Petrúcio:

    Um erro está no uso da palavra PRÓXIMO.
    A prova de Euclides, ou melhor, o algoritmo que ela
    inclui, não gera o PRÓXIMO número primo:

Concordo com você. Mas note que eu não disse que a prova de Euclides 
gera o próximo primo, mas apenas um primo maior que o número n de que 
partimos. O próximo primo maior que um número n será, "na pior das 
hipóteses" (foi assim que escrevi) o número p, ou seja, o menor fator 
primo do sucessor da multiplicação de todos os números primos menores do 
que n. Assim, qualquer algoritmo para obter o "próximo" número primo 
pára e retorna um número primo que é menor ou igual a p!

João Marcos:
> Bom, você não mostrou como "construir" este próximo primo!
>   

Achei que não fosse necessário, pois me parece trivial (em geral é aí 
que mora o perigo :) ). Mas já que você quer a "construção", então vá 
lá. Vou propor um algoritmo bem estúpido, já que a eficiência é 
irrelevante neste caso. Acho que você concorda comigo que a verificação 
de se um dado número n é primo ou não é construtiva/computável. O 
algoritmo, então, é:

FOR i=n+1 TO p
DO
   IF Primo(i) THEN Write(i); SKIP;
END

Note que não há o menor risco deste algoritmo não terminar pois o loop é 
limitado por p. Note também que não há o menor risco deste algoritmo não 
retornar um número primo, pois p, obtido do "algoritmo/prova de 
Euclides" é primo! Portanto, considero este algoritmo uma boa 
"construção" do próximo primo.

João Marcos:

> [...] Se alguém me mostrar, porém, que estratégias
> de demonstração mais poderosas do que aquelas de que disponho no
> momento me permitirão "saber" a resposta para este problema,
> provavelmente me esforçarei por entendê-las e aprendê-las, ao invés de
> criticá-las a priori por não pertencerem ao meu estoque de presunções
> sobre o que é "admissível em matemática" ou não...
>   

Aí é que está o X da questão. Eu conheço estas "estratégias de 
demonstração mais poderosas". Mas não gosto delas, porque são baseadas 
em crenças que não compartilho sobre o estatuto ontológico das entidades 
matemáticas. Aliás, o modo de conhecer da matemática é a priori, afinal 
de contas é justamente por isso que mesmo com um CAMINHÃO de razões a 
posteriori para confiarmos na conjectura de Goldbach, continuamos com 
uma ponta de desconfiança sobre ela.

Mas a questão que me parece mais interessante sobre este debate a 
respeito do intuicionismo é a seguinte: que diferença, nas aplicações da 
matemática (e da lógica), os teoremas (argumentos válidos) clássicos mas 
não intuicionistas podem fazer? Eu desconfio que nas aplicações da 
matemática eles não fazem nenhuma diferença. Já nas aplicações da lógica 
a domínios não matemáticos, desconfio que estas diferenças tendem a ser 
embaraçosas para os clássicos. Mas confesso que para falar com 
propriedade sobre isso ainda preciso comer muito feijão (maga e leite 
também!) :)

Saudações,
Daniel


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