por mais propaganda que se faça, a nossa economia 
ainda é
        >> frágil.
        >>
        >> 2008/9/30 Francisco Antonio Doria <[EMAIL PROTECTED]>:
        >> > Nada a acrescentar, caro bretão...
        >> >
        >> > Passei há três semanas por aquele restaurante em Florença no Borgo 
de'
        >> > SS
        >> > Apostoli, onde você me ofereceu aquela bistecca alla fiorentina
        >> > espetacular,
        >> > que ainda não retribuí. Assisti de novo à missa na igrejinha de' SS
        >> > Apostoli, e fotografei de novo os monumentos lá dentro. E, antes de
        >> > chegar à
        >> > Via Tornabuoni tem uma quitanda onde comprei uma crema ai tartuffi 
neri
        >> > espetacular...
        >> >
        >> > Tenho pena de vosmicê, porque comida inglesa - aaaarghhh!!!
        >> >
        >> > 2008/9/30 Décio Krause <[EMAIL PROTECTED]>
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