Creio que o Lula não consegue nem pronunciar "cognição"!
D.
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Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-970 Florianópolis, SC - Brasil
www.cfh.ufsc.br/~dkrause
Em 27/07/2009, às 15:28, Alvaro Augusto (L) escreveu:
Caro Frank,
Não creio que seja uma falácia, pois existem boas razões para
supormos que nossa capacidade cognitiva seja superior à de nossos
antepassados. Nossos parentes do paleolítico, por exemplo, contavam
apenas com os próprios cérebros para carregar toda a cultura da
humanidade. A situação melhorou com a invenção de escrita e ainda
mais com a invenção da imprensa. Hoje em dia a “base de dados da
humanidade” está armazenada em milhões de computadores e pode ser
acessada rapidamente e por um crescente número de pessoas. Da mesma
forma, nossos processos de captura e recuperação de informações são
muito mais sofisticados do que há meros 100 anos. Você poderá dizer,
e eu concordarei em parte, que nada disso nos tornou mais “sábios”.
Contudo, armazenamento e processamento de informações são itens
necessários à cognição e, tendo melhorado nesses aspectos,
melhoramos também em termos cognitivos.
Mas é claro que não dá para comparar a cognição de Platão à de
Lula...:-)
[ ]s
Alvaro Augusto
[email protected]
De: [email protected] [mailto:[email protected]
] Em nome de Frank Thomas Sautter
Enviada em: sábado, 25 de julho de 2009 09:48
Para: [email protected]
Assunto: [Logica-l] deus e crenças
"Esnobismo cronológico" é invenção de um oxfordiano, professor de
literatura inglesa medieval. Indica o erro daqueles que acreditam
ser a capacidade cognitiva das pessoas do passado inferior à
capacidade cognitiva das pessoas do presente, por serem pessoas do
passado. Por exemplo, acreditar que o conhecimento científico-
tecnológico faz alguma diferença na questão sobre a existência de
deuses. Se Alvaro não consumou o ato, pelo menos flertou com ele, ou
deu essa impressão. A falácia é menos óbvia do que parece ser. Acho
difícil encontrar uma pessoa que não tenha incorrido nela, em um ou
outro momento de sua vida. Eu, certamente, já fui vítima dela.
Quanto ao deus tirano, insisto: você, Doria, ofereceu uma causa de
sua crença - seu ódio - ou, mesmo, um bom motivo dessa sua crença. O
ódio ao teor da crença do oponente é, a meu ver, um motivo melhor do
que a simplicidade da crença do oponente; o ódio, por sinal, não é
algo ruim em si mesmo (e olha que não sou eu quem o diz). Mas você
não ofereceu uma razão. Se há um deus tirano, a fortiori há um deus.
Se você afirmar que não há razão possível nesses assuntos, dou-me
por satisfeito e concluo a discussão. O que mais posso fazer? Eu
mesmo estou cansado do assunto, e somente me manifestei porque
acreditei haver uma questão lógica em jogo. Pessoalmente acredito
que, nesses assuntos, somente podemos agir como agem os juízes:
primeiro estabelecem uma decisão, depois a justificam (alguém
acredita que os juízes agem diferente?). A crença na (in)existência
de Deus pode ser racionalizada (e, acredito, deve sê-lo; a
racionalização também não é algo ruim em si mesmo), mas não é e não
pode ser o resultado da racionalidade. Certamente Ricardo, como um
bom hegeliano, discordará.
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