Olá, Carlos,

Dependendo de como entender sua formulação:

1) Ser um profissional com boa formação na área em questão (Filosofia,
> Matemática ou Computação);

posso estar de acordo. Assim como estou de acordo que não é qualquer
diploma de graduação na área específica que satisfaz o que pretendi
com a formulação anterior. A questão é que a avaliação de uma banca
me parece formnecer uma garantia ainda menor do que estamos visando
- você e eu, acredito. Assim como você disse: uma boa banca, poderíamos
dizer: uma graduação em instituição de reconhecido nível...
Mas há um ponto que quero frisar: não acredito em formação autodidata
na área de filosofia. Ë muito mais fácil saber o que é uma formação numa
área de exatas do que na área de filosofia, que importa num tipo de maturação
muito particular.

Um abraço,

Andréa

2008/11/9 Carlos Gonzalez <[EMAIL PROTECTED]>:
> Olá João Marcos,
>
> Eu tenho muitas dúvidas com uma questão já discutida nesta lista com
> relação aos concursos:
>
> -> 1) Ser um profissional graduado na área em questão (penso aqui nas áreas:
> ->     de Filosofia, Matemática ou Computação);
>
> 1) Em primeiro lugar, eu não sou favorável a valorizar a graduação se
> tem um doutorado ou antecedentes de pesquisa original na área. Se uma
> pessoa tem título de doutor, então tem resultados relevantes
> interessantes de pesquisa. Mas, se ele criou um conhecimento relevante
> não deve ter dificuldade em estudar sozinho, com bons livros como hoje
> podem ser encontrados.
>
> 2) Lamentavelmente, mas muito lamentavelmente, o MEC relaxou e uma
> graduação hoje é garantia de muito pouco. Assim como tem aquelas boas
> graduações, tem por ai algumas outras nos quais entre os formados pode
> encontrar pouco mais que analfabetos funcionais. Não sei se Andrea
> está sabendo desses cursos que esta tendo por ai.
>
> 3) A lógica é uma disciplina que está entre várias áreas, mas as
> universidades contratam um profissional para atuar numa área
> específica, quase sempre. Por exemplo, um matemático faz uma tese de
> doutorado sobre teoria de conjuntos, álgebras de Heyting, etc., sem
> nenhuma formação em questões filosóficas, epistemológicas nem de
> história ou filosofia da matemática. Pode não ser proveitoso para um
> departamento de filosofia contratar um docente dessas características.
> Mas se a graduação não garante nada: o que fazer? Similarmente para
> outras misturas de áreas. Tem que ter cuidado de não esquematizar,
> pois as vezes é analisado um curriculum com muitos antecedentes em
> filosofia da matemática e cria-se o preconceito de que essa pessoa não
> vai ser muito boa ensinando álgebra.
>
> 4) A única garantia de contratar um bom professor e uma banca de alto
> nível, capaz de avaliar pesquisas na área com critérios científicos.
> Eu acho que o melhor não é colocar graduações ou antecedentes
> limitantes, mas deixar claro no edital do concurso que a banca vai a
> avaliar conhecimentos necessários. E que a banca seja exigente. Que
> leia e entenda as pesquisas realizadas pelos candidatos. Que saiba o
> nível e o pretígio das publicações periódicas na área (ou, ao final,
> usar o qualis?)
>
> Eu penso que a anterior deveria ser substituída por:
>
> 1) Ser um profissional com boa formação na área em questão (Filosofia,
> Matemática ou Computação);
>
> Esta formação poderia ser  avaliada pela banca mediante interrogatório
> direto ou provas e pela análise de antecedentes relevantes,
> fundamentalmente publicações na área.
>
> Carlos Gonzalez
>
> 2008/11/9 Joao Marcos <[EMAIL PROTECTED]>:
>> Olás, divulgo a resposta abaixo na lista com a autorização da autora.
>>
>> JM
>>
>>
>> ---------- Forwarded message ----------
>> From: Andrea Loparic <[EMAIL PROTECTED]>
>> Date: 2008/11/6
>> Subject: Re: [Logica-l] a contratação de um lógico para um
>> Departamento de Filosofia "ideal"
>> To: Joao Marcos <[EMAIL PROTECTED]>
>>
>>
>> Olá colegas,
>>
>> Encontrei o Coniglio na Anpof e ele me seduziu pra essa lista.
>> E estou achando legal.
>>
>> Bem, a questão que põe o João Marcos é bem relevante.  E a resposta que
>> me parece correta é a mais acaciana:  um professor de lógica ideal para um
>> departamento de uma das áreas onde são dados cursos de lógica devia
>> preencher dois requisitos fundamentais:
>>
>> 1) Ser um profissional graduado na área em questão (penso aqui nas áreas:
>>   de Filosofia, Matemática ou Computação);
>>
>> 2) a) Dominar plenamente os temas básicos da Lógica Contemporânea Clássica,
>>   incluindo necessariamente  o Cálculo Proposicional e o Cálculo de 
>> Predicados
>>   com e sem Identidade, vistos numa versão semântica e em várias versões
>>   dedutivas,
>>
>>  b) Ter alguma formação e boa informação sobre temas mais avançados da Lógica
>>   Contemporânea Clássica  (teoria dos modelos, teoria dos conjuntos,
>>   teoria da prova, metamatemática, computabilidade)
>>
>>  c) Ser bem informado sobre temas afins, incluindo:
>>   - história da lógica
>>   - lógicas não clássicas
>>   - questões básicas concernentes a fundamentos das ciências formais
>>   - questões básicas da filosofia da linguagem
>>
>>  d) Acompanhar o que está sendo pesquisado atualmente na área
>>
>> Esse perfil é difícil de encontrar? Sim. Mas deveríamos cuidar de
>> formar e estimular
>> o surgimento de alunos que ao menos visassem ter essa formação. Acredito que 
>> o
>> item 1) é muito importante. Afinal, um professor de lógica não pode 
>> tornar-se um
>> estranho no ninho. Ele deve poder dialogar com os colegas sobre
>> questões concernentes
>> à sua área. Um professor de Lógica na Matemática deve ser um matemático que 
>> faz
>> Lógica; na filosofia, um filósofo que faz Lógica. E assim por diante.
>> Quando esse
>> princípio é observado, muito se evita em brigas, confusões e trapalhadas.
>>
>> É o que penso, João Marcos.
>>
>> Um abraço,
>>
>> Andréa Loparic
>> _______________________________________________
>> Logica-l mailing list
>> [email protected]
>> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
>>
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