Olá João Marcos, Eu tenho muitas dúvidas com uma questão já discutida nesta lista com relação aos concursos:
-> 1) Ser um profissional graduado na área em questão (penso aqui nas áreas: -> de Filosofia, Matemática ou Computação); 1) Em primeiro lugar, eu não sou favorável a valorizar a graduação se tem um doutorado ou antecedentes de pesquisa original na área. Se uma pessoa tem título de doutor, então tem resultados relevantes interessantes de pesquisa. Mas, se ele criou um conhecimento relevante não deve ter dificuldade em estudar sozinho, com bons livros como hoje podem ser encontrados. 2) Lamentavelmente, mas muito lamentavelmente, o MEC relaxou e uma graduação hoje é garantia de muito pouco. Assim como tem aquelas boas graduações, tem por ai algumas outras nos quais entre os formados pode encontrar pouco mais que analfabetos funcionais. Não sei se Andrea está sabendo desses cursos que esta tendo por ai. 3) A lógica é uma disciplina que está entre várias áreas, mas as universidades contratam um profissional para atuar numa área específica, quase sempre. Por exemplo, um matemático faz uma tese de doutorado sobre teoria de conjuntos, álgebras de Heyting, etc., sem nenhuma formação em questões filosóficas, epistemológicas nem de história ou filosofia da matemática. Pode não ser proveitoso para um departamento de filosofia contratar um docente dessas características. Mas se a graduação não garante nada: o que fazer? Similarmente para outras misturas de áreas. Tem que ter cuidado de não esquematizar, pois as vezes é analisado um curriculum com muitos antecedentes em filosofia da matemática e cria-se o preconceito de que essa pessoa não vai ser muito boa ensinando álgebra. 4) A única garantia de contratar um bom professor e uma banca de alto nível, capaz de avaliar pesquisas na área com critérios científicos. Eu acho que o melhor não é colocar graduações ou antecedentes limitantes, mas deixar claro no edital do concurso que a banca vai a avaliar conhecimentos necessários. E que a banca seja exigente. Que leia e entenda as pesquisas realizadas pelos candidatos. Que saiba o nível e o pretígio das publicações periódicas na área (ou, ao final, usar o qualis?) Eu penso que a anterior deveria ser substituída por: 1) Ser um profissional com boa formação na área em questão (Filosofia, Matemática ou Computação); Esta formação poderia ser avaliada pela banca mediante interrogatório direto ou provas e pela análise de antecedentes relevantes, fundamentalmente publicações na área. Carlos Gonzalez 2008/11/9 Joao Marcos <[EMAIL PROTECTED]>: > Olás, divulgo a resposta abaixo na lista com a autorização da autora. > > JM > > > ---------- Forwarded message ---------- > From: Andrea Loparic <[EMAIL PROTECTED]> > Date: 2008/11/6 > Subject: Re: [Logica-l] a contratação de um lógico para um > Departamento de Filosofia "ideal" > To: Joao Marcos <[EMAIL PROTECTED]> > > > Olá colegas, > > Encontrei o Coniglio na Anpof e ele me seduziu pra essa lista. > E estou achando legal. > > Bem, a questão que põe o João Marcos é bem relevante. E a resposta que > me parece correta é a mais acaciana: um professor de lógica ideal para um > departamento de uma das áreas onde são dados cursos de lógica devia > preencher dois requisitos fundamentais: > > 1) Ser um profissional graduado na área em questão (penso aqui nas áreas: > de Filosofia, Matemática ou Computação); > > 2) a) Dominar plenamente os temas básicos da Lógica Contemporânea Clássica, > incluindo necessariamente o Cálculo Proposicional e o Cálculo de Predicados > com e sem Identidade, vistos numa versão semântica e em várias versões > dedutivas, > > b) Ter alguma formação e boa informação sobre temas mais avançados da Lógica > Contemporânea Clássica (teoria dos modelos, teoria dos conjuntos, > teoria da prova, metamatemática, computabilidade) > > c) Ser bem informado sobre temas afins, incluindo: > - história da lógica > - lógicas não clássicas > - questões básicas concernentes a fundamentos das ciências formais > - questões básicas da filosofia da linguagem > > d) Acompanhar o que está sendo pesquisado atualmente na área > > Esse perfil é difícil de encontrar? Sim. Mas deveríamos cuidar de > formar e estimular > o surgimento de alunos que ao menos visassem ter essa formação. Acredito que o > item 1) é muito importante. Afinal, um professor de lógica não pode tornar-se > um > estranho no ninho. Ele deve poder dialogar com os colegas sobre > questões concernentes > à sua área. Um professor de Lógica na Matemática deve ser um matemático que > faz > Lógica; na filosofia, um filósofo que faz Lógica. E assim por diante. > Quando esse > princípio é observado, muito se evita em brigas, confusões e trapalhadas. > > É o que penso, João Marcos. > > Um abraço, > > Andréa Loparic > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
