De volta da ANPOF e a caixa-postal cheia ...

Joao Marcos escreveu:
> Aí é que está.  A demonstração que eu apresentei NÃO fornece um
> algoritmo, mas apenas um intervalo finito onde você poderá buscar o
> próximo primo, com o seu algoritmo preferido.  Como resultado, a
> asserção resultante sobre a existência do "próximo primo" é
> existencial, ou, se você preferir, uma disjunção sobre um conjunto
> finito de opções...
>   
Vamos lá, João Marcos, mas tenha paciência comigo porque minha 
matemática não vai muito além do colégio. Quando eu falei que não tenho 
problema nenhum com a prova de Euclides, e que via nela um algoritmo, eu 
estava pensando não exatamente na prova que ele fez, mas em uma versão 
contemporânea dela que li não me lembro onde. Vou detalhá-la à minha 
maneira:

01. Seja n um número qualquer
02. Liste todos os números primos menores ou iguais a n (p1, p2, p3, 
..., pj)
03. Faça k = p1.p2.p3. ... .pj
04. Faça m = k+1
05. Decomponha m em fatores primos e chame de p o menor fator primo de m.
06. Todos os números primos menores ou iguais a n são divisores de k 
------- (por 2 e 3)
07. p é divisor de k+1 ------- (por 4 e 5)
08. p não é divisor de k  ------- (por 7)
09. p é obviamente primo ------- (por 5)
10. p é um número primo maior do que n ------- (por 6,8 e 9)
11. Dado qualquer número, sempre há um número primo maior do que ele 
----- (por 1 a 10).

Eu aceito e entendo esta prova. Ela me parece construtiva e prova que os 
primos são ilimitados. Ela me garante que qualquer algoritmo que procure 
o próximo número primo vai parar, na pior das hipóteses retornando p. Eu 
não vejo porque não deva aceitar a validade intuicionista desta prova, 
mas, caso esteja enganado, por favor aponte meu erro. Odeio sustentar 
falsas crenças :)

> A minha questão então é puramente *epistêmica*:
> como é que o intuicionista pode simplesmente ignorar a demonstração
> clássica (pois ele não confia nas regras utilizadas) e insistir que é
> apenas uma grande coincidência o fato de que o algoritmo que ele
> escreveu pára para toda entrada?
>   

Mas esta teimosia não é privilégio dos intuicionistas. Se eu te 
presentear com  um belo número par maior do que 2, digamos z, e pedir 
para você encontrar dois números primos p1 e p2 tais que  p1 + p2 = z,  
você, que não é bobo nem nada, faz um programinha trivial em seu 
computador, provavelmente em Prolog, para ficar bem curtinho, e vai 
maravilhar-se tanto quanto quiser com a fantástica coincidência de que o 
programa sempre vai parar e retornar dois números primos, para qualquer 
par que você coloque como entrada. Bem, devo admitir que neste ponto 
minha posição não é melhor do que a sua :( Mas o importante aqui é que a 
sua não é melhor do que a minha :) Até onde sei ninguém provou a 
conjectura de Goldbach, mas também ninguém encontrou contra-exemplo para 
ela. Será que dá para duvidar de sua verdade?

Saudações,
Daniel

PS: Ricardo, como bem disse o Décio, é mais provável que eu esteja mesmo 
é apanhando de Paula :(
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