Deus se manifesta no mundo? De modo nenhum, se um dos atributos de Deus for a bondade. Deus é necessário para explicar o universo? Há muitas explicações que Dele prescidem, como p.e. supor que o universo vem de uma flutuação do vácuo — e que as leis da física resultam de infinitudes inimagináveis de tentativas de fazê-lo. Dá para termos uma criação ex nihilo, sim.
Se ninguém vê Deus, para que precisamos de tal hipótese? O Deus do Velho Testamento é, sim, um Deus tirano, cruel, malvado. Foi modelado em cima de autocratas asiáticos, óbvio. ------------------------------ Morreu recentemente, há um mês, um amigo de longa data, frei Hermógenes Harada. Uma vez, entrando na cela dele, me falou, senhor Doria, o Credo principia, Creio em Deus Pai Todo Poderoso. No entanto, é melhor chamá-lo Fraqueza, porque só quando estamos fracos é que Dele nos aproximamos. O Harada tentou certa vez me mostrar por que motivo o Urgrund tem que ser o Vazio. (Não sei se bem o percebi.) Me disse: na religiões orientais, é a Clara Luz do Vazio. O Nada radical. E' imagem consistente com o que vejo na física. No mais, aceito que vim do Vazio e volto para o Vazio. Ao contrário do que se canta no Te Deum, non confundar in aeternum, é o que desejo: confundar in aeternum. 2009/7/25 Frank Thomas Sautter <[email protected]> > "Esnobismo cronológico" é invenção de um oxfordiano, professor de > literatura inglesa medieval. Indica o erro daqueles que acreditam ser a > capacidade cognitiva das pessoas do passado inferior à capacidade cognitiva > das pessoas do presente, por serem pessoas do passado. Por exemplo, > acreditar que o conhecimento científico-tecnológico faz alguma diferença na > questão sobre a existência de deuses. Se Alvaro não consumou o ato, pelo > menos flertou com ele, ou deu essa impressão. A falácia é menos óbvia do que > parece ser. Acho difícil encontrar uma pessoa que não tenha incorrido nela, > em um ou outro momento de sua vida. Eu, certamente, já fui vítima dela. > Quanto ao deus tirano, insisto: você, Doria, ofereceu uma causa de sua > crença - seu ódio - ou, mesmo, um bom motivo dessa sua crença. O ódio ao > teor da crença do oponente é, a meu ver, um motivo melhor do que a > simplicidade da crença do oponente; o ódio, por sinal, não é algo ruim em si > mesmo (e olha que não sou eu quem o diz). Mas você não ofereceu uma razão. > Se há um deus tirano, a fortiori há um deus. > > Se você afirmar que não há razão possível nesses assuntos, dou-me por > satisfeito e concluo a discussão. O que mais posso fazer? Eu mesmo estou > cansado do assunto, e somente me manifestei porque acreditei haver uma > questão lógica em jogo. Pessoalmente acredito que, nesses assuntos, somente > podemos agir como agem os juízes: primeiro estabelecem uma decisão, depois a > justificam (alguém acredita que os juízes agem diferente?). A crença na > (in)existência de Deus pode ser racionalizada (e, acredito, deve sê-lo; a > racionalização também não é algo ruim em si mesmo), mas não é e não pode ser > o resultado da racionalidade. Certamente Ricardo, como um bom hegeliano, > discordará. > > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > >
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