A regulamentação não seria necessária em mercados perfeitos, mas,
atualmente, acho que nem os liberais mais radicais acreditam em mercados
perfeitos. Assim, a regulamentação é necessária, pois os mercados não são
perfeitos, mas cabem pelo menos três perguntas: (a) qual grau de
regulamentação é suficiente?; (b) como evitar que os reguladores sejam
"capturados" pelos agentes que regulam?; (c) quem regula os reguladores?

[ ]s

Alvaro Augusto
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http://twitter.com/alvaro_augusto


-----Mensagem original-----
De: [email protected] [mailto:[email protected]]
Em nome de Walter Carnielli
Enviada em: domingo, 3 de janeiro de 2010 01:28
Para: [email protected]
Assunto: [Logica-l] Ainda sobre a "lógica do engodo" ( e suas relações com o
mercado e com a ciência)

Caro  Júlio Fontana:

é  óbvio que há  legislação para casos concretos e  isolados, como no
exemplo do tipo da assinatura de revista.

Mas  não há, obviamente, legislação contra uma *certa classe* de
engodos, cada vez  mais  usada na  vida comercial e empresarial contra
os consumidores.  É isso a que eu me referi, dando uma rápida
entrevista ao Boletim FAPESP, sobre a  possibilidade de  legislação a
respeito.

Na verdade, a  questao é  muito mais profunda, e tem a  ver com os
pilares da economia: se  os mercados podem ser auto-reguladores  ou
necessitam da  mão do estado. Até os "Chicago boys"  hoje em dia
admitem que a  economia, e em particular as relações do consumo devem
ser exo-reguladas,  A  respeito da quantidade e qualidade
impressionante de truques aplicaodos  sobre nós, pobres combustíveis
do mercado, recomendo o ótimo  "The Undercover Economist: Exposing Why
the Rich Are Rich, the Poor Are Poor--and Why You Can Never Buy a
Decent Used Car", de  Tim Harford, Oxford University Press, 2005.

Sobre o texto do  Margutti Pinto, não  posso concordar nem discordar
sobre se   princípios e regras da lógica poderiam ou não  ser
oriundos da linguagem, porque não sei quem veio primeiro, se a
linguagem ou a  lógica. Talvez  o Margutti Pinto saiba...  seria
melhor perguntar a ele.

A "lógica do engodo"  não é nenhum "sistema"  lógico, é uma *análise*
lógica da questão.
É  um problema da argumentação, e  não parte da retórica apenas,
embora os "bullshit attacks" possam  ser  *piorados*  com a retórica.

Para a ciência representam,  sem dúvida,  um alerta, uma vez que
teorias  erradas, propostas  absurdas e hipóteses estapafúrdias
abundam. E ainda mais, a ciência é afetada pela  política, império do
"bullshit".

Abs,

Walter


> Tópicos de Hoje:
>
>   1. (sem assunto) (Julio Fontana)


> Olá,
>
> Obrigado pela resposta. Gostaria de ler o seu texto sim.
>
> Mas alerto que a parte de não existir previsão na legislação quanto ao
tipo da assinatura de revista está errada. Legislação inclui os códigos
(CDC, CC, CPC) mas também jurisprudência e doutrina. Caso não seja informado
pelo contratado que o contratante deve proceder ao cancelamento da
assinatura após três caso contrário é cobrada a assinatura, o judiciário
garante a recisão contratual. Inclusive com as devidas indenizações e
devolução do valor pago indevidavemente em dobro. Minha esposa é advogada e
conheço um pouco sobre isso.
>
> Quanto a lógica certamente seu conhecimento é infinitamente maior do que o
meu, então lhe questiono com a humildade de um aprendiz. Lendo um texto do
professor Margutti Pinto concordei que alguns princípios e regras da lógica
são oriundos da realidade e outros da linguagem. Essa lógica do engodo
pertence a esse segundo grupo? Qual a diferença dessa lógica para a
retórica? O que eles interessam, por exemplo, para a ciência? É lógica da
argumentação e não formal?
>
> Desculpe por escrever de improviso, mas hoje é dia 31... Feliz Ano Novo
para todos da lista!
> Julio Fontana
>

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